sábado, 16 de março de 2019

Família e lições do massacre de Suzano


          Temos hoje uma sociedade bem generosa: põe os filhos na creche, os pais no asilo e vão passear com o cão, de preferencia no colo. Essa é uma frase de efeito, dentre muitas, que ironizam as causas da tragédia acontecida numa escola de ensino médio em Suzano, próximo à cidade de São Paulo. Dez mortos e outro tanto de feridos, por conta dos atos de insanidade de dois rapazes, chocando profundamente os brasileiros não acostumados a esse tipo de barbárie.

  Embora todos nós saibamos as origens, as causas desses comportamentos insanos que levam jovens a matar pessoas em locais públicos e se suicidarem em seguida, não deixamos de notar as propostas para se evitarem tais comportamentos. Eis algumas, bizarras na maioria das vezes e até mesmo com justificativas:
- colocação de detectores de metal e guardas armados na porta da escola – afinal bancos protegem seu dinheiro assim. Por que não proteger da mesma forma nossos tesouros maiores- as crianças?
- proibir a venda, posse e porte de arma de fogo.
- proibir a posse e porte de facas, pois, afinal, Bolsonaro quase morreu em atentado à faca.
- proibir a venda, posse e porte de machadinhas. Uma das vítimas foi atingida por uma dessas “perigosas armas”.
- proibir a venda, posse e porte de arco e flecha e sua similar “besta”.
- proibir o uso de caixas de papelão e fios metálicos (usadas para simulacros de bombas explosivas no massacre de Suzano).
- proibir a venda de luvas pretas, máscaras de caveiras, roupas pretas e botas de combate, pois os assassinos de Suzano trajavam-se assim, incentivados por “batalhas na internet”.
- - proibir a atividade de youtuber, pois produzem videogames violentos com uso de armas de guerra, extermínio de pessoas e animais, incentivando jovens à matança coletiva. Afinal, em Brasília já se condenou um desses youtubers que, inclusive, teve abortado seu plano de chacina numa grande universidade da capital.
- proibir as redes de TV, jornais e mídias em geral, de divulgarem notícias e imagens de violências. Afinal os assassinos de Suzano se inspiraram nas imagens do massacre na escola secundária de Columbine/E.U.A. O destaque na mídia é recompensa para os atiradores. Pesquisa da State University of N.Y., constatou o “efeito imitação”. A mídia foca nos assassinos e então os autores de tiroteios querem superar a fama dos atiradores anteriores, matando mais pessoas.
- proibir novelas, tipo rede-lixo, que incentivam violências e degradação moral.
- proibir o uso de celular por parte de crianças

Parece piada, esse rol de recomendações que recolhemos na imprensa e nas redes sociais nesses últimos dias, pois se esqueceram de falar da mais importante das causas, a educação, a formação de nossos jovens. É mais fácil e simples, jogar a culpa “nos outros”. Esquecemos que os culpados somos nós, os pais, a família. A frase inicial, acima, retrata a ironia de alguém que também se lembrou dessa culpa e ironizou-a com aquelas palavras que copiei das redes sociais. E pior, o ataque aos estudantes de Suzano não foi fruto de um contexto isolado de surto psicótico de dois jovens, mas, de puro ato de maldade, planejado, comprovando-se total ausência de valores. Entre tudo que li e para não me alongar, ficarei com as sensatas palavras de um grande e respeitado estudioso da psicologia humana e que, aliás, nem pai de família é, mas conhece os problemas da desestruturação familiar. Trata-se do Padre Fábio de Melo. Eis a sua mensagem sobre esse triste massacre de Suzano, onde ele coloca uma pá de cal sobre as “tantas baboseiras e falsas justificativas” para aquela barbárie, algumas das quais listei acima: 
“Palavras do Pe. Fábio de Melo: Cansado e perplexo com tantas baboseiras e falsas justificativas para as atrocidades que ainda nos surpreendem todos os dias... Os meninos não mataram porque o porte de arma é um projeto do atual governo. Os meninos não mataram porque jogavam jogos violentos. Os meninos não mataram porque a escola foi omissa. Os meninos não mataram porque sofreram Bullying...
Eles mataram porque as famílias estão desestruturadas e fracassadas, porque não se educa mais em casa, não se acompanha mais de perto, a tecnologia substitui o diálogo, presentes compram limites, direitos e deveres e não há o conhecimento e respeito a Deus.
Precisamos parar de nos omitir, de transferir culpas. A culpa é minha, é sua, de todos nós!
A violência é o desdobramento de carências afetivas, da necessidade de ser visto e notado, ainda que da pior maneira.
As armas não matam, o que mata é a ausência de AMOR!!!”

Bela reflexão desse especialista que prega o amor. Acordemos, pois, cuidemos mais de nossos filhos e como disse, ainda, outra especialista, Cassiana Tardivo, em um post na internet sobre a tragédia de Suzano:
“Antes perdíamos filhos nos rios, nos matos, nos mares, hoje temos perdido eles dentro do quarto! Quando brincavam nos quintais ouvíamos suas vozes, escutávamos suas fantasias e ao ouvi-los, mesmo a distância, sabíamos o que se passava em suas mentes. Quando entravam em casa não existia uma TV em cada quarto, nem dispositivos eletrônicos em suas mãos.
Hoje não escutamos suas vozes, não ouvimos seus pensamentos e fantasias, as crianças estão ali, dentro de seus quartos, e por isso pensamos estarem em segurança. Quanta imaturidade a nossa. Agora ficam com seus fones de ouvido, trancados em seus mundos, construindo seus saberes sem que saibamos o que é...
Perdem literalmente a vida, ainda vivos em corpos, mas mortos em seus relacionamentos com seus pais, fechados num mundo global de tanta informação e estímulos, de modismos passageiros, que em nada contribuem para formação de crianças seguras e fortes para tomarem decisões moralmente corretas e de acordo com seus valores familiares. Dentro de seus quartos perdemos os filhos, pois não sabem nem mais quem são ou o que pensam suas famílias, já estão mortos de sua identidade familiar…
 Tornam-se uma mistura de tudo aquilo pelo qual eles têm sido influenciados e pais nem sempre já sabem o que seus filhos são. Você hoje pode ler esse texto e amar, mandar para os amigos. Pode enxergar nele verdades e refletir. Tudo isso será excelente. Mas como Psicopedagoga tenho visto tantas famílias doentes com filhos mortos dentro do quarto, então faço a você um convite e, por favor, aceite!
Convido você a tirar seu filho do quarto, do tablet, do celular, do computador, do fone de ouvido, convido você a comprar jogos de mesa, tabuleiros e ter filhos na sala, ao seu lado por no mínimo dois dias estabelecidos na sua semana à noite (além do sábado e domingo).
E jogue, divirta-se com eles, escute as vozes, as falas, os pensamentos e tenha a grande oportunidade de tê-los vivos, “dando trabalho” e que eles aprendam a viver em família, se sintam pertencentes no lar para que não precisem se aventurar nessas brincadeiras malucas para se sentirem alguém ou terem um pouco de adrenalina que antes tinham com as brincadeiras no quintal”.

