sábado, 28 de setembro de 2019

Honras militares e a Igreja do Rosário em Lavras


Um cronista sempre observa detalhes do dia a dia em busca de algo que possa lhe inspirar um conto, uma história interessante que mereça ser compartilhada com seus amigos. Não é diferente com o Menino das Lavras. Há dois dias um amigo postou nas redes sociais a foto de uma praça em ângulo de visada s mostrando, em segundo plano, a principal praça de minha cidade natal. A praça lateral,  que leva o nome de um parente, João Oscar de Pádua, mostra também a lateral da imponente Igreja do Rosário, a primeira da cidade, inaugurada em 1754, há 265 anos. Impressionou-me aquele belo cenário, também emoldurado pelas quase centenárias palmeiras imperiais que circundam o Colégio Carlota Kemper, mais ao fundo. Amanheci dia seguinte, com um sonho diferente dos usuais, uma arquibancada um pouco perigosa, na outra lateral daquela antiga igreja, junto ao não menos belo, o Sobrado do Capitão Evaristo Alves, avô do nosso inesquecível e admirado filósofo, escritor e poeta Rubem Alves. Despertado, não consegui entender o contexto. Somente hoje, ainda em estado hipnagógico, acordei com o barulhão de um helicóptero militar em voo rasante e veloz a cem metros de minha janela. Foi então que compreendi o sonho da manhã de dois dias antes. A foto postada pela amiga nas redes sociais havia disparado o gatilho do subconsciente que, em sonhos liberou as imagens da infância e da adolescência gravadas para sempre na memória cintilante, como definem os cientistas da neurologia. Pois bem, a arquibancada perigosa existiu. Foi um palanque ali armado e que despencou com as autoridades, fato presenciado pelo menino. O avião militar de hoje, com seu brusco e inesperado barulhão de duas turbinas a jato fez me lembrar dos perigos que corri nas mesmas arquibancadas da Igreja do Rosário e outra na Esplanada dos Ministérios, aqui em Brasília.

Nunca fui militar, nem tive parentes ascendentes nessa carreira profissional. Mas, desde menino convivi com militares. Homens probos, pais de família exemplares, caráter e patriotismo a toda prova. Foram assim, os sargentos Alcino, Vila Boas, Bahia e Francisco de Assis, italiano de olhos azuis e maestro da banda militar, além dos tenentes Arruda e Agnelo. Todos vizinhos moradores da mesma rua. Saíam cedo de suas casas, impecavelmente uniformizados, portando pastas recheadas de documentos e só voltavam ao final da tarde. Sempre nos cumprimentavam com carinho e muitas das crianças se colocavam em posição de sentido e prestavam-lhes continência, naquele gesto de cumprimento próprio dos militares. Seus filhos eram os nossos amiguinhos de jogar finca, peladas de futebol no campinho da Estação Costa Pinto, cavalgadas, caçadas e natação no córrego da imensa chácara onde morávamos. Amizades que se consolidaram e ainda hoje nos unem. Gostávamos, também, de ouvir à distância, todas as manhãs, o toque do corneteiro que anunciava a chegada do comandante geral à sede do 8º Batalhão de Infantaria, a pouco mais de um quilômetro. Também empolgava os meninos o rufar dos tambores e acordes da banda de musica que desfilava pelo quartel ou mesmo nas ruas da cidade, em preparação para os desfiles de 7 de Setembro. Não raras vezes acorríamos à rua e muitas crianças saíam marchando atrás de pelotão. Éramos tratados com carinho pelo militares e à chegada do portão do quartel, não raras vezes convidados a adentrar ou ali mesmo, no portão e às vezes, recebíamos um mimo, geralmente balinhas, trazidas do armazém de subsistência que vendia alimentos a preço de custo para as famílias da tropa militar.

Nessa sequência das doces reminiscências da infância, o desfile de 7 de Setembro era o ponto máximo. Todas as escolas do ensino fundamental e do segundo grau desfilavam diante da tribuna de honra, na praça central da cidade. Mas o ponto alto era o desfile militar, o Tiro de Guerra 0264 e a Policia Militar. Não havia criança que não se postasse ali no cordão de isolamento, bem em frente ao desfile e ao passar o ultimo soldado, alguns corriam a desfilar logo atrás. Assim o menino cresceu em meio a um ambiente respeitoso e de admiração aos militares. Cultuou esse costume levando os próprios filhos aos desfiles militares do dia da pátria. E parece que o espírito patriótico influenciou, também, uma das filhas que se integrou às Forças Armadas, na carreira temporária da primeira turma de oficiais femininas.

