sexta-feira, 26 de julho de 2019

Um passeio na Lua, hoje, com a Astronauta Anna Fisher


Faz 50 anos que homem pisou na Lua pela primeira vez. Foi no dia 20 de julho de 1969. O módulo lunar, Eagle, pousou  (“Eagle landed” informou Neil Armstrong ao controle aeroespacial de Houston, às 17:17h de Brasília) e em seguida ele tocou o pé esquerdo no solo lunar (às 23:56h), dando os primeiros passos na lua e exclamou para o mundo:  “Esse é um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade”. Enquanto Armstrong e Aldrin exploravam a Lua, o terceiro astronauta, Collins, ficou orbitando-a com a nave principal, Columbia, aguardando-os retornarem com o modulo lunar Eagle que deveria acoplar à nave-mãe. Foram mais de 21 horas de suspense e ao final deu tudo certo. Neil Armstrong o grande astronauta e pioneiro ao pisar a Lua, veio ao Brasil em outubro de 1969, três meses depois do pouso lunar. Aqui foram condecorados com o Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais alta honraria. Em contrapartida eles também homenagearam Santos Dumont por sua grande contribuição para a ciência aeronáutica. Mais tarde, já em 1973, a União Astronômica Internacional, decidiu nomear uma das grandes crateras lunares com o nome do aeronauta brasileiros Santos Dumont que, coincidentemente, aniversaria em 20 de julho, a mesma data da descida do homem à Lua.

Pois, hoje, 26 de julho, exatos 50 anos depois do primeiro passo do homem na Lua, pude reviver aqueles momentos que presenciei pela TV, com a mesma alegria e entusiasmo do então jovem de vinte e quatro anos. Ao lado de crianças, a maioria meninas, e de jovens cheios de sonhos, participamos da palestra de uma astronauta que teve atuação destacada nas tecnologias aeroespaciais em diversas missões da NASA, a Agencia Norte-americana do Ar e Espaço.  A Drª Anna Fisher, médica, selecionada juntamente com cinco outras mulheres que formaram o primeiro grupo de astronautas femininas, foi ao espaço na missão Discovery, em 1984 e atuou como especialista em vários projetos da NASA, incluindo a construção da Estação Espacial Internacional- ISS, onde também esteve o astronauta brasileiro e atual Ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes.

A Drª Anna Fisher veio ao Brasil com o patrocínio da Embaixada Americana, como parte das comemorações dos 50 anos do Homem na Lua e para incentivar os jovens na busca por carreiras na área de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Foi muito bom participar dessa palestra e ouvir as experiências vividas pela astronauta, das primeiras mulheres a orbitar a terra. Experiências incríveis, rememoradas por ocasião dos 50 anos da chegada do homem à Lua. Rever e relembrar as imagens da corrida espacial, as visitas ao museu aeroespacial nos EUA, quando lá desempenhávamos atividades profissionais na Michigan State University,  os diálogos com nosso astronauta brasileiro, compartilhar o entusiasmo e a simpatia da Drª Anna Fisher e, ao final, testemunhar a alegria das crianças, com olhar de esperança de um dia viajar ao espaço, foi muito gratificante. Fiz, hoje, um verdadeiro passeio na Lua!

Brasília, 26 de julho de 2019

Paulo das Lavras



Com a astronauta, Anna Fisher, na palestra proferida hoje, com

o patrocínio  da Embaixada Americana, em Brasília




 




 


Módulo de Comando Columbia, da Apollo 11, exposto no National Air and Space Museum,
em Washington–DC, que visitei em 1978
Foto: NASM


Visita ao National Air and Space Museum, em 1978 – o primeiro avião a cruzar o Atlântico sem escala, pilotado por Charles Lindbergh, batizado como Spirit of St Louis
Foto do autor 