Bem assim mesmo, Pe. Fábio e a psicopedagoga, Cassiana, falam a mesma linguagem e eu me arrisco a citar um fator preponderante, que nos levou a esse estado generalizado de desagregação da família: O CONSUMISMO. Desenfreado, é um dos grandes vilões nessa situação. Não bastam dois carros na garagem, home theater e toda parafernália eletrônica na sala, um aparelho de TV em cada ambiente da casa, cinco telefones celulares (casal, duas empregadas/babás, e para os filhos acima de seis anos...), tablets e computadores com internet e wi-fi, férias na Disney, colégios e faculdades particulares, estágios em Cambridge ou universidades americanas, roupas de grife compradas em Nova York ou na Avenida de Montaigne e Champs Elysées de Paris, ou tudo mais que for possível adquirir para saciar o “monstro” do consumismo. 

       Ora, ora, e então o velho e mal acostumado “senhor provedor” da casa não deu mais conta do recado, de prover as demandas, os custos da casa e a mulher teve que ir à luta, trabalhando no mercado de trabalho em igualdade de condições (apenas no cumprimento de horário..., pois o salário, não! Ainda é menor do que o do homem e pior, se submete à tripla jornada, administrando a casa). E resultou que o casal terceirizou tudo, a começar pela educação dos filhos que ficam por conta de cuidadoras desde os seis meses de idade e quase sempre sem nenhum preparo para as tarefas de formação da criança. Essa, o consumismo, com consequente ausência de ambos os pais em casa, não é a única causa, mas tenho-a visto como uma das mais frequentes.

A violência é o desdobramento de carências afetivas, do amor dos pais, da família e que só se consolidam com a convivência em família. Assim dizem os especialistas, inclusive os dois citados acima. Leiam e reflitam, sobre suas palavras. Vale a pena tentar melhorar o mundo, ou melhor, a formação afetiva de nossos filhos. Como avô, tenho colaborado bastante nessa tarefa e tem sido muito gratificante.


Brasília, 16 de março de 2019

Paulo das Lavras. 




As armas não matam, o que mata é a ausência de AMOR!!!, disse o Padre Fábio de Melo
Foto: internet


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Saudade mata?


Dizem que sim. Saudade mata! Não sei, mas que dói, dói..., e muito. Mas, também acho que depende do modo de vida, a vida que você levou ao longo de todo o tempo. Quando criança brincava muito, vida livre em grande chácara, onde tudo era permitido até mesmo caçar passarinhos, rãs, preás e pescar lambaris. Assim foi minha vida de criança nos idos da década de 1950. Mais tarde, já no curso ginasial e colegial, tomei gosto pelos estudos e com os destaques nas notas esse gosto aumentou e ao final, a ponto obtive a melhor classificação no vestibular da velha e famosa Esal/Ufla. Passada a fase de estudante veio a vida profissional e novamente abracei com afinco e muita dedicação a nova profissão.  E aqui vale aquele ditado, escolha a profissão que você goste e ao final, não parecerá que você tenha trabalhado, mas sim amado a vida como resultado de sua dedicação, pois tudo terá sido prazeroso. E hoje, mais de 50 anos depois da formatura profissional, olho para o passado e sinto-me orgulhoso daquilo que tive ou pratiquei na infância, juventude, vida familiar e social e no trabalho profissional. 

Mas, porém, todavia, entretanto, contudo, não obstante, ainda assim e embora adore olhar, relembrar o doce passado, isso traz e nos obriga a carregar uma enorme carga de sentimento e, por isso mesmo entra a saudade matadeira. Mas, tudo é muito relativo, depende muito do que você gostava de fazer e sobretudo quem você carrega no coração. Dizem os especialistas que a saudade em vez de matar, pode trazer a cura, fazendo a vida valer a pena. E é mesmo! Minhas saudades são reminiscências das passagens mais gostosas da vida, aí incluindo-se não só os fatos e eventos que marcaram minha alma, mas principalmente as pessoas queridas que, por longo tempo com elas convivi e aprendi a viver e escolher uma profissão. E esse tipo de saudade não passa nunca, pois sempre há algo ou alguém, dos quais estamos sentindo falta. E quase sempre dói e dói muito. Um exemplo, quando passo de avião a dez mil metros de altura sobre a cidade natal e a vejo aninhada entre a serra da Bocaina e o Rio Grande. Os quinze ou vinte minutos restantes do voo, para a chegada ao aeroporto do Rio de Janeiro, passam num piscar de olhos, tal a intensidade da imersão da mente que destrava o subconsciente e faz rolar um longo filme das melhores e saudosas recordações da infância e juventude ali vividas. Interessante notar que quanto maior a distância no tempo e espaço – vivo a 1.000 km e há 44 anos distantes da terra natal – maior o sentimento de se reviver todo o passado que se descortina ali, na sua mente, destravado e desencadeado que foi com a visão real do local onde se viveu. Mas, esse dourado exílio em distantes terras dá ferroadas implacáveis com doloridas reminiscências, que somente são aplacadas com as lambidas no doce da vida. E há, por ventura, melhor “doce” do que rever a terra natal? Ah..., nem preciso aqui invocar os poemas de Olavo Bilac, Guilherme de Almeida ou Gonçalves Dias para se comprovar isso. Os poetas têm razão. Quer ver? Sei medir as montanhas, apenas com uma visada, melhor que as planuras de Brasília, embora nestas tenha residido a maior parte da vida. 

Mas, afinal, a saudade mata? Repito, não sei, depende..., mas que dói, dói..., e muito. E muito mais pelos entes queridos, daqueles que já se foram, principalamente a quem não pudemos dar ou receber um último adeus, como minha mãe, meu pai e por último um dileto amigo, colega de magistério na universidade. Dói, dói fundo na alma a falta daqueles que amamos. Saudade não passa nunca..., e então o bicho pega prara valer. Mas, há ainda um consolo como bem expressou o poeta, "A distancia é intrigante. Tem quem fique distante ao nosso lado e quem continue ao nosso lado mesmo distante". A saudade, a solidão, são apenas companheiras de viagem. Diz a sabedoria que, às vezes, a ausência de luz é necessária para que a valorizemos. É na escuridão, no vazio do pensamento, que residem as melhores reflexões que nos conduzem à valorização do amor, das amizades às pessoas, com a certeza de que nunca estamos sós, pois embora distantes, sabemos que podemos voltar para a casa, nosso lar, refúgio e fortaleza. Assim é a infância, nosso passado. Ela é, por essência, a nossa casa. Nela podemos adentrar pelos escaninhos da alma, a qualquer instante. 


