quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Dia da Árvore, a recuperação do Meio Ambiente e o Papel do Engenheiro Agrônomo

 

 
Sejamos gratos ao Solo, pois ele nos alimenta na vida
 e nos acolhe na morte 

(autor desconhecido)

Seja ele, o Solo...,

roxo ou vermelho que produz alimento,

                                o amarelo da bauxita (alumínio), ou

                                           o marrom e azul dos minérios de ferro e manganês.

 

..... Mas, é dele também..., do Solo,

 que brota a Água que sacia a sede e faz fluir o Sangue em nossas veias  

          ... e a Seiva das Árvores que nos dão sombra e madeira.

Pergunta-se:

            Existe profissão mais bela e sublime que aquela que cuida do Solo?



Introdução

 

            Nesta data em que se celebra o Dia da Árvore, queremos lembrar também da importância do Solo. O Solo é a mãe da Natureza. É nele que germina e brota a semente que produz a árvore. Árvore que dá vida aos animais, alimentando-os com seus frutos e a água que brota de seu chão. Sejamos, pois, gratos a ele, tal qual nos convida a frase que abre esse artigo. E para comemorar tão importante data, o CREA-DF, o IBRAM e à Associação dos Engenheiros Agrônomos do DF, promoveram, nesta memorável data de 21 de Setembro, o Seminário: Gestão de Unidades de Conservação do Distrito Federal. Neste evento, coube-nos a honra de proferir palestra abordando o tema: “O Papel do Engenheiro Agrônomo na Recuperação de Áreas Degradas em Unidades de Conservação”.

            Unidades de Conservação são áreas territoriais naturais passíveis de proteção com fins de conservação da natureza com características relevantes, incluindo o solo, vegetação, nascentes, fauna e flora. O Cerrado, ou savana, é por exemplo, um bioma de grande importância em nosso país e nele estão inclusas várias Unidades de Conservação. Em 11 de Setembro comemoramos o Dia Nacional do Cerrado. A data foi instituída em 2003 para lembrar a importância do segundo maior bioma nacional, com cerca de 2 milhões de km². Nele estão inseridos três Aquíferos, o Bambuí, Urucuia e Guarani, o maior deles, que dão origem a oito das doze maiores bacias hidrográficas que formam a Bacia do Prata. O nosso cerrado é conhecido como berço das águas. Mas, ainda assim carece de políticas de Estado que assegurem sua proteção. Faltam regramentos para ocupação e uso racional. Pior, ainda, em pleno século XXI, vemos projetos de leis que pretendem reduzir em 40% a área da Floresta Nacional-Flona, aqui no Distrito Federal. Um crime defendido por agentes imobiliários e conivência política de agentes públicos que sempre fizeram vistas grossas às invasões ilegais nas áreas de conservação. Este é apenas um exemplo de incúria dos agentes políticos que ignoram, ao máximo, a importância de nossos biomas e o valor que eles representam para a conservação dos recursos hídricos, flora e fauna.  Por outro lado, a má utilização do solo do cerrado, com baixa produtividade agrícola, vem fazendo com que muitas dessas áreas sejam abandonadas depois de desmatada. Por conta de sua baixa capacidade regenerativa acabam se transformando em área degradadas. É nesse instante que precisamos do Engenheiro Agrônomo, profissional treinado para lidar com a engenharia do “Agro”. Somente este profissional está plenamente qualificado para lidar racionalmente e com tecnologias apropriadas à exploração do solo, água e planta, com inteligência e técnica, de modo a garantir produtividade, a conservação e a regeneração de áreas degradadas. Segundo estudos da UFG, a baixa produtividade do solo maltratado acaba estimulando o produtor rural a abandonar aquele trecho, tornando-o área degradada que somente será recuperada com a intervenção do profissional engenheiro agrônomo.

            A recuperação de áreas degradadas, dizem os especialistas, seria suficiente para a expansão da produção e evitar-se-iam novas áreas de desmatamentos do cerrado. Por outro lado, trechos que não teriam aptidão agrícola poderiam servir para a regeneração do cerrado que hoje só conta com 53% de sua área original ainda não devastada ou sendo usada para a exploração agrícola. Recuperar áreas degradadas não é simplesmente plantar árvores, construir diques ou tratar águas residuárias. É muito mais que isso e sua gênese está em seu principal elemento de apoio, o Solo que é a célula-mater de todo o trabalho de recuperação de áreas degradadas. Por isso merece destaque na Gestão das Unidades de Conservação ou de qualquer empreendimento na natureza, seja ele o agronegócio, o paisagismo de parques e jardins ou nas intervenções urbanas...

