quinta-feira, 17 de novembro de 2016

As mãos calejadas de um pai

  (crônica com 2.715 visualizações em 06/09/2022- 20:00h - blogger)

Um jovem foi se candidatar a um alto cargo em uma grande empresa. Passou na entrevista inicial e estava indo ao encontro do diretor para a entrevista final. O diretor viu seu currículo, era excelente. E perguntou-lhe:

- Você recebeu alguma bolsa na escola? - o jovem respondeu - Não.
- Foi o seu pai que pagou pela sua educação?  Sim - respondeu ele.
- Onde é que seu pai trabalha? Meu pai faz trabalhos de serralheria.
-  O diretor pediu, então, ao jovem para mostrar suas mãos.  O jovem mostrou um par de mãos suaves e perfeitas.
- Você já ajudou seu pai no seu trabalho?
- Nunca, meus pais sempre quiseram que eu estudasse e lesse mais livros. Além disso, ele pode fazer essas tarefas melhor do que eu.
             O Diretor lhe disse: Eu tenho um pedido: quando você for para casa hoje, vá e lave as mãos de seu pai. E venha me ver amanhã de manhã.  O jovem sentiu que a sua chance de conseguir o trabalho era alta!

 Quando voltou para casa, ele pediu a seu pai para deixá-lo lavar suas mãos.  Seu pai se sentiu estranho, feliz, mas com uma mistura de sentimentos e mostrou as mãos para o filho. O rapaz lavou as mãos de seu pai lentamente. Foi a primeira vez que ele percebeu que as mãos de seu pai estavam enrugadas e tinham muitas cicatrizes. Algumas contusões eram tão dolorosas que sua pele se arrepiou quando ele a tocou.  Esta foi a primeira vez que o rapaz se deu conta do significado deste par de mãos trabalhando todos os dias para pagar seus estudos. As contusões nas mãos eram o preço que seu pai teve que pagar por sua educação, suas atividades escolares e seu futuro.  Depois de limpar as mãos de seu pai, o jovem ficou em silêncio organizando e limpando a oficina do pai. Naquela noite, pai e filho conversaram por um longo tempo.

 Na manhã seguinte, o jovem foi encontrar-se com o Diretor. Este percebeu as lágrimas nos olhos do moço quando ele perguntou:

- Você pode me dizer o que você fez e aprendeu ontem em sua casa?
 O rapaz respondeu: Lavei as mãos de meu pai e também terminei de limpar e organizar sua oficina. Agora eu sei o que é valorizar, reconhecer. Sem meus pais, eu não seria quem eu sou hoje... Por ajudar o meu pai agora eu percebo o quão difícil e duro é para conseguir fazer algo sozinho. Aprendi a apreciar a importância e o valor de ajudar a família.

 O diretor disse: - Isso é o que eu procuro no meu pessoal. Quero contratar uma pessoa que possa apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conhece os sofrimentos dos outros para fazer as coisas, e que não coloca o dinheiro como seu único objetivo na vida. Você está contratado.

 Uma criança que tenha sido protegida e habitualmente dado a ela o que quer, desenvolve uma mentalidade de "Tenho direito" e sempre se coloca em primeiro lugar. Ignora os esforços de seus pais.  Se somos esse tipo de pais protetores, estamos realmente demonstrando amor ou estamos destruindo nossos filhos? Você pode dar ao seu filho uma casa grande, boa comida, educação de ponta, uma televisão de tela grande... Mas quando você está lavando o chão ou pintando uma parede, por favor, o faça experimentar isso também . Depois de comer, que lave os pratos com seus irmãos e irmãs. Não é porque você não tem dinheiro para contratar alguém que faça isso; é porque você quer amar do jeito certo. Não importa o quão rico você é, você quer entender. Um dia, você vai ter cabelos brancos como a mãe ou o pai deste jovem. O mais importante é que a criança aprenda a apreciar o esforço e ter a experiência da dificuldade, aprendendo a capacidade de trabalhar com os outros para fazer as coisas.

O texto  acima chegou-me às mãos por meio de amigos e traz uma bela mensagem que fez-me relembrar uma passagem de minha vida. Também meu pai tinha as mãos calejadas, grossas, muito grossas e sobretudo fortes. Ao despedir-me dele, pela última vez, quando partiu aos  cento e um anos de idade, sussurrei algumas palavras, antes de se fechar a urna. Minha palavras se referiam exatamente às suas grossas e calejadas mãos.  Foram ouvidas por meu irmão mais novo. Este as relembrou, oito anos depois, quando em minha chácara, em Brasília, quase 1.000 km distante da terra natal. Rememoramos, então, o árduo trabalho que ele, nosso pai, enfrentara a vida inteira e com muita alegria. E aquela alegria aflorou-nos com prazer redobrado, pois, ambos, tínhamos construído na chácara, dois anos antes, uma cerca de arame que dividia os piquetes de pastos do cavalo. Trabalho duro, cavar o buraco com mais de oitenta centímetros de profundidade, retirar a terra com as mãos, colocar o pesado moirão, socar e compactar a terra a seu redor, desenrolar o arame, esticá-lo ao máximo e pregá-lo com o grampo ou afixa-lo na catraca. Ali, ele e eu, pudemos avaliar o quanto era dura a faina do trabalho que nosso pai desempenhou com muito amor à terra. E nunca fomos obrigados a fazer isso na fazenda, pois ele não permitia e eu, efetivamente não o fiz, pois estávamos na cidade estudando, lendo livros para nos formar em alguma profissão, tal qual ele desejava para seus filhos. E algum tempo depois  após a partida de nosso pai, pudemos, ali, relembrar aquelas palavras que eu então dissera, segurando-lhe as mãos num último e dolorido adeus, embora ele tivesse vivido 101 anos. Sim, cento e um anos e eu então dissera, com lágrimas nos olhos: “obrigado, meu pai, que com essas grossas e calejadas mãos, trabalhou a vida inteira, até mesmo há trinta dias atrás, produzindo o próprio alimento para nosso sustento quando crianças e jovens e nunca deixastes que fossemos lhe ajudar na lida da roça, pois queria que estudássemos. Que Deus o tenha”.