Rever o passado e suas imagens é como explicam os psicólogos, lembrar-se exatamente do local e eventos onde estivera muito tempo antes. É uma característica de nossa mente que “grava” com maior intensidade aquilo que foi marcante em nossa vida. É a chamada memória cintilante. Agora, potencializada com a emoção de rever, presencialmente, os espaços físicos daquela época, muitos ainda preservados no original. Revê-los é como disparar, destravar o subconsciente que tudo gravou..., pura alegria, doce sentimento! E nesse sentido a saudade é o amor que fica, para sempre. E se está conosco, então posso afirmar que a saudade não mata, a saudade é Vida e ter saudade da infância é ser feliz!

Que venham as saudades, pois são sinais de que fomos e somos felizes no amor que fica em nossa alma!

Brasília, 28 de fevereiro de 2019

Paulo das Lavras. 





 A saudade pode se transformar em fonte de cura que faz a vida valer a pena.
Assim dizem os especialistas. E rever as montanhas de Minas, de fato é um remédio
 para quem vive distante da terra natal.
Foto: Ronaldo Leonardo Renoir - cidade de Lavras e serra da Bocaina - 2019





Sei medir as montanhas, apenas com uma visada, melhor que as planuras de Brasília,
embora nestas tenha residido a maior parte da vida.
Foto do autor – Serra de Igarapé, caminho da terra natal


A antiga Escola Superior de Agricultura de Lavras- Esal, estudante de 1964/67, hoje Ufla
Foto: arquivos de Renato Libeck


50 anos depois, comemorando a formatura.
Foto: Gilnei Duarte – setembro 2017


Paul McCartney, autor de Penny Lane, letra que canta a saudade de sua rua,  diria para essa foto: essa foi uma “lambida” sensacional no doce da vida. E foi mesmo!
Senti até o cheiro da viagem de Lavras à Itaúna, na maria-fumaça que soltava fagulhas de carvão e impregnava os vagões de passageiros com o cheiro característico. Eram 16 horas de longo percurso, saindo  da Estação Costa Pinto, às 17:00h para só chegar no dia seguinte às 9:00h da manhã,
 em 507 km de ferrovia. O internato no Seminário esperava pelo menino e foi um longo ano...

Foto do autor – São Lourenço/MG – 2014








domingo, 17 de fevereiro de 2019

Revoltante..., Vale a pena?



            Revoltante a declaração do Sr Fabio Schvartsman, presidente da empresa de mineração, Vale, uma das maiores do mundo. Disse aquele senhor, com referencia ao desastre de Brumadinho: “a mineradora é uma "joia brasileira" que não pode ser condenada pelo rompimento da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho”. E o insulto não parou por aí, pois referiu-se ao desastre como “acidente” e foi o único a não se levantar durante o minuto de silêncio em respeito aos mortos na tragédia provocada pela empresa que dirige. Desrespeito em dobro!

            Como se vê, o foco dessa empresa é puramente econômico, o lucro fácil em detrimento da segurança do trabalhador. Não à toa o presidente da empresa é graduado em ciências contábeis e tinha como objetivo recuperar as finanças da empresa. O social, os trabalhadores, suas famílias, as pessoas ali residentes que se danem à própria sorte. E, infelizmente não tiveram sorte. Tiveram o azar de se defrontar com uma cadeia de corrupção, a começar pela nomeação daquele presidente, escolhido a dedo por um político, Aécio Neves, denunciado em delação de outro corruptor, Joesley Batista, segundo informaram os jornais FSP e o Globo , de maio de 2017 e, segundo os quais, em troca o politico teria pedido dois milhões de reais. O segundo azar é atual, trata-se, segundo o MP, da corrupção de funcionários, engenheiros e dirigentes da Vale que, conhecendo os riscos de rompimento da barragem, nada fizeram. Alguns desses indiciados estão presos e esperamos que se apurem os fatos e se comprovada a culpa, a prevaricação, que sejam condenados.

            Nada valem os mais de trezentos mortos, o dinheiro, o lucro da “joia brasileira” Vale mais. Até agora foram resgatados 180 corpos, restando ainda outros 141 desaparecidos, soterrados pela lama. Isto sem contar os inúmeros desabrigados ou prejudicados e
m seus negócios na cidade e no campo. Pior ainda, o Ministério Publico apreendeu documentos e mandou prender funcionários supostamente coniventes com a situação, pois ao que se apurou pelo MP, a empresa sabia que a barragem de rejeito e tantas outras estavam sob risco de rompimento.


Diante de tamanha revolta resta-nos o consolo das boas ações que nos tocam profundamente. Refiro-me às ações dos bombeiros no resgate das vítimas, dos voluntários que assistem às famílias e tantas outras formas de ajuda, inclusive de países amigos. Essas tragédias nos colocam diante da dor dos familiares que perderam seus entes queridos e todos os bens materiais. Aliás, foi comovente ver as pessoas chorarem as perdas humanas e o pouco que tinham, uma pequena casa, roupas, cama, fogão e geladeira e, às vezes, nem esta ultima. Não porque as tivessem salvo da lama, mas simplesmente porque não a possuíam em sua humilde casa.

 Assim tem sido nesses últimos dias e nossa fé e esperança tem se reforçado nessas pessoas que, de maneira corajosa, desprendida e espírito guerreiro, demonstram toda sua coragem e amor ao próximo. E tem coisa mais marcante para expressar isso que as imagens dos bombeiros extenuados pela dura luta no resgate das vítimas, unicamente para dar o conforto às famílias, devolvendo-lhes os entes queridos, vivos ou mortos. E ainda há pouco, assistimos as cenas chocantes daquela mulher, em desespero, arrombando a porta do caminhão atingido pela queda do helicóptero que vitimou um famoso jornalista e o piloto da própria aeronave e, sozinha retirou o motorista preso às ferragens, salvando-lhe a vida. Só mesmo ações como essas, de puro amor ao próximo, para nos fazerem superar o trauma da canalhice, da corrupção, ganancia que mata, ceifa vidas de inocentes... Sim, a coragem o amor ao próximo de pessoas que, felizmente são maioria, nos reconfortam e não deixam morrer nossas esperanças de um mundo melhor.

Amém!


Brasília, 17 de fevereiro de 2019

Paulo das Lavras


 
Bombeiros exaustos, no resgate das vitimas da lama de 
Brumadinho,  descançam para reiniciar as buscas.

. Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press




Leiliane, assistiu de perto a queda do helicóptero. Saltou da moto e correu para 
salvar o motorista do caminhão atingido. Coragem, bravura e amor ao próximo.

