Feliz aquele que na adversidade encontra apoio,
força e conforto espiritual oferecidos por almas
amorosas, sem nada pedir em troca. Graça de Deus!
Feliz aquele que na adversidade encontra apoio,
força e conforto espiritual oferecidos por almas
amorosas, sem nada pedir em troca. Graça de Deus!
Chegou o Natal... e é incrível observar como nós, os adultos, também nos transformamos em crianças. Relembramos aquela Criança que um dia fomos, sonhando o tempo todo com a chegada do Papai-Noel carregado de presentes e com a certeza de que não faltaria presente para nenhuma criança. Todos receberiam o mimo de Natal.
Haja expectativa, mas, hoje, para nós, a expectativa é maior, ao contemplar a alegria inata das crianças, os olhinhos brilhando em busca do Papai Noel ali no shopping ao entregar-lhe um cartinha contendo seus pedidos e, no dia de Natal, correr para a árvore enfeitada em busca do seu sonhado presente. Não esperam nem a ceia familiar da meia noite, tamanha a curiosidade, ansiedade para receber o pacote e ver com seus próprios olhinhos o que haveria dentro de tantas embalagens enfeitadas.
Será que o Papai-Noel atendeu meu pedido, indagam a todo momento. Ah..., hoje, para vovôs corujas..., não tem dinheiro que pague contemplar esse cenário de pura alegria, puro amor infantil. E foi assim que rebuscando meus arquivos encontrei uma crônica que escrevi, para o Dia dos Pais, há alguns anos e que bem retrata esse sentimento, o amor das crianças, muito bem retratado na metáfora do conto “O Pássaro Encantado”. O autor, Rubem Alves, muito bem nos definiu, a nós os adultos, especialmente os avós: Adultos que tem crianças morando dentro de si e têm medo da solidão”!
“As almas dos velhos e das crianças brincam no mesmo tempo. As crianças ainda sabem aquilo que os velhos esqueceram e têm de aprender de novo: que a vida é brinquedo que para nada serve, a não ser para a alegria!” (Rubem Alves)
E neste Natal de 2024, quero, por meio da crônica a seguir, que retrata o amor das crianças, levar o meu abraço a todos os amigos e leitores de minhas crônicas e contos. Natal é época maravilhosa em que celebramos o nascimento do Menino Jesus. Tenho muitas crianças morando em mim e agora é hora de festejar, abraçar, dar e receber presentes, como gostam as crianças. Que as crianças, que também moram dentro de você, extravasem a alegria, o Amor.
Saúde...! Boas Festas e um Ano de 2025 cheio de realizações.
Veja a crônica: (copie o link e cole-o no seu navegador)
https://contosdaslavras.blogspot.com/2018/08/a-saudade-que-encanta-as-pessoas-e-o.html
Pela primeira vez Pedro Henrique, de cinco anos, dormiu sozinho com o vovô. Ele numa cama e eu em outra, no mesmo quarto, lado a lado, distante do quarto onde dormiam a vovó e a priminha Sarah. Só o fato de ser a primeira vez já nos deixou a ambos antenados na curiosidade do “como viria a ser”. Sempre antes de dormir, ele na cama de casal com a vovó, era praxe pedir para que eu fosse contar uma historinha depois que já tivesse feito sua prece. Assim, cumprimos o ritual das poucas vezes em que costumava dormir na casa dos avós. Terminada a oração comecei a contar uma história baseada numa visita que fiz à Base de Lançamentos de Foguetes, em Kourou, na Guiana Francesa. Mal acabara de iniciar e descrever a sala de controles do lançamento e o enorme tamanho do foguete já fumegando, pronto para disparar, mas ainda atrelado à torre de lançamento, ele interrompeu-me: ihhh..., não..., vovô..., essa é da NASA, eu já conheço. É semelhante, mas não é da NASA, é da França, de sua base lançamentos aqui na fronteira com o Brasil. Ah..., é a mesma coisa, eu já vi lançamento de foguetes e espaçonaves... Interrompida a história tive que inventar outra, pois certamente já vira, na TV, o “filme” das espaçonaves. Mas, o que mais me fez feliz naquela noite foi ver aquela criaturinha ir apagando-se aos poucos, piscares miúdos, como a sorrir zombeteiramente e por fim o sono dos justos.