E hoje,  deparo-me com um artigo sobre pesquisas do IBGE, focando justamente a importância da influência dos pais para o sucesso profissional dos filhos. A pesquisa realizada com 3.000.000 de pais (sim, três milhões) traz o depoimento de uma mãe nordestina, orgulhosa:

“Os calos da minha mão são o orgulho que sinto de ver aonde elas chegaram (suas filhas diplomadas em curso superior). Para quem veio da enxada, da seca e da fome, isso já é muito”.

Hoje nossos calos não são mais nas mãos, como antigamente, mas sim contados pelo tempo e dedicação que dispendemos para a educação e formação de nossos filhos. Sigamos o exemplo da dedicação de nossos pais e cuidemos para que nossas crianças tenham a melhor educação possível E esta não se resume à qualidade da escola, suas instalações físicas, docentes qualificados, currículos atualizados e tudo mais que a moderna pedagogia recomenda. É preciso que cuidemos, simultaneamente, de proporcionar-lhes as melhores condições possíveis no conjunto de nossas relações sociais que, dentre tantas, incluiriam:  cursos extras de redação/português, inglês (imprescindível- conversação e redação), artes, esportes (competições), rede de amigos influentes e bem-sucedidos, estágios no exterior (imprescindível) e em empresas nacionais. Importante também oferecer oportunidades de visitas a feiras (comerciais, industriais, artísticas, etc), exposições técnicas e científicas, shows artísticos e viagens nacionais e internacionais. Assim, estaremos proporcionando a eles uma extensa gama de oportunidades extracurriculares e ampliação de sua cultura técnica, científica e cultural, com reflexos indiscutíveis para as oportunidades de sucesso profissional.

            Não bastam boas escolas e se antigamente as mãos de nossos pais foram calejadas para nos proporcionar o melhor, incluindo o diploma de nível superior, hoje esses “calos” são outros. Incentivar, acompanhar e empurra-los, se preciso for, sempre, pois estes são os nossos “calos” neste mundo cada vez mais competitivo e que está a exigir maior qualificação de quem deseja ser bem sucedido.

 Ainda que faltem boas escolas ou até mesmo o dinheiro, mas....

 OS PAIS NÃO PODEM FALHAR. 

Calejem-se!


Brasília, 15 de novembro de 2016

Paulo das Lavras



 
Sr Vico – Clovis Pereira da Silva, meu pai, aos 84 anos, voltando da capina para o almoço das 10:30h. Caminhar firme, braços fortes, mãos calejadas, grossas, sorriso alegre.... tarefa cumprida! O que se repetiu, diariamente, até os 101 anos de vida. 


 
Comemorando 100 anos de vida, juntamente com o 14- BIS, de Santos Dumont.
Vida honrada, como bem disse aquele diretor de escola, da história acima, repassando-nos valores como: “pessoa que aprecie a ajuda dos outros, uma pessoa que conhece os sofrimentos dos outros para fazer as coisas, e que não coloca o dinheiro como seu único objetivo na vida”.


 
Aos 75 anos, de bem com a vida na mesma fazenda onde “calejou” as mãos e criou os filhos


 
Fincando um moirão de cerca e relembrando os calos do pai, trabalho duro,
que deixa as mãos calejadas, ainda  que  se usem luvas apropriadas



 
Ciclone, o dono das pastagens cercadas. Reminiscências das férias na fazenda


 
O piquete de pastagem e a cerca, um ano depois. Os calos nas mãos
compensam o prazer de contemplar o trabalho realizado e reconhecer o seu valor



Nossos “calos” de hoje são outros: tempo e dedicação aos filhos/netos
Inseri-los no contexto social, onde a acirrada disputa por um lugar
no mercado de trabalho, será vencida por aqueles que forem melhor
preparados, técnica, científica e socialmente, com vasta
cultura e domínio de idiomas, a começar pela língua pátria e o inglês.









terça-feira, 1 de novembro de 2016

Dia de Finados - amor e gratidão

A morte é onde mora a saudade... Foi preciso uma criança de três anos perguntar, às 06:00h da manhã, para o pai que ainda dormia, “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”, para que ele entendesse que a morte é onde mora a saudade.... Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir.