  Aqui, na capital da república, os desfiles militares eram mais constantes, pois, acostumada a receber dignitários estrangeiros, sempre oferecia recepções com honras militares, pompa e circunstância, em frente ao Palácio do Planalto. Salva de 21 tiros de canhão, subida da rampa palaciana, Dragões da Independência em saudação com suas lanças, em meio à subida do Presidente da República acompanhado de outro Chefe de Estado estrangeiro. Belíssimas e memoráveis cerimônias que empolgam não somente as crianças, mas também a todo cidadão, orgulhoso de sua Pátria.

As solenidades de troca da Bandeira Nacional, na Praça dos Três Poderes, acontecem a cada primeiro domingo do mês. A solenidade é revezada pelas três Forças, Exército, Marinha e Aeronáutica. É um dos eventos cívico-militares mais bonitos. Começa pelo ato chamado de incorporação da Bandeira, onde um batalhão homenageia a bandeira, seguindo todo um ritual, iniciando-se pela execução da Canção dos Expedicionários, seguida pelo Hino da Bandeira, enquanto os soldados em trajes de gala entregam a bandeira nacional a outro oficial que a transporta solenemente. Linda cerimônia, que às vezes conta com a presença do Presidente da República.

 No campo cultural os militares oferecem verdadeiros espetáculos ao público em geral, quase sempre na semana dedicada ao soldado, no mês de agosto ou mesmo na Semana da Pátria. Descobri isso de uma forma um tanto inusitada, pois quase caí da arquibancada, na Esplanada dos Ministérios, quando, à noite, assistia a um concerto da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional. Executava-se a ópera “Abertura de1812” de Tchaikovsky quando, totalmente inebriado pelos acordes da belíssima Marselhesa, hino da França, e o repicar dos sinos de Moscou que cantavam a vitória dos russos sobre as tropas de Napoleão, eis que pipoca um estrondo ensurdecedor por debaixo das arquibancadas. Eram os canhões do Regimento de Cavalaria de Guarda que, em sintonia com a ópera, disparavam os canhões, verdadeiros, que compunham a sinfonia. Se estava flutuando com os embalos da sinfonia de sinos da vitória, literalmente voei com o potente estrondo do primeiro tiro de canhão a menos de 30 metros, atrás das arquibancadas. Nunca tinha assistido a uma performance com tiros ao vivo. Surpresa mais que emocionante, ali a imaginar as tropas napoleônicas abatidas pelo inverno siberiano e os sinos de todas as catedrais moscovitas a repicar incessantemente. Tempos depois, tive o privilégio de tocar com as mãos, num museu na França, aqueles mesmos canhões recuperados nas neves da Sibéria.

Nosso subconsciente não falha, registra tudo e os fatos mais marcantes ficam para sempre na chamada memória cintilante. Sob qualquer estímulo externo as imagens brotam, ainda que em sonhos oníricos e à cores para nos deleitar a alma saudosa, bem assim:
"Eu carrego comigo uma caixa mágica onde eu guardo meus tesouros mais bonitos. Tudo aquilo que eu aprendi com a vida, tudo aquilo que eu ganhei com o tempo e que vento nenhum leva. Guardo as memórias que me trazem riso, as pessoas que tocaram a minha alma e que, de alguma forma, me mudaram para melhor. Guardo também a infância toda tingida de giz. Tinha jeito de arco-íris a minha. O pouco é muito para mim. O simples é tudo que cabe nos meus dias. Eu vivo de muitas saudades. E quem se arrebenta de tanto existir, vive para esbanjar sorrisos e flashes de eternidade". Foi assim que se expressou o pensador Caio Fernando de Abreu.

 Pura verdade! Guardo também a infância toda tingida de giz. Tinha jeito de arco-íris a minha, nos jardins da cidade. Militares? Igrejas? Expedicionários da FEB na Itália? Ah..., só tenho doces recordações deles e da infância colorida na Terra dos Ipês e das Escolas. Obrigado, Lavras! Obrigado a seus filhos que, mesmo distantes por mais de quatro décadas, ainda permanecem vivos a ponto de me despertarem, em sucessivas manhãs, com sonhos coloridos de doces reminiscências, especialmente de nossos bravos Expedicionários que lutaram na Itália.


