domingo, 8 de março de 2020

Dia da Mulher – 08 de Março de 2020


MULHER - Somos aquilo que elas, as mulheres, nos fizeram, do nascimento à paternidade. Simples assim! Nem deveria haver um dia especial como o oito de março. Deveriam ser celebradas todos os dias. Sempre!
 - Homem que tem medo da concorrência da mulher, no trabalho, merece mesmo ser derrotado. E ponto final, nem se fala mais em machismo, mas sim de ignorância, burrice, preconceito.




Com essas palavras em epígrafe, relembro a mulher mais poderosa do país, a ministra Carmem Lucia, do Supremo Tribunal Federal-STF, que disse que é necessário refletirmos, neste Dia Internacional da Mulher, 08 de Março, sobre o que podemos cada um, fazer para mudar esse quadro que reina em nosso país, de extrema violência contra a Mulher. Além da violência física, a que muitas estão submetidas, há ainda as constantes manifestações com comentários e brincadeiras que demonstram preconceito. É preciso repensar esse comportamento machista, mas ele só será vencido pela educação e aplicação mais rigorosas das leis. Sustenta a ministra que parte desse preconceito contra a mulher parte do pressuposto, falso, de acharem que elas são mais frágeis, e por isso são prejudicadas na competição profissional, ganhando menos até mesmo em cargos e funções idênticos aos exercidos por homens. Triste e odioso, digo eu, sobre esse vil preconceito, pois há e sempre houve mulheres de destaque em todos os campos da ciência. Basta abrir os jornais e hoje lá se destacam cinco mulheres brasileiras que sequenciaram o genoma do coronavírus, sendo uma de 28 e outas duas de apenas 30 anos de idade. Que beleza, que lindo! Digo e repito sempre: homem que tem medo da concorrência da mulher, no trabalho, merece mesmo ser derrotado. E ponto final, nem se fala mais em machismo, mas sim de ignorância, burrice, preconceito.


Nessa linha de pensamento podemos deduzir que é extremamente injusto esse preconceito no trabalho contra as mulheres. São condenadas a provarem que são muito melhores que o homem, como chegou a declarar o examinador de um concurso para procuradora do estado, da ministra Carmem Lucia, em 1982 nas Minas Gerais, minha terra natal. Teve a petulância de arrematar o pesado preconceito, dizendo-lhe: “se for igual a homem (no resultado do exame eliminatório), preferimos homem”. E eu pergunto, será que aquele juiz examinador, machista, pensava que mulheres não tem inteligência e deveria cuidar apenas de tarefas menores? Oh... my God! Tive o privilégio de trabalhar com mulheres a vida inteira, nas universidades e no Ministério da Educação. Aqui fui chefiado várias vezes por elas, inclusive por uma ministra, Esther de Figueiredo Ferraz. Nunca tive problemas, ao contrário, sempre apreciei as suas inteligências e descortino para com os assuntos educacionais. Coordenei, por quatro anos, cerca de 250 professores brasileiros em cursos de doutorado nos EUA e as mulheres foram as que mais se sobressaíram. Guerreiras que cuidavam da ciência e dos pimpolhos que aprendiam inglês muito mais rápido do que os pais.

A humanidade está cheia de mulheres de destaque e aprendi que no campo educacional são imbatíveis, pois além da inteligência contam com sensibilidade ímpar, amor de mãe, amor de mulher inata para a educação. Costumo dizer que nós os homens somos aquilo que elas nos fizeram, do nascimento à paternidade. Nada seríamos sem Elas. Portanto, rendamos respeito e homenagens a Ela, a mulher, neste seu Dia Especial.

Brasília, 08 de Março de 2020

Paulo das Lavras




sábado, 29 de fevereiro de 2020

No topo da carreira


Certa vez um amigo perguntou-me: “Chegar ao MEC e ali ocupar os mais altos cargos técnicos foi uma aspiração?”. Quando estudava agronomia, o máximo que eu aspirava era ser um técnico capaz de pegar uma propriedade rural de baixo rendimento e transformá-la em uma fazenda de alta produção, com elevados índices de produtividade, tal qual eu via e aprendia com os ensinamentos de meus mestres. Deus me deu muito mais do que imaginei. Tenho espirito de servidor publico no sentido mais puro e genuíno. Digo isso com orgulho de querer servir ao meu país, à população e à família. Convivi e aprendi a ver, notar, sentir e admirar a simplicidade, a honestidade do homem do campo, seus princípios de retidão, de respeito à natureza, solidariedade para com os vizinhos, também pequenos produtores rurais e, sobretudo, aquele espírito de fazer (o nome “fazenda” tem essa origem), produzir e olhar para o amanhã, ver os paióis cheios das colheitas no campo cultivado e ter a certeza de que o futuro dos filhos estava garantido. O maior prazer do homem do campo era receber a todos para um almoço ou festa (e como havia festas na zona rural, eram quase que semanais, sempre em diferentes casas) e ver a mesa farta, com os produtos colhidos com seu esforço. Orgulho genuíno de quem produz, contribui e compartilha, verdadeiro e puro espírito publico.