Quero, como Rubem Alves, autor das palavras acima, que a morte, quando chegar minha vez, seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs, tal qual aconteceu com meus pais, mesmo que para ela tenha sido aos 49 - quarenta e nove anos de idade e ele aos 101- cento e um anos de longa e plena saúde. Portanto, é preciso que olhemos a morte diferentemente daquele medo que nos cerca, pois também é uma fase da vida, a última. Feliz daquele de nós que teve a chance de cuidar da vida de um ente querido que se preparava para partir. Sempre carregará o seu amor, condoído e dolorido demais, é verdade. Mas esse amor ausente tem nome: Saudade..., porque está ausente e não volta mais..., porém, é apenas uma ausência física, pois aqueles que amamos estão para sempre em nossos corações.

A Vida é a senha da felicidade. É curta, por isso ame-a, cultive amigos e os entes queridos. Devemos viver cada dia como se fosse o último, alegre, feliz consigo e com todos e nem pensar na tal da traiçoeira morte. E uma boa maneira de se fazer isto é conviver com as crianças e os jovens, nossos alunos. Eles nos renovam a cada dia. E hoje, cultuemos, sim, a lembrança, a saudade dos entes queridos, mas com a certeza e a alegria, conforto da alma, que os amamos a seu tempo e fomos amados por eles.

Um abraço aos amigos neste dia de reflexão e de gratidão aos entes queridos que nos deixaram. Sempre que acompanho um amigo no adeus final, levo uma rosa vermelha, símbolo do amor, da gratidão. É assim que encaro a partida ao final de uma vida. Fiz questão de repetir o ritual diante de um, dentre 10 mil túmulos dos valorosos soldados que tombaram no fatídico Dia D, do desembarque na Normandia, na França, durante a Segunda Grande Guerra.

Brasília, 02 de novembro de 2016


Paulo das Lavras

 
Uma rosa vermelha para os entes queridos que nos deixaram.
Símbolo do amor e gratidão pela vida compartilhada. Saudades 


A morte é onde mora a saudade... Gratidão aos entes queridos e também
à aqueles que deram sua vida por nós.
Cemitério Americano da Normandia- França


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Dia Nacional do Livro - Adultite e chá de infância

“Para se curar da adultite é preciso tomar chá de infância, virar criança de novo”.

Com a frase acima, de autoria do poeta, escritor, filósofo e professor, Rubem Alves, homenageamos o Dia Nacional do Livro. Nada melhor do que invocar a presença das crianças para propagandear a importância do livro e da leitura. O dia 29 de outubro é o Dia Nacional do Livro. E por que esse dia? Foi nesse dia, do ano de 1810, que se criou a Imprensa Régia em nosso país. Veio no rastro da chegada da Corte Portuguesa que fugia da invasão de Portugal pelo Imperador Napoleão Bonaparte. D. João VI trouxe para o Brasil milhares de peças da Real Biblioteca Portuguesa, formando o princípio da Biblioteca Nacional do Brasil. O primeiro livro publicado foi Marília de Dirceu, do poeta Tomás Antônio Gonzaga que, por ironia tinha sido condenado pela mesma Corte por participar ativamente da Inconfidência Mineira de 1789.

Aqui em Brasília, estamos comemorando esse dia especial com a realização da III Bienal Brasil do Livro e da Leitura, iniciada dia 21 do corrente mês de novembro. Dez dias de festa com lançamentos de livros, palestras e sessões de autógrafos, além de milhares de exemplares à venda com preços bastante acessíveis. E para celebrar o livro e a leitura vamos falar um pouco sobre um dos melhores escritores, Rubem Alves, falecido em julho de 2014. Considero como uma de suas melhores produções, o livro “O amor que acende a lua”, que já se encontra em sua 15ª edição (2011).

Nesse livro ele dá um passeio pelos ensinamentos dos filósofos Nietzsche, Bachelard e outros, além de citar os poetas Cecília Meireles, Drummond e Fernando Pessoa. Uma das descrições que mais gostei foi sobre a diferenciação entre paixão e saudade. Ele ensina que paixão só existe na ausência do objeto amado. É um desejo de posse que se satisfeito deixa de existir, tal qual a fome que desaparece depois da refeição. Mais precisamente, a paixão vive da ausência do objeto amado (a vontade de ter). O apaixonado cria o objeto da paixão, a vontade de possui-lo, mesmo estando presente.

Não é a ausência física, é o olhar do apaixonado que torna o objeto amado encantado. A dor da ausência física tem nome: Saudade. E esta é curada quando o objeto amado volta. Paixão não tem cura, disse Rubem Alves. Interessante, ainda, é a explicação dele para provar que poetas são eternos apaixonados pela vida. “Para eles a vida aparece sempre banhada por uma luz crepuscular”.