“... O solo é a alma-mater na conservação da Natureza e tem o principal papel na recuperação de áreas degradadas... Dele provem a fertilidade que faz crescer a vegetação que abriga a fauna, produz alimentos e a água que bebemos e ainda produz a madeira que nos abriga e aquece o corpo...”

            Poderíamos, então, afirmar que o primeiro passo na recuperação de áreas degradadas seria a Recuperação do Solo. Portanto, é preciso, antes de qualquer intervenção na natureza, seja na agricultura ou na recuperação ou manutenção de Áreas de Conservação, que se procedam estudos de geomorfologia, pedologia e fertilidade de modo a se determinara as classes de aptidões do solo, e com base na fisiologia vegetal proceder as alternativas de intervenção, começando pela recuperação da fertilidade,  indicações de espécies de vegetação adequadas à topografia, hidrologia, climatologia/meteorologia e vários outros fatores que devem ser considerados no planejamento de uma área de produção ou de regeneração e recuperação mais especializada. A integração com outras profissões é desejável, mas, a responsabilidade técnica desse serviço de engenharia de recuperação de áreas degradadas é exclusiva do Engenheiro Agrônomo, conforme perfil profissiográfico da graduação que se verá mais à frente. O avanço do desmatamento e a visível degradação de áreas do cerrado e de outros biomas, poderão afetar profundamente a economia agrícola e a qualidade de vida na região e até mesmo em outras localidades por onde passam os rios que nela nascem e são afluentes de bacias como a do Araguaia/Tocantins, do Rio São Francisco e a do Rio Paraná.

 

Recuperação de áreas degradadas e o Perfil Profissiográfico

            O termo “Agronomia” se refere à Ciência Agrária, reunindo conhecimentos, técnicas e procedimentos práticos que conduzem o exercício da agricultura. Nela estão inseridos os conhecimentos de ciências exatas, naturais (ambiental), sociais e econômicas. O profissional da área tem o título de Engenheiro Agrônomo, apto a atuar nos campos das ciências naturais, como a botânica e a zootecnia e outras áreas, como a engenharia, a economia e administração, de modo a garantir ou aumentar a qualidade e eficiência, sustentabilidade dos processos de produção agrícola e pecuária.

Para a atuação do Engenheiro Agrônomo na área específica da Recuperação de Áreas Degradadas em Unidades de Conservação, estão previstas atribuições nos dispositivos legais do Sistema CONFEA/CREA e para tanto, os Projetos Pedagógicos dos Cursos oficiais e registrados no CREA-DF preveem  a qualificação do futuro profissional em atividades  de vistorias, perícias, avaliações, arbitramentos, laudos e pareceres técnicos, com condutas, atitudes e responsabilidade técnica e social, respeitando a fauna e a flora e promovendo a conservação e/ou recuperação da qualidade do solo, do ar e da água, com uso de tecnologias integradas e sustentáveis do ambiente. A UnB, por exemplo garante a ministração de conteúdos no curso de Agronomia capazes de qualificar e habilitar os egressos com “conhecimentos através de técnicas, conceitos, ideias e compreensões, em torno de um objeto de estudo: a produção de alimentos e matérias primas a partir de recursos naturais, tais como o solo, a água, as plantas e os animais domésticos” com sustentabilidade ambiental

Continua, ainda o PPC/UNB:

“Mais recentemente, na base epistemológica da Agronomia e das Ciências Agrárias, as ideias e conceitos derivados da ecologia e das ciências ambientais têm ocupado um lugar de grande destaque, fazendo com que o enfoque holístico do agroecossistema como objeto de estudo venha apontando na direção de novos paradigmas de produção agropecuária em bases sustentáveis, desempenhando um papel cada vez mais decisivo nos processos/sistemas de produção no interior dos empreendimentos rurais.

A missão do profissional de Agronomia na atualidade apresenta um novo e apaixonante desafio, na medida em que a otimização dos sistemas de produção agropecuários tem que levar em consideração que a integração de princípios ecológicos e limites físicos no formalismo dos modelos da economia compreende muitas dificuldades suscitadas pela necessidade de abordagens multidisciplinares, transdisciplinares, holísticas e sistêmicas.

 

Por outro lado, o novo paradigma tecnológico-econômico, em um cenário de economia globalizada, vem sinalizando para padrões de competitividade em que a agregação de valor aos produtos agropecuários remete para “fora das porteiras” das unidades de produção rural não só a maior parte da geração da renda, deslocando os centros de decisão dos empreendimentos rurais, como também criando novos espaços de atuação dos profissionais de Agronomia, centrados na utilização intensiva de tecnologias de processos e produtos e, principalmente, da tecnologia da informação aplicada à gestão dos agronegócios. O ritmo da expansão do agronegócio brasileiro e sua crescente complexidade, decorrente de um relacionamento cada vez mais estreito com o setor industrial e o setor de serviços, não têm sido acompanhados pela oferta de profissionais qualificados para atender às novas demandas bem como manter a sua competitividade. Hoje, o mercado requer profissionais versáteis, multidisciplinares e com outras habilidades...”.

