quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Um pesadelo em Paris - Depressão em viajante?







"Já passei por problemas oriundos dessa loucura.
 O estresse a que somos submetidos nos leva a
superar limites. E, às vezes, a não superá-los”.


Há quem imagine que a vida na estrada é cheia de glamour. E a vida na estrada, aqui entendido como hábito de se viajar constantemente, seja de carro, de avião ou outro meio. Quem não viaja frequentemente e só o faz raramente pensa que viagens frequentes são a 8ª maravilha do mundo. Conhecer lugares famosos, comida e atrações internacionais, gente diferente, tudo, mas tudo mesmo soa como novidade infindável. Mas não é! Para um artista que apresenta shows ou o executivo que viaja constantemente não é bem assim. A maioria das viagens é ralação mesmo, pura correria com agendas apertadas que exigem intensa mobilidade e atenção integral às missões a serem cumpridas. Ora, no mercado de trabalho o sucesso não vem por acaso e se você está e quer permanecer no ramo tem que fazer diferença. E a diferença mais eficaz é a dedicação com amor ao trabalho. Workaholic seria a palavra que melhor expressa esse conceito. E aí começam os problemas. Num ciclo vicioso passa-se a trabalhar mais, com plena dedicação de corpo e alma às atividades profissionais. As viagens passam a ser frequentes, sejam em busca de mercados ou proferindo palestras ou ainda executando e supervisionando os projetos em diferentes localidades. E como numa bola de neve, quanto mais se faz, mais aumenta a demanda, a procura pelo seu trabalho, a sua presença. Assim..., naturalmente chega-se ao estresse que entra pela porta aberta da sobrecarga excessiva de trabalho. Não foi diferente com o Menino das Lavras.


Naquela madrugada, de um frio dia de inverno em Paris, o Menino das Lavras acordou de um pesadelo, verdadeira crise de terror enquanto dormia. Não era a primeira vez que isso acontecia. Alguns anos antes, em São Francisco, na Califórnia, aconteceu o mesmo e que, ao final, acabou-se revelando como uma premonição de algo grave que acontecia em sua casa, no mesmo instante do pesadelo, a mais de 10 mil quilômetros de distância. Mas, agora é outra história, acontecida dez anos depois, do outro lado, no Atlântico e não no Pacífico como a primeira. Há mais perigos nas viagens do que se imagina. Geralmente se fala apenas dos riscos das viagens propriamente ditas, como assaltos e acidentes de carro e avião ou de navios. Nesse campo o Menino sofreu apenas dois acidentes de carro e três aéreos. Foram dois em aviões nos E.U. A, o primeiro com pane hidráulica, desgovernado, mas ainda assim conseguiu aterrissar num aeroporto maior, com tela de aço na cabeceira e espuma antifogo na pista. O segundo, com incêndio a bordo, desviou a rota,  deu um ponta cabeça e conseguiu aterrissar em Las Vegas, interrompendo o voo de Chicago para San Francisco, na Califórnia. Um último desastre, o mais grave, aconteceu em Belo Horizonte, ferindo um pouco o Menino, quando um Boeing caiu ao tentar aterrissar sob tempestade, com turbina e asa quebradas, soltas pelo chão, soltando fagulhas e espalhando todo combustível ao redor. Mas, além desses perigos, outros existem e quase nunca conhecidos pelo público ou nem mesmo pelos familiares. São inúmeros os transtornos psicológicos pelos quais passam os viajantes contumazes.

Os transtornos psicológicos durante as viagens já foram objeto de estudos e teses universitárias e centros de pesquisas. Uma recente pesquisa entre 500 profissionais, realizada pelo instituto britânico Help Musicians, revelou alguns dos males que as frequentes viagens podem causar.  Cerca de 60% têm depressão quando estão longe de casa e 75% dos entrevistados declararam sofrer de ansiedade crônica quando estão em viagem. 84% disseram, ainda, ter tido dificuldades de convívio com outras pessoas. E por que tão elevadas estatísticas? Simples, são horas e horas de voos, esperas infindáveis em aeroportos, translados, check in e check out em hotéis, restaurantes e muitas vezes jantares de serviço que se estendem até altas horas da noite. Isto sem contar o jet lag causado por diferentes fusos horários. Que tal sair de Brasília às 16:00 h, conexão em São Paulo às 23:00 h e chegar a Paris às 14:30h, incluindo-se o fuso de cinco horas? São 24 horas de viagem com pouco mais da metade do tempo, 13 horas nos dois trechos, dentro de aeronaves. E veja a loucura de se voar de Chicago para S.Francisco/Cal., saindo ao meio dia e chegando na “mesma hora”, ao meio dia, mesmo tendo voado durante quatro horas, sem escalas, igualando-se ao fuso horário! Logo ao desembarque entra-se num cab e vai-se direto a uma reunião, das 02 p.m, na Universidade de Berkeley, chega-se ao hotel depois das 20h, ou seja meia noite de Chicago, de onde iniciou-se a viagem. Esse foi, verdadeiramente, um dia de 28 (vinte e oito) horas. Haja energia! E pensar que num destes voos Chicago/San Francisco-Cal, ainda houve um incêndio a bordo!


Não é fácil a rotina de um viajante quando se está a serviço. Muitas vezes entra numa reunião de trabalho logo na chegada do destino e, pior, com uso de outro idioma que não o materno (nos primeiros dias nosso cérebro ainda “fala” e pensa em português e só depois de uma semana passamos a pensar e falar fluentemente no outro idioma). É estressante ao extremo para o cérebro, pois exige-se atenção integral, redobrada e rapidez mental para se fazer a tradução simultânea, escutar diferente idioma, verter para o português e em seguida, rapidamente, traduzir sua resposta do português para o outro idioma. E haja cuidados com a pronúncia correta das palavras, por conta das diferenças de sons fonéticos em relação à língua mater. Certa vez o Menino discutiu com um motorista de taxi, pois respondeu-lhe repetidamente que “não conhecia e nem sabia aonde ficava a cidade de Reston”. Como pode um taxista de aeroporto não conhecer seu local de trabalho? Ainda não existia GPS, Wase, nem celular e por isso o Menino explicou-lhe duas, três vezes, os detalhes de distância, 20 milhas e até o quanto custaria, cerca de US$ 40 e ainda foi-lhe informado o roteiro, próximo ao Pentágono, o QG da Defesa Americana e da CIA, e..., nada! Indignado com a “ignorância profissional”, o Menino mandou parar o carro antes de atravessar a ponte sobre o rio Potomac, logo depois do Aeroporto Nacional de Washington, de onde tinham acabado de sair. Desceu, pediu-lhe para abrir o porta malas. Retirou da mala de viagem um envelope e lhe exibiu a fatura pré-paga do hotel, em Reston. Foi então que ele viu o nome da cidade e deu uma estrondosa gargalhada que ecoou até o outro lado do rio, no Mall do Capitólio, fazendo tremer aquele obelisco igual ao da cidade natal do Menino das Lavras, onde esse monumento é conhecido por “pirulito”. Surpreso, com o sotaque desastroso do brasileiro, o motorista retrucou, a uns 80 decibéis... “ooohhhh it´s Reeeeeeeeeston, not Heston!”. Desapontado, com cara de paisagem, restou ao Menino também gargalhar e num instante chegaram ao destino, pois o tempo passou e as gargalhadas nunca cessaram. Para o visitante brasileiro, ainda com a língua portuguesa no subconsciente, Reston é RReston, com dois “erres”. Para eles é com aquele som de um só “R”, isolado, como na palavra maré. Ele certamente pensou no Charlton Heston (RReston), lá em Hollywood, muito longe dali....., coitado, não saberia mesmo que se tratava de erro de pronúncia do brasileiro.