E sabe de uma coisa? Ele está certo ao definir o poeta como um “apaixonado pela vida”. Você já viu algum poeta deixar de cantar e exaltar a vida? Costumo dizer que o bom poeta, escritor, contista, ou seja, lá que gênero literário tenha, ele não representa, não inventa. Ele VIVE a história, o poema, o conto ou a crônica. Qualquer assunto é transformado, por palavras, em uma trama ou enredo agradável... Por quê? Porque ele está falando de sua paixão, a VIDA e quer compartilhar essa maravilha com seus leitores.

Surpresa nessa III Bienal do Livro e da Leitura. Assisti, presencialmente, a palestra de outro grande ícone da literatura infantil, Ziraldo. A sessão de autógrafos foi transformada em extensão da palestra, intitulada “Como ler para crianças”. Uma menina de dez anos perguntou-lhe como encontrava tanta inspiração para criar e escrever tantos livros (mais de 50). E a resposta foi a mesma de Rubem Alves, mas, com outras palavras. Explicou à criança que o poeta, escritor e contista é um apaixonado pela VIDA e está ligado, antenado em tudo ao seu redor. A simples queda de uma folha de árvore pode lhe render uma crônica, um conto, onde ele, o escritor, enfeita a situação com palavras, agrega outras lembranças e torna o enredo agradável ao leitor. É uma paixão, escrever é vida para o autor, completou Ziraldo.

Por conta dessa resposta de Ziraldo à criança-leitora, impressionada com a sua elevada produtividade literária, veio-me à mente as sábias palavras de Rubem Alves:
“Os poetas desejam voltar às suas origens. É lá que mora a verdade que os adultos esqueceram. Fogem da loucura da vida adulta. Buscam reencontrar a simplicidade da infância. Para se curar da adultite é preciso tomar chá de infância, virar criança de novo...”.
           
        Não à toa meus simples escritos, em forma de crônicas e contos, se referem em sua quase totalidade à simplicidade da infância, como se desejasse a ela retornar. Em sendo impossível, tomamos chá de infância, pois, como bem disse nosso poeta, “As almas dos velhos e das crianças brincam no mesmo tempo. As crianças ainda sabem aquilo que os velhos esqueceram e têm de aprender de novo: que a vida é brinquedo que para nada serve, a não ser para a alegria! ”
           
           Celebrar esse dia de hoje, em meio à uma Exposição Bienal Dia do Livro e da Leitura, é sem dúvida um privilégio, sobretudo quando levamos as crianças e com ela compartilhamos a alegria da leitura e do convívio com escritores.

Brasília, 29 de outubro de 2016

Paulo das Lavras




 
III – BBLL -Brasília- 21 a 30 de outubro de 2016
Melhor lugar não há para se comemorar o Dia do Livro,
 em companhia dos leitores mirins, futuros escritores

 
Rubem Alves, alguns de seus livros entre outros autores





 
Ziraldo, autografando e respondendo como é capaz de criar e escrever tantos livros....


 
O melhor da vida é mesmo a leitura. Crianças são fascinadas pelas
historinhas, mesmo aqui, entre um voo rasante e outro da Esquadrilha
 da Fumaça, num dia do Aviador e da Força Aérea, à beira do lago de Brasília.





sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Criança tem cada uma: Um olho para o vovô e 120 anos para vovó

Era o mês de setembro, de 2016 e os pais de Pedro Henrique, que contava apenas sete anos de idade, viajaram de férias para o Rio de Janeiro. Foram dez dias que ele, o menino, ficou com os avós e a tia Lu. Rotina estabelecida com escola pela manhã, bem cedo, almoço em casa ou às vezes em restaurantes, academia duas vezes na semana com natação, futebol e judô, estudos diários tutorados pela tia Lu, comida farta com doces e guloseimas (dizem que avós são para estragar os netos e os pais que os corrijam depois...rsrs), brincadeiras na quadra de esportes, não dispensando a “guerra” de travesseiros à noite, longe das broncas da vovó e finalmente  dormir no quarto de hóspedes, para onde o vovô também se deslocou para lhe fazer companhia, cada qual em sua cama. Nos fins de semana contava com a companhia da priminha, Sarah, na cidade ou na chácara, onde as atrações eram mais interessantes, pois incluíam a piscina, extensos gramados para futebol, helimodelismo, lagos para pescaria, fruteiras (amoras e jabuticabas, frutas da estação), cães, galinhas e outros bichos além do cavalo para um passeio em pelo. E ainda podiam pilotar, de fato, o microtrator e passear no jipe sem capota, capaz de passar dentro da lagoa mais rasa, derrapando e jogando lama para todos os lados. É paraíso para qualquer criança submetida à dura rotina semanal de compromissos cronometrados.

 Tudo certinho, novidades a cada dia ajudaram o menino a “esquecer” os pais e concentrar-se na nova rotina, cercado de atenção e carinho por todos da casa. Para o avô, era um prazer renovado a cada manhã leva-lo até a escola. Era como reviver seu tempo de menino, com a diferença que enfrentava o percurso a pé, acompanhado apenas por uma das irmãzinhas que também estudava na mesma escola. Antes de sair para a escola, a vó nos reunia e fazia a oração, agradecendo a Deus pela noite tranquila que passou e invocava as bênçãos para o dia que se iniciava. Aí incluía-se a “viagem” de carro, de seis quarteirões até a escola, pedindo a Deus a proteção para o motorista e o menino, livrando-os do acidente. No caminho o menino observa atento o percurso e as dificuldades do trânsito e as vezes até aconselhando: “deixa ele passar, vovô”, quando um motorista mais apressado forçava a passagem de maneira perigosa.