quinta-feira, 20 de junho de 2019

Corpus Christi – 2019


Hoje, 20 de junho, celebra-se na Igreja Católica Romana a liturgia de Corpus Christi, simbolizando a Eucaristia. Embora tenha deixado a igreja há mais de 50 anos, ainda guardo lembranças daquele tempo de Seminário (sim, amigos, o menino de 12 anos queria ser padre...) e de coroinha na Igreja Matriz de Santana das Lavras do Funil. Naquela principal paróquia da cidade, coordenados pelo saudoso padre Miguel Moretti, caridoso e querido por toda a comunidade católica, nós, os coroinhas, gostávamos de acolitar as missas, respondendo em |Latim todas as orações e homilias ... Incrível como ainda hoje as guardo de cor e posso recitá-las ou cantar os mais belos cânticos gregorianos de júbilo, como o belíssimo cântico que dificilmente o menino o concluía, no coral de seminaristas, sem derramar lágrimas de emoção. Ainda hoje a emoção ao ouvi-la é a mesma, pelo significado de sua mensagem e muito mais pela melodia que penetra fundo em nossa alma: Adeste fidelis - venite adoremus Dominum, Deum de Deo, lumen de lumine Deum verum, genitum non factum (veja, ouça, medite : https://www.youtube.com/watch?v=D5ONtCZUhZ0). Além dessas, de gaudio, que derretem nossos corações, havia também os cânticos de luto, para as cerimônias fúnebres e que também nos provocavam lágrimas, porém em sentido contrário, pois estavam ali para nos lembrar o dia do juízo final, como o Dies iræ, dies illa, solvet sæclum in favilla... Muitas são as lembranças daqueles cânticos que alimentavam a alma do menino, num internato bem distante da família. Marcas indeléveis, doces de se reviverem.

E hoje foi dia disso, de recordar, diante dos noticiários de TV, mostrando a beleza das decorações das ruas, preparadas para o ato litúrgico. Aqui em Brasília, como em muitas cidades de Minas Gerais, há a tradição de se confeccionar tapetes multicoloridos para a passagem da procissão de Corpus Christi. São verdadeiras obras de arte, exibindo variegados mosaicos com motivos religiosos. Em 2015 visitei os tapetes, na Esplanada dos Ministérios, quando ainda estavam sendo confeccionados. Lindos e mais bonito ainda a dedicação dos jovens, em grupos organizados, a executarem as tarefas de transformar um projeto, com esmerado lay out, em realidade colorida.

E nessas recordações o nosso subconsciente rola e nos mostra um filme completo das emoções religiosas. Os tapetes de serragens e corantes, os coroinhas com suas batinas vermelhas e sobrepelizes brancas, tudo enfim que vivemos e convivemos, mesmo depois de passados mais de 50 anos, aparecem com nitidez e emoção em dobro.

Um bom feriado para todos, cheio de meditações que reconfortem a alma.

Brasília. 20 de junho de 2019

Paulo das Lavras




Em 2016 participei da celebração da festa do Marmelo, na zona rural de Brasília.
Os coroinhas, Ronaldo e Taliene, fizeram-me recordar os tempos de coroinha
na Matriz de Santana, em Lavras, quase 60 anos atrás.
Ostentávamos essa batina com o maior orgulho. A impressão que tínhamos era que
 as cores vermelha e branca simbolizavam o sangue do cordeiro de Deus e a alvura de nossa alma
que iria para o Céu prometido.
 Como no decorrer da missa ficávamos, o celebrante e os coroinhas, de costas para os fiéis, sempre que podíamos, dávamos uma olhadela para trás, como a dizer para eles: aqui estamos, somos especiais, temos garantido um lugar nos céus. Santa inocência..., só não me lembro se, com esse pensamento de imunidade e garantia da Glória Celestial, nós os coroinhas podíamos pecar mais que os outros meninos...rsrs

Aqui, mesmo depois de 60 anos que usei aquela bonita batina vermelha e branca, e estando na simplicidade da zona rural, de onde também sou originário, a emoção falou mais alto e foi inevitável, não falar com os fervorosos meninos, tais quais um dia também fui.


Catedral de Brasília, ao lado da qual se realiza a celebração de Corpus Christi
Foto do autor


Jovens executando o lay out do tapete com serragem colorida


A alegria dos jovens, que vieram de longe para executar seu projeto alegórico,
 um dos vencedores de  2015 entre tantos concorrentes


Falando com a repórter Camila Guimarães do DF-TV,
sobre as emoções do passado, quando menino seminarista 