 Alguém já pensou em complicações assim? Nesses ambientes poliglotas não se pode perder uma única palavra, sob pena de se prejudicar a compreensão e comprometer as respostas aos questionamentos em pauta. Não se pode dizer um sim ao interlocutor quando a resposta deveria ser não! As normas trabalhistas exigem, não à toa, que os tradutores e intérpretes trabalhem apenas 50 minutos, com intervalos de vinte, pois o cérebro se esgotaria em menos de duas horas. Seria fácil absorver esses impactos estressantes, se isolados fossem. Mas, nunca foram assim, pois dia seguinte novas viagens se iniciavam para outros destinos, com diferentes pessoas e ambientes e pessoas quase sempre desconhecidos, o   que  exigia mais atenção e cortesias protocolares. Além disso, nas reuniões no continente europeu alternavam-se três idiomas, inglês, francês e espanhol. Haja resiliência para suportar a sobrecarga no cérebro, sempre com novos e importantes compromissos de negócios da educação e formação universitária de profissionais. Nunca restava tempo para lazer, descanso da mente, mesmo quando se saía sozinho pelas ruas, havia sempre a preocupação de se respeitar a cultura e os costumes dos anfitriões, nem sempre conhecidos pelos visitantes. 


Cultura, costumes em países estrangeiros? Ah, isto por si só já daria um livro recheado de casos folclóricos. Em Lisboa o menino quase deixou de comer um bom bacalhau porque interpretou que o garçom fora grosseiro. Nada disso. À pergunta, “tem bacalhau?”, a resposta foi rápida: “temos”. Mais rápido ainda, virou-se e foi-se embora. Chamado de volta, foi-lhe perguntado por que foi-se embora sem dizer as opções do prato, mas a resposta foi certeira: “O senhor perguntou se temos bacalhau, respondi-lhe que sim.... Afinal, o que desejas?”. Compreendido... não estava no Brasil, onde a simples pergunta “tem bacalhau” carrega implícito o desejo de saboreá-lo, portanto já se constitui em “pedido do prato”. Igualmente na Guatemala, foi perguntado ao garçon: ..que es taco? E a resposta, veio direta, nada simpática: Taco es taco, senhor... Naturalmente esperava uma explicação sobre os componentes daquela comida típica da América Central e México. Surpreso, diante da cara nada amistosa do atendente e sem conhecer os ingredientes do “taco”, o Menino preferiu outra iguaria. Na maioria das vezes,uma frase dos nativos que, à primeira vista, possa parecer grosseira para com o visitante, nem sempre é. Basta consultar a outro nacional daquele país, e constata-se que não passa de uma atitude normal, que faz parte da cultura local. Lanchonetes e restaurantes eram os locais de “maior má vontade”, onde os atendentes nem sempre são corteses ou dispõem de tempo para melhor explicar o cardápio aos visitantes. O jeito era comer o que foi servido, diferente do que se pensou ou desejava. E, faça-se cara de paisagem... thank you, merci, gracias...  Assim, o estresse ia se acumulando, especialmente na França xenofóbica dos anos 1980/90.



Felizmente melhorou a aceitação do estrangeiro em terras francesas depois da entrada na C.E.E., a Comunidade Econômica Européia. Antes, porém, o Menino passou por constrangimento no aeroporto de Orly. Cansado da correria, fez o check in para Montpellier, na costa mediterrânea, onde visitaria o Complexo Agropolis. Apressou-se em assentar-se num único assento disponível, ao lado de vários outros já ocupados. Falou a palavrinha mágica, “Pardon, Monsieur”, para um quarentão cavalheiro ao lado do assento vazio e foi se abancando. Antes que se acomodasse levou um sonoro “ Il y a quelqu´un ici”.... Comment?, retrucou o Menino, mas, a contra resposta foi fulminante: tu ne peux pas, em tom mais elevado e insatisfeito. Constrangido, o Menino levantou-se rapidamente e ficou de pé onde estava antes. Vinte minutos se passaram e o banco continuou vazio, ninguém apareceu. Soou puro egoísmo por parte daquele cidadão. Perguntado, a um colega francês, qual teria sido a razão daquela suposta “hostilidade”, a resposta, também foi curta e seca:  “normal”, disse ele! Decepcionado, o Menino ainda insistiu para que houvesse nova explicação e ouviu: “Ele não quis que você se assentasse lá...”. Melhor não discutir os costumes locais, respeita-se a cultura e pronto!


Voltando ao pesadelo parisiense, o Menino acordou sobressaltado e por bom tempo ainda se estendeu a madrugada. Taquicárdico, suando, ofegante com a respiração entrecortada. Verdadeiro pânico, a 11 mil quilômetros de distância de casa, sozinho e... comment appeler quelqu´un?... O que fazer? Totalmente desorientado ao acordar, sufocado, sem saber em que cidade estava ou até mesmo o layout do quarto de dormir com as localizações de luzes, móveis e banheiro, fatores agravantes do estresse pós-trabalho. Some-se a isto a má alimentação, à base de sanduiches e refrigerantes servidos no quarto de hotel, nos finais de semana, devido à fadiga e falta de vontade para procurar um restaurante e tem-se um quadro perfeito com todas as pré-condições para a explosão do stress em forma de pesadelo e pânico. E não são apenas aqueles fatores próprios do indivíduo, que influenciam o estado de espírito. A ciência já comprovou que o tempo nublado, com reduzida luminosidade, diminui a produção de serotonina, o neurotransmissor responsável pelo humor, o apetite e a qualidade do sono. Por outro lado, aumenta a produção de melatonina, hormônio responsável pelo sono. Daí aquela vontade de ficar debaixo do cobertor mesmo durante o dia. Dorme-se mais, porém, mal e acorda-se cansado, irritado. Evita sair de casa ficando recluso mais tempo, fechado em quatro paredes, aumentando-se o isolamento social, com mudança de humor e..., o pior de tudo, altera-se o apetite com tendência a comer mais doces. O resultado? Explosão! Na balança e no humor, beirando o estado depressivo.



Ah..., mas, Paris? Como ficar assim na Cidade Luz? Como é possível? Não há exagero nisso?  Lógico que não, pois isto pode acontecer em qualquer lugar do mundo e há o testemunho de JK, turista forçado em Paris, que assim se expressou em seu exílio: “Não há primavera nesta terra. As árvores estão verdes e as flores coloridas, mas o sol, que é propriedade comum dos homens, se esconde sempre atrás de nuvens carrancudas e hostis. Isso reflete na alma da gente e só convida a pensamentos que trazem o tom das nuvens, cor de spleen” (grifei). Viva Brasília, nossa morada, sol 365 dias, céu azul, de brigadeiro, sem nuvens, verdes campos e jardins floridos mesmo no período de seca, com irrigação e água abundante na chácara, onde também os jardins se despontam. Para quem não acredita que o céu de Brasília traz felicidade, veja o que disse o poeta e diplomata Francisco Alvim, que viveu em meio mundo e ao atravessar a pé o Eixão deixou-se atrair pela luminosidade de Brasília, se deslumbrou e assim se expressou em poema:
“Um céu que não existe/ou talvez exista na França de Poussin/refratado nos interiores de Chardin/talvez em Turner/talvez em Guignard/certamente em Dante/ao chegar à praia do Purgatório/ A felicidade que a luz traz/solta, nua neste céu.”