Dois dias antes do retorno dos pais notamos alguma diferença no comportamento de Pedro Henrique, a começar por querer saber detalhes do dia e hora de chegada, pois havia sido informado sobre a volta deles que já se aproximava. Era uma ansiedade normal para uma criança que foi privada da companhia de seus pais por longos dez dias. Os pais foram recebidos pelo menino, à porta já aberta, com indescritível alegria. Abraços e carinhos, conversas sem fim, a alegria do presentinho recebido, chegou a hora da despedida dos avós e da tia Lu. Antes, porém, a oração conjunta de agradecimento a Deus pelo retorno dos pais. Pedro Henrique se ofereceu para fazer a oração, pois estva acostumado a fazê-la, quase sempre à mesa, antes das refeições. E a faz com muita compenetração e coerência, emocionando a todos. Mas, desta vez ele ultrapassou todos os limites de sua compenetração, causando-nos surpresa pelos inusitados pedidos a Deus. Após vários agradecimentos pela vida de todos, pelo alimento à mesa e que “Ele não deixasse faltar na mesa de ninguém”, pediu a Deus que “conceda 120 anos de vida à vovó, igual a Moisés”. Até aí a oração do menino continuava em ato contrito, mas, após pedir a Deus “ que também “dê outro olho” para o vovô enxergar melhor e não bater o carro na rua”...., ninguém conseguiu se segurar, pois, de fato sou cego de um olho, por acidente aos cinco anos de idade e tenho dificuldade no trânsito intenso, por falta de visão periférica do lado direito.

Pela primeira vez em nossa casa, por mais de 45 anos, o momento sublime e de respeito silencioso da oração, proferida por um membro da família, foi quebrado. Não houve quem segurasse o riso pelos inusitados pedidos do menino de sete anos. Primeiro o amor pela vovó, desejando-lhe uma longevidade como a de Moisés, relatada na bíblia. Segundo, e mais surpreendente ainda, foi o tirocínio do garoto conhecedor de minha deficiência visual e certamente deve ter presenciado, durante os dias em que o levei para escola, alguma dificuldade que teria enfrentado no pesado trânsito de Brasília, especialmente no rush do horário de almoço e, instintivamente, “pediu” a Deus que me concedesse “mais um olho”.... O mais engraçado naquela inocência e amor infantil foi a justificativa de seu pedido a Deus, completando para meu completo constrangimento: “... para o vovô enxergar melhor e não bater o carro na rua.....”. Além das gargalhadas, a minha em primeiro lugar e a consequente interrupção da oração, paguei mico com seus pais que devem ter imaginado que cometi muitas barbeiragens no transito, com o menino a bordo.

Bem, foram dez dias muito felizes, na cidade e no campo. Tenho certeza que o netinho gostou e nem sentiu tanto a falta dos pais. Mas, por via das dúvidas, vou esperar a próxima viagem dos pais para ver se terão coragem de confiar ao avô a guarda e o transporte escolar do menino...rsrs.
Criança tem cada uma....

Brasília, 30 de setembro de 2016

Paulo das Lavras 


A chácara é um paraíso para as crianças de hoje, submetidas
à dura rotina de 10 a 12 horas de agenda diária na cidade.
Ciclone, acostumado a comer cenoura na mão do menino, vem
 correndo ao primeiro chamado e oferece espontaneamente a cabeça para
 um carinho. Alegria e sentimento de compartilhamento entre ambos



Um olho novo para o vovô   não bater o carro na rua

120 anos de vida para a vovó...


Conhecendo o helicóptero de resgate dos Bombeiros, aterrissado
na quadra, ao lado de casa, aguardando um acidentado.

No McDonald´s, crianças adoram


Esporte na quadra em frente de casa, com chute certeiro ao gol, o único da temporada. Cansei de jogar no gol para segurar seus pênaltis.
Descobriu que se chutasse para o lado direito do vovô marcava mais gols, devido à minha falta de visão. Talvez, e também por isso, pediu em oração que Deus desse um olho para o vovô



Pilotando um Grippen, caça sueco, novinho, em exposição da FAB


Pilotar o microtrator e ainda apanhar ameixa amarela (nêspera),
bem acima da cabeça, é tudo que uma criança quer





Bichinhos mansinhos e que gostam de carinho não faltam na chácara





quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Os sinos de Lavras, acordes de Gounod e os canhões de Napoleão

 

