domingo, 31 de maio de 2026

Museu da Vitória – Força Expedicionária Brasileira: Requiem para o herói Cel. Nestor Silva

 

 
 Cel. Nestor Silva, expedicionário mais longevo da FEB, partiu ontem, 
aos 109 anos de idade. Figura exemplar que inspirou muitos jovens em nosso país. 
Foto do autor - 2014, solenidade Dia do Soldado - QGEx-Brasília, DF 


Aprendi desde criança a admirar os pracinhas brasileiros. Nos desfiles de 7 de Setembro sempre havia a ala dos pracinhas, verdadeiro pelotão de nossos veteranos expedicionários, que lutaram na 2ª Grande Guerra, na Itália. Quase sempre havia um antigo Jeep estilizado com os acessórios de guerra e alguns soldados uniformizado à caráter. Com o passar do tempo, a idade avançando, foram escasseando e passaram a desfilar em viaturas de época, enfeitadas com seus troféus de guerra, especialmente o emblema da “cobra fumando”.  Não foi diferente aqui em Brasília. Passei a frequentar os bastidores e a sala de estar, montada especialmente para eles, bem ao lado dos palanques oficiais. Foi ali que conheci o Cel. Nestor Silva, sempre com a vistosa boina azul, ostentando a logomarca da FEB, a “cobra fumando”, ele era um dos mais antigos, senão o mais antigo expedicionário da aviação do Exército Brasileiro. A aviação militar teve naquela guerra, o seu batismo de fogo, quando já ostentava a nova denominação de Força Aérea Brasileira-FAB, com atuação de destaque ao lado das forças norte-americanas nos campos de batalha italianos. 

O Cel. Nestor Silva, nos deixou hoje, aos 109 anos. Sim, cento e nove anos, pois nasceu em 1917 e era a simpatia em pessoa. O conhecia de longa data, desde os tempos em que levava meus filhos pequenos aos desfiles de 7 de Setembro e procurávamos os pracinhas para lhes dar um abraço de gratidão. Não faz muito tempo, ainda o cumprimentei e fizemos fotos, no QG do Exército em solenidades do Dia da Vitória. Nas solenidades dos 80 anos da FEB, lá estava ele a comemorar a data, pois, integrou as fileiras do 11º Regimento de Infantaria da FEB e foi promovido por bravura durante a Tomada de Montese. Participou de importantes batalhas também em Monte Castelo e Castelnuovo. Pela sua bravura, reconhecida oficialmente,  recebeu a mais elevada condecoração, a Cruz de Combate de 1ª Classe que somente é concedida a militares que demonstraram bravura excepcional diante do inimigo.

  Foi, sem dúvida alguma um dos mais notáveis veteranos da Força Expedicionária Brasileira-FEB.  Deixa um legado exemplar de disciplina e profissionalismo, tendo prestado grande serviço à Pátria, mesmo depois de aposentado. Sua  postura, caráter e empatia, influenciaram muitos jovens a seguir carreira no Exército, incluindo uma de minhas filhas, da primeira turma feminina de oficiais, ainda na década de 1990. Sua morte representa a perda de um dos últimos elos vivos com a geração de brasileiros que enfrentou os campos de batalha da Europa entre 1944 e 1945, disse o Exército em nota oficial.

Descanse em paz, guerreiro querido de nosso país e de muitos italianos! Que Deus conforte e continue a abençoando seus familiares. Amém!

 Brasília, 31 de maio de 2026

Paulo das Lavras


 
O Coronel Nestor Silva, comemorando seus 100 anos de idade 
Foto - arquivos da FEB


 
O Coronel Nestor Silva, em desfile de 7 de Setembro 
Foto - arquivos da FEB


 
A capela Ecumênica- Oratório do Soldado, no QGEx enfeitou-se com as flores naturais de buganvília para recepcionar o corpo do herói, o Cel. Nestor Silva, em sua despedida final. 
Foto do autor


 
 
Guarda de Honra - Dragões da Independência - RCG 
Foto do autor


 
Os Dragões da Independência, honram a chegada de um militar aposentado e esposa, 
com outros oficiais, à entrada do Oratório do Soldado. 
Foto do autor 


 
Soldados com uniformes usados nos campos de batalha 
 da Itália em 1944 e 1945. Homenagem ao grande guerreiro 
Foto do autor 




 Os símbolos da Vitória nas batalhas da 2ª Guerra Mundial, o capacete, cantil e 
 o coldre, com as bandeiras do Brasil e da FEB, estilizada com a figura da cobra fumando, 
como a nos lembrar sobre a bravura daquele soldado que um dia 
defendeu a nossa liberdade, em distantes terras. 
Foto do autor