Foto: internet


quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Minas, montanhas e dois abraços diferentes



Em 20 de julho de 2018 desembarquei em B.H e enquanto aguardava o reembarque para Lavras, onde iria assistir às solenidades do sesquicentenário da cidade natal, fui abordado por duas sorridentes garotas que logo me mostraram um cartaz de cartolina: “Abraço Grátis!!!”. Antes de qualquer reação de minha parte anunciaram, com largo sorriso, que queriam me abraçar. Mais que depressa fechei a pagina do whatsapp (ôohh, vício... rsrs) e corri para o abraço. Afinal, não é sempre que recebemos abraços..., de graça! Explicaram-me que era o Dia do Amigo e por isso estavam distribuindo amor fraternal. Sem dúvida, o abraço é considerado uma prova de afeto, de carinho, de amor ao próximo e estabelece uma ligação saudável entre as pessoas. Naquele dia foi um abraço efusivo, de alegria, de energia, pura empatia. Embarquei para a viagem e sinceramente, estava mais leve, me sentindo melhor, amado e encantado com o gesto anônimo de um grupo de jovens “amigos voluntários”. Só mesmo nas Minas Gerais, montanhosa, essas coisas acontecem. Receber um abraço anônimo, alegre, contagiante, sem mais nem menos e pelo puro prazer de se fazer o bem.

Poucos de nós nos damos conta do valor de um abraço. Ele afasta o medo e até a dor, como aconteceu recentemente com o netinho de dez anos que teve o antebraço fraturado, quando da defesa de um potente chute de bola ao gol. Atordoado por forte dor e lágrimas já escorrendo pela face, correu para o abraço do vovô. Um abraço tão forte quanto à dor que sentia e enquanto caminhávamos em busca do socorro, abracei-o fortemente e o choro cessou, até porque, antes, gritei, dissimuladamente, para os garotos que tinham parado o jogo e olhavam espantados..., “não foi nada..., só uma luxação e vou leva-lo para colocar compressa de gelo”. Um abraço apertado, as palavras de apoio diante dos coleguinhas, o carinho repassado ao menino o reconfortaram e amenizaram a dor física e muito mais da alma, com a certeza de que estava amparado pelo abraço. E assim, pôde sair de campo orgulhoso, fortalecido, porque defendera o gol, embora estivesse se desmanchando em dores (no hospital, constatou-se fratura no terço distal e engessou-se o braço). Nem mesmo eu havia imaginado, antes, o poder de um abraço. Aliás, já havia aprendido, menos de um ano atrás, que até mesmo um anônimo abraço aumenta a nossa alegria e autoestima e agora, com o netinho, pude comprovar o valor do segundo tipo de abraço que conforta e até cura a dor.

Ao ler os jornais, comoveu-me a histórias de um pai e filha, Laura e Juliano Colombini, que saíram de sua casa, em Nova Lima e foram a Brumadinho, a mais de 70 km, unicamente para abraçar as pessoas necessitadas, vítimas daquele monstruoso desastre humanitário, do rompimento de barragem de rejeitos da mineração de ferro que ceifou centenas de vidas. Ao ler a comovente história, veio-me a mente, além do recente caso do netinho, o episódio acontecido comigo, em BH, naquele 20 de julho passado. Pensei comigo..., então esse gesto, de oferecer um abraço, é mesmo próprio dos conterrâneos mineiros. Quanto vale um abraço..., seja na alegria ou na dor? E os mineiros, com fama de introspectivos, criados entre montanhas, são mestres na arte de bem receber, de distribuir abraços, conduzir as visitas para o aconchego e a intimidade de sua cozinha e ali, ao sabor de um cafezinho com pão de queijo assado na hora, passar horas e horas contando casos e causos, com a participação de toda a família ali reunida, em homenagem e carinho ao visitante. E até na hora ir-se embora o mineiro é diferente. E digo isto porque conheço todos os estados de nosso país, visitando as mais de cinquenta universidades federais. Diferentes n despedida? Sim são os únicos a nos despedirem sem dizer a palavra “adeus”. Mineiro diz, compungido, emocionado..., vai com Deus, como a dizer se cuide e volte sempre. Coisas de Minas que nos tocam profundamente. Oh, Minas Gerais! A gente nasce mineiro e morre mineiro e não adianta estar quarenta e cinco anos fora das montanhas de Minas, pois o sentimento é o mesmo, apesar da distância.


Estamos todos irmanados na dor desse desastre humanitário de Brumadinho. Não vamos aqui procurar culpados, mas apenas nos unir às famílias, quase quatro centenas delas, que perderam ou estão em busca dos parentes desparecidos. E tem sido assim, por todo o tempo. O abraço e a mão amiga estão presentes, sempre. Outra voluntária, Simone Esteves, que consolava espiritualmente uma das famílias, contou à repórter de um jornal que “num momento desses, eles estão entregues a um abraço, a uma palavra de conforto, oração a Deus. Eles querem apenas abraçar e chorar, desabar em lágrimas”. E sabem que os abraços, a ajuda, a solidariedade não têm faltado, daqui e até do exterior. Que Deus continue confortando a todos eles. E é de se perguntar, como alguém já o fez: “Quantas lágrimas cabem numa barragem? Quanto vale um rio de lágrimas?” vale citar os versos de Carlos Drummond de Andrade, como a nos lembrar que governantes e empresários gananciosos transformaram Minas em mortes, dor e lama e, pior, eles próprios estão limpinhos e ricos, usufruindo dos lucros sobre a vida de pessoas, com dinheiro sujo, mais sujo e podre que a lama que ceifou vidas humanas, dilacerou famílias e devastou a natureza ao longo de matas, córregos e rios abaixo, por centenas de quilômetros. Disse o poeta Drummond:
“O Rio? É Doce. A Vale? Amarga. Ai, antes fosse mais leve a carga.
Entre Estatais e multinacionais, quantos ais! A dívida interna, a dívida externa.    
A dívida eterna.
Quantas toneladas de exportações de ferro? Quantas lágrimas disfarçadas sem    
 berro?”.

Desta vez, na segunda catástrofe, a sociedade está desobedecendo ao poeta, pois agora é com berro. E não é apenas com o berro daquele boi branco, da raça nelore, atolado, ilhado e alimentado pelos heroicos bombeiros, ali em meio à lama. Fiquemos, pois, atentos e aguardemos as providências de quem de direito e se não forem a contento, berremos todos. Mas antes do berro vamos fazer a nossa parte. Que tal nossa universidade colaborar com a recomposição ambiental, tal qual faz em Lavras, onde já plantou mais de 100 mil árvores, formando um cinturão verde ao redor da cidade, como nos informa o Jornal de Lavras? Vamos “berrar” como sugeriu o poeta, mas antes, vamos colaborar nesse esforço humanitário. Queria estar lá e retribuir o abraço recebido dos mineiros, solidários, sempre!