A carreira da agronomia foi primordial para o desenvolvimento do espírito de servidor publico. Não bastasse a vivência da infância e juventude no meio rural, dos anos de 1950/60, onde predominava o espírito colaborativo e de solidariedade entre os moradores afastados dos centros urbanos, o menino pôde, na faculdade, desenvolver trabalhos sociais na periferia da cidade de Lavras. Ali visitamos algumas comunidades de baixa ou quase nenhuma renda, dentre elas a da antiga estrada para a Ponte do Funil, bem acima da Estação Ferroviária, hoje bairros Jardim Europa e COHAB e, no outro extremo da cidade, a então rua carroçável, localizada depois do túnel e atrás da Paróquia de São Sebastião, hoje denominada Rua Donato Bauth. Entrevistamos dezenas de famílias que, no passado, tinham sido expulsas do campo, por conta da legislação, como a Lei Áurea e Reforma Agrária de 1964. Viviam em extrema penúria em barracos de adobe com portas e janelas muito rústicas. Nesse trabalho, coordenado e supervisionado pelo saudoso mestre de Economia Rural, Guaracy Vieira, concluímos um tanto chocados pela dureza da vida daquelas famílias, em sua grande maioria desempregada e analfabeta, que precisaríamos trabalhar muito, desenvolver nossa agricultura, educação e outros empregos para tão sofrida parcela da população. Assim, nosso ideal de espirito público se fortaleceu. E hoje não é muito diferente a situação, pois ainda há muita desigualdade social em nosso país. Basta ver a carência dos transportes públicos, dos serviços de saúde, segurança pública e, sobretudo na oferta de Educação. Minha experiência foi dura, pois de 250 meninos matriculados no colégio, chegamos apenas 30 no 3º científico, que corresponde ao segundo grau completo (ensino médio). Não tinham condições de pagar a educação e precisavam trabalhar para ajudar no sustento da família, pois nos anos de 1950 e 60 não havia colégios públicos na cidade de 40.000 habitantes.

Mas, tudo isso serviu para embasar e reforçar nosso sentimento de servir ao público, buscar a melhoria das condições sociais de colegas, vizinhos, enfim nossa gente, nossa Pátria! Por isso sou grato ao berço e aos mestres que nos educaram no caminho do servir ao próximo. Fizeram com que enxergássemos que nosso trabalho só teria sentido se tivesse voltado para o legítimo interesse público, daquelas pessoas mais necessitadas. Então, meu único objetivo foi servir ao meu país, não importando onde e quando, mas sempre! E assim iniciei minha carreira profissional trabalhando, na capital mineira, numa empresa de planejamento agroflorestal e paisagismo. Um ano mais tarde aceitei convite do diretor da ESAL/UFLA, Alysson Paolinelli, para ingressar nos quadros de professores da Escola onde me formei. Não fiz planos para ser pró-reitor de Pós-graduação nem de representante da Escola no CREA, mas exerci aqueles cargos com dedicação. Assim, os horizontes se alargaram na medida em que conseguimos introduzir a Escola no restrito e seleto grupo de instituições que ofereciam cursos de pós-graduação, mestrado incialmente e doutorado mais tarde, pelas mãos de outros colegas que nos sucederam. A qualidade da oferta dos cursos de graduação e pós-graduação chegou ao topo dos rankings do MEC e por consequência, a Escola foi transformada em universidade, no ano de 1994. Deus me colocou ali, naquela Escola, e entendi que deveria pautar meu trabalho com o máximo empenho, oferecer educação de qualidade, voltada para o desenvolvimento da ciência em prol da melhoria das condições de vida das pessoas e do país. Na sequência surgiram novas oportunidades.

Não planejei trabalhar no Ministério da Educação. Não foi uma aspiração, respondi ao amigo questionador. De minhas inúmeras viagens ao MEC, no Rio e em Brasília, e ainda das constantes colaborações que prestei, elaborando estudos e visitas técnicas de assessoramento a diferentes universidades, a pedido do próprio MEC, adveio o convite para ali permanecer em tempo integral. O colegiado superior da Esal/Ufla aprovou a cessão ao Ministério e ali cheguei de mala e cuia, ou melhor, livros. Ali trabalhei por 34 anos seguidos, ininterruptos, sempre com a certeza de que estava fazendo o melhor e me sentia, sempre, realizado. Depois de tanto tempo, olho para trás e tenho a sensação de poder olhar para mim mesmo, para meus filhos e netos e ter a dignidade de compreender e dizer-lhes que fiz o máximo possível para termos um país melhor, naquilo que me competia como educador. Por isso digo que não aspirei chegar ao topo da carreira técnica no Ministério da Educação. Se tive o privilégio de ocupar os mais elevados cargos na hierarquia técnica, desde a minha chegada ali, isto se deveu unicamente aos resultados dos trabalhos com dedicação e sempre colocando o legítimo interesse público em primeiro lugar. A cada novo ministro que chegava (foram 18, em 34 anos) ou Secretário de Educação Superior (32 mudanças no mesmo período), órgão onde fui diretor ao longo do tempo, chamavam-me ao gabinete e diziam que, por recomendações de reitores, eu deveria permanecer nas funções que desempenhava. Assim, atravessei todos os governos, de diferentes correntes políticas, sempre planejando e executando importantes políticas para a educação superior em nosso país. Como corolário do legítimo interesse público também trabalhamos no projeto de criação das cotas universitárias para negros, como forma de mitigar a enorme dívida social de nosso país para com essa sofrida gente que, ao longo do tempo, foi discriminada e não teve acesso à universidade.