Mas, amanheceu o dia na Paris nublada e fria daquele domingo de inverno e o Menino, que fora despertado por terrível pesadelo, depois de três ou quatro semanas em missão oficial de trabalho, estava assustado, angustiado. Distante da família e amigos, sem ânimo nem mesmo para sair para almoçar, atacou-lhe o pânico. Uma ansiedade sem igual com sentimentos de medo e solidão. O ambiente era desconhecido e imaginariamente hostil, até mesmo pela paisagem urbana da mais que milenar capital francesa que se apresentava em profundo contraste com a luminosa, radiante, espaçosa e verdejante capital de nosso país, local de residência fixa havia longo tempo. O Menino conheceu assim e pela primeira vez a depressão. Ali, na ironicamente chamada de Cidade Luz, a olhar pela janela aquele cenário sombrio, embaçado, de casario e prédios antigos, que aumentavam ainda mais a angústia quando comparada aos amplos, modernos e ensolarados espaços de Brasília, onde o céu mais parece um mar azul sobre nossas cabeças. Bateu o desespero no Menino cujo pânico aumentava a cada instante e com os olhos embebidos em lágrimas perguntava para si mesmo o que estava fazendo ali, por que teria que passar por aquilo? Como a relembrar as palavras de JK e se pôs a perguntar onde estariam as palmeiras em que cantam os sabiás, as aves que gorjeiam nas copas das exuberantes árvores? Ah... JK e o poeta Gonçalves Dias foram sábios, experientes, felizes ao formularem aquelas palavras de pura nostalgia, de amor incontido à Pátria, aos amigos, à família. A angústia, a dor da saudade dos entes queridos, verdadeiro banzo, provocavam mais lágrimas em pranto incontido. O Menino, assombrado, suplicou então a Deus, implorando para que aquele pesadelo ao vivo passasse logo e que a paz em seu espírito condoído voltasse à normalidade.


 Coração disparado, respiração curta e ofegante, suor, tontura, seria um ataque de coração? A boca seca, uma onda de calor pelo corpo, e num gesto desesperado abriu a janela do quarto, empoeirada por fora. O dia já corria, beiravam às 11 horas da manhã e o frio cortante do inverno parisiense acoitou-lhe o rosto provocando um choque térmico que pareceu cortar-lhe de vez a respiração. Desmaio iminente com a alma ferida, em verdadeiro desespero, pânico, olhos marejados, agonia que se prolongava por mais de seis horas seguidas. Mas, num esforço físico extraordinário e derradeiro, já com os joelhos dobrados, prestes a desabar de vez, lançou mão do telefone, ali na cabeceira da cama, bem à altura de seus olhos a menos de meio metro do grosso e macio carpete que revestia o piso. Não existia ainda a telefonia celular, onde tudo seria mais fácil, bastando apertar uma única tecla de emergência e a ligação cairia automaticamente em casa, não importando em qual país estivesse. Com muita dificuldade, ainda assim, conseguiu ligar para a casa distante. Juntou os lampejos de raciocínio que ainda afloravam e deu conta de discar o zero, outro zero, e então o 5, outra vez o 5, o 6 e o 1, completando os códigos do país e da cidade e depois os oitos dígitos do número de casa, cuja memória sabia de cor, pois tantas e tantas vezes o discara em busca de notícias da família. Foram suficientes apenas dois toques do tom de discagem e atenderam a ligação, de imediato. Que alívio, que benção dos céus, logo ao primeiro toque e como foi bom ouvir a voz da esposa, do outro lado do Atlântico. Parecia que estava retornando ao aconchego do lar e reconfortado o menino pôde ouvir, distante, mas soando nítido as palavras do Salmo 23:
“O Senhor é o meu pastor; nada me faltará... Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque Tu estás comigo...”.

             Foi a maior lição de sua vida. O menino  compreendeu, por meio desse triste e sofrido episódio, que as unhas do inconsciente, ocultas como as dos felinos, podem aflorar repentinamente e nos levar ao colapso psicológico, ferir-nos gravemente e até provocar a morte. Percebeu que a loucura passou perto, ou em outras palavras, no jargão médico, foi um ataque de ansiedade ou de pânico, que é mais comum do que se imagina. Por isso, apreendeu: É preciso equilibrar o trabalho e  viagens com o aconchego da família. "Já passei por problemas oriundos dessa loucura. O estresse a que somos submetidos nos leva a superar limites. E, às vezes, a não superá-los", disse o compositor e cantor Digão, do conjunto Os Raimundos, cujas palavras, que bem retratam a realidade, foram propositadamente colocadas em epígrafe, abrindo esta crônica.  Acertadamente, a pesquisa britânica também constatou que 75% daqueles que têm a viagem como obrigação de trabalho, consideram-na “um problema” e isto, não raras vezes, leva ao colapso psicológico, à depressão. Ainda bem que o menino das Lavras superou os traumas e agora nem mais está sujeito à escravatura workaholic e também não mais viaja tanto.


                 E ainda dizem que viagens, especialmente ao exterior, são glamorosas... Os amigos sempre diziam isto ao Menino. Não sabiam da metade dos casos.  Glamorosas, só se forem de férias, acompanhado pela família e ainda assim uma única vez ao ano, até porque o melhor da viagem, dizem, é a volta para casa. Aliás, hoje o Menino está em casa, escrevendo, lazer predileto, contando essas histórias que um dia foram vividas e deixaram marcas para sempre.

Um bom feriado para todos!
Brasília, 15 de novembro de 2017
Paulo das Lavras


O Menino esperou 30 anos para voltar à França depois daquela amarga experiência com as garras do inconsciente. Viajar a trabalho com agenda cheia, reuniões infindáveis, jet lag, comunicação obrigatória em outro idioma, são ingredientes que, se não cuidados, podem levar ao estresse ou mesmo à depressão dos viajantes.
Na foto, o Cemitério Americano da Normandia. Ali estão sepultados cerca de 10.000 soldados das tropas aliadas da Segunda Guerra Mundial.



 
Simulando depressão. Muitos amigos não acreditam que é possível haver depressão em viagens. A charge da foto ilustra bem, simulando pessoas em depressão. Para os viajantes contumazes, a depressão pode estar fora das pistas, ou seja, nas próprias pessoas. Não está apenas no desnível da pista, mas na alma, cujo abismo é maior, desconhecido e imensurável. Só mesmo quem viajou por muito tempo, por períodos prolongados, sabe o que é a depressão nas viagens. Perigo!
                                                  Foto: internet

Espantando a saudade de casa, num final de semana em Otawa,
com o que mais alegra os corações: flores


...ou num ferryboat, de Vancouver para a ilha de Vitória,
no oceano Pacífico.