 

Nesse contexto, os mercados globais, como UEE, estão se alinhando no sentido de se alijar da pauta de suas importações, os produtos agropecuários que não atendam aos princípios de defesa ambiental, com produção sustentável. Assim, a produção no bioma do cerrado brasileiro, que já se apresenta com áreas de baixa produtividade e em alguns casos com áreas já degradadas, corre sérios riscos de ter seus produtos recusados, especialmente a soja e outros grãos. Então, fica óbvio que o papel e a presença do Engenheiro Agrônomo nas atividades de planejamento e execução de projetos de produção agropecuária SÃO IMPRESCINDÍVEIS, sobretudo na Recuperação de Áreas Degradadas em Unidades de Conservação. Somente ele, o Engenheiro Agrônomo está plenamente qualificado na graduação para planejar e explorar o Agro com visão holística, integrada, sistêmica, considerando todos os ramos da ciência, interligados em multi e interdisciplinaridade sistêmica, que somente os cursos de agronomia detêm. O Engenheiro Agrônomo, com seus múltiplos conhecimentos integrados, pode reverter situações em Áreas Degradadas, tornando seus solos mais férteis e assim aumentando a Produtividade do Cerrado, Sem a Necessidade de se Devastar novas áreas florestais ou nativas da savana.  Isto não quer dizer, no entanto, que ele não possa se valer da colaboração de outros profissionais, sejam eles das áreas biológicas ou das engenharias e tampouco que outros engenheiros não possam vir a se especializar nesse campo e requerer atribuições complementares, conforme é facultado na Resolução 1073/16-CONFEA.

 

 A UNB, por exemplo, tem o seu PPC-Agronomia aprovado pelo CREA-DF e nele são destacados:

 

- objetivos do curso de agronomia

 

“O curso de Agronomia tem como objetivo geral formar Engenheiros Agrônomos com capacidade técnico-científica e responsabilidade social, apto a promover, orientar e administrar a utilização e otimização dos diversos fatores que compõem os sistemas de produção agrícola e pecuário, transformação e comercialização, em consonância com os preceitos de proteção ambiental, além de planejar, pesquisar e aplicar técnicas, métodos e processos adequados à solução de problemas e à promoção do desenvolvimento sustentável”.

 

Não poderia haver melhor definição, que essa da UNB, acima transcrita de se projeto pedagógico para formação do Engenheiro Agrônomo para caracterizar o conteúdo da formação do Engenheiro Agrônomo, como o profissional ÚNICO, habilitado desde a graduação para planejar o Agros como um todo e não apenas partes. Ora, Recuperação de Áreas Degradadas em Unidades de Conservação é atividade agrícola complexa de grande e importante interdisciplinaridade. Há que se planejar o todo do empreendimento agrícola de modo a conservar, preservar e promover a sustentabilidade da produção no campo. É ali, com sua visão macro, que ele fará o uso dos conhecimentos e técnicas para a produção sustentável, nela incluídas a conservação do solo, água, planta, o bioma que também contempla a fauna.

 

A atividade de Recuperação de Áreas Degradadas não se resume a plantar árvores. É uma atividade de Engenharia Agronômica, complexa de grande interdisciplinaridade científica.

 

Os objetivos específicos do curso de Agronomia da UNB abrangem a formação de profissionais que possam, dentre várias atividades:

 

• Planejar e dirigir serviços relativos à engenharia rural, abrangendo, dentre    

    outros -

            ......  irrigação e drenagem

..... projetos que visem à implantação de métodos e práticas agrícolas com a         

     finalidade de explorar de modo sustentável os sistemas de produção vegetal,    

     abordando aspectos de... práticas culturais, experimentação, ecologia e      

     climatologia agrícolas;

• Planejar, coordenar e executar programas para o manejo e controle de pragas    

   (fitopatógenos, artrópodes-praga e plantas espontâneas) prejudiciais à   

    produção vegetal;

• Planejar, coordenar e executar programas referentes à ciência do solo, nas áreas de     

 

    gênese, morfologia, classificação, fertilidade, biologia, microbiologia, uso, manejo e      

    conservação;

 • Planejar, orientar, executar e supervisionar a implantação, produção e manejo de  