Ninguém precisa aspirar nada para se chegar ao topo de uma carreira profissional. Até mesmo quem veio da roça pode conquistar o mundo, literalmente, assentar-se em reuniões no Departamento de Estado norte-americano ou ministérios na Champs Élysées. Basta colocar os legítimos interesses públicos como prioridade de trabalho e, naturalmente, fazer diferença, dedicar-se e gostar do que faz. O sucesso não vem por acaso! Dizem que é preciso ter “sorte”. Eu tive..., trabalhei muito, me esforcei bastante e o reconhecimento foi certeiro. Isto sim foi a grande sorte: trabalho, dedicação e amor ao próximo. E não vai aqui nenhum espírito de vaidade, mas apenas o desejo, ou melhor, o velho hábito de professor de incentivar os jovens a alcançar o sucesso, fazendo diferença para que seu mundo seja conquistado. A eles sempre respondia que os pontos que eles pensavam serem os principais fatores para o sucesso, como ser inteligente, estudioso (curioso para aprender, disputar, competir para os primeiros lugares de desempenho na classe e receber atenção dos pais nos estudos) e autoconfiança, se constituíam apenas em pressupostos básicos. Esses fatores são admitidos como normais e imprescindíveis e já estão presentes em grande parte dos estudantes. Mas, porém, todavia, entretanto, contudo, não obstante e ainda assim, é necessário que haja o fator diferencial que o colocará no topo da lista: “Fazer Diferença”, dedicar-se, gostar, amar o que se faz, a profissão.  Hoje nossos calos não são mais nas mãos, como antigamente, mas sim contados pelo tempo que dispendemos para a educação, dedicação e amor a aquilo que se faz na profissão e nas relações com a sociedade.

Não importa de onde você veio, se da roça ou da cidade, se foi bolsista, cotista ou frequentou a faculdade no seu carrão e modernos equipamentos eletrônicos. No mundo corporativo as habilidades pessoais acabam sendo o fiel da balança, pois os pré-requisitos são preenchidos pela grande maioria dos candidatos. Portanto, se quiser atingir o topo da carreira, qualquer que seja ela, é preciso fazer diferença. Quem busca o resultado e não a excelência corre o risco de ficar sem nada, disse o filósofo Aristóteles ao discorrer sobre o sucesso, que é fazer bem feito. Sucesso é, portanto, sinônimo de excelência. Faça diferença.

Sucesso!


Brasília, 29 de fevereiro de 2020

Paulo das Lavras  


Fazer diferença desde os tempos de estudante...
Foto: arquivos de Renato Libeck


Esplanada dos Ministérios - Vir trabalhar no Ministério da Educação nunca foi
 aspiração do menino. Foi consequência do trabalho com dedicação e amor.
 Fazer diferença é fundamental para o sucesso, a excelência do resultado.
Foto do autor


No MEC, com um dos 16 ministros com os quais trabalhou
Foto do autor 




domingo, 16 de fevereiro de 2020

Namorando a vida



Certa vez escrevi uma crônica com o título “Reflexões sobre a morte”, mas na verdade discorria mais sobre a vida que a morte propriamente. Hoje, embora o título faça referencia à vida, falarei mais sobre os perigos dela e das inesperadas visitas do fantasma da morte. O menino das Lavras recebeu pelo menos seis visitas daquela que se fantasia de velha, estilo caveira, vestida de preto e portando uma foice às costas. A primeira vez que “recebi” sua visita foi aos dois anos de idade. E foi bem demorada, pois a “velhinha da foice” ficou nove meses me namorando enquanto me recuperava de delicada e complexa cirurgia torácica. Livrei-me dela graças aos cuidados intensivos da família que, literalmente, carregou-me no colo 24 horas/dia/09 meses, quando em recuperação com sonda de dreno cravada nas costas.

Na segunda vez a convivência com a tal velhinha, que vem buscar as almas sem aviso prévio, foi bem mais curta. Apenas uns dez minutos, tempo suficiente para a retirada do menino de quatro anos do fundo de um reservatório d´água e os procedimentos de salvamento com massagens cardíacas e respiração forçada até a ressuscitação. Dez minutos são muitos, mas muito menos tempo do que aquele namoro de nove meses da primeira vez que a conheceu. Mas, porém, todavia, entretanto, contudo, não obstante e ainda assim, “apenasmente”, como diria Odorico Paraguaçu, foi tempo bastante suficiente para que o menino travesso atravessasse a ponte do infinito para o outro mundo, abraçado à dona que carrega uma enorme foice nas costas... Porém, a rapidez com que a mãe o pescou do fundo do reservatório d´água e os imediatos procedimentos de salvamento em casos de afogamento, foram como um puxão para trás, pela ponta da longa saia preta, ou quem sabe pelo cabo daquela foice em arco, que ela carrega em seu voo em direção ao infinito. E foi um safanão enorme naquela bruxuleante figura, atrevida, que sempre nos espreita, ansiosa para nos levar para o além. Digo grande porque nada se compara à força do amor de mãe, ainda mais quando acompanhado do desespero, da luta pela volta à vida. Ao final da peleja, 2 x 0 do menino sobre a dona morte, graças ao infinito amor de mãe e seus clamores a Deus, sempre atendidos.