Brasília, 31 de janeiro de 2019

Paulo das Lavras 





 
O desastre do rompimento barragem de rejeitos de minérios, em Brumadinho,
 deixou centenas de mortos e desparecidos. Força devastadora do mar de lama
e rejeitos sólidos de mineração. Grande extensão atingida com danos incalculáveis.

Foto: Isac Nobrega – domínio público



A força da avalanche de lama, detritos e rejeitos sólidos das mineradoras
arrancou tudo pela frente, morro abaixo. Dois pilares da ferrovia foram levados.
Centenas de vidas ceifadas.

Foto: Voz Ativa



Minas, terra dos abraços, gente hospitaleira, solidária. Assim fui recebido em BH, em 2018
Foto: autor, BH, 20/07/2018


 
O poder, a força do abraço que ampara, acarinha
Foto: autor, dezembro 2016



Abraço de conforto a quem precisa, com braço enfaixado,
até mesmo no primeiro dia de aula
Foto: autor, jan.2019



Quer abraço mais reconfortante que esse,
depois de longo tempo na guerra do Iraque?
Foto: internet



Na data de hoje, 31/01/19, já foram resgatados 100 corpos e cerca de 260 ainda
estão desaparecidos. Mais de 300 outras pessoas já foram localizadas e
cadastradas. Tragédia que atingiu diretamente a mais de 700 pessoas entre
mortos, desparecidos e outras já localizadas.
Foto: internet



Sobrevivente da lama da catástrofe de Brumadinho, o boi nelore,
batizado de “resistente” pelos Bombeiros, foi por eles alimentado
enquanto não pôde ser resgatado.
Foto: Alexandre Guzanshe/EM D.A Press



Não foi só salvar pessoas e animais na lama, pois havia também os que ajudavam
 a salvar vidas, ou localizar corpos.
Foto: Adriano Machado



Reflorestar, regenerar a vegetação na terra devastada. Grande tarefa pela frente.
Gostaria de lá estar e contribuir, como naquele ano de 1968, quando trabalhei para a
 Mannesman, Barreiro/Cidade Industrial/BH, plantando milhões de eucaliptos nas encostas
da Serra do Rola Moça. Do outro lado estavam os municípios de Ibirité e Brumadinho.
Foto: Jornal de Lavras –  cinturão verde de Lavras:






quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Uma Posse Presidencial diferente, com mulher à frente...



          Alguém se lembra do “Velho do rio”, personagem típico de uma novela da extinta Rede Manchete, no ano de 1990? Pois, me surpreendi com seu “reaparecimento”, nas solenidades de posse do novo ministro da Educação. Lá estava um senhor, muito bem vestido, barba grande e bem cuidada e portando um grande chapéu. Não resisti e ao sair, encontrando-o assentado ao lado da portaria do gabinete do ministro e diante de seu sorriso amistoso, o cumprimentei e desencadeamos uma conversa agradável sobre os eventos de posses dos ministros e do presidente da república, bem como das esperanças que nos animam para esse ano de 2019. O personagem, Nelson Barbudo, que evocou-nos a lembrança pantaneira, é de fato mato-grossense e deputado, o mais votado do estado. Pessoa de fácil trato, alegre e esperançoso de dias melhores para o nosso povo. Assim, com esse descontraído e casual encontro, terminamos o segundo dia do Ano Novo, em nossa capital federal. Um ano que começou bem, repleto de alegrias e esperanças renovadas, como nunca antes vividas nesses últimos 22 anos de nossa república. Vinte dois anos? Sim, desde quando um governante promoveu a maior compra de votos no legislativo para que fosse aprovada a sua própria reeleição, até então proibida pela Constituição Federal. O escândalo da época, maio de 1997, só não foi adiante por conta de um procurador que ficou conhecido por “engavetador geral da república”.  Desde então, não tivemos mais alegrias nas posses de dirigentes de nosso país. Mas, surpreendentemente, neste primeiro de janeiro de 2019, o novo ano teve início diferente, muito alegre, cheio de esperanças. Diferente, até mesmo pela presença do deputado mato-grossense com seu típico chapéu pantaneiro.
  
 28 anos depois “reencontrei” a mais perfeita lembrança de uma figura marcante, de uma novela pantaneira do ano de 1990 (o Velho do rio). Na verdade, trata-se do deputado Nelson Barbudo, o mais votado em Mato Grosso. Papo agradável, após a posse do novo Ministro da Educação, no dia 02/01/2019.



            Mas, se a presença do deputado, com detalhe típico do pantanal brasileiro deu um toque diferente na posse do novo ministro da Educação, também o ritual da posse do novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foi diferente. Este é o décimo presidente desde que cheguei a Brasília, em 1975. Terminado o ciclo militar, aconteceu a eleição de Tancredo Neves, que encheu o povo de esperanças para o dia solene da posse. Preparamo-nos para a festa, mas infelizmente não houve a esperada posse, pois adoeceu gravemente no exato dia e veio a falecer cerca de um mês depois. Seguiu-se um governo frouxo, com inflação de 100% ao mês e eis que, então, surgiu um “salvador da pátria”, o caçador de marajás e o povo com esperanças renovadas foi à rua para a festa da posse. “Elle” não durou dois anos e voltamos à mesma Esplanada dos Ministérios pedindo a cassação de seu mandato, por conta de corrupção.
                
 
O famoso "velho do rio"

         No lugar “delle”, assumiu o vice-presidente, mineiro, sério, que deu um verniz de esperança para os brasileiros. Três anos depois foi eleito e empossado um paulista, tido como príncipe da intelectualidade e da economia, pois havia domado a inflação com o plano real, ainda no governo anterior, no qual fora ministro da Fazenda. Não comparecemos a nenhuma das solenidades publicas de suas duas posses, pois nele não votamos e nem confiávamos, por conta de suas demagogias em campanha da primeira eleição. Pior ainda, com o condenável ato de cooptação de parlamentares para a aprovação de emenda à Constituição que permitiu sua própria reeleição. Começou aí a corrupção de parlamentares antecedendo, pois, ao chamado “mensalão” que veio a publico em maio de 2005, já no maior governo corrupto da nação. Este, o mensalão, foi descoberto com a gravação de recebimento de propina em dinheiro, na sede da ECT e em seguida com a denúncia de um deputado, descrevendo os detalhes da compra de apoio de deputados da chamada base aliada do governo, com pagamentos mensais pelo partido do corrupto governo de então. A esse governo da corrupção, por dois mandatos, seguiu-se o de sua sucessora, também por dois mandatos, porém cassada no meio do segundo período, por total incapacidade de governar o país. Os dois anos restantes foram cumpridos pelo vice- presidente que, em face de suas vinculações a grupos políticos não teve forças para limpar a máquina publica. Ora, passou-se tempo demais, desde 1997 quando o então presidente deu o golpe na Constituição, corrompendo parlamentares e aprovando sua própria reeleição. Foram 22 anos de espera por dias melhores, com alguém de caráter que se dispusesse a conduzir o país com seriedade, sem o famoso “toma lá, dá cá”. E esse dia, da esperança de novos tempos chegou, em 01/01/2019.