Brasília, 28 de setembro de 2019

Paulo das Lavras





Praça João Oscar de Pádua – Lavras MG, em reforma pela SELT. 
Igreja do Rosário, tombada pelo Patrimônio Histórico de MG, inaugurada em 1754. 
Em frente, o Jardim e ao fundo, as quase centenárias palmeiras imperiais que circundam 
o antigo Colégio Carlota Kemper, outro patrimônio da cidade
Foto: família Padua

Sobrado do Capitão Evaristo Alves, imponência, ao lado da Igreja do Rosário, à direita.
Entre os dois prédios armava-se o palanque politico que um dia desabou.
Foto: arquivos de Renato Libeck


Fachada a da Igreja do Rosário- Lavras 2015
Foto do autor


Com o sobrinho, um capitão-Mirim da PM. Desfile de 7 de Setembro-Lavras.
Revivendo o passado, marchando atrás dos militares em desfiles. 
Foto do autor 2012


Salva de 21 tiros, saudando a chegada de Chefes de Estados Estrangeiros
Foto: Ascom- Presidência da República


Troar assustador dos canhões – Solenidade no QG do Exército- Brasilia
Foto - QGEx

         Com o  Pracinha da FEB, Ten. Nestor Silva , em solenidade no QG do Exército.
 Foto do autor - Brasília 2019


Em Desfile de 7 de Setembro, num jipe caracterizado da 2ª Guerra Mundial
Foto do autor - Brasília 2018





Os canhões de Napoleão, Praça des Invalides- Paris. Gelados, a menos
de zero grau, como a relembrar a derrota no inverno russo de 1812. Não
há como não imaginar e “ouvir”, ali mesmo, a célebre ópera de 1812,
de Tchaikovsky, com a marcha da Marselhesa e
depois os acordes das marchas russas comemorando a derrota do
Imperador Napoleão, diante do tal “general inverno”, mais rigoroso que
aquele gelado dia de dezembro de 2013 na capital francesa.
Paris, 13/12/2013. Foto do autor

Minha oficial do Exército, no QG/SMU-Brasília, com muito orgulho
Foto do autor - 2003



quarta-feira, 11 de setembro de 2019

9/11 – Nine eleven – 11 de Setembro e as lembranças do Tio Sam




Maio de 1978, plena primavera em Nova York, na Staten Island,

com as belas  torres gêmeas do World Trade Center ao fundo.

Neste dia de hoje, 11 de Setembro, as redes sociais e a mídia em geral relembram o atentado contra as torres gêmeas de Nova York. As recordações dos lugares onde moramos ou trabalhamos, ainda que por certo tempo, ficam registradas em nossa memória, sobretudo as boas lembranças. As pesquisas mostram que experiências fortes criam os traços da memória positiva, a qual aflora sempre que é estimulada. Assim foi com o Menino, criado nas Lavras do Funil e nas fazendas à beira do Rio Grande, de onde traz doces recordações de seus bucólicos cenários, como a cidade propriamente dita, a belíssima Serra da Bocaina e o próprio rio com lagoas às margens apinhadas de curimbatãs e dourados que proporcionavam fartas pescarias. Sua terra, cantada em prosa e verso domina como tema de crônicas. Também dos ambientes de trabalho desfilam  cidades como BH, Ouro Preto e dezenas de outras, daqueles rincões, incluindo Brumadinho de triste memória de recente desastre com barragem de rejeitos de minérios. Também a cidade São Carlos, onde cursamos pós graduação em engenharia e ainda a capital São Paulo, além de vários outros bonitos lugares paulistas. Não esacapam, ainda, as capitais de todos estados brasileiros, algumas visitadas dezenas de vezes. Nossa missão era instalar, fiscalizar e avaliar cursos superiores e faculdades. Inúmeras foram, também, as cidades visitadas no exterior, em missões oficiais de governo, em todos os paises das Américas do Sul  e do Norte, além de grande parte do Caribe e América Central. Eram semanas a fio de viagens aéreas e terrestres, em visitas a universidades e centros de pesquisas agrícolas, onde estavam nossos professores de ciencias agrárias fazendo treianamento em cursos de mestrado e doutorado em sua maioria.  Na Europa nos concentramos na França e na A|mérica do Norte nos E.U.A.

O jovem executivo, youppie, percorria todos os lugares com extremado interesse, de modo a identificar potencialidades nas instituições visitadas e engajá-las em programas de cooperação com as universidades brasileiras, ou simplesmente para avaliar o desempenho dos professores brasileiros nelas matriculados em cursos de PhD. Também era objetivo das visitas supervisionar os planos e a execução de pesquisas de interesse nacional, ainda que realizadas fora do país.