A terceira vez foi em BH, a capital mineira onde o jovem engenheiro trabalhava. Menino franzino, um workhaolic sem igual, morador das proximidades de grande centro hospitalar, bairro São Lucas, onde se situa a Santa Casa e vários outros hospitais, área de elevado índice de contaminação do ar. Plantava florestas pelas serras geladas de Ouro Preto Mariana, Caraça e também na Serra do Cipó, um pouco mais longe, pelas bandas de Diamantina. Nesses ambientes em que vivia, adquiriu grave doença pulmonar que quase o entregou à velha da cara de caveira e foice a tiracolo. O médico chegou a prognosticar para a pessoa da família que o acompanhava: “Leve-o para morrer em Lavras...”. Matei o prognóstico equivocado, enganei novamente a velhinha de preto e mandei-a esperar mais um pouco com a sua foice ceifadeira de vidas. E não é que ela, a velhinha da foice, com seu espírito vingativo armou outra contra mim? Foi à forra, pela quarta vez, ali mesmo em BH, de onde eu me mudara havia 20 anos. Ela não se esqueceu e talvez para se vingar dos 3 x 0, espreitou novamente o menino que chegava de Brasília a bordo de um Boeing 737-300, novinho em folha. Surpreendido por grande tempestade de chuva e vento, a aeronave foi derrubada ao se aproximar da pista de pouso em Confins. Com o choque direto no solo partiu a asa esquerda, trem de pouso e turbina, espalhando combustível, no qual todos caímos e nos encharcamos de querosene. Em segundos poderíamos ser transformados em “homem-tocha”. Por ironia, a própria tempestade d´água evitou o incêndio e explosão, pois turbina incandescente riscava a pista e soltava um turbilhão de fagulhas como se um esmeril fosse. A própria enxurrada por sobre o asfalto, com quase meio metro de altura, apagava as fagulhas antes que subissem à tona e encontrasse o mar de querosene, o combustível que flutuava por sobre a água.  Salvamo-nos todos, apenas com ligeiros ferimentos. 4 x 0 na caveira da foice ceifadeira de vidas. Outros dois acidentes aéreos, nos quais se encontrava o menino, aconteceram nos EUA, em Washington e Las Vegas, com pane hidráulica no primeiro e incêndio a bordo no segundo. Felizmente, em ambos, foi possível se desfazer do combustível e realizar pousos de emergência, sem vítimas.

É ou não é para se namorar a vida, com gosto, muito mais gostoso, com sabor de vitória? E no dia em que ela me vencer de nada adiantará o futuro escore de 4 x 1. Prevalecerá a única vitória dela e nem terei o direito de pedir revanche, lógico. O jogo da vida não é como nos esportes ou nas disputas humanas. Fosse assim eu seria sagrado campeão por ter vencido a maioria dos jogos, 4 x 1. Mas não é assim, pois terei perdido para sempre, mesmo com uma única derrota depois de quatro vitórias. Mas, levarei vitórias muito mais importantes que essas quatro, que impus à velha da foice, ao longo de sete décadas e meia. Primeiramente, e a maior delas, a lição aprendida com essas escaramuças que enfrentei. É preciso encarar a vida com alegria na alma, responsabilidade social, muito trabalho e sobretudo amor. Essa é a receita que penso ser essencial para, ao fim, colher os louros da vitória, o sucesso e poder dizer, na despedida: vivi a vida, de bem com ela e nada me deve. Mas o que é mesmo o sucesso?  O sucesso nada mais é do que viver com alegria. Então posso afirmar com convicção que sou muito bem sucedido, pois veja o que disse um filósofo:

 

Aquela lúgubre velha senhora de capa preta ainda não conseguiu levar-me, mas também não avisou quando virá e por isso trato logo de deixar registrada a minha última vontade nesta vida de sucesso: que minhas cinzas sejam dividas e a primeira parte semeada sob o belíssimo pé de ipê amarelo, defronte à janela do quarto em que nasci, na Fazenda Retiro dos Ipês, em Lavras, onde sempre viveram meus pais. Daquele solo retiraram o nosso sustento e ali crescemos felizes, crianças a brincar por toda parte. Sejamos, pois, também gratos ao solo, pois ele nos alimenta na vida e nos acolhe na morte, seja ele, o solo roxo, vermelho que produz alimentos ou o amarelo da bauxita (alumínio), marrom e azul dos minérios de ferro e manganês. É dele, do solo, que também brota a água que sacia nossa sede e faz fluir o sangue em nossas veias.