57 anos depois o “foragido” do Seminário reapareceu entre o
Bispo DomValdir e seminaristas de Brasília. Ficaram
surpresos com a história.... e caíram na gargalhada, mas, não sem antes
 me recomendarem que devo orar muito para ganhar o Céu... rsrs
Foto do autor – Catedral de Brasília, 2015





quinta-feira, 6 de junho de 2019

06 de junho – O “Dia D” do desembarque na Normandia


Neste 06 de Junho de 2019 comemora-se o Dia D da Segunda Guerra Mundial. São passados 75 anos da invasão da Normandia pelas tropas aliadas. Nenhum país do mundo fez tanto pela liberdade e democracia dos povos quanto a França. Em menos de 150 anos foi palco de dois eventos marcantes. A Revolução Francesa de 1789, que estabeleceu os princípios da democracia, com seu slogan, Liberté, Egalité, Fraternité (Liberdade, Igualdade, Fraternidade), incorporado nas Constituições nacionais de muitos países. Aqui também serviu de inspiração para nossos idealistas, que sonhavam com a independência do Brasil, liderados por Tiradentes. O segundo evento, na França, também marcante para a humanidade, foi a batalha do Dia D, realizada em 06 de junho de 1944, nas praias da Normandia. Aquela sangrenta batalha tinha como objetivo resgatar a liberdade, o bem mais precioso da humanidade, oprimida pelo nazismo de Adolf Hitler.

Visitamos aquele antigo teatro de guerra, na cidade de Caen e praias da Normandia. Ali ainda estão as marcas, guardadas como um memorial para conhecimento das gerações. Foram mortos mais de dez mil soldados das tropas aliadas, metralhados pela artilharia alemã, posicionada estrategicamente em casamatas superprotegidas no alto dos penhascos Foram as batalhas mais ferozes daquela 2ª Grande Guerra. Vinte e quatro mil cidadãos de Caen morreram e a cidade teve 70% de sua área destruída. Hoje, 75 anos depois, a memória ainda está viva.

As celebrações desses 75 anos do Dia D iniciaram-se ontem, na Inglaterra e se prolongam hoje na França. Chefes de Estado de vários países lá estão, rememorando a vitória e o heroísmo dos soldados combatentes, vivos e mortos, aos quais se prestam, hoje e sempre, a merecidas honras de toda a humanidade. Visitar aqueles locais e conhecer os campos de batalha, os museus e, sobretudo, o Cemitério Americano da Normandia, onde estão sepultados cerca de dez mil soldados, foi uma experiência extraordinariamente emocionante e de muita gratidão aos que ali tombaram em defesa da liberdade dos povos.

Naquele monumental Cemitério observei dois fatos interessantes. Registrei-os  em fotos: O primeiro é a Estrela de David, símbolo dos judeus que não aceitam a cruz, símbolo dos católicos. Em meio à quase dez mil cruzes brancas destacam-se em seus lugares, algumas estrelas. O segundo destaque e talvez o principal daquele monumento, é a enorme escultura em bronze, de 6,70m de altura, intitulada: “Spirit of American Youth Rising from the Waves” (Espírito da juventude americana ressurgindo das ondas). A escultura representa um jovem americano ressurgindo das ondas do mar, com os braços e mãos estendidos, olhando para os céus a contemplar a Glória da chegada do Senhor. Representa os soldados saindo das águas do mar, naquele trágico desembarque das tropas, e embora muitos tivessem sido feridos de morte, ainda conseguiram chegar ao alto daquela colina onde jazem seus corpos. E assim, gloriosos, emergem das ondas que ficaram abaixo e veem a Glória da chegada do Senhor que veio arrebatá-los. Belíssima alegoria, e mais emocionante ainda é saber que a estátua está voltada para o ocidente, mirando o caminho de volta que eles, os soldados, almejavam..., a sua casa, na distante América, do outro lado do Atlântico.

O Dia D foi o dia decisivo, pois a partir dele iniciou-se o fim da 2ª Guerra Mundial. Logo em seguida, em julho, a França foi libertada e em abril seguinte a Alemanha se rendeu. Em agosto de 1945, com as bombas sobre Hiroshima e Nagasaki, caiu a última resistência com a rendição japonesa. Por outro lado, a participação brasileira teve como palco os campos de batalha na Itália, com expressivas vitórias, mas também lá deixando mais de 400 soldados tombados em combate. Dentre eles estavam combatentes de Lavras, minha terra natal. A eles presto minhas homenagens, em crônica intitulada “A aviação de guerra em Lavras e o amigo alemão”, a ser publicada em breve.