Mas, esse não é o foco da conversa de hoje e sim o trauma  do atentado que destruiu o World Trade Center de Nova York. Como dito na bertura da crônica, nossa mente armazena as lembraças que nos marcaram e, naquela manhã de terça feira, 11 de setembro de 2001, estávamos em nosso gabinete, no MEC em Brasília, quando a secretária adentrou a sala, ligou a TV e anunciou a tragédia do ataque a uma das torres gêmeas, por um grande avião civil, de passageiros. Poucos minutos depois assistimos, ao vivo o segundo ataque, com outro avião de passageiros, também um Boeing e desta vez contra a segunda torre de concreto, vidro e aço. Veio tudo abaixo, um monte de escombros fumegantes, enegrecendo os céus de Manhattan. Inacreditável! E hoje, com os noticiários do 18º aniversário do atentado que fez milhares de vítimas fatais e incalculáveis prejuizos finaceiros, destravou-se e disparou automaticamente o “drive” do cérebro do menino, relembrando o medo sofrido naquele mesmo prédio a bordo de um grande helicóptero.


Meu primeiro contato com aquelas gigantescas torres foi impressionante.  Trabalhava na Michigan State University, na região dos grande lagos  e numa das viagens de cheagada do Brasil a Nova York, usei o serviço de ponte aérea, de traslado do aeroporto internacional JFK para o  de  La Guardia, de voos domésticos. Dali, embarcaria para Lansing, a capital de Michigan, ao lado da qual ficava  a universidade e o nosso escritório, suportando ainda duas escalas, Cleveland e Detroit. O voo de traslado de aeroporto foi a bordo de um barulhento e grande helicóptero Sykorsky S 69, o qual nos fazia lembrar daquelas aeronaves de guerra, de transporte de tropas, pois levava 20 passageiros. Impressionou-nos o pouso de escala do helicóptero em Manhattan, no heliporto do WTC, onde desceria a maior parte dos executivos internacionais chegados ao aeroporto Kennedy.  Quase entrei em pânico quando olhei para frente e vi aquele monstruoso edifício se aproximando do nosso helicóptero com certa velocidade. Este, em voo horizontal, a uns 200 pés de altura, se aproximava perigosamente das grandes torres, imaginava o menino. Antes que o pânico se instalasse, a aeronave reduziu a quase zero a velocidade e baixou verticalmente até o local de pouso, a apenas 50 metros da entrada do edifício. Impressionante a imagem visualizada subitamente, distraído que estava com o belo cenário ao redor, dando de cara com aquela enorme massa frontal, sem visão de largura e altura do prédio. Simplesmente um paredão, pois o campo visual das pequenas janelas do helicóptero era limitado. Sensação horrível, pois parecia que a trombada, o choque e explosão seriam iminentes. A decolagem, cinco minutos após, foi mais interessante, sobrevoando o Rio Hudson e rapidamente pousando em Newark/N. Jersey e depois em La Guardia, com belíssima vista da cidade e do rio Hudson que, aliás, foi cenário de outro desastre, em 2009, quando um jato de passageiros fez um pouso de emergência. Tempos depois, num final de semana, como que para apagar a péssima lembrança daquele pouso assustador, fui até o topo das torres gêmeas apreciar a magnífica vista da cidade, visitando em seguida, também a estátua da Liberdade.

Assim, as marcas no subconsciente, daqueles belíssimos cenários da cidade de Nova York, ficaram gravadas para sempre, incluindo o susto da suposta colisão a bordo do helicóptero. Por isso, o choque do menino, naquela manhã de 11 de setembro de 2001, foi paralisante. Ver uma das torres já em chamas e de repente, ao vivo, o segundo avião colidindo frontalmente com a outra torre, disparou a pior sensação de pavor que se pode ter. De imediato o subconsciente, provocado pela nova imagem, trouxe à mente a cena apavorante da suposta colisão do helicóptero no qual se encontrava a bordo, 24 anos antes. Agora estavam ali, ambos os enormes prédios, ao vivo e a cores, na TV, sendo consumidos pelas chamas decorrentes da explosão de toneladas de combustível das aeronaves atiradas contra suas estruturas. Cheguei em casa, busquei as fotos daqueles anos dourados em que o menino por lá trabalhava, com o garbo de um verdadeiro Yuppie. Triste, naquele dia, não voltou ao trabalho, tamanho o choque emocional, tanto pelas recordações ali materializadas em fotos pessoais, e mimos de decoração no escritório doméstico, bem como das lembranças do grande susto que ali passara.  Inúmeros foram os mortos naquela tragédia do 11 de setembro de 2001 e os meios de comunicação aí estão a nos exibir, desde ontem, aquelas terríveis cenas.