Cartagena de las Indias, terra do escritor Gabriel Garcia Marques

Passeando no bondinho de São Francisco, na California, pouco antes
da primeira experiência de pânico que se revelou, na verdade, uma premonição de algo grave acontecido em casa, naquele exato momento, a mais de 10 mil quilômetros.


Ansioso, numa demorada stop over de conexão aérea, em Miami, aguardando
o voo noturno da PanAm, o único direto para a casa em Brasília


Em outra ocasião, num sábado, nas montanhas da Guatemala, com uma indígena
cuidando da lenha para cozinhar


Primavera em Michigan, com o colega de nosso escritório nos E.U.A,
 Charles Laughlin. Professor de Fitopatologia da MSU e escritor de contos infantis.
Pouco tempo depois foi vitimado por insidioso mal e nos deixou para sempre


Fim de semana numa bela fazenda em Tuscola- Illinois.  Sim, essa é
uma casa de fazenda, no “Corn belt” americano, local das terras mais
férteis do mundo, cerca de 250 km ao sul de Chicago.

Fim de semana em Londres, fugindo do frio de Paris, onde
trabalhávamos  por  mais de quatro ou seis semanas seguidas a cada período


Aproveitando o final de semana na cidade do México. Pausa para conhecer a história 
de seu povo, juntamente com uma adida cultural da Unesco/Paris


Castelo de Sintra – Portugal


...da sacada do Vaticano, contemplando a milenar cidade de Roma



Quase nunca foi possível levar a família nas viagens de serviço. Momento de
rara descontração com a esposa. Visita a uma universidade, com o casal Michaeel e
Mrs. Smartler, da Michigan State University – 1977


Não havia tempo sobrando, só trabalho. Nesta foto, de 1988, em Paris, recebendo no Ministère de l´Agriculture/ Division de l´Enseignement Agricole Superieur, uma delegação brasileira de dirigentes universitários. O primeiro da direita é o diretor da então Escola Superior de Agricultura de Lavras- Esal/Ufla, Prof. Juventino Julio de Souza.


Viagem de lazer, depois de 30 anos. De volta a Paris, com os canhões de Napoleão


Na Ponte do Amor, em frente à Catedral de Notre Dame, bem próximo ao hotel
. onde passou por aqueles momentos terríveis. Revisitou-o. Nenhum ressentimento. Apenas 
relembrou a lição aprendida e agradeceu a Deus pelo livramento de mal maior.


Bunker alemão, na costa da Normandia, de onde metralharam 5.000 soldados das Forças Aliadas,
 no Dia D, da invasão para libertação da França.
Lazer na França? Só muito mais tarde lá voltei e pude visitar tudo que queria,
tranquilo..., sem stress e muito contente com o aprendizado histórico cultural


 
Foram cerca de três mil viagens no país e em  missões internacionais  em quatro continentes. Quase 40 anos de serviços no Ministério da Educação, com mais de 25 ministros.
Trabalho com alegria, tanto no país como no exterior... Mas, os fins de semanas em terras estrangeiras... .


Recebendo, no MEC, os dirigentes do UniLavras



Desembarcando em Lavras (primeiro à direita) com o Ministro da Educação, Hingel
 (semi-encoberto) que cumprimenta a diretora do Uni-Lavras, Marilia Lunkes.
Ao lado, o reitor da Ufla , Silas  Pereira.



A volta para casa começa no dia anterior, com o périplo pelas lojas para os indefectíveis presentinhos. Lembranças para quem ficou em casa e não foi esquecido. Faz parte daquele ditado: O melhor da viagem é a chegada em casa! Até mesmo por ver os familiares revirarem as malas em busca dessas pequenas lembrancinhas, mimos, que mais nos fazem felizes por presenciar a alegria familiar, a certeza de que eles sabem que nunca foram esquecidos.
Mas...., mas...,
o melhor mesmo é viajar de férias, levando a família. Diversão e prazer garantidos. Certamente não haverá momento algum de ansiosidade, de angústia, estresse que provoque esgotamento, deprê que teima em minar nossa alma nas longas e demoradas viagens de trabalho.


Hoje, mais que nunca, “o melhor da viagem é a volta para casa” para curtir os netos, a família. 
Os filhos não pudemos curtir tanto quanto se desejava, pois viajava até duzentos dias por ano.




quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Tietando no cerrado – com Augusto Cury


                        Jorge Amado tietou no agreste e antes escreveu Gabriela Cravo e Canela. Naquele setembro de 1976, com o grande sucesso alcançado com a telenovela de mesmo nome, corri à uma livraria no Conic, Setor de Diversões Sul de Brasília, enfrentei enorme fila e ganhei o autógrafo da nova edição do livro, com linda dedicatória do marido de Zélia Gattai. Valera o sacrifício, de pé, por mais de hora de espera, pois aquela sua obra prima o imortalizou na esteira da novela de mesmo nome. E hoje rememorei aquele longínquo dia, embora com outro famoso escritor e ainda sem o desconforto de filas e saboreando um expresso curto, que aqui chamamos de carioquinha, servido com pequeno tablete de chocolate e mini taça de água gasosa (quer delícia maior? Melhor que o chá das 5 horas com a rainha da Inglaterra...rsrs). 


                       Mas, Brasília não é o agreste, árida e nem mesmo está seca. Chove bastante nesse início de novembro. Embora o voo que o trouxe tivesse atrasado uma hora, o autor mais lido da década no Brasil e também psiquiatra mais lido na atualidade em todo o mundo, chegou à livraria Saraiva com grande alegria, largo sorriso e passou a cumprimentar efusivamente os convidados especiais - os maiores de 60 anos..., confortavelmente assentados em poltronas ao lado da mesa de autógrafos. Me surpreendo ao saber que ainda há gente com receio de chegar aos sessenta. Nem me lembro de quando cheguei, de tão bons usufrutos, quase que diários, em filas de bancos, cinemas, shows, teatros, que tenho colhido ao longo desses doze anos na faixa da melhor-idade. Só me lembro de um uma única vez que não valeu de pronto. Na fila do bandejão da UnB, quilométrica. O aluno, após meu pedido para entrar na fila, à sua frente, gritou sem dó, nem piedade: “Professor, fome não tem idade...”. Paguei o maior mico, gargalhada geral. Mas, na verdade ele só queria zoar e acabou deixando-me entrar ali mesmo e os dois gringos, americanos, que me acompanhavam nada entenderam.