Hoje, 06 de junho, nada mais justo do que se lembrar e reverenciar a memória daqueles que lutaram pelos ideais da liberdade de todos nós e muitos deles tombaram nos campos de batalha.

Brasília, 06 de junho de 2019

Paulo das Lavras



Visita emocionante – Cemitério Americano da Normandia
Mais de 10 mil combatentes ali repousam
Foto do autor – dezembro 2013




“Spirit of American Youth Rising From the Waves”, escultura simbolizando
a partida do soldado tombado em combate. Ressurgindo das ondas do mar,
onde desembarcaram e tombaram.  Braços estendidos e olhar para a Glória
da chegada do Senhor. A estátua está voltada para o ocidente, mirando o
caminho  de volta que eles, os soldados, almejavam... sua casa, na distante
América, do outro lado do Atlântico...  Comovente!
Foto do autor- dezembro de 2013



A Estrela de David substitui a cruz dos cristãos
Foto do autor: Cemitério Americano da Normandia – dez 2013


Chegando à praia de Omaha, na Normandia. Alvo fácil para a artilharia alemã,
posicionada nas casamatas, no alto dos penhascos
Foto: Internet



Conhecendo a casa mata com canhões e metralhadoras no alto dos
penhascos da praia de Omaha, na Normandia. Em um único dia os
 alemães dizimaram mais de 2.000 soldados das tropas aliadas
Foto do autor – dezembro 2013




Foto: Arquivos da FEB


Robert Reitzer, primeiro à direita, oficial francês em missão
em Berlim, onde foi resgatar o acervo de arte roubado do Museu do Louvre.
Essa foto pertence ao acervo familiar do amigo, Daniel Reitzer,
 filho daquele oficial, que nos hospedou e acompanhou-nos às
visitas dos campos de batalha e museus, na França e Alemanha.
Foto: Arquivos de Daniel Reltzer


Nas comemorações dos 70 anos do Dia D . Retornar à areia da praia,
onde foi recebido à bala pelos alemães e assistiu ao tombamento de milhares
 de combatentes, merece mesmo um ato de amor e agradecimento por ter se salvado
 e ajudado a libertar-nos  da tirania, medo e privação da liberdade.
Foto: internet 2014



Conhecendo o Museu do Desembarque- Normandia
Foto do autor- dez 2013


Comemorações dos 75 anos do Dia D. Chefes de Estado de vários países,
em  Portsmouth/Reino Unido, em 05/06/2019, juntamente com 300 veteranos
Foto: AFP 


Jovens ouvindo relatos de guerra, ali nas praias da Normandia
Foto: El País- 06/06/2019


Conversando com oTenente Vinicius Venus Gomes da Silva, Presidente da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira, lutou em Monte Castelo pelo 1 Grupo de Aviação de Caça,  o famoso do Esquadrão Senta Pua, bombardeando as tropas alemãs, tanto nas frentes de combate como na retaguarda, enfraquecendo-as e  facilitando  sobremaneira a ação da infantaria.  Ouvir dele a narrativa da vitória daquelas sangrentas batalhas e ao final,  tomar em definitivo o estratégico Monte Castelo, foi muito emocionante. Afinal, o
 destemido e corajoso piloto de guerra tinha apenas 19 anos.
Foto do autor: desfile 7 de Setembro 2014- Brasília-DF


Monumento aos Pracinhas – Lavras, MG
Foto do autor - 2018



Monumento aos Pracinhas - Lavras MG
Foto do autor - 2018


Três pracinhas lavrense nos campos de combate da Itália, em 1945. Ao centro, Coriolano Botelho
Foto: arquivos da família Botelho





Lavras tem história nas guerras. Esse avião de guerra, um Morane Saulnier – 130, prefixo K224,
 fez um pouso forçado na cidade de Lavras,  em 06/10/1930. O piloto, Sargento, Carlos Brunswick França, aparece em primeiro plano, com a bota sobre a roda do avião,. À esquerda o mecânico
 e co-piloto Dinarco Reis e ao fundo os mecânicos da cidade, que ajudaram a restaurar
 a aeronave que ficara bem danificada.  Mas, essa é outra história....
Foto: arquivos de Renato Libeck