Sou grato a Deus, pois num espaço de apenas um ano, saí ileso de dois acidentes aéreos nos EUA, um incêndio a bordo e quase num mergulho pousou a tempo em Las Vegas, desviando-se da rota Chicago/S. Francisco. Outro, logo na decolagem de Washington-DC com pane hidráulica nos comandos, despejou o combustível no oceano e conseguiu aterrissar em Dulles, próximo ao QG da CIA, na Virgínia, com sua pista de mais de 4.000 metros, espuma anti-fogo e tela de aço na cabeceira para segurar o grande jato B727-200. Sorte dupla para quem percorreu aquele país de costa a costa e de norte a sul, em visitas a mais de 20 universidades. Um terceiro e mais grave acidente aéreo aconteceu em Belo Horizonte, quando um Boeing despencou ao aterrissar em Confins, partindo-se em pedaços, derramando todo o combustível sem que tivesse havido explosão, tão comum em acidentes com aviões. Também nesse acidente, o menino saiu quase ileso, com apenas um ferimento leve.

 Assim é a vida, com fé, determinação e perseverança conseguimos cumprir nossa missão. Resta-nos, como já dito, agradecer a Deus e pedir conforto aos familiares daqueles que não tiveram a mesma sorte, especialmente daquelas quase três mil vidas que sucumbiram no desastre de 11 de Setembro de 2001.

Brasília, 11 de setembro de 2019

Paulo das Lavras




Chegando a Staten Island- Estátua  da Liberdade


Newark-NJ traslado entre aeroportos -1977                  



14 de Nov 1977 – o Boeing 727-200, U.A, decolando do National Airport Washington DC

Pane hidraulica, retorno para Dulles International Airport/V.A, com espuma na pista e tela de aço no final.



 
S. Francisco / Cal –  Universidades de Berkeley e Davis


                                    Georgia  State University –     Brasileiros em cursos de  PhD -  nov 1977                                                       
 
                                                 



Universidade da Flórida/Gainesville - 1977. À direita Profª
Bete Cheng/ ESAL-UFLA

University of Wisconsin- Madison

                                         Mnifestação de estudante Iranianos contra o Xá Rheza Pahlev
                               em frente  a nosso escritório na MSU - East Lansing - MI   maio 1978                                          
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             

Biblioteca do Congresso Nacional - 1977


                                              No prédio do escritório do MSU-MEC/Brazil                                  
                                                           East Lansing-Mi – mai 78      

Chegando à Staten Island- Estátua da Liberdade



WTC em chamas - 11 de Setembro de 2001 

outro jato, minutos após, atingindo a Torre 2 



                                          15 /01/ 2009 – um jato fez pouso de emergência no Rio Hudson
                                                              














quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Criança dando aula de petróleo...???


Hoje em dia não dá mais para se discutir com crianças de 10 anos. Acabei de perder uma aposta durante o almoço, para meu neto. Ele afirmou que há petróleo no chiclete. Gritei..., opa, opa, opa..., petróleo contem fenol e este é toxico. Não tem petróleo no chiclete! Tem, não tem, e apostamos um sorvete (umidade do ar em Brasília: 8%... (sim, oito por cento, ontem e provavelmente hoje também).
 Após o almoço ele foi ao computador e em seguida chamou-me... olha  aí, vovô..., me deve um sorvete! Não tinha sorvete na geladeira, saboreamos mini-torta de morango e frutas naturais.
Que coisa... , paguei mico em dobro, pois estava errado e perdi a aposta. Deveria ter consultado, em escondido o smartfone antes de apostar, como às vezes fazemos para outras consultas e respostas que não sabemos...kkkk.  Aprendi a lição, que hoje não é como antigamente, quando meninos brincavam na rua e andavam a cavalo. Hoje, sabem mais que a gente, sempre conectados..rsrs

Veja, o que o garoto de 10 anos me comprovou, com sua própria busca:
Aproximadamente 3.270.000 resultados (0,40 segundos) 
Resultados da pesquisa
Resultados da Web

    
4 de jul de 2018 - Hoje, é sintética, feita de vários derivados do petróleo, como resina e ... Conforme a goma vai sendo empurrada, uma máquina injeta o líquido ...
A goma-base, a “borracha” que dá a consistência ao doce, é o principal ingrediente. Antes, a substância vinha da seiva de uma árvore. Hoje, é sintética, feita de vários derivados do petróleo, como resina e parafinas. Além dela, há porções menores de açúcar ou adoçante, xarope de glicose, corantes e aromatizantes.4 de jul de 2018

Aprendi a lição de um agaroto de 10 anos ! Netos são bênçãos de Deus em nossas vidas. Rubem Alves, grande poeta e filósofo, tem razão: ... nos tornamos crianças e por isso nos alegramos com elas e com a vida. Amém!