Outra parte das cinzas também deverá ser semeada sob o enorme ipê rosa que plantei nos jardins de minha casa, em Brasília. Cidade onde tenho vivido a maior parte de toda a minha vida, desde o ano de 1975, quando aqui cheguei para missão oficial no Ministério da Educação. Percorri meio mundo de Europa e todas as Américas em demoradas missões de trabalho e não encontrei cidade como a capital de nosso país. Planejada com amplos espaços setorizados, certinha e com belíssimos prédios públicos que mais parecem esculturas. Seus parques, jardins maravilhosos e mais de 120 quilômetros de alamedas arborizadas que circundam as residências, verdadeiros bosques recheados de árvores frutíferas. Neles pode-se caminhar à sombra, mesmo com sol a pino, por entre flores e pássaros que se deliciam com os frutos, se acasalam e nidificam. E caminhar, sentar-se à sombra de uma árvore para apreciar essa beleza natural é como estar num clube da vida. Não há solidão ali, nunca, pois as próprias plantas criam seu ambiente, se multiplicam, criam sombras, frutos e convidam os pássaros e também a nós para o seu derredor. É nesse silêncio, sob uma árvore e à vista dos jardins de flores, que somos convidados a meditar, a pensar nessas maravilhas e encontrar caminhos e agradecer pela vida, pelo solo, a natureza-mãe que nos sustenta e por último nos acolhe para sempre. Por isso, ao dar uma parada sob uma delas e tudo contemplar, ali, sozinho, não tenho medo de contrariar Aristóteles. Este, dizia há mais de 2.300 anos, na antiga Grécia, que aquele que encontra prazer na solidão ou é fera selvagem ou é deus. Nem um nem outro, apenas tomo a palavra “selvagem” para transforma-la em “natureza” e dizer que ela é o paraíso. Nela vivi em harmonia e assim quero que minhas cinzas repousem sob duas de suas imponentes árvores.

Namorei a vida com muito gosto e sucesso, mas com a humildade de reconhecer o valor da família, dos amigos e a maravilha da natureza que nos cerca com alimentos para o corpo e a alma, com seus campos cobertos de plantações, florestas, rios e jardins floridos, belos ipês, cássias e flamboyants, dentre tantas árvores que servem de descanso e repouso para a vista e a alma. Por isso a razão de minha última vontade, devolver as cinzas aos belíssimos cenários daqueles locais que me viram nascer e me acolheram por toda a vida, proporcionando-me a alegria do viver, com pleno e muito sucesso, na definição filosófica já citada. E quanto aos cenários, posso dizer que lhes tratei com muito carinho e amor, pois plantei por onde passei muitos jardins, literalmente, e neles minhas cinzas retribuirão o pó da terra que sempre fomos, conforme dito bíblico: tudo veio do pó e ao pó voltará.  

O sucesso, repito, nada mais é que viver a vida com alegria. Isto é o que faz a diferença e assim, os tais 4 ou 6 x 0 que supostamente representariam minhas vitórias, nada mais são do que uma forma de relevar e tratar os percalços de forma positiva e deles tirar proveito. Não importa, portanto, se a vida é ou será curta ou longa, pois o que vale mesmo é que ela “seja intensa, verdadeira, pura... enquanto durar”, como bem escreveu a poetisa Cora Coralina. Ninguém gosta de falar de morte, inclusive eu. Minhas crônicas são de puro louvor à vida, mas, quando chegar a hora nada de UTI para prolongar a sobrevivência por alguns dias. Quero apenas a medicina paliativa, ou seja, alivio da dor, mas que deixa o organismo agir por si próprio. A falência geral dos órgãos é natural, inevitável e devemos estar preparados para isso, aceitando a lei da vida. E nessa hora, estar rodeado pelos entes queridos, ou no aconchego do lar, é o mais importante para quem parte. Mas, vivamos a vida com intensidade e a compartilhemos com todos, pois só assim a felicidade é verdadeira.

Devemos viver cada dia como se fosse o último, alegre, feliz consigo, seu ambiente e com todos. E se eu partir logo e alguns amigos vierem contar algum fato a meu respeito, ou mesmo uma fake news, ouça e acrescente a sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero e se criticarem muito, defenda-me. E como disse o poeta, acho que não vou estranhar o céu, pois, ser seu amigo já é um pedaço dele.

Tim-tim, saúde! Namoremos, pois, a vida!


Brasília, 04 de fevereiro de 2017

Paulo das Lavras


Sob esse belo pé de ipê amarelo, minhas cinzas repousarão
bem em frente à janela do quarto onde nasci, na fazenda de meus pais,
há mais de sete décadas. Certamente ali  também foi enterrado
 o umbigo, como mandava a tradição.


Uma parte das cinzas será depositada aqui, sob o enorme ipê-rosa
que eu mesmo plantei em minha casa, ao lado de um rego d’água
 e um pé de pera portuguesa que, aliás, aparece carregado de frutas,
 atraindo pássaros e até o cavalo que gosta de aparar o gramado.
Apreciar esse tapete rosa das flores do ipê é a pura felicidade.



Venda do Zeca na Serra do Cipó. Tradição centenária. Naquela serra gelada,
em plantios florestais, contraí uma séria doença pulmonar, vencida em seguida.
Foto: Cida Barboza


Sejamos gratos ao solo, ele nos alimenta em vida e nos acolhe na morte.
Tomar um café super-selecionado, produzido e colhido com especial cuidado...
não tem preço. É como namorar a vida, só alegria, alma leve, em harmonia
com a natureza, na chácara que construí.


A harmonia de uma cidade-parque, com suas enormes áreas verdes e
belíssimos monumentos arquitetônicos, aqui presentes: o conjunto de prédios
 do Congresso Nacional, ao centro e o mais belo de todos, a Catedral,
que aparece no retrovisor da janela do carro, são convites para a contemplação
 e admiração, prazer repetido diariamente, por quase quatro décadas,
ao nos dirigirmos pra o trabalho, bem ali, na Esplanada dos Ministérios.