sexta-feira, 31 de maio de 2019

A arte de fazer só o que der vontade


A crônica escrita pelo paisagista e editor da Revista Natureza, Roberto Araújo, na edição de abril de 2019, e da qual plagiei o título, enaltece a nova fase de nossa vida, de aposentado e geralmente depois dos sessenta anos. Diz ele que, merecemos ter um refúgio, quando então pode brotar uma nova fase da vida. Completa, o autor, afirmando que “num momento só seu podem renascer o entusiasmo infantil e a crença de que, sim, o futuro pode ser muito interessante de ser vivido. E você voltará à luta renovado e feliz”.  Pura verdade e só mesmo quem já se aposentou e tem todo o tempo do mundo para si, é capaz de entender e praticar isso. E nem é preciso apelar para a sabedoria bíblica nos ensinando que é preciso se tornar uma criança para ganhar o reino dos céus. E entenda-se como reino dos céus, a felicidade a alegria, próprias das crianças.

 Sou assim, ou melhor, estou assim! Acabaram-se os compromissos profissionais, as cobranças, os horários, a cara de paisagem ainda que o interlocutor tenha sido grosseiro ou injusto, os erros, as faltas, invejas e ambições profissionais.  No âmbito familiar, os filhos já seguiram seu rumo e conduzem as próprias vidas. Enfim, chegou a calmaria, tempo de se tornar criança, com elas brincar e entender o que o filósofo Rubens Alves quis dizer: “Os velhos...... no mesmo tempo a vida é alegria....

Assim, temos tempo para tudo, ou melhor, para fazer só o que der vontade...! E eu já estou nessa há tempo. Mergulhar nas reminiscências da infância e da juventude e transformar os casos em crônicas é uma das atividades que mais gosto. Buscar os netos no colégio ou lá participar de suas atividades extracurriculares, como competições, exposições de trabalhos manuais, artísticos e culturais nos dão um prazer enorme, como também leva-los às atividades de lazer, tomar um sorvete e tudo mais. Tudo isso nos proporciona enorme satisfação.

Fazer só o que der vontade é, sim, mais que uma terapia. É colher os frutos daquilo que plantamos. Nesse sentido, tenho ainda outra enorme paixão, o paisagismo. Planejar, plantar e cuidar do jardins e sua fauna e ainda dos equipamentos dos parques, é outra atividade que nos engrandece. O trabalho voluntário, de cuidar da quadra-parque onde moramos, é sem dúvida dos mais gratificantes. Encontrar ali as mães, cuidadoras e as crianças, usufruindo do ambiente acolhedor é, sem dúvida, a mais gratificante das recompensas. Há mães que se deslocam de outras quadras e vêm, com seus filhinhos, para o nosso espaço publico, pois aqui há cuidados. Não tem preço ouvir isto de uma mãe.

            Fazer só o que der vontade é fazer aquilo que gostamos. E nem precisa ser aposentado. Meus finais de semana em Brasília, quando não em viagem com a família, quase todos são passados na chácara, meu paraíso. Ali, durante quase trinta anos construí tudo, pessoalmente, da casa ao paisagismo e com profundo gosto pela natureza, amor à terra, às plantas, jardins  e aos animais domésticos e silvestres. Estes, os animais silvestres, aprendi a tê-los por perto oferecendo-lhes farta alimentação natural e proteção. Não faltam para eles as fruteiras, lagos e florestas que ali plantei, especialmente para isso. Nos lagos há peixinhos que servem para a pescaria das crianças que, ao final, os devolvem ao seu habitat natural. Ali, na chácara, há de tudo para o lazer das crianças e mais, grande variedade de fruteiras, das mais comuns às mais exóticas como a pera, maçã, côco, lixia, caqui, noni, noz-macadâmia, castanha portuguesa e tudo mais que um agrônomo sabe cultivar. Dizem que certas fruteiras você planta para que os filhos e netos colham os frutos e devido ao longo tempo de espera da frutificação, talvez você próprio não alcance a colheita. Mas, felizmente, tenho colhido de todas as que plantei e assim a satisfação é dobrada, ver os netos colherem e ainda lhe oferecer, às vezes lá do alto da árvore.
Assim é, então, a arte de fazer só o que der vontade.... Pura felicidade!