            Diante de tudo isso, pode-se afirmar que a posse do novo presidente do país, nesse primeiro de janeiro de 2019, além de tranquila, sem tumultos, foi diferente por diversas razões. Enumero e descrevo sete delas. Primeiramente, pelas esperanças dos brasileiros, cansados de ver e ouvir, diariamente, relatos judiciais e policiais sobre autoridades do governo e políticos envolvidos em grossa corrupção serem presos, condenados e encarcerados, a começar pelo chefe da organização criminosa (segundo classificação do STF). Seu programa de trabalho contempla todas as aspirações populares contra esse estado deplorável. O próprio Presidente emocionou-se profundamente e em pelo menos duas ocasiões, não conteve as lágrimas.  Em segundo lugar, foi diferente a posse, por ter tido, o novo presidente, a feliz e meritória iniciativa de colocar sua esposa a proferir um belo discurso, antes mesmo que ele, o presidente já empossado, falasse à Nação. Ela comprometeu-se a lutar pela inclusão das pessoas com deficiências físicas ou de outra natureza. Seu discurso em linguagem de Libras foi mais que interessante, diferente e recheado de conteúdo. Em terceiro lugar, houve sensível diferença pelos discursos de seus ministros que repetiram, nas respectivas posses, as promessas de campanha do presidente eleito e empossado.  Foi assim na Economia, na Justiça, a mais aplaudida de todas as escolhas por representar os anseios e justiça da maioria do povo, já desanimado com o desempenho de alguns órgãos, até mesmo acobertando ou libertando condenados por corrupção.

            O discurso do novo presidente foi animador, pois além de demonstrar humildade e caráter, bateu firme nas questões técnicas de economia, emprego e desenvolvimento, para as quais promete melhorias (13 milhões de desempregados e 27 milhões que não ganham o suficiente para sobreviver). Destacou com firmeza as políticas fundamentais para o bem estar da população, traduzindo o anseio de seus eleitores, colocando o cidadão em primeiro lugar, declarando, dentre tantas:

-Não deixar que ideologias nefastas, como a do gênero, venham a dividir os     brasileiros, destruindo valores, tradições e a família, alicerce de nossa sociedade.
- unir o povo (acabou o “nóis” contra eles)
- nossa bandeira é verde-amarela e jamais será vermelha.
- combater ferozmente a corrupção, efetuar enxugamento da máquina publica, restabelecendo padrões éticos e morais na gestão pública.
- combater a criminalidade e valorizar aqueles que sacrificam suas vidas em nome de nossa segurança. Acabar com a ideologia que defende bandidos e criminaliza policiais.
- defesa da soberania nacional, especialmente nossas fronteiras.
- retirar o viés ideológico das relações exteriores
- hoje é o dia em que o povo começa a se libertar do socialismo e do gigantismo estatal

Na área da Educação, foi confortante ouvir, no auditório do MEC, onde servimos por 35 anos à Educação Superior, a fala do novo ministro empossado, Prof. Ricardo Vélez Rodríguez, que repetiu as palavras do presidente empossado:

- as escolas devem ser capazes de preparar nossos filhos para o mercado de trabalho e não para a militância política.
- combateremos o lixo marxista que se instalou nas instituições de ensino. Sobre a chamada “escola sem Partido” disse que o que se pretende é apenas combater a “propaganda ideológica”, pois a escola não deve doutrinar ninguém e sim educar, formar. A essência da escola é a Educação, completou o novo ministro.
- deveremos substituir o marxismo cultural, que está presente nas educações básica e superior, pela ideologia liberal e conservadora. O marxismo cultural é prejudicial à saúde da mente, pois secciona o ser humano, o torna massa, uma simples coisa e por isso, vamos tentar buscar uma abordagem cultural que respeite a pessoa na sua integridade.

         Enfim, também no programa de ação do futuro governo houve diferença, a quarta delas, a firmeza de propósito no atendimento às demandas da sociedade, cansada de desgoverno, corrupção, roubalheira e descaso para com o cidadão que paga os impostos que sustentam a nação. E essa diferença se fez notar até na declaração do ministro da Educação, Rossiele, que terminou seu mandato, dizendo na transmissão de cargo que mais não fez porque o governo assumiu o MEC sem nenhum processo de transição, imediatamente ao impeachment da então presidente, e por ter herdado “discussões outras”, deixando de olhar o essencial, português, matemática. O ex-ministro da Educação, no entanto, não esclareceeu quais as discussões que o desviaram do caminho certo da Educação. Porém, não é difícil imaginar, bastando reler as palavras do novo ministro e do novo presidente da república, onde estão listadas as principais mazelas da Educação e que agora serão combatidas pelo MEC.

Além de tudo isso, chamou-nos atenção a emoção do presidente e a anotamos como a quinta diferença, pois foi tomado de profundo sentimento, derramando lágrimas ao entrar no Rolls Royce, ali em frente à Catedral, onde nos postamos. Novamente foi traído pela emoção e às lagrimas, passou a tropa em revista na rampa do Congresso Nacional, já como presidente empossado. Perguntado sobre isso, disse que sentiu o peso da responsabilidade ao ver que estava a iniciar seu mandato presidencial, ali, diante do povo que o aplaudia e representava a nação. A longa luta na lide politica, a campanha, os apoios recebidos da família, amigos e eleitores, o atentado à sua vida, a eleição, a vitória e as promessas de trabalho ao povo brasileiro, tudo enfim. Foi um turbilhão emotivo e sempre com a esperança de que tudo dê certo. Não é comum presidentes deixarem-se trair pelas lágrimas. Estas, nunca mentem, é a alma se expondo, exibindo a gratidão a Deus e a certeza de um grande compromisso a cumprir.  Não menos interessante e significativo foi o beijo recebido da esposa, durante o discurso e por conta dos pedidos da plateia em repetido coro. O discurso da primeira dama foi marcante.