Brasília, 05 de setembro de 2019

Paulo das Lavras

Aposta ganha..., vamos para o melhor..., saborear a mini-torta de morango e frutas naturais...rsrs

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Obrigado, Esal



Era o dia 04 de agosto de 1975, meu último dia de trabalho na velha e quase septuagenária Escola Superior de Agricultura de Lavras-Esal que, dali a 19 anos se transformaria em Universidade Federal de Lavras-Ufla. Não foi fácil dizer adeus a um lugar que fazia e ainda faz parte de minha vida. Naquela manhã antes de partir para Brasília, percorri, em meu Opala branco de quatro portas, a principal avenida e seus dois ramais com os poucos prédios existentes: o da Administração da Escola, Capela Ecumênica, Economia Rural, Biblioteca Central (primeiro módulo apenas), Ciências dos Alimentos, Engenharia (dois prédios) e Zootecnia. Mais acima a Garagem/Oficina Mecânica, onde ficava o único ônibus Mercedes Benz - o Messias, ano 1968, tratores e meia dúzia de veículos. Do outro lado da avenida, os prédios da Agricultura, Engenharia Florestal, Química e Solos. Esses prédios, recém-construídos, constituíam todo o novo Campus da Esal, pequeno em número de edificações, mas enorme no coração de quem ajudou a construí-lo inteiramente, desde as medições de terrenos contíguos para fins de desapropriação, à locação da via de acesso e da avenida principal com seus dois ramais, um à direita e outro à esquerda, até à demarcação dos prédios e suas respectivas construções, iniciando-se pela escavação das fundações e chegando-se aos telhados e acabamentos com todos os sistemas de abastecimento e esgotamentos de águas servidas, pluviais, redes elétricas e de telefonia, tal qual a infraestrutura de uma cidade.  Parei o carro debaixo de frondosa árvore defronte ao prédio da Administração da Escola – futura Reitoria. Contemplei a cidade e ao fundo a maravilhosa Serra da Bocaina emoldurando a vista no horizonte. Olhei pela última vez e demoradamente o belo campus que vimos gestar, nascer e crescer, tijolo a tijolo, laje por laje e um profundo e imenso sentimento de gratidão perpassou a mente, rolando com muita intensidade um filme em flashback..., 1967 a avenida de ligação, 1968/69 os primeiros prédios, 1970 a transferência definitiva para o campus e mais prédios, culminando com a aprovação de novos cursos de graduação, especialmente o de Engenharia Agrícola, do qual participamos dos primeiros sonhos e frequentamos todas as reuniões do MEC antes da criação dessa nova profissão no Brasil. Ali estava, também, a Coordenadoria de Pós-Graduação que tivemos o privilégio de implantá-la, criar os primeiros cursos de mestrado e lançar a Escola no seleto clube da então iniciante pós-graduação strictu sensu da área de ciências agrárias no Brasil. Justo naquele ano de 1975 iniciamos dois cursos de mestrado. Quase dois anos de preparação dos projetos e muitas idas e vindas ao Ministério da Educação, em Brasília, para onde iríamos em definitivo no dia seguinte. Se ali, na velha Esal, trabalhamos com dedicação e conseguimos convencer as autoridades educacionais de Brasília a acreditarem na instituição e nela confiar, como capaz de levar avante e com sucesso essa nova modalidade de ensino, fomos, ainda, honrados com o convite para ali atuar, no MEC, em programas de desenvolvimento do ensino de ciências agrárias em todo o país. Um desafio prontamente assumido e com o aval do colegiado superior e da diretoria da Esal.