            Fui dos primeiros a ser chamado, embora a senha, uma pulseira amarela, mostrasse o número 0450 e provavelmente deveria haver mais de 500 leitores à espera do autógrafo daquele consagrado escritor. Não resisti a aquela simpatia e fui logo lhe dizendo, enquanto autografava o primeiro dos três exemplares que lhe apresentei: “Dr Cury, conheci o Dr Marco Polo (personagem que ele criou para as histórias que relata em todos seus livros) na Praça da República, em São Paulo, quando ele era estudante de medicina da USP, brilhante, audacioso aspirante à psiquiatria e revoltou-se contra a frieza com que seus professores tratavam os cadáveres estendidos sobre o mármore branco, logo na primeira aula de anatomia. Por isso, decidiu dar um “break” na vida e foi viver como mendigo naquela praça que o senhor tão bem descreveu em sua obra: O Futuro da Humanidade”. O Dr Augusto Cury estava sério, autografando um dos livros que eu pretendia oferecer a familiares, escutou minhas palavras e em seguida, encarou-me, fez cara de paisagem, denotando certa surpresa e por fim  caiu na gargalhada, quando completei: “Eu também estava lá, como “mendigo” e lhe conheci. Ou o senhor pensa que só estudantes de medicina da USP  “piram” diante da frieza dos professores com os cadáveres daqueles que um dia foram vidas humanas?” E antes que esboçasse qualquer outra reação, completei: “Também os estudantes de engenharia, da própria USP, como eu, se revoltam com as friezas de seus professores quando se trata de cuidar de vidas humanas e de animais de nossa fauna, sobretudo quando falam de pontes que caíram, prédios inteiros que ruíram e no meu caso, na engenharia sanitária,  o silêncio sobre a poluição do ar, da água e do solo e seus efeitos deletérios quando mal gerenciados ou tratados pela engenharia. Causou-me nojo o lixão de São Paulo, as águas poluídas do Tietê e a acamada de ar poluído que paira sobre a cidade, oriundas dos escapamentos de CO2 e outros gases tóxicos de chaminés e dos combustíveis com chumbo tetra-etila. Não à toa a França proibiu carros movidos a derivados de petróleo a partir do ano de 2030”. É um crime de lesa humanidade permitir isso e nossos engenheiros continuam a projetar esses engenhos assassinos de médio e longo prazos.  O senhor, Dr Cury, que é médico sabe melhor que nós, os engenheiros, os efeitos teratológicos de produtos químicos e agrotóxicos que estão a nos contaminar e nos matam pouco a pouco. Onde estão nossos engenheiros, nossas escolas de engenharia com seus professores que continuam a ensinar e recomendar aos nossos jovens a aplicação desses venenos?  Que ética é essa? Perguntou o senhor, na pessoa do fictício médico Dr Marco Polo e agora também reproduzo suas palavras para os professores    engenheiros, como eu próprio, simples professor de Legislação e Ética Profissional...  Ah..., viver entre os mendigos e filosofar, por um ano inteiro, na Praça da República, certamente faria aos engenheiros o mesmo efeito que produziu no pensar do médico descrito em seu livro e que o mudou para sempre, fazendo-o escrever livros e mais livros humanitários, com mais de trinta milhões de exemplares vendidos no mundo todo...

            Lógico que enquanto só eu falava ele ia autografando os dois exemplares extras com as papeletas com os nomes dos agraciados. Uma das agraciadas conseguiu chegar a tempo, fotografou a cena do nosso debate, quase monólogo, e depois também a fotografei recebendo um carinhoso abraço do autor, assim que a identifiquei como filha. Por fim, entreguei-lhe o meu exemplar, onde ele escreveu: “Paulo Roberto, você é especial”.

            Li, e lisonjeado entendi a mensagem, na folha de rosto do livro.  Imaginei que ele pensou que realmente descobri a verdade sobre seu personagem fictício, Dr Marco Polo, psiquiatra, estudante e médico pela USP. Este seria ele próprio, que também se especializou em Psiquiatria. E mais, como o personagem de seu próprio livro, passou, ele, o Dr Augusto Cury, a humanizar o tratamento dos doentes mentais. Um humanista que veio ao mundo para ajudar, para construir, tal qual foi descrito o Dr Marco Polo. É notório que escritores nunca criam ficções sem se basear na realidade. Jorge Amado foi assim, até nas receitas de comida e quitutes baianos de suas obras. Gabriel Garcia Marques em sua magistral obra, “O Amor nos Tempos do Cólera", nada mais fez do que contar a história de seus pais.

O autor devolveu-me o livro  com um largo sorriso, levantou-se e me abraçou. Não tive coragem de perguntar-lhe, ali ao pé do ouvido, se a minha suspeita era verdadeira. Não seria delicado se assim o fizesse. Ao contrário, o cumprimentei como grande humanista que é, e ainda desmenti a mim mesmo, dizendo-lhe que não cheguei a ser como o médico psiquiatra, Dr Marco Polo, que foi conviver com os mendigos numa praça de São Paulo. Conheci sim, e muito, aquela praça pois me hospedava na região quando de minhas viagens de trabalho a aquela cidade, que gosto e a frequentei por centenas de vezes ao longo de meus 50 anos de profissão. Ler suas obras, especialmente aquela do estudante de medicina foi e tem sido muito prazeroso e emocionante, confessei-lhe. Podem dizer que é tietagem, mas todos sabemos que o maior prazer do escritor é receber um elogio sincero, ou um simples comentário sobre uma passagem ou episódio de suas obras. O sentimento de gratidão é um dos maiores presentes que podemos oferecer e, francamente, o Dr Cury é merecedor.
           
             Prometi ao Dr Augusto Cury, aliás, mais a mim mesmo, que no próximo lançamento, de outra obra, estarei presente e lhe falarei desse livro de hoje: “O Homem Mais Feliz da História”. Quero entender como seu personagem desvendou o código da felicidade. Na contracapa li, rapidamente, que ser feliz...
- não é estar alegre sempre, mas se reinventar na dor;
- não é ficar imune aos valores das frustações, mas gerenciar seus pensamentos;
- não é deixar de atravessa crises, mas escrever os capítulos mais importantes da vida   
   nos momentos mais difíceis.

...e disse mais..., ricos quiseram compra-la com seu dinheiro; celebridades tentaram seduzi-la com sua fama; generais quiseram domina-la com suas armas; jovens quiseram captura- la com os prazeres rápidos. Mas, as respostas foram contundentes para cada caso: não estou à venda; me encontro nas coisas simples e anônimas; sou indomável; e aos jovens a resposta foi genial: “sonhos sem disciplinas produzem pessoas frustradas, e disciplina sem sonhos produz pessoas fracassadas”.

                Esse Dr Augusto Cury é mesmo um gênio, um filósofo pesquisador da psiquiatria e da filosofia e se esconde, humildemente, por trás do personagem imaginário, Dr Marco Polo e ainda conclui:

“Se descobrir o código da felicidade, você nunca mais será o mesmo!”

Vou já, em seguida, ler esse seu mais recente lançamento. Conteúdo atraente demais para o Menino das Lavras, que vive a contar casos da infância e juventude cheias de sonhos e percalços, felizmente vencidos e hoje revividos e recontados com duplo prazer. Até porque prometi que irei ao próximo lançamento e comentarei o conteúdo desse novo ensinamento do Dr Marco Polo, que agora lerei. E quem sabe, num futuro encontro eu venha ter a coragem (ou deselegância?) de lhe perguntar se ele é mesmo o Dr Marco Polo. que foi um mendigo, por quase um ano, na Praça da República em São Paulo?

Brasília, 09 de novembro de 2017


Paulo das Lavras 


 
Revelei, com toda “seriedade” (disfarçada), ao Dr Augusto Cury, o mais famoso escritor da atualidade, que eu o conheci quando éramos mendigos na Praça da República em São Paulo. Isso mesmo, MENDIGOS, ele como estudante de medicina  e eu de engenharia, ambos havíamos abandonado os cursos na USP. Surpreso ele ficou e...