Outra diferença surpreendente, a sexta delas, foi o comportamento do povo. Mais de 100.000 pessoas que ali estavam. Muitos com famílias inteiras, vindos de toda parte do país e até do exterior. Trajavam as cores da bandeira nacional, portavam placas ou slogans na camisa, crianças, jovens, pais, famílias inteiras, com bebês no colo ou em carrinhos e até idosos em cadeiras de rodas. Todos, sem exceção, na mais perfeita ordem e respeito, curtindo apenas alegria. Nada de Black Blocs, reds, ou movimentos ditos sociais, mas na verdade anarquistas, ou milícias armadas conforme apregoado por pseudo-lideres em recente passado. Mas, felizmente alguns até já se encontram condenados e encarcerados. Tranquilidade total, muito diferente de outras manifestações que participamos ali na Esplanada dos Ministérios. Não houve necessidade, em momento algum, de intervenção das forças de segurança. Aliás, a posse foi diferente até mesmo no quesito segurança e esta é a sétima grande diferença em relação às anteriores.

Diante do antecedente de atentado à vida do candidato eleito, medidas especiais foram adotadas. Foram instaladas quatro barreiras de inspeção. Na primeira as bolsas, mochilas, garrafas de água e quaisquer objetos que representassem risco eram confiscados, além da revista manual propriamente dita. Para compensar a proibição de garrafas d´água, foram montadas algumas barracas com oferta de água gelada, armazenadas em tanques especiais, onde as pessoas podiam se fartar, usando copos descartáveis. Duas outras barreiras se seguiam até o Congresso Nacional. Para adentrar a Praça dos Três Poderes e se posicionar diante do Palácio do Planalto e de sua rampa, por onde o presidente chegaria, a vistoria era mais rigorosa, pois havia uma quarta barreira, obrigando-se à passagem por detectores de metal.  Vimos ainda as tropas, a pé, cavalaria e motorizada, armadas e prontas para a ação. Helicópteros e drones especiais sobrevoavam o espaço aéreo. A artilharia antiaérea estava estacionada bem próxima e muitos agentes de segurança descaracterizados se dispersaram em meio à multidão. Ao contrário, atiradores de elite, uniformizados e ostensivamente armados, se postavam em pontos estratégicos, especialmente no topo dos prédios da Esplanada. Havia ainda até supostos oficiais, na verdade snipers, carregando pastas ao lado das autoridades. Pastas recheadas, certamente, de surpresas, mas que não foram sequer acionadas e seus agentes se limitavam apenas a olhar a multidão por trás de seus indefectíveis óculos escuros.

Outro detalhe da segurança foram os espessos vidros blindados no parlatório, de onde o Presidente e a Primeira Dama discursaram para o povo.  Mas, pode-se dizer que a grande diferença no quesito segurança nem foram os armamentos e excessivas revistas de detecção de metal, mas sim a pacífica manifestação popular, sem que tenha havido sequer um único ato de invasão de área proibida ou mesmo vandalismo em prédios e patrimônios públicos. Enfim, foi uma festa bem organizada, com público quase que exclusivamente familiar e acima de tudo patriótica, emocionante e, sobretudo diferente. Diferente pelas razões já comentadas, mas, principalmente por aquilo que a própria imprensa disse e alardeou que a Primeira Dama roubou a cena, pela sóbria presença, com belo e compromissado discurso em favor de uma ação social mais efetiva e até mesmo pelo inédito e carinhoso beijo no novo Presidente, companheiro se sua vida e com o qual lutou para ali chegar. Valeu!

Bem, o novo presidente pediu um prazo de 100 dias para colocar em prática tudo aquilo que enunciou em seu programa de governo e que reconhece como sendo a grande aspiração, o desejo do povo que o elegeu.  Esperemos, pois, atentos, o cumprimento desse promissor programa de governo. Um governo que tem tudo para ser diferente, vitorioso, tal qual almejamos e vamos torcer para que seja bem sucedido. Nossos filhos e netos agradecerão.

 Brasília, 03 de janeiro de 2019


Paulo das Lavras


         O velho do rio, famoso personagem da telenovela “Pantanal”?
Não! Trata-se do deputado mais votado no Mato Grosso, Nelson Barbudo que foi prestigiar a transmissão do cargo de Ministro da Educação.
Foto: autor


           Metrô lotado, rumo à posse presidencial
Foto: Renata Costa



... bem lotado, mesmo e todos de verde amarelo. Verdadeira festa quando havia novos embarques!
Foto: autor


alegria das pessoas chegando à Esplanada dos Ministérios. Não se via outra
 bandeira que não a nacional
Foto: CB


nem mesmo a longas filas para a primeira revista desanimou o povo. Ali
 eram deixadas sacolas, mochilas e até garrafa de água.
Foto: CB


 
proibidas garrafas..., mas água gelada à vontade

Foto: autor





Chegada do comboio presidencial e troca de carro, passando para o Rolls Royce, aberto, em frente à Catedral. Caminhão da imprensa se deslocando à frente do desfile presidencial rumo ao Congresso Nacional. Céu carregado, prometendo chuva, mas que felizmente não chegou.
Foto: autor


Forte emoção do novo presidente ao subir ao carro aberto e ver a multidão o aplaudindo
Foto: Ricardo Moraes


Os Dragões da Independência, com seu histórico uniforme de gala (criado em 31/01/1765 e reorganizado por D. João VI em 13/05/1808), escoltam o novo Presidente do Brasil, rumo ao
Congresso Nacional, onde tomará posse.
Foto: autor




Logo no início do desfile o cavalo começa a refugar. O presidente
   pede cuidado ao motorista do Rolls Royce
Foto: Carl de Souza


... e chega a gritar... , cuidado, pare..., pare o carro!
Foto: Carl de Souza


 ... e aplaude o cavaleiro que consegue dominar o cavalo refugão...
Foto: Carl de Souza


... para em seguida continuar o desfile e  acenar alegremente para o povo
Foto: do autor


... e passa acenando, bem à nossa frente
Foto: do autor



A escolta dos Dragões da Independência, logo atrás do Rolls Royce Presidencial.