Nada é mais gratificante do que ver o filho ou neto, que acaba sendo filho em dobro, com dupla dose de amor, cair no sono, adormecer, entregando-se como a dizer com aquele rostinho angelical: está tudo bem, estou feliz, vovô cuidará de mim contra os fantasmas. Estou protegido contra todos e tudo. Tudo aquilo que alimenta sua alma infantil de doçura que acredita em fantasmas, tartarugas ninjas poderosas e fadas madrinhas do dentinho de leite. Não há felicidade maior do que estar ali ao lado daquele rostinho suave, pele brilhante, olhos fechados, tranquilos. Semblante feliz a ressonar suavemente. Tudo é paz. E ali ficamos a contemplar aquela cena, enlevados, com a alma flutuando e desejando que aquilo não terminasse nunca. Que fosse eterna a noite, tal o estado de felicidade por estar e ter sido o escolhido como guardião para aquele anjinho que se entrega em doce sono. Aquele mesmo contestador... ah... vovô conta outra história... essa eu já sei... e de repente, vencido pelo sono, silencia adormecido. Ah, quanta graça, quantas bênçãos de Deus por merecermos estar ali, fazendo parte daquele sonho.
Naquela noite não consegui dormir plenamente. A todo instante olhava para o lado e pousava a mão sobre seu bracinho descoberto e o recobria. Lá pelas tantas, às três da matina, ele sentou-se na cama e disse: vovô, quero ir ao banheiro. Respondi, vou com você. Lá, acendi a luz e antes de voltarmos para a cama disse-me: “Eu vi a fada-madrinha em frente ao espelho, mas ela não trouxe meu dentinho novo, deve ser porque ele caiu no esgoto e o ratinho ainda não o entregou a ela”. Não entendi muito bem, mas confirmei... sim, a fada madrinha do dentinho esteve aí em frente ao espelho do banheiro..., e acrescentei que amanhã ela levaria o dentinho. Voltamos para a cama e antes de continuar o sono, ainda perguntou: Você vai me levar para a escolinha? Bem cedo, antes das sete, já estava olhando para mim, clamando para levantar e cochichando pediu-me para falar baixo para não acordar a vovó e a priminha Sarah que dormiam no quarto ao lado.
Um pouco mais tarde relatei o “sonho” da fada madrinha e a vovó explicou que no dia anterior ele havia perdido um dentinho que estava prestes a cair naturalmente. Não conseguira segurá-lo, pois caíra no ralo do lavatório. Decepcionado, por não ter podido recuperá-lo e entregar à fada-madrinha, que lhe faria nascer outro, a mãe lhe dissera que havia um ratinho lá no lago, onde desemboca a rede de esgoto, esperando o dentinho para entrega-lo à fada-madrinha. Assim, na pureza de sua alma absorveu a fantasia do ratinho coadjuvante e em seu sonho na alta madrugada, ficou sem entender por que a fada-madrinha veio visitar lhe, bem ali em frente ao grande espelho e não lhe deu o novo dente. Essa, certamente, foi a sua “visão”, vislumbrando a fada ali no lavatório igual ao de sua casa, onde havia caído seu dentinho que desceu ralo abaixo. E com o dedinho na banguelinha dos dentes incisivos, perguntava: Por que, vovô, por que será que ela não trouxe o dentinho novo? Talvez, porque o ratinho ainda não tivesse entregado a ela o velho dentinho que caíra no lavatório. Vai demorar um pouquinho, mas ela o trará para você.
Que belo momento esse do ninho, do aconchego da cama quentinha, onde a criança tem plena segurança e confiança naqueles que a cercam. Que privilégio conviver com uma criança tranquila, que só tem amor em seu coraçãozinho. O poeta e filósofo Rubem Alves disse que “um homem que guarda memórias de ninho na sua alma tem de ser um homem bom. Uma criança que guarda memórias de um ninho em sua alma tem de ser calma”! É verdade, além do que nos torna mais compreensivos e amorosos, pois somos “a segurança” deles, os pequenos. O nosso ninar, o abraço, o dar as mãos, o olhar, ou até mesmo a nossa palavra são os esteios seguros nos quais as crianças se apoiam.
Ao chegarmos à escolinha pouco antes das sete horas, enquanto ele e eu conversávamos com a professora, chegou outro menininho que, quase choramingando, abraçou o pai e diante do argumento " preciso ir", o filhinho perguntou: para onde você vai, pai? Papai vai trabalhar filhinho... E nesse ponto entra o Pedro Henrique e diz bem alto: "O meu vovô não trabalha, não, ele fica em casa".... Paguei o maior mico, pois todos acharam graça nas palavras do netinho, inclusive aquele que estava quase chorando. Coisas de crianças que disputam situações inusitadas. Mas, querem saber, mesmo? Jogo de mão dupla, pois, na verdade elas, as crianças, são os nossos esteios, pontos firmes de apoio e estímulo para a nossa alma, razão do nosso viver prolongando nossos dias aqui na terra. Anjos que elevam e enlevam nossa alma.