Surpreso, encarou-me e depois caiu na gargalhada para, em seguida, concluir a dedicatória
 na folha de rosto do livro. Pensou que eu descobrira que ele seria o próprio Dr Marco Polo,
personagem, médico, fictício de seus livros humanistas



E então, quem se surpreendeu e emocionou, com a dedicatória, fui eu. Embora
com a pulseira amarela, de nº 0450, fui dos primeiros a ser atendido e privilegiado com um diálogo, ainda que quase monólogo. Valeu ... 


Minha filha ficou mais emocionada, ainda. Disse-lhe, textualmente:
 “Um sonho realizado!!!! Foi um prazer e uma alegria conhecer você...., Augusto Cury!!!!
Obrigada pelos conhecimentos que adquiri lendo muitos dos seus livros!”
Ele se levantou, agradeceu e deu-lhe um forte e carinhoso abraço.
Dr Augusto Cury é, antes de tudo, um humanista que só faz bem a todos nós.



Inúmeros são os livros de autoria do Dr Augusto Cury. Já li uma dezena.
Todos de excelente qualidade. Valem a pena! 


domingo, 22 de outubro de 2017

Privilégios

Antigamente, nos anos 50 do século passado, estudar era um privilégio. Havia festa até para a formatura do curso primário (ensino fundamental de hoje). Formatura do curso ginasial aos 14/15 anos era a segunda festa e o científico ou o curso técnico eram, então, o máximo (2º grau atualmente). Faculdade era algo muito distante, quase inalcançável, pois incluía custos bastante elevados para cursinhos preparatórios, estadia na capital e em alguns casos até mensalidades dos cursos superiores. Sim, era privilégio, num país que ainda não tinha colégios públicos nas cidades do interior.

 Lembrei-me desse privilégio, de poder estudar, ao receber, recentemente, pelas redes sociais um vídeo muito interessante com o título “Explicando Privilégios”. Nele o autor faz uma experiência com vários jovens numa corrida para ganhar uma nota de 100 (cem) dólares. Quase 40 concorrentes estavam em suas posições, atrás da linha de arrancada, prontos para ouvir o apito ou tiro de partida.  Entretanto, o organizador avisa que é uma corrida diferente e convoca cada um a dar dois passos à frente se disser “sim” às seguintes perguntas:
- quem ainda tem os pais casados
- quem cresceu em casa e contou com a figura paterna a seu lado.
- quem estudou em escola particular
- quem nunca teve que pagar a sua própria conta de telefone celular
- quem nunca teve que ajudar a pagar as contas de casa
- quem nunca teve que pensar de onde virá a sua próxima refeição

Mais de trinta rapazes e moças, a maioria de jovens sarados e bem nutridos, de boa aparência, já estavam avançados em cerca de 10 metros de distância, conforme permitido pelas seis perguntas e dois largos passos a cada “sim” respondido. Uns dez outros jovens restaram atrás da linha de partida, sendo alguns deles negros, até deixando transparecer certa agonia e frustração por não terem respondido, nenhuma vez, “sim” às perguntas do organizador da disputa.  Não puderam responder a único sim e por isso não avançaram. Após a última pergunta e respectivo avanço de dois passos, o organizador mandou que todos se virassem para trás e olhassem para aqueles que restaram, lá atrás da linha inicial da corrida. E novamente disse: “Vejam, quantos ficaram para trás e eu digo-lhes que todas as perguntas ou afirmações que fiz e vocês responderam sim, nada tiveram de contribuição pessoal de cada um de vocês. Portanto vocês não contribuíram com nada e nem participaram daqueles esforços que seus pais fizeram por vocês e lhes ofereceram durante toda a vida. Vocês, no entanto, se valeram daquelas vantagens e deram dois passos à frente numa disputa e sairão com 10 metros de vantagem à frente de quem não teve a mesma chance, as vantagens da vida que vocês tiveram. E lembrem-se, vocês não contribuíram com nada para a obtenção de tudo aquilo que vocês agora estão usufruindo. Portanto ISTO é privilégio”.

Mas, isto quer dizer que eles, aqueles que ficaram para trás não podem concorrer?  Perguntou novamente o organizador da disputa. “Precisamos reconhecer que vocês que estão à frente tiveram vantagens. Mas precisamos correr, a disputa continua. A vida é assim, não há desculpas, a realidade é essa e temos que reconhecer. A corrida vai continuar e aqueles lá atrás terão que correr muito mais para ganhar os 100 dólares. Nós nunca queremos reconhecer que sempre tivemos privilégios que nos garantiram a dianteira. Mas tivemos. Aqui estão vocês, bem à frente daqueles lá atrás e eles precisam correr muito mais que vocês para ganhar a disputa. Vou dar a partida e quem quer que ganhe essa corrida e seus 100 dólares terá de pensar sobre a vida dos outros menos privilegiados. Nada do que você fez o colocou nessa posição de vantagem que você está aqui, agora, antes mesmo que eu dê a partida da corrida. Essa é a realidade da vida. Aprendam a olhar os outros”.

         Passei a infância cercado de amigos que não puderam seguir os estudos. Na fazenda ficaram os filhos dos empregados, que nunca puderam estudar na cidade. Na zona rural não havia escolas e tampouco transporte para a cidade. Amigos de caçadas, natação em ribeirões e lagoas às margens do Rio Grande, cavalgadas, trilhas pelas matas e serras, mas essas eram trilhas de lazer, na época de férias escolares, pois as trilhas, o caminho para a cidade aqueles amiguinhos nunca puderam alcançar, lá, onde estavam as escolas. Para sempre ali permaneceram na lida da roça e depois de aposentados, foram inchar a periferia da cidade. Cinquenta anos depois visitei um deles, num bairro distante do centro da cidade.  Difícil foi conter a emoção diante de tanta simplicidade, poucos recursos e certa melancolia em seu olhar ao relembrarmos os tempos alegres da infância e fartura nas fazendas. Mas, a situação não foi diferente na cidade com os coleguinhas do grupo escolar. Havia cinco ou mais turmas de primeiro ano primário (ensino fundamental). Vários deles ficaram pelo caminho e nem concluíram as primeiras séries. No ginásio, aos 12 anos, éramos cinco turmas de 50 alunos na 1ª série do Colégio Aparecida. Chegamos ao 3º Científico (2º grau) com apenas 30 colegas. Mais de duzentos desistiram, quase 90%. Daqueles mais conhecidos as causas foram aquelas duas últimas da lista de seis do organizador da corrida descrita acima. Simplesmente tiveram que parar de estudar, ainda meninos, para trabalhar e ajudar nas despesas da família, geralmente numerosa. Sequer conseguiriam chegar à disputa da corrida e muito menos ganhar aquela nota de cem dólares que bem ilustra a realidade da vida.