Foto: do autor


Chegada ao Congresso, e o atento agente de segurança com a pasta espiã
Foto: Marcos Brandão


Assinatura do Termo de Posse, no Congresso Nacional, com uma simples  caneta Compactor Economic
Foto: Roque de Sá



Após a posse, no Congresso Nacional, a solene “revista da tropa”, do Exército, Marinha e Aeronáutica, postados em continência ao Chefe Supremo da Nação. Seguranças a cada 10 metros,
 no alambrado ao lado da rampa, no gramado.
Foto: Marcelo Ferreira


A emoção do Presidente empossado, Comandante Supremo da Nação, durante
a passagem  em revista à tropa, em frente ao Congresso Nacional
Foto: CB


Salva de tiros de canhão para o novo Chefe de Estado, em frente ao Congresso Nacional
Foto: CB


A chegada apoteótica ao Palácio do Planalto
Foto: Sylvia Isquierda



Subindo a rampa do Palácio Presidencial. Outros três agentes
cercam o Presidente, portando as pastas-espiãs, iguais e sempre na mão esquerda
Foto: Sérgio Lima


Uma longa e apoteótica caminhada na rampa. E os homens com as pesadas pastas-espiãs, logo atrás
Foto: Ueslei Marcelino


Caminhada em busca da Faixa Presidencial
Foto: Ueslei Marcelino


... e aí está a sonhada faixa presidencial e o discurso da Primeira Dama, Michele Bolsonaro,
que roubou a cena..., disse a imprensa. Com razão, cena inédita e maravilhosa e mais emocionante, ainda, foi o seu discurso em defesa dos portadores de necessidades especiais.
Foto: CB



O discurso de Michele, interrompido a pedido da plateia,
 para um beijo no marido-presidente
Foto Fábio Tito



discursando: “nossa bandeira é verde amarela”
Foto: CB




A simplicidade, assinando o Termo de Posse dos Ministros,  no Palácio do Planalto,
com sua caneta BIC. Já vi Montblanc, Parker e tantas outras de ouro, exibidas por empossados que gostam de ostentação.
Foto: internet (autor não identificado)


O Presidente Bolsonaro com seus Ministros empossados no Palácio do Planalto
Foto: CB


A segurança reforçada:

Segurança reforçada, fila para a quarta e última inspeção:
 detector de metais,  na Praça dos Três Poderes
Foto: Ed Alves


Detector de metal em frente ao Palácio do Planalto
Foto: Ed Alves


Barreiras físicas e tropas isolando as faixas para a passagem da comitiva presidencial.
Foto: Nelson Almeida


Segurança total em frente ao Palácio do Planato, incluindo vidros
 à prova de balas no parlatório e snipers ao lado da comitiva
 presidencial  e no topo dos prédios
Foto: Nelson Almeida



snipers no topo do Palácio do Planalto
Foto: CB


detalhes das barreiras de contenção, alambrado e cordão de policiais da tropa de choque e agentes de segurança na retaguarda e sobre plataformas suspensas (mãos filmando com celular)
Foto: CB



Barreira intransponível nos fundos da Praça dos Três poderes
Foto: CB



O peso da “pasta espiã” que o atirador de elite carrega na mão esquerda, tendo
a direita  livre para, possivelmente e se necessário, apertar o gatilho na alça da pasta.
 O Presidente estava tenso ao desembarcar do Rolls Ryce e iniciar a caminhada no tapete
 vermelho de acesso  ao Congresso Nacional.
A Primeira Dama também absorveu a preocupação do Presidente, pois ali ele estava mais exposto,
 razão pela qual o agente de segurança estava colado a eles e também expressava nítido nervosismo
Foto: Ricardo Moraes


A internet mostra o que pode conter uma dessas pastas espiãs...
Fonte: Youtube


Vidros à prova de balas, com mais de 30 mm de espessura, até a altura da cabeça,
no parlatório externo ao Palácio do Planalto.
Foto Fabio Tito


O plano de exclusão de voos sobre Brasília, no dia da posse presidencial
Foto: FAB


Caças F5 no ar, com ordem para abate, se necessário e ...
Foto: FAB



Artilharia aniaérea em terra, ao lado dos anexos dos Ministérios
Foto: FAB



...verdadeiro aparato de combate antiaéreo. Inimigo algum escapa, no ar!
Foto: FAB


Mesmo na hora de dispersão do povo e tendo se encerrado as solenidades, os fusis M-16 estavam engatilhados e os policiais prontos para a ação, atentos a tudo ao redor, até mesmo aos drones
 e helicópteros que sobrevoavam o local. Fotos permitidas, mas, sempre sérios e concentrados
 na missão de segurança. Nota 10, pois não houve um tumulto sequer e as familias ficaram e voltaram para a casa em total segurança e tranquilidade! Fez diferença!
Foto: autor



A tranquilidade e alegria do povo na festa:


relembrando o pixuleco presidiário, porém, hoje, gente séria, patriota, sem o vermelho.
Irradiando alegria e confiança num país melhor.
Foto: CB



Esquadrilha da Fumaça alegrando a multidão.
Foto: CB


Sol quente, abrigo sob o verde amarelho
Foto: CB


Mais gente chegando à Esplanada
Foto: Fábio Rodrigues


idosos e cadeirantes, esperançosos de dias melhores com o verde-amarelo
Foto: Fábio Rodrigues


Com 85 anos e ainda esperançoso de dias melhores, na Justiça.
Admirável como o patriotismo empolga os mais idosos. Gente que trabalhou
 e ajudou a construir o país!
Foto: autor


Feliz Ano Novo, assim, sim! Dizem os mais jovens na Praça dos Três Poderes
Foto: CB



 
jovens de outras nacionalidades, aqui residentes e confiantes
 no futuro das relações internacionais
 Foto: autor



Amigos vindos da Flórida, Clyde Fraisse, professor da University of Florida – Gainesville,
 Simone e Fernando. Festa brasileira para brasileiros saudosos visitando
a Pátria depois de muito tempo ausentes.

Foto: Simone Fraisse


Terminou a festa cívica, hora de ir-se embora
Foto: autor


... de volta ao metrô. Fim de festa... Valeu!
Foto: autor



A transmissão de cargo no Ministério da Educação:


Dia seguinte, transmissão de cargo no MEC, minha casa de trabalho por mais de 30 anos
Foto: autor


Relembrando os 33 anos trabalhados em tempo integral no Ministério da Educação.
Foram 17 ministros: Ney Braga, Euro Brandão, Eduardo Portela, Rubem Ludwig,
 Esther Ferraz, Marco Maciel, Jorge Bornhausen, Hugo Napoleão, Carlos Santana,
 Carlos Chiarelli, José Goldenberg, Eraldo Tinoco. Murilo Hingel,Paulo Renato,
Cristovam Buarque, Tarso Genro e Fernando Haddad.
Foto: autor


Cumprimentando o novo Ministro da Educação,  Ricardo Vélez Rodríguez,
pelas firmes posições em consonância com as novas diretrizes do
Presidente da República.
Foto: autor


Uma das metas educacionais do novo presidente e repetida em discurso de posse pelo
 novo Ministro da Educação, Ricardo Rodríguez: retirar o lixo marxista
Foto: CB


...e ainda pudemos relembrar dos tempos em que trabalhamos com projetos
de educação superior entre o do MEC e Colômbia, seu país de nascimento
Foto: autor



O Ministro da Educação e seus Secretários, após a posse
Foto: autor


O ex- ministro Rossiele, que deixou o cargo e declarou ter tido
 dificuldades devidas às  “discussões outras que
 o obrigaram a deixar de olhar o essencial”
Foto: autor