Coloquei as mãos sobre aquele histórico canhão das tropas de Napoleão que lutaram na Sibéria. Enregeladas pelo cortante frio abaixo de zero na capital francesa, onde estavam expostos alguns daqueles canhões, fechei os olhos em busca dos “arquivos” da mente sobre a história que tanto me fascinava nos tempos colegiais. Respirei fundo, destravou-se o gatilho da alma que disparou as imagens armazenadas nos escaninhos da mente e que sempre são "exibidas" quando nos deparamos com um objeto ou situação que tem relação com os eventos. Imerso naquele filme que rolava na imaginação e depois de alguns segundos naquela letargia, ouvi a voz do colega que me acompanhava:  Professeur.., professeur, est ce que vous n´êtes pas bien? Apenas gesticulei com a mão e prossegui no meu sonho em quase estado hipnagógico. E esse gostoso estado de transcendência acontece com bastante frequência quando o menino se põe a ouvir a belíssima composição do russo Tchaikovsky, a Abertura de 1812. Ali não foi diferente, com o forte apelo presencial daqueles canhões verdadeiros e que foram protagonistas de um dos mais significativos eventos da História, tinha tudo para dar continuidade ao “filme” mental e não se deixar interromper pelo chamado do amigo ali presente, preocupado com a demora daquela "estátua" meditativa, paralisada e apaoiada com a mão sobre o congelado canhão. Mas, a ópera, cujo filme rodava em minha mente, um belíssimo épico que termina com o troar dos canhões disparando várias vezes com furor e o repicar de uma alegre e festiva sinfonia de fortes badaladas dos sinos de toda a cidade de Moscou anunciando a derrota do invasor, Napoleão Bonaparte. E as emoções não param por alí, ou melhor, começam logo na abertura da obra por uma melodia leve e tranquila evocando o hino russo. Em seguida o ambiente torna-se pesado e angustiado, retratando a ameaça das tropas napoleônicas. E nesse contexto entram os acordes da "Marselhesa", em tom triunfal, revelando a vitória dos franceses. Mas, como dito no começo, foi uma vitória inicial apenas, pois ao final da guerra o exército de Napoleão, que contava com 600.000 homens, ficou reduzido a apenas 40.000. Ele não contava com o “general inverno” e a destruição de Moscou que os russos incendiaram, justamente para não dar guarida ao inimigo. E aí então termina esse épico concerto de Tchaikovsky com o fragor dos canhões que disparam 16 tiros, seguindo-se o repicar dos sinos da catedral de Moscou e de toda a cidade, comemorando a vitória final sobre Napoleão. São elementos muito fortes que imprimem um profundo caráter emotivo na alma. Não há como não se entrar no enredo e não se deixar emocionar pelos acordes que têm cadencia muito dinâmica e diferenciada, de paz, bravura, euforias e tristezas do povo russo retratado como pacífico, que vive nos campos e sofre a violência da invasão napoleônica.

Diante de tanta beleza e harmonia sinfônica, que o menino sempre ouve em casa, no carro ou mesmo no avião, como ainda outros elementos marcantes de sua infância e juventude ali presentes, é impossível não disparar o gatilho que deslancha o filme na memória distante das doces reminiscências. Assim, chegam-lhe aos ouvidos, ou melhor, à memória, os sinos de sua cidade natal e outras reminiscências. Em todas as pequenas cidades do interior das “Geraes” o repicar dos sinos das igrejas fazia parte do cotidiano, nas festas de Semana Santa com suas procissões, nas missas de domingo, nos casamentos e até mesmo nos enterros.  Cada qual com seus toques e cadências próprios, característicos e facilmente reconhecidos, disparando emoções ora alegres, ora tristes.

Mas, além dos repiques dos sinos, havia em Lavras outro sonar bem característico. Às seis e trinta da matina, invariavelmente, a sirene da fábrica de tecidos nos avisava que o dia estava começando. Era o primeiro dos avisos para que às sete horas estivéssemos todos a postos, meninos na escola ou os operários na fábrica e nas Oficinas da Rede Mineira de Viação- RMV. Dali, da Fabril Mineira, ecoavam as estrondosas sirenes, ouvidas a cinco quilômetros morro acima. Até parecia que a longa Rua Direita servia de canal sonoro, tal era o volume de decibéis propagados. Era também a hora de o bonde deixar a sua garage, a famosa Distribuidora, onde a energia elétrica trifásica era transformada em monofásica e lançada à rede aérea para movimentar o pesado veículo sobre trilhos. Em cinco minutos chegava e partia de seu ponto final na confluência das ruas Melo Viana e Otacílio Negrão. Hora dos meninos se aboletarem nos estribos e driblar o cobrador Gerson e o motorneiro Cirilo que, compreensivamente, faziam vistas grossas à meninada que ia para o colégio e não tinha os cinquenta centavos para pagar a passagem.