Nunca pensei que a goiabeira que plantei na quadra residencial, para
deleite das crianças, fosse também servir de atração para bandos de 
curicacas, enormes aves de bico longo, até então nunca
 vistas em pleno centro urbano. Vida pulsante, alegria sem fim
 no verde da cidade parque



Os frondosos bosques cercam as quadras residenciais. 120 km de
passarelas para pedestres e outro tanto para ciclistas.  Harmonia com a natureza nos traz felicidade Verdadeiro clube da vida.
Um “chega pra lá” naquela velha senhora, de preto e que vive a correr atrás
da gente com uma longa foice nas costas. Pistas para a gente correr não faltam por aqui...rsrs


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Iemanjá, as maledicências e o diabo sentado ao seu lado





Fevereiro..., e hoje, 02 de fevereiro, mais uma comemoração de sincretismos, o dia de Iemanjá, rainha do mar, mãe cujos filhos são como peixes, diz a historiografia. Para muitos, crédulos em tudo que se diz, a vida é assim, regida pelos fenômenos da natureza. Não é. Um artigo na imprensa disse que “Iemanjá é celebrada oficialmente em 2 de fevereiro e é um dia de suma importância porque há uma consciência nacional sobre os valores que a divindade africana Iemanjá nos estabelece. É um momento para todos que buscam uma identidade afro-religiosa concentrarem o pensamento na mesma energia que é Iemanjá”, explica uma Mãe de Santo, líder religiosa... Ainda bem que o pensamento acima se restringe aos que seguem a seita. E o que dizer das oferendas? O mar as devolve à praia, todas! Seria o caso de se dizer que não foram aceitas, sequer as flores brancas, jogadas sobre as águas para reverenciar a rainha das águas? 

Mas, enquanto o sincretismo religioso estiver a serviço do bem, como sabiamente se aproveitou a igreja católica ao associar os seus santos com as divindades de origem africana, a humanidade parece caminhar tranquila e a sociedade acolhe a todos indistintamente. Pior é a disseminação do mal. O mesmo jornal que fala sobre iemanjá e orixás aborda, também, na mesma edição, sobre a maléfica ação do diabo. Sim o diabo da maledicência dos canalhas que não tem fim. Atormentam a vida de pessoas do bem cultivando e semeando mentiras e deslavadas intrigas. As redes sociais, infelizmente, dão guarida a essa gente que prejudica famílias e relacionamentos. São maníacos da farsa, da dissimulação, do cinismo e da covardia. Pobres de espírito, recalcados e frustrados que já nasceram com a índole do mal cravada na alma, ou, na melhor das hipóteses, não tiveram berço, o afago e o carinho maternal e familiar.

 É preciso afastar-se dessa gente, o mais rápido possível, combate-la com firmeza, bloquear-lhe o acesso a qualquer informação pessoal e afastá-la do convívio. Pessoas assim destilam veneno. E veneno é incompatível com o amor que brota do coração das pessoas do bem. A jornalista Ana Dubeux soube expressar com maestria sobre esse mal que nos aflige:

  



Brasília, 02 de fevereiro de 2020

Paulo das Lavras


terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Vovô, você foi importante?

    Pedro Henrique  pronto para recortar    a Revista ELITTE, edição  de jan 2014 (capa ao lado) com o artigo Terra dos Ipês e das Escolas - Lavras                                                      
 
Pedro Henrique, com cinco anos de idade, passou uma tarde após o carnaval na casa dos avós e uma de suas atividades foi recortar figuras em revistas. Pegou qualquer uma no porta-revistas da sala de estar e pediu autorização à vovó para recorta-la. Na verdade era uma revista que continha um artigo que escrevi sobre a história da educação em Lavras e as razões do porque de seu lema: Terra dos Ipês e das Escolas. Vovó, matreiramente, disse a ele para perguntar-me. Adentrou meu escritório e foi logo perguntando: Vovô posso recortar essa figura? Antes de qualquer resposta pedi a revista e a abri na pagina 30, mostrando-lhe a foto do autor do artigo, eu próprio. O menino arregalou os olhinhos e surpreso perguntou:

Vovô..., você é importante?

Sim....! O vovô já foi importante, olhe aí quanta gente bonita aparece nas fotos, a começar pela capa e eu estava lá entre eles, contando histórias..... Você acredita? Ah..., então eu não posso cortar sua foto na revista. Escolheu outras figuras e autorizei os recortes.

Instantes depois fui à sala verificar o seu “trabalhinho”. Um mosaico de variedades, começando por duas malas de viagem bem vermelhas,  moedas, bolo, tênis, roupas, tablet, telefone celular e outras coisinhas. Perguntei a que se destinariam os recortes e ele disse: É para a minha viagem, já tem mala, comida, tênis... e agora só falta o dinheiro. Você me dá um real? E para onde será a sua viagem? Para Nova York, vovô, mas é de mentirinha...., respondeu o sorridente garoto.

Criança é joia. É preciso que as tratemos assim, com muito amor. Uma benção de Deus!