O filme flashback deslizando na memória e ali contemplando toda aquela obra, além do cenário da cidade e sua bela serra, fez-me relembrar do primeiro contato com a velha e respeitada instituição de ensino, então pertencente ao Instituto Presbiteriano Gammon – IPG. Foi em maio de 1956, quando cursava o 4º ano do curso primário. Em excursão, visitamos o Museu de História Natural. Menino de apenas 11 anos, ficou impressionado com os bichos empalhados ali expostos e até mesmo um feto de criança de quatro ou cinco meses de gestação, devidamente conservado em formol. Não passaram despercebidos os objetos de tortura dos escravos que ali estavam às vistas dos incrédulos meninos.  Ainda assim, passado algum tempo, não mais se lembrou da Esal. Cerca de cinco anos depois assistiu algumas palestras para jovens no auditório Lane-Morton, do IPG, que era também a instituição mantenedora da Esal. Dali, da entrada do IPG avistava-se o portão de entrada da escola de agronomia que um dia viria a cursar. Em março de 1963, matriculou-se no curso de extensão, de formação de tratorista agrícola, no Centro de Treinamento de Tratoristas, da Esal/Gammon, em convênio com o INCRA – Instituto Nacional de Reforma Agrária. Em janeiro de 1964 prestou vestibular para o curso de Agronomia, único curso então existente na Esal, que fora federalizada havia apenas dez dias (Lei 4.307, de 23/12/1963). Primeiro vestibular da Esal como escola federal e ainda logrou um grande feito, pois foi aprovado em primeiro lugar. A gloria para o menino que sonhava ser engenheiro agrônomo.

        Foram quatro anos de ótimo desempenho nos estudos, valendo-lhe, como prêmio, estágio em empresa paulista de produção de fertilizantes, bolsas do CNPq de iniciação científica em Química Agrícola e em seguida no Departamento de Engenharia, por dois anos. Foi nesse período, como bolsista de engenharia, construções e topografia, que participou dos trabalhos iniciais de implantação do novo campus, no platô da área agrícola do campus. E então veio a sonhada formatura em Agronomia, seguindo-se o primeiro emprego em Belo Horizonte, numa empresa de planejamento agrícola, florestal e paisagismo. Um ano depois, em fevereiro de 1969, o então diretor, Alysson Paolinelli, buscou o menino em BH para trabalhar como professor auxiliar de construções rurais e atuar na construção do novo campus da Escola, o que, aliás, já tinha feito antes, desde o tempo de aluno estagiário e bolsista. Um ano depois, em 1970, inaugurou-se o novo campus e para lá transferimos toda a Escola, alunos, professores, colaboradores, salas de aulas, laboratórios, oficina mecânica e biblioteca, além do plantio de árvores ao redor dos prédios e sob uma delas ali estávamos a devanear em despedida.

Campus novo, bonito, espaçoso, todo planejado e então era hora de se pensar na expansão da oferta de cursos e vagas. E a primeira preocupação do diretor: qualificar os docentes.  A ordem era para que todos os docentes se matriculassem em cursos de pós-graduação. A Escola de Engenharia de São Carlos, da USP foi o meu destino, em fevereiro de 1971. Para lá seguimos com a família e também outro colega. Hélcio Alves Teixeira. Ano seguinte mais dois, Carlos Frederico Hermeto Bueno e Nadir Francisco da Silva. Em agosto de 1972 retornamos, com os créditos concluídos e um ano depois defendemos a tese de mestrado. De volta à Escola, recebemos a honrosa incumbência de implantar a pós-graduação e assim, em 23/03/1973 fomos nomeados Coordenador de Pós-Graduação, função que corresponde ao atual cargo de Pró-reitor. Uma maratona de viagens às universidades congêneres, de Piracicaba, Viçosa e Rural do Rio para conhecer a estrutura administrativa e acadêmica dos cursos de pós-graduação.  Incontáveis foram a idas e vindas ao MEC, em Brasília. Antes mesmo da aprovação dos dois primeiros cursos de mestrado na Esal conseguimos aprovar a criação do curso de graduação de Engenharia Agrícola, depois de algumas reuniões no MEC com técnicos da Usaid, em 1974. O curso foi implantado, finalmente, em julho de 1975. Os mestrados de Fitotecnia e de Administração Rural, os primeiros da Esal, tiveram início em março e agosto de 1975. E foi exatamente na manhã daquele 03 de agosto que se deu a aula inaugural do primeiro curso de mestrado em Administração Rural do país. Terminada a aula magna, os alunos de curso de Fitotecnia, já em funcionamento desde o primeiro semestre, pediram a palavra e leram uma carta de despedida, assinada por todos. Não foi fácil segurar a emoção, tal o carinho, o pareço daqueles primeiros alunos de pós-graduação da velha Escola. E ali, debaixo daquela árvore, sozinho em meu carro, com todo aquele filme passando pela mente, reli a carta e desabei.