Sinos..., ah, os sinos. O repicar dos sinos nas noites de natal ou nas festas de Semana Santa....A igreja matriz de Lavras, com sua imponente torre, era por assim dizer o ícone da cidade. Nela podiam ser vistos o enorme campanário mostrando parte dos sinos de bronze e os mecanismos do relógio de quase dois metros de diâmetro. Podia ser avistada de longe e seu relógio badalava a cada meia hora. Havia também um alto-falante de cada lado e que servia para a reprodução da Ave- Maria as seis, doze e dezoito horas. Não há quem não se lembre daquele tenor despertando a todos, bem cedo, com os melodiosos acordes de Gounod, ou então, a mesma Ave-Maria orquestrada com violinos a engalanar uma cerimônia de casamento com pompa e circunstância na igreja matriz, a mais preferida pelas noivas. Mas, o mesmo sino festeiro também provocava emoção oposta com seus tristes repiques nas cerimônias fúnebres. Talvez pelo sentimento de perda de um ente querido, amigo ou mesmo de um simples cidadão, ouvíamos compungidos aquele toque dolorido, espaçado como a nos convidar a refletir sobre os valores da vida. Vida efêmera que ali estava representada por aquele que partia para sempre. Em respeito, o comercio baixava as portas, numa especial deferência ao féretro em direção à última morada, logo ali adiante a quatro quadras da igreja. Morador que fui, por quase um ano, nas proximidades da esquina de Francisco Sales com Barbosa Lima, a poucos metros da Matriz, presenciei inúmeras vezes essas cerimonias. O sino da matriz de Lavras marcou profundamente a vizinhança com suas alegrias e tristezas e hoje, em distantes terras, resta-nos a alegria de suas reminiscências.

Mas, havia também outro sino, o da igrejinha de Santa Efigênia, no 8º Batalhão de Infantaria, nos altos da cidade. Construída em 1952/53 por pedreiros militares, como o saudoso amigo, sargento Bahia, o menino pôde acompanhar, de longe, toda a sua obra. Anos mais tarde, coroinha da paróquia se Santana, da Igreja Matriz, ajudava aos padres Tito, Luiz Tings, Miguel Moretti, Henrique Boeing e Raimundo Weillerman a celebrarem as missas de domingo, às oito horas da manhã naquela capela. Mas, o melhor mesmo era chegar mais cedo e tocar o sino de 15 em 15 minutos. Nem era preciso subir os degraus estreitos do campanário. Bastava alcançar o mezanino onde ficava o coral e dali se agarrar à corda e balançar de lá para cá, num espaço de pouco mais de três metros. Era como se fosse uma gangorra amarrada num galho de árvore. Aventura melhor não havia para o menino de 10 anos. Além de tocar o sino se divertia e enchia de inveja os demais garotos que não tinham autorização para subir até o campanário. Some-se a isso a alegria de contar para os adultos quem era o tocador do sino que chamava os fiéis para a missa dos domingos. Anos mais tarde, já interno no Seminário na distante Itaúna, assistiu ao filme “Marcelino Pão e Vinho”, e qual não foi a sua alegria ao ver a cena do pequeno Marcelino gangorreando na corda do badalo do sino de uma igreja, tal qual fazia na capela militar de Santa Efigênia. Mais tarde ainda, em visita ao Museu des Arts et Métiers, em Paris, assistiu à demonstração do efeito do Pêndulo de Foucaut, cuja experiência consistiu em amarrar uma corda no alto da cúpula da igreja e balançar continuamente, em movimento pendular, comprovando-se o movimento de rotação da terra. Ver aquele corpo balançando para lá e para cá, numa enorme corda de 67 metros de comprimento, pendendo da cúpula ao lado da igreja de Saint Martin des Champs, foi como um replay do menino balançando no campanário da igreja de Santa Efigênia badalando o sino para arregimentar os fiéis aos domingos.

Se antes o menino se emocionou com as imagens do filme de Marcelino agora tem presenciado, ao vivo, as salvas de tiros de canhão em Brasília. E os canhões foram majestosamente associados ao badalar dos sinos na belíssima composição de Tchaikovsky, a Abertura de 1812. Na capital, Brasília, excetuando-se o troar, ao vivo, numa única encenação daquela ópera na Esplanada, em comemoração ao Dia da Pátria, os canhões efetuam, frequentemente, a famosa salva de 21 tiros dando boas vindas aos dignitários estrangeiros nas visitas de Chefes de Estado. Essas tradicionais cerimônias protocolares, realizadas diante da rampa do Palácio do Planalto, além de outras próprias das comemorações militares, são executadas pelo Batalhão Caiena, da Guarda Presidencial, com seus reluzentes uniformes de gala ainda dos tempos do Império.

Mas, alegria diferente foi poder tocar e sentir os canhões de Napoleão com os quais lutou no rigoroso inverno russo. Por coincidência minha visita se dera justamente no período de inverno e a temperatura estava abaixo de zero grau. Aqueles canhões das longas batalhas napoleônicas, forjados em liga de ferro e bronze, estavam ali enfileirados, gelados e tendo ao fundo a bandeira nacional “Bleu, blanc et rouge”, na Place des Invalides. Aquele cenário, com todos esses elementos incluindo o ar gelado, me fez “embarcar” na célebre ópera de 1812, de Tchaikovsky, com a marcha da Marselhesa e depois os acordes das marchas russas comemorando a derrota do Imperador Napoleão, diante do tal “general inverno”, mais rigoroso que aquele gelado dia de dezembro de 2013 na capital francesa. Foi emocionante repousar a mão sobre o enorme e gelado canhão napoleônico e ao mesmo tempo desfilar na mente os acordes daquela belíssima ópera associada ao badalar dos sinos de minha cidade natal e também aos canhões do Batalhão Caiena em Brasília. Cenário perfeito para uma "viagem" no espaço e no tempo, de mais de dois séculos, pela milenar cidade de Paris, pelos campos gelados de São Petersburgo, a Praça dos Três Poderes, de Brasília e os sinos das igrejas da terra natal, tão presentes na memória.