Brasília, 06 de março de 2014

Paulo das Lavras
                                                             
                                   Preparativos da "viagem" imaginária para Nova York
pg 27-  A História da Terra dos Ipês e das Escolas- Lavras
        
pg 28

pg 29

                                                                                pg 30


domingo, 5 de janeiro de 2020

Saudades de minha terra




Nascido na fazenda Retiro dos Ipês, ali permaneci até os três anos de idade. Naquele ano de 1948 nos mudamos para a cidade. Era tempo das irmãs mais velhas frequentar a escola e também para facilitar os cuidados da saúde do menino que se recuperava de uma grande cirurgia torácica. O viver na fazenda, livre para andar nos amplos espaços não foi perdido na cidade. Ali, morei numa grande chácara com todas as características de fazenda, o pomar, a matinha, o córrego com límpida e transparente nascente e lambaris em profusão, o curral, as vacas de leite, galinhas, o cavalo manga-larga marchador, bom de sela e até mesmo um ou dois cevados na engorda para a produção de carne e banha, costume mais que tradicional nas fazendas. Um privilégio para o menino, correr pelos pastos, cavalgar, sentir o cheiro da mata e da natureza com seus frutos, pássaros e até alguns bichos selvagens como o ouriço-caixeiro, tatus, gambás, lontras, coelhos e preás, além das temidas, embora raras, cobras que habitavam as matas e os brejos. Tudo isso com a vantagem de se estar na cidade e poder frequentar as melhores escolas, além de angariar uma plêiade de amiguinhos atraídos pelo fascínio dos animais, o cavalo, principalmente, caçadas com estilingue e tudo mais que meninos livres tinham direito. Infância feliz, sem dúvida! Lembranças que carrego comigo, que muito me influenciaram e certamente tem a ver com a minha preocupação com as crianças de hoje, encerradas em apartamentos, presas aos dispositivos eletrônicos virtuais, que em muitos casos as deixam totalmente alienadas do convívio social com outros e sobretudo da natureza, nossa maior professora, educadora, que nos mostra os verdadeiros valores da vida.

            A vida profissional e acadêmica me levou por muitos caminhos. Trabalhei, estudei, cresci como profissional e como pessoa. Passei por muitas cidades, universidades, museus aqui e em muitos outros países, mais de duas dezenas, em missões de trabalho ou simples passeios. Aprendi muito, amei todas as experiências, mas, no período em que estive fora – e beira meio século, a cidade natal e seus encantos da infância e da juventude nunca saíram de meu pensamento. Minha mente fervilha a cada estímulo em relação a ela, seja na literatura ou presencial ou mais frequentemente virtual. E o pensamento voa, batimentos do coração acelerados e a vontade de voltar sempre presente, cada dia falando mais alto. Ah..., os filósofos e especialmente os poetas degredistas sabem muito bem do que falam. Proust disse que "os verdadeiros paraísos são os que perdemos" e o poeta Mário Quintana ensinou que "a gente continua morando na velha casa em que nasceu". Casemiro de Abreu escreveu a Canção do Exílio, exaltando as palmeiras onde canta o sabiá e eu canto os ipês e as escolas, como escreveu nosso poeta lavrense, Jorge Duarte.  Olavo Bilac e Guilherme de Almeida falaram da Pátria e do coração que é verdadeiro, puro, belo e não muda nunca, embora “tudo muda, tudo passa nesse mundo de ilusão, vai para o céu a fumaça, fica na terra o carvão”. Assim, ser degredista é assumir uma volta ao passado da terra natal e fazer que todos saibam disso, conforme escreveu outro poeta. Afinal, só se compreende a vida mediante um retorno ao passado para melhor viver o presente. É como se restaurássemos nosso sistema operacional e assim funciona melhor. E que neste novo ano, que ora se inicia, nossas esperanças sejam renovadas em todos nós. 

De nada adianta pensar que isso, a nostalgia, o amor à terra natal, a vontade de voltar, é apenas uma pseudo-doença dos dias de hoje, por conta da mobilidade à jato ou estímulos virtuais com imagens recebidas a toda hora pela internet. Não é! Tem-se notícia disso há mais 2.600 anos. Foi no século VI A.C que os judeus foram escravizados pelo rei da Babilônia. Viveram no cativeiro por cerca de 70 anos, quando então o novo rei permitiu o regresso dos escravizados à terra de Judá. Enquanto no cativeiro, imperava a nostalgia, a saudade, o choro da ausência de seus lugares e símbolos queridos que marcam para sempre seu território, seu lar, sua fortaleza moral. O compositor Verdi soube muito bem interpretar aquele sentimento do povo degredado compondo a belíssima ópera “Nabuco”. Ali canta as dores e os sonhos de regresso à pátria onde nasceram os judeus,as encostas e as colinas, onde os ares são tépidos e macios, com a doce fragrância do solo natal. Saúda as margens do rio Jordão e as torres abatidas de Sião”, escreveu Verdi.