Amém!
Brasília, 25 de junho de 2014
Paulo das Lavras
A celebração do dia de finados é bem antiga e foi unificada
pela igreja católica, durante a Idade Márdia, há mais de mil anos. O dia 02 de
novembro foi escolhido por ser o dia seguinte ao Dia de Todos os Santos. Por
que dia de todos os santos ? Siplesmente porque os mártires morriam em grupos,
especialmente no período da grande perseguição aos cristãos pelo império romano.
Assim, essa foi a forma mais prática de se celebar a memória de todos eles. A
escolha da data, de 1º de Novembro para o dia de todos os santos, foi para
concorrer com as festas pagãs do Halloween. Um dos costumes dessa festa era
levar flores aos entes queridos nos
cemitérios. Então, a igreja separou esses rituais e criou o dia especial, 02 de
novembro, como sendo o Dia de Finados. Esse dia especial, celebtado no dia
seguinte ao de todos os santos, é especialmente reservado para as homenagens
aos entes queridos de cada família.
Este dia não deixa de ser um momento propício para a reflexão
sobre a morte e vida. Não gosto, como a maioria das pessoas, de pensar e
tampouco falar sobre a morte. Medo? Não! Prefiro a alegria da vida. O que é a
vida? Assim perguntou Rubem Alves em sua obra “Sobre a morte e o morrer” e
prossegue com mais perguntas intrigantes como o que é a vida de um ser humano?
O que e quem a define? A vida é tão boa! Não quero ir embora. Ninguém quer ir
embora, deixar a vida. Que coisa mais sem graça ser colhido no meio da festa (a
vida, a convivência com a família e amigos), interromper tudo sem aviso
prévio e
depois os amigos vão esvaziar suas gavetas, seu guarda-roupas, seus livros,
seus mimos, aquel baú de afetos que todos nós guardamos com cuidado e carinho,,
como que apagando todas as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Que
coisa cruel, não para quem se foi, mas para aqueles que ficaram e choram a sua
lembrança. Só quem já perdeu abruptamente entes queridos sabe avaliar essa dor
irremediável, de se esvaziar “as gavetas da vida” de quem acabou de partir e
deixou um vácuo, uma dor terrível na alma de todos.
Penso que a vida é uma dádiva de Deus e que devemos vivê-la
de tal modo que ela, por si só, se torne uma jornada feliz, alegre, em paz
consigo próprio e com todos que o cercam ou, em outras palavras, com amor. E
isto é o céu. A qualquer hora que ela, a morte, vier nos buscar nos encontrará
felizes e sem nenhuma dívida (falta) para com os amigos e aqueles com os quais
convivemos. Tenho certeza que assim procedendo será mais fácil para aqueles que
ficam. Assimilar a partida final não é fácil e, “morrendo feliz” os amigos terão o conforto de
que aquele, que partiu para sempre, praticou o bem e que suas faltas
involuntárias nem contam diante do saldo positivo que deixou para todos. O filósofo Rubem Alves disse: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para
nascer e tempo para morrer. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A reverência
pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a
vida deseja ir”.
E hoje, Dia de Finados, também é dia de se lembrar daqueles
que um dia fizeram algo memorável para a humanidade, Aqueles que tombaram em
batalhas, defendendo a liberdade ou lutando por algo importante para a
hgumanidade, Assim, neste dia, relembro alguns destes grandes homens que
embora, não os tivéssemos conhecido, deixaram respeitável legado a todos nós.
Mas, não somente neste dia, tenho uma palavra aos amigos:
“Feliz daquele que cuidou da vida de
alguém que se preparava para partir. Cuidar para que a finitude seja mansa, sem dores e cercada de amigos,
longe de UTIs. Portanto, neste dia de lembrança dos nossos entes
queridos que nos deixaram para sempre, nosso coração se conforta com a lembrança
do carinho e cuidado que dedicamos a eles, nossos pais e demais entes queridos,
nos dias que antecederam as suas partidas para a Glória de Deus, justamente
quando mais precisaram de nós”.
Espero que as suas memórias neste dia
especial, em relação aos entes queridos, tenham servido de conforto ao seu
coração ainda dolorido. Nesse sentido, reproduzo as palavras que hoje recebi de
amigo dos tempos de seminarista aos 12 anos de idade:
Dia de Finados: lembremos com carinho
daqueles que amamos, daqueles que partiram antes de nós. Sinta saudade, mas não
tristeza, pois, apesar da ausência física, o amor permanece intacto. Recorde os
momentos felizes, agradeça a maravilhosa oportunidade de ter convivido com
pessoas tão especiais...