Sinos..., por quem eles dobram? Eles dobram por ti, respondeu Hemingway em seu famoso romance imortalizado no cinema. Embora aquele autor fale muito da morte, da perda de vidas e os sinos nos chamem à reflexão, há também o enaltecimento à alegria da vida que as igrejas celebram em matrimônios, batizados e outras festas da liturgia. O próprio ato de convocar os fiéis, por meio dos sinos, já é uma celebração à vida, pois nenhum ser humano é uma ilha e congregar é preciso e faz bem à alma. Poucos se dão conta que os sinos dobram para eles que o escutam. Sei muito bem disso, pois entre nós que o tocávamos, a expressão era simplesmente: “vamos chamar o povo para a missa”. Quem nunca ouviu um sino repicar, ou não se recorda deles a soarem como que convidando-nos à reflexão, na alegria e na tristeza? E os acordes de Gounod, da belíssima Ave-Maria, ecoados do alto da torre da igreja?  E as salvas de canhões, entremeadas com efusivos repiques de sinos, imortalizados por Tchaikovsky em sua majestosa ópera? Ah... quem é que hoje, ao ouvi-los em qualquer lugar do mundo, não “viaja” de volta ao doce passado dos campanários das igrejas com seus sinos, relógios e alto-falantes?

Doces reminiscências..., os sinos e as sirenes da indústria de Lavras, os acordes de Gounod e os canhões do Batalhão Caiena, os de Napoleão rugindo ao lado dos sinos em belíssima sinfonia. Sabemos, sim, para quem dobram os sinos. Eles dobram por ti para que te lembres deles para sempre em doces recordações.

Brasília, 1º de agosto de 2014


Paulo das Lavras


 Igreja Matriz de Lavras e sua imponente torre. Década de
1960- rua calçada com paralelepípedo.
    Foto: arquivos de Renato Libeck

  

Igreja matriz de Lavras.
 Foto: do autor- 2015

Os relógios, alto falantes e o campanário dos sinos
Foto: Cristiano Assis


 
Belíssima foto, de autoria de Catarina Júlia, com o relógio e alto-falantes em detalhe.




A esquina de Barbosa Lima com Francisco Sales, a menos
de 100 metros da Igreja Matriz. A Ave Maria de Gunod me
despertava às 06:00 horas, com elevados decibéis e os sinos
 nos anunciavam as festas e crimônias de luto.
Foto do autor - 2015

Igrejinha de Santa Efigênia – 8º BPM – Lavras, onde o menino
gostava de tocar o sino nas manhãs de domingo.
Foto dos arquivos de Renato Libeck


Cia Fabril Mineira – fábrica de tecidos em Lavras. Sirenes que
 ecoavam às 6:30h, chamando a todos para o trabalho
Foto: arquivos de Renato Libeck


O bonde, que partia em sua primeira viagem, ao som das sirenes
                   da Fábrica de Tecidos, levando
operários e estudantes para o início das jornadas às 7:00 h em ponto.
Foto: arquivos de Renato Libeck



Cúpula de 67 metros de altura onde está pendurado o
Pêndulo de Foucault. Museu Des Arts et Métiers,  Igreja 
Saint Martin des Champs – Paris, dezembro de 2013
Foto do autor


Pêndulo derrubando a sequencia de pinos. Museu des Arts et Métiers
Foto:  Musée des Arts et Métiers 


Igreja de Saint Martin, onde está o museu do Pêndulo de Foucault,
Experiência de 1851 que comprovou o movimento de rotação da terra.
Paris- dezembro de 2013. Foto do autor


Canhões do Batalhão Caiena - Guarda Presidencial. Salva de
21 tiros nas solenidades de recepção a Chefes de Estado
Foto: PR

O troar assustador em dia de festa no QG do Exército, em Brasília
Foto: SecomEx


Os canhões de Napoleão, Praça des Invalides- Paris. Gelados, a menos
de zero grau, como a relembrar-me a derrota no inverno russo de 1812. Não
há como não imaginar e “ouvir”, ali mesmo e emocionar-se com a célebre ópera de 1812,
de Tchaikovsky, com a marcha da Marselhesa e
depois os acordes das marchas russas comemorando a derrota do
Imperador Napoleão, diante do tal “general inverno”, mais rigoroso que
        aquele gelado dia de dezembro de 2013 na capital francesa. 
 A lembrança dos acordes finais da ópera com a sinfonia dos sinos pipocando em regozijo pela vitória russa, e minha mão repousando sobre aquele canhão gelado, despertou lágrimas de emoção, pois também "ouvi e vi", ali na Praça des Invalides- Paris, naquele exato momento de emoções, os repiques dos sinos de minha distante cidade natal.

Paris, 13/12/2013. Foto do autor

 





E ouça o repicar dos sinos da Catedral de Moscou, ao final, e veja a beleza da ópera de Tchaikowsky:  https://www.youtube.com/watch?v=ZrsYD46W1U0