Brasília, 31 de maio de 2019

Paulo das Lavras



Grelhar um beef ancho, alto, macio e delicioso, em casa... e saborear um aperitivo
 de vinho do Porto, é a pura arte de fazer só o que der vontade...rsrs



.... ou descansar na rede e apreciar a beleza do Manacá Serra,

todo florido nesse mês de maio...



quarta-feira, 1 de maio de 2019

Felicidade não tem idade


Albert Camus, escritor, filósofo e jornalista francês (1913- 1960) escreveu poemas, peças de teatro, novelas e filmes, desenvolvendo um humanismo baseado na consciência do absurdo da condição humana e na revolta como uma resposta a esse absurdo. A revolta leva à ação e dá sentido ao mundo e à vida, nascendo em nós a estranha alegria que nos ajuda a viver e a morrer, disse o filósofo. Dentre tantos conceitos sobre a vida, deixados por esse grande humanista, que viveu na primeira metade do século passado e enfrentou a onda do existencialismo e do marxismo, destacamos:

“Sempre há um menino em todos os homens. A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente. Os jovens andam em grupo, os adultos em pares e os velhos andam sós.
Feliz é quem foi jovem em sua juventude e feliz é quem foi sábio em sua velhice. Paradoxalmente, todos desejamos chegar à velhice e todos negamos que tenhamos chegado”.

            Vê-se, portanto que a felicidade cabe em qualquer fase da vida e, de certo modo, não podemos afirmar que a vida é mais feliz na infância, ou na juventude ou ainda na velhice. Mas, podemos afirmar, com certeza, que é na velhice que descobrimos o quão fomos e somos felizes. E a primeira prova é aquele velho ditado que sempre lançamos mão quando nos referimos à infância ou juventude. “éramos felizes e não sabíamos”. Sim, não sabíamos, pois quando crianças ou jovens, não nos preocupávamos muito com a reflexão sobre os valores da vida. Era tudo “alegria”, valia apenas o presente, o hoje, o agora como convém às crianças e jovens. Hoje, ao contrário, quando o tempo já se foi, encontramo-nos com o passado, voltamos à infância e à juventude e delas podemos extrair, enxergar o quão fôramos felizes. Ora, o simples fato de nos vermos felizes naquele passado já nos torna felizes. E foi por isso que outro filósofo, querido na minha terra, onde passou parte de sua vida como professor, Rubem Alves, disse que:
... quando velhos, nos tornamos crianças e junto com elas reaprendemos que a vida é brinquedo, é alegria. E assim se expressou: As almas dos velhos e das crianças brincam no mesmo tempo. As crianças ainda sabem aquilo que os velhos esqueceram e têm de aprender de novo: que a vida é brinquedo que para nada serve, a não ser para a alegria!  Tem coisa melhor do que ver e acompanhar as descobertas das crianças? Querem descobrir e aprender sobre tudo ao redor, aquilo que nós, naquela idade, também queríamos. Não há nada melhor do que ver e acompanhar as descobertas deles. Juntar-se a eles..., é a glória para os avós... Por isso, confirma-se o dito por Rubem Alves: “Nos tornamos crianças e com elas reaprendemos que a vida é brinquedo, é alegria”.

            Deve ser exatamente por isso que, quando chegamos à chamada terceira idade, buscamos refletir um pouco mais sobre os valores da vida. E tudo nos remete ao passado “feliz”, como a confirmar aquele velho ditado do “éramos felizes e não sabíamos”. E hoje, então, descobrimos, também, que a escrita é das melhores terapias para a alma. O ato de escrever é solitário e por isso permite uma profunda imersão no passado e ali encontramos as melhores reminiscências. Camus está certíssimo, ao afirmar que “Sempre há um menino em todos os homens. A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente. Os jovens andam em grupo, os adultos em pares e os velhos andam sós”. Mas, eu acrescento: sim, os velhos andam sós, mas bem acompanhados de livros e suas próprias reminiscências.

Sim, brindemos a alegria de viver. Albert Camus, o humanista e o não menos igual, Rubem Alves nos ensinam que a felicidade mora em nós, em qualquer fase da vida.
Felicidade não tem idade!

Brasília, 01 de maio de 2019

Paulo das Lavras





Montando álbum da Copa Mundial de Futebol de 2014 com os netinhos.
É como se você estivesse “fazendo o seu próprio álbum”, na infância, tal qual afirmado
por Rubem Alves: “ As almas dos velhos e das crianças brincam no mesmo tempo”

Felicidade não tem idade!
Foto do autor