Aprenda a olhar a história do outro, disse o organizador da corrida ilustrativa. E como aprendi, pois dos 250 coleguinhas de primeira série ginasial, apenas cinco eram negros e somente três chegaram ao final e ainda assim depois de interrupções forçadas pela necessidade de ajudar no sustento da casa. Na verdade, somente um conseguiu concluir o segundo grau, no tempo certo, mas mesmo assim, não podendo custear cursinhos preparatórios, demorou cinco anos para ingressar na UFMG. Os outros dois ficaram afastados dos estudos por seis anos, pois não conseguiam pagar colégio particular e ainda tinham que ajudar nas despesas da família. Mas, conseguiram vencer, mesmo sem “privilégios”. O primeiro formou-se em engenharia na UFMG, cinco anos depois de minha formatura e aposentou-se como engenheiro da Usiminas. Os demais, José Augusto de Almeida e Ito Leocádio da Silva também se formaram na faculdade, sete anos depois, dois a mais que o primeiro colega de colégio. Aliás, tive a mais agradável surpresa com esses dois últimos.  Entrei na sala de aula para ministrar a matéria de Construções Rurais – casas, instalações hidráulicas prediais, silos, galpões, etc., no quarto e último ano de Agronomia, na Esal/Ufla, em 1974 e quem estava lá como alunos?  Ito Leocádio  e também José Augusto, aqueles coleguinhas que ficaram para trás ainda no colégio. Infelizmente faleceram prematuramente, pouco tempo depois e não puderam usufruir por mais tempo daquilo que construíram com esforço maior do que a grande maioria de nós. Ainda hoje quando me lembro deles sinto o coração dolorido. Minhas homenagens a esses guerreiros que apesar da falta de “privilégios” e todas as dificuldades, venceram na vida, ultrapassaram os obstáculos.

Há que reconhecer, fomos privilegiados, a grande maioria dos amigos. É necessário que a lição mostrada no citado vídeo, seja de fato levada em conta: devemos olhar a história do outro e reconhecer seus valores. E, lógico, agradecer a nossos pais por tudo que fizeram para nos proporcionar uma vida melhor.

Assim é a vida!

Brasília, 22 de Outubro de 2017


Paulo das Lavras 




Colégio Aparecida- Lavras-MG – Formandos de1967. Deud; Gil Cherem; Gilson Curi; Nordestino; Ito Leocadio; José Augusto de Almeida e José Ernane. 2ª fileira: Luís Magno;
 Manoel; Marcio e Marco; Mauro; Nilton Curi e Nagib.
José Augusto e Ito esperaram mais quatro anos para a conclusão do 2º grau e depois mais três para ingressarem na faculdade. Não tiveram os privilégios da maioria
dos colegas e foram obrigados a “correr” muito mais que todos nós. José Augusto chegou a trabalhar, nesse período, no Café do Sr Marani, na praça central da cidade,
ao lado da atual sede do Banco do Brasil.

Foto: arquivos de Renato Libeck


Homenagem que a Força Aérea Brasileira prestou a meu pai, pelo seu centenário de vida, coincidente com os 100 anos da invenção do Avião, o 14-Bis.  Ele viveu 101 anos e os filhos puderam, com muito orgulho, retribuir-lhe “os privilégios” que ele nos concedeu nessa corrida da vida.

 Foto: Arquivos do CECOMSAER – FAB

sábado, 14 de outubro de 2017

Lutero em Guaratinguetá - 500 Anos

 


Ich bin hindurch, ich bin hindurch! ... Passei, passei, gritou Lutero ao sair da audiência em Worms, quando inquirido pelo Imperador Carlos V, da Alemanha e príncipes da Igreja, sobre as suas 95 teses contrárias a dogmas da igreja Católica Romana. Essa frase em alemão era repetida pelo saudoso Padre Luiz Tings, alemão de origem, professor de História e Inglês no Colégio Aparecida onde estudei, em Lavras-MG. Lembrei-me de suas aulas sobre a Dieta de Worms, quando recebi do presidente do Instituto Histórico de Geográfico de Guaratinguetá – IHGG, prof. Leandro Pereira dos Santos, a foto do selo, lançado por aquele Instituto, em comemoração aos 500 anos da Reforma Protestante, proclamada por Martinho Lutero em 1517.

Boas lembranças, primeiramente das aulas de história sobre a Reforma Protestante, ministradas pelo culto e poliglota professor, Pe. Luiz Tings que nos ensinou por sete anos seguidos e do qual até fui coroinha em missas celebradas nas capelas do Colégio de Lourdes, Batalhão da PM, fazendas do Faria,  Criminoso e Fábrica Velha, às mrgens do Rio Grande. Também as lembranças dos fatos históricos da cidade de Guaratinguetá, com a sede do IHGG ostentando o nome de Manoel da Costa Valle, o que muito nos honra. Manoel da Costa Valle vem a ser meu pentavô, imigrante portugues que ali se casou com Maria do Rosário Pedroso de Moraes e em seguida se transferiu para Lavras-MG à procura de ouro nos aluviões do ribeirão vermelho. 

     Guaratinguetá era o caminho e parada obrigatória para todos os bandeirantes paulistas que adentravam os campos e serras das Minas Gerais pela antiga Estrada Real. Chegavam até Carrancas e dali em vez de seguir rumo a São João Del Rei e Vila Rica, tomavam a esquerda pelo rio Capivari, Posto da Coruja (Itumirim) e alcançavam pelo recém aberto caminho em direção a Provincia de Goyás, chegando ao estreito do Funil do Rio Grande, já nos Campos de Santana das Lavras do Funil. Havia por ali um posto de Registro Real – espécie de alfândega, para taxar o ouro dos garimpeiros em direção à Estrada Real que os levaria à capital da Colônia, o Rio de Janeiro. Na minha juventude visitei algumas vezes a Fazenda do Registro que ainda hoje tem esse nome e se situa a dez minutos da cidade de Lavras, em direção à barragem do Funil.

Manoel da Costa Valle, o patrono do IHGG que lançou o selo comemorativo em questão, chegou à Carrancas com sua esposa guaratinguetaense e de lá partiu para Lavras, onde se instalou em definitivo em busca do ouro de aluvião do ribeirão vermelho. Esgotada a fonte de ouro, estabeleceram-se numa grande fazenda à margem direita do Rio Grande. Seus filhos foram registrados em Ribeirão Vermelho, Carrancas e Lavras, originando-se as famílias Pádua, Salles  e Costa.  Assim, um selo comemorativo, ainda que de motivo diverso, mas lançado nas terras de nossos ancestrais, evocou-nos doces lembranças da terra natal e suas origens vinculadas ao vale do Paraíba, mais precisamente à cidade de Guaratinguetá, ponto de parada dos bandeirantes e garimpeiros paulistas e portugueses que demandavam os sertões das Geraes e dos Goyazes.


 
Fazenda do Registro, com um caminhão Dodge 1931 e  Ford 1931 pilotados por Renato Libeck e amigos: Lavras-MG, caminho e alfândega do ouro que passava pelo estreito do Funil do Rio Grande, no arraial de Santana dos Campos das Lavras do Funil em direção à capital da colônia, Rio de Janeiro, no século XVIII – 1714-1799.  
Foto: Renato Libeck


Pois bem, mas o que foi mesmo a Reforma Protestante? Nosso professor Pe. Luiz Tings, que gostava de falar em alemão não só aquela exclamação de Martinho Lutero, mencionada no início, mas também brincava com os maus alunos dizendo-lhes: du bist ein esel (você é um burro), não nos ensinou muito sobre as 95 teses de Lutero, publicadas na porta do Castelo de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517. Repassava-nos ligeira e genericamente algumas e focava mais na Dieta de Worms, o ato inquisitório que condenou Lutero como herege para sempre e proibia os registros de suas teses que contestavam dogmas da igreja, como as excessivas concessões de indulgências – a compra da salvação da alma, com lugar garantido no céu, privilégio reservado a quem tivesse dinheiro e as pudessem pagar à igreja. 