Amém! E que você tenha depositado uma
flor no túmulo de seus entes queridos, em sinal de respeito e amor, pois as
flores nos inspiram isso. Também uma oração de agradecimento a Deus, pela oportunidade
de ter convivido com eles, conforta igualmente a alma, onde quer que você
esteja, ou tenha estado neste dia de hoje. Amém!
Brasília, 02 de Novembro de 2024
Paulo das Lavras
Nossos colegas de escola marcaram
nossas vidas. Afinal, passamos longo tempo juntos, alguns desde os primeiros
dias de escola primária. Não poderíamos esquecê-los nunca, tal o grau de
proximidade e interesses comuns que nos uniram ao longo da vida e justamente no
período em que estávamos buscando nossa própria identidade. Talvez isto, a consolidação
da amizade, do vínculo fraterno, fosse mais importante que as horas em sala de
aula ou juntos em horas e horas de estudos e elaboração de tarefas escolares. Por
isso, alguns deles tanto nos marcaram, quer pela gentileza, simpatia,
humildade, dedicação, inteligência e tantas outras qualidades e às vezes até
mesmo as dificuldades naturais da vida de estudante, às voltas com matéria
“chatas” ou de difícil assimilação e que estávamos sempre a nos ajudar
mutuamente. Mas, chega-se à última formatura, na faculdade e nos separamos em
definitivo, cada qual em seu novo rumo..., profissão, família , mergulhando em
seus próprios sonhos, tornando-se independentes, em outro mundo social. Outro
mundo social? Sim, outro ambiente, longe daqueles colegas que sempre o
acompanhavam e ali estavam para o bem ou... para as eternas gozações próprias
de amigos que têm camaradagem, companheirismo. Ah..., tempos bons, nos
lembramos hoje, com muita saudade, 50 anos depois. Que saudade matadeira que
faz derreter nossos corações. Quanta ternura na alma, relembrar os doces tempos
e as figuras do colegas, sempre a sorrir e prontos para lhe “pegar” em algum
escorregão, falha, que serviria de piada a semana inteira.
Tempus
fugit, diz o clássico ditado... o
tempo voa, e de repente nos damos
conta..., caramba, já são passados 57 anos de nossa formatura na faculdade! E
onde estão os colegas? Nem éramos tantos..., apenas 30 formandos na turma de
Agronomia/1967 da velha e hoje centenária ESAL/UFLA. A cada cinco anos nos
reunimos e revivemos aqueles bons tempos. Famílias crescidas, com netos e
bisnetos, alegrias e bençãos que Deus
nos envia para prolongar nossos dias de
glória na Terra. Encontro de irmãos que exala, transpira alegria, contentamento
e gratidão por termos sido tão gratificados ao longo de nossa existência e em
especial durante aquele tempo de convivência sadia com os colegas de escola,
ali reunidos, a apresentar-nos suas famílias com a maior alegria e orgulho do
mundo e ainda nos contando sobre seus sucessos profissionais. Que benção!
Mas,
infelizmente, ao longo desse quase sessenta anos que separam a nossa formatura
e despedida escolar, temos também recebido duros golpes com o passamento de
queridos colegas, aos quais sequer pudemos dar um último adeus. A distância,
quase sempre, nos impede de chegar a tempo e temos que nos contentar com a
solitária reflexão e dor do luto. Foi
assim, justo no dia de meu aniversário, sem nenhum aviso prévio,
apareceu na tela do celular uma mensagem com o obituário e convite para o
velório do nosso doce, o mais gentil e prestativo colega de faculdade, aliás
desde os tempos de colégio em Lavras: João Júlio dos Santos. Duro golpe, dor
lancinante no coração... Lá se foi o mais doce dos colegas, aquele que estava
sempre a sorrir e a nos levar a passear em sua linda, charmosa e histórica
perua Chevrolet ano 1929, conhecida por
Tereza. Ah, meu caro João Júlio... , seu lago sorriso, como naqueles passeios,
desfilando alegremente pelas ruas de Lavras na “nossa” Tereza , patrimônio
carinhoso e zelado por todos nós, ficará eternamente em nossas memórias..., a
sua alegria contagiante, finesse no trato e amor fraterno.
Que Deus nos conforte a todos,
especialmente à sua querida família, ali
na cidade dos Perdões, vizinha a minha cidade natal.
Brasília, 06 de abril de 2024
Paulo das Lavras