Foi difícil dizer adeus à velha e querida Esal naquele final de manhã do dia 04 de agosto de 1975. Acabara de ser homenageado pelos alunos da pós-graduação e mal contidas as lágrimas, tamanha a emoção, agora, ali estava sob a frondosa árvore a contemplar a cidade emoldurada pela serra da Bocaina, o novo campus que ajudara a construir... Muito orgulho, muito amor por tudo... Como foi difícil dizer adeus para um lugar que me transformou, que me fez uma pessoa melhor tanto pessoal como profissionalmente. Alma enlevada, agradecida por tudo.

Obrigado Esal/Ufla, obrigado Lavras, obrigado Samuel Rhea Gammon que, vindo de tão longe, plantou essa semente aqui na sua terra prometida. Semente que germinou, produziu frutos que alimentaram a minha alma, os sonhos de um jovem e de muitos outros que por ali passaram. Nela deixamos um pedacinho de nossa contribuição para o futuro de nossos filhos e próximas gerações. Sou grato por tudo que recebi dessa instituição de ensino e mais, fui privilegiado pela oportunidade de participar de seu desenvolvimento nesses quase sessenta anos, presencialmente e depois por meio do Ministério da Educação, onde a representei por quase quatro décadas e pude também enxergar outras realidades mundo afora.

Obrigado, Esal/Ufla. Sucesso sempre, pois foi plantada sob o lema do grande missionário, Samuel Gammon: Dedicado à Gloria de Deus e ao Progresso Humano, encampando, ainda, a trilogia dos Land Grant College, pioneira no país, do Ensino, Pesquisa e Extensão, calcada na Ciência e na Prática.

Brasília, 31 de julho de 2019

Paulo das Lavras



O velho portão da Esal – anos 60
Foto: acervo de Renato Libeck


Prédio Álvaro Botelho – ESAL, onde funcionava o Museu de História Natural,
 que o menino conheceu em 1956. Em primeiro plano o busto de Samuel Rhea Gammon,
 o fundador da Escola Agrícola em 1908
Foto: acervo Ufla - 2013



O “menino” primeiro, em pé à direita, com os colegas já no segundo ano
do curso de agronomia da Esal – 1965.



Novo Campus da Esal/Ufla, inaugurado em 1970
Foto: acervo Ufla


Ao chegar ao MEC, em Brasília, assumiu a gestão dos programas internacionais de Educação Agrícola Superior. Visita à Universidade de Wisconsin- Madison-1978, em supervisão aos professores brasileiros matriculados em cursos de PhD.


Representando o MEC na  inauguração de prédio na Esal-Ufla, construído com
recursos dos programas de Educação Agrícola Superior – Set 86 



Idem, 1993- Medicina Veterinária

Recebendo homenagem pelos  40 anos da Pós-graduação
Foto: acervo Ufla - 2015 


Solenidade dos 40 anos do Mestrado de Fitotecnia, com três dos  21 alunos pioneiros, do ano de 1975, Maria das Graças Carvalho, Milton Moreira de Carvalho e Pedro Milanez. Coincidentemente,
 por seus próprios méritos, foram contratados, por concurso público, como professores
 da Esal/ UFLA logo em seguida.




Esses três ex-alunos da Pós-graduação também assinaram a carta abaixo:




Homenagem pelos 50 anos do Departamento e Engenharia, onde atuei desde 1966,
ainda como estudante e depois como professor, a partir 1969


Vista parcial do Campus da UFLA, em 2016
Foto: DuAlto Imagens Aéreas 


Uma foto mais que histórica, com duas grandes personalidades da história da ESAL-UFLA, com os quais nos reunimos na UFRPE, por ocasião da 47ª Reunião de Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior- ABEAS. O primeiro, à esquerda, Alysson Paolinelli, diretor e figura central do processo de
federalização da Esal. A seu lado o eminente Prof. Eudes de Souza Leão, que
em 1963 evitou, como assessor do MEC, o fechamento da ESAL e por
consequência foi, então, federalizada. Nesse encontro combinamos a ida do Dr Eudes
à Lavras para receber as devidas homenagens da comunidade, o que efetivamente
 aconteceu em solenidade de 09/09/2012

Foto: Abeas – outubro de 2007, Recife/PE


A minha gratidão à ESAL/UFLA nos 50 anos de formatura
Setembro de 2017