Padre Luiz Tings, natural da Alemanha, professor de História e Inglês. Ensinava aos meninos de 12 a 15 anos, do Colégio Aparecida, em Lavras, sobre a Reforma Protestante, mas só dizia que o protesto de Martinho Lutero se referia à venda de indulgências, ou seja, só os ricos podiam comprar um lugar no céu. E penso que isto nunca acabou (indulgências), pois consultei os inventários de meus parentes e seus contemporâneos falecidos em Balasar, Portugal, entre os anos de 1703 (nascimento de meu penta-avô Manoel da Costa Vale) e 1850 e constatei que os falecidos deixavam pago nas igrejas a celebração de 20, 50 ou centenas de missas em sufrágio de suas próprias almas. Acreditavam que os santos e as missas rezadas pelos padres iriam salvá-los do “fogo do inferno”. Era simplesmente a igreja se apropriando de bens dos cidadãos, conforme protestou Lutero!
Foto: Renato Libeck


                A Dieta de Worms, terra do vinho Liebfraumilch e não muito distante de Heidelberg aonde visitei a mais antiga universidade da Alemanha, fundada em 1386, aconteceu em 1521 e tinha por objetivo determinar que Lutero renunciasse às suas teses que seriam banidas e também pedisse perdão à Igreja. Não renunciou e ainda reafirmou suas convicções pedindo ampla reforma das práticas da Igreja Católica Romana. Resumiu suas teses em três distintos temas. O primeiro se referia à fé e os costumes, o segundo era contra o papado e sua tirania, com leis que oprimem as consciências, apropriam-se dos bens e das propriedades dos cidadãos.  Em terceiro lugar, escreveu contra os indivíduos que apoiavam a tirania papal e impediam a pregação da Palavra das Sagradas Escrituras. Lutero reafirmou ao Rei e aos Príncipes que não retiraria nada de suas 95 teses, pois se assim o fizesse estaria beneficiando a tirania papal e negando a doutrina de Cristo. Diante disso, o Rei Carlos V deu o veredicto: considerá-lo-ei herege notório e espero que Vós como bons cristãos também façais o que vos compete.       

         Os teólogos afirmam que “tanto o discurso de Lutero quanto o de Carlos V são marcos históricos para as religiões Protestante e Católica. Na primeira expressa-se a consciência presa ao evangelho, na segunda expressa-se a responsabilidade frente à tradição e ao compromisso de proteger a Igreja Romana. No discurso de Lutero expressa-se o curso da Igreja da Reforma, no discurso de Carlos V estão os motivos que nortearão suas ações nos conflitos que se seguirão: a eliminação da heresia”. A partir dessas palavras de Carlos V começou, então, um período negro na história do catolicismo, pois no bojo da chamada Contrarreforma da Igreja Católica, veio a Inquisição e o controle eclesiástico sobre a vida intelectual e religiosa e até mesmo o controle, a censura sobre todos os livros a serem publicados.  Somente com autorização bispo podiam-se publicar livros. Foi um verdadeiro esforço de guerra da Igreja Romana para se reorganizar e confrontar o protestantismo plantado por Lutero. Houve muitas lutas entre católicos e protestantes, culminando com o tratado de Paz de Westfália, em 1648, depois de longa guerra (Guerra dos Trinta Anos) e assim demarcando os territórios e fronteiras políticas e religiosas de católicos e protestantes. A partir de então a Igreja Católica adotou uma agressiva campanha de reavivamento da fé e da disciplina religiosa. Foi então que surgiram medidas supostamente corretivas, dentre elas a Inquisição ou Santo Ofício (os ferozes tribunais da Igreja Católica que perseguiam, julgavam e puniam pessoas acusadas de se desviar das normas de conduta estabelecidas pela Igreja), o Index dos livros proibidos, a criação da Companhia de Jesus – os jesuítas, que tinha como objetivo a expansão e o fortalecimento do catolicismo para suplantar o protestantismo, especialmente no Novo Mundo. Além dessas medidas draconianas de censura e controle das atividades das pessoas, havia ainda a reafirmação da autoridade papal, a manutenção do celibato dos padres, a criação de seminários e universidades e a eliminação de abusos sobre a concessão de indulgências.
                 
 O período da Inquisição merece um capítulo à parte, pois foi o período mais negro da história religiosa do catolicismo. No Brasil nem tanto, mas ainda assim 400 brasileiros foram condenados e 21 queimados em Lisboa. Era para lá que os casos mais graves eram enviados. Em Portugal foram 40 mil vítimas, Cerca de dois mil cidadãos foram mortos na fogueira. Na Espanha foram estimadas quase 300 mil pessoas condenadas e 30 mil executadas até a extinção do Santo Ofício, em 1834. Também foi no período da inquisição que veio para o Brasil o jesuíta padre Antônio Vieira que, em seus sermões escritos e publicados entre 1660 a 1680, disse que a mulher só deveria sair de casa apenas em três ocasiões: para o batizado, o casamento e o próprio enterro. E ele, o missionário jesuíta, foi longe em suas diatribes contra a mulher, dizendo, por exemplo, que a mulher vaidosa é a fonte de todos os males e que se houvesse espelho no Paraíso, nem teria sido necessária a maçã proibida para que de lá fossem expulsos, ela e seu companheiro Adão. Chegou a lamentar a revogação da proibição do uso de espelhos por parte das mulheres (homem podia?). Para as mulheres corajosas, como as Marias que foram ao túmulo de Jesus (os apóstolos se acovardaram e não foram), ele chega a dizer que essas “são mulheres pouco mulheres, eram mulheres varonis, eram tão homens...”.

Esse era o espírito da Inquisição e com pesada discriminação da mulher e para distinguir alguma mais valorosa, em termos de caráter e dedicação humanitária, a chamaram de “mulher varonil”. Incrível a mentalidade eclesiástica inquisitorial daquele missionário, sob o manto da “evangelização dos gentios”. O evangelizador preferiu ignorar outros ensinamentos da bíblia que eleva e enleva os atributos da Mulher, como os versículos 30 e 31, de Provérbios - 31: “A formosura é uma ilusão, e a beleza acaba, mas a mulher que teme o Senhor Deus será elogiada. Deem a ela o que merece por tudo o que faz, e que seja elogiada por todos”. Ou então que destacassem os versículos 25 e 26: “É forte, respeitada e não tem medo do futuro. Fala com sabedoria e delicadeza”. Isto sim, as afirmações de padre Vieira, constituem verdadeira heresia, a negação da doutrina divina estabelecida por Deus ao criar o ser humano. E a igreja ainda dizia que herege era Martinho Lutero....

Viva a Reforma Protestante de Martinho Lutero. Ela teve grandes e notáveis méritos, pois revolucionou o pensamento religioso. 500 Anos já se passaram!

Parabéns ao Instituto Histórico e Geográfico de Guaratinguetá pela inciativa da emissão do selo comemorativo desse importante evento histórico da humanidade.

Brasília, 14 de Outubro de 2017

Paulo das Lavras.