Embora eu tenha somente 45 anos de exílio dourado, a uma distância de 1.000 km, a mesma que separava os judeus de Jerusalém à Babilônia (hoje Bagdá, no Iraque), tenho a vantagem de vencê-la em apenas uma hora, de jatinho, enquanto os judeus levavam 40 dias a pé ou em camelos para vencer a mesma distância pelos desertos da região. Mas ainda assim, o sentimento de perda, de saudade, é o mesmo e posso também dizer, plagiando Verdi, “saudades da silhueta da bela serra azul da Bocaina que emoldura a cidade e que trazia a brisa da chuva que descia a serra com seu cheiro de terra molhada, a fragrância inconfundível e inesquecível do solo natal; me lembram ainda as margens do rio Grande com suas lagoas apinhadas de curimbatãs e a bela ponte da rodovia, o velho monumento  abatido, do Cine Theatro Municipal, onde nós, as crianças saíamos chorando das matinês da Sexta Feira Santa após as cenas chocantes do filme Paixão de Cristo, mostrando a crueldade de sua crucificação e tortura com lanças e azorragues...
Ooh, minha terra querida dos tempos que não voltam mais. Oh, solo querido e gentil, perdido há tanto tempo, mas que a toda hora incomoda o nosso peito e nos faz chorar a ausência de seus símbolos e sobretudo os amigos de infância que ali deixamos. Falem, mostrem, sim, suas lindas praças, das belas e históricas igrejas, colégios, clubes, faculdades, dos bondes, tudo enfim, até mesmo dos pequenos aviões do aeroclube.  Reacendam a memória no nosso peito, Falem-nos do tempo que passou e dos amigos que ali deixamos ou até mesmo daqueles que já nos deixaram para sempre. Também eu, um dia, quero voltar, ainda que em cinzas e que elas repousem para sempre aos pés dos ipês e das escolas que florearam alimentaram a nossa alma! Voa pensamento, voa. Voa para o doce solo da terra natal, bem assim como cantado na ópera. Emocione-se, ouça e veja a encenação da ópera de Verdi em curto vídeo, cujo link vai abaixo e diga se é capaz de não se tocar, sentir o amor à terra natal.

Brasília, 05 de janeiro de 2020

Paulo das Lavras


Veja a bela e breve encenação de parte da ópera Nabuco, de Verdi: https://www.youtube.com/watch?v=FJ8JRD4xVmQ


A terra natal é o refugio da alma para aqueles dela vivem distantes.
Lavras nos anos de 1940/50. Igreja Matriz de Santana, vendo-se ao fundo da foto
O telhado alto da Escola Firmino Costa, onde estudou o menino
Foto: acervo de Renato Libeck



Cidade de Lavras, mais recente, emoldurada pela belíssima serra da Bocaina
Foto: acervo de Renato Libeck


A grande chácara onde morou o menino. Rua Progresso, hoje Vila Cruzeiro do Sul.
A belíssima vista para a serra azul da Bocaina, ficou marcada para sempre na alma do menino



A bonita ponte da BR 381, sobre o Rio Grande, inaugurada em 1959. As vazantes do rio enchiam as pequenas lagoas  nas margens com grande cardumes de curimbas e douradas.
Foto: acervo de Renato Libeck- 1960


Cine Theatro Municipal, demolido nos anos de 1960. Ali as crianças assistiam às sessões de matinês aos domingos. Nos filmes da Paixão de Cristo, durante a Semana Santa, era comum sirem chorando por causa das forte cenas da crucificação.
Foto: acervo de Renato Libeck



A principal praça da cidade, Dr Augusto Silva, ou simplesmente “jardim” e
o antigo  bonde, que rodou até o ano de 1967
Foto: acervo de Renato Libeck



A mesma praça com as imponentes e majestosas Palmeira Imperiais, que contornam
 a Escola Carlota Kemnper, vinculada ao Instituro Presbiteriano, que chegou à cidade em 1893
Foto: acervo de Renato Libeck


No coração da cidade, a igreja do Rosário, inaugurada em 1754. A seu lado o sobrado
do Capitão Evaristo Alves e mais adiante o Castelinho.
Foto: acervo de Renato Libeck


Sobrado da esquina, Colégio Aparecida, onde o menino cursou o ginásio e o científico
Foto: acervo de Renato Libeck


A velha Escola Superior de Agricultura de Lavras- ESAL, hoje Ufla,
que formava  os jovens no curso de agronomia.
Foto: acervo de Renato Libeck


Os pequenos aviões de treinamento eram a atração dos meninos no antigo campo de aviação.
Foto: acervo de Renato Libeck



Rodei o mundo, trabalhei bastante, no país e no exterior, mas mesmo com todos os encantos,
a saudade da terra natal nunca me deixou. Aliás, interessante, até mesmo os artistas
que passaram por Lavras ainda mantém vínculos com a cidade.
Foto do autor,  NY-1978


... é o caso da famosa cantora da Jovem Guarda, Wanderléa. Voltou à Lavras,
 onde viveu  dos 4 aos 11 anos, como mostra a foto na rua Dr Gammon,
 visitando a antiga casa onde morou.
Foto: acervo de Renato Libeck



Não só Wanderléa, como também os amigos dos tempos de colégio, Nilson Naves,
Ministro do STJ;  José Márcio de Carvalho, também do MEC (penultimo da direita) e
 Salvador de Miranda (residente em BH), estão sempre a visitar  Lavras, a cidade natal.
Foto do autor- Brasília, solenidade no STJ



Não tem jeito, o poeta Mario Quintana acertou em cheio: "a gente continua morando na velha casa em que nasceu". Levei para Brasília o carro de boi que pertenceu à família, em Lavras e o Jeep, comprado do Exército, de S.J. Del Rei, como a relembrar a vida na fazenda.
Foto do autor 



Ah... o calor humano dos mineiros de Lavras... Saudade das gostosas comidas da cozinheira “do Carmo”, na casa da Ponte de dona Edna, às margens do rio Capivari em Itumirim. Saudades de ser recebido na cozinha, pois além do calor humano e da prosa. o calor do fogão a lenha também nos aquece.
Minas é Minas e  mineiro... não tem igual!

Foto do autor - Itumirim, MG, 2017