   Espécies florestais, nativas, exóticas, estabelecimento de viveiros florestais;

• Planejar, coordenar e executar projetos e ações de caráter socioeconômico, bem    

   como desenvolver a consciência e a responsabilidade social, utilizando-se dos    

   conhecimentos da sociologia, comunicação, política, economia, administração,    

   comercialização, legislação e educação, a fim de promover a organização e o bem-  

   estar da população;

• Planejar e desenvolver atividades de gestão ambiental relacionadas aos recursos      

  naturais renováveis e não renováveis;

• Gerar e difundir conhecimentos, métodos e técnicas de produção e administração,    

  envolvendo o ensino, a pesquisa e a extensão na área da agronomia;

• Atuar no âmbito da agricultura familiar buscando a sustentabilidade, com ênfase no   

  enfoque agroecológico e na proteção ambiental.

 

O curso de Agronomia estabelece ações pedagógicas com base no desenvolvimento de  

condutas e atitudes com responsabilidade técnica e social, tendo como princípios:

Respeito à fauna e à flora, com consciência de sua responsabilidade na       

  sustentabilidade do ambiente;

• Conservação e/ou recuperação da qualidade do solo, do ar e da água,

   a partir da compreensão dos processos agroecológico, agropecuário

   e agroindustrial para diagnosticar problemas e propor soluções dentro

   da realidade socioeconômica;

Uso tecnológico racional, integrado e sustentável do ambiente, com  

   capacidade de análise crítica e visão holística dos processos;

• Emprego de raciocínio reflexivo, crítico e criativo, com espírito empreendedor, senso    

  ético e capacidade de trabalhar em equipe;

• Atendimento às expectativas humanas e sociais no exercício de atividades       

  profissionais, a partir da compreensão da realidade    histórica, política e social, sendo   

 capaz de atuar como agente de modificação.

 

O currículo do curso de Agronomia dará condições a seus egressos de adquirirem competências e habilidades com o propósito de, dentre outras:

 -  realizar vistorias, perícias, avaliações, arbitramentos, laudos e pareceres técnicos, com condutas, atitudes e responsabilidade técnica e social, respeitando a fauna e a flora e promovendo a conservação e/ou recuperação da qualidade do solo, do ar e da água, com uso de tecnologias integradas e    sustentáveis do ambiente...

 

Conclusão

Assim é o perfil profissional do egresso do Curso de Agronomia. Eclético, abrangente, multi, inter e transdisciplinar, envolvendo conhecimentos necessários para o exercício pleno da atividade em tela: Recuperação de Áreas Degradadas.  Tal currículo, detalhado, foi aprovado pelo CREA-DF, tornando o Engenheiro Agrônomo o único profissional com plenos conhecimentos na graduação para o planejamento do Agro, nele incluso a recuperação de áreas degradadas que, aliás, não se restringe apenas ao plantio de árvores estejam elas em áreas particulares ou em Unidades de Conservação. Assim posto, torna-se desnecessário abordar os itens das atribuições profissionais aprovados pelo CREA, pois a Resolução 1.073/16, de 22 de abril de 2016, que regulamenta a atribuição de títulos, atividades, competências e campos de atuação profissionais, é bastante clara e suficiente. Cabe, portanto, ao CREA fiscalizar o exercício da profissão no âmbito da Engenharia e da Agronomia, a começar pela verificação dos currículos dos cursos (PPC) das Instituições de Ensino aprovados pelo MEC.

Equipe multi e interdisciplinar na Gestão de Unidades de Conservação? Sim, evidente. Poderão e deveriam participar especialistas em gestão pública, administradores, economistas, sociólogos, geógrafos, meteorologista, engenheiros de todas as modalidades e até mesmo engenheiros aeronáuticos, com projetos de drones especiais para monitoramento, semeadura aérea para cobertura vegetal em áreas de difícil acesso e outros fins.  Quaisquer outros engenheiros também poderão exercer atividades de Recuperação de Áreas Degradadas, desde que cumpram o disposto na Resolução 1.073 que contempla essa possibilidade a qualquer profissional da Engenharia e da Agronomia, que cursar conteúdos complementares, especializados ou não, em cursos REGULARES aprovados pelo MEC e registrados no CREA. Isto lhe dará direito à extensão de atribuições. Mas, nenhum outro profissional desempenharia o papel do Engenheiro Agrônomo que tem competência legal e qualificação desde o primeiro ano do curso de graduação para lidar com o Agros, o Solo, Água, Planta, a vida vegetal e animal que se valem da Mãe-Natureza. Protegê-la é a nossa obrigação, nosso compromisso social com o Meio Ambiente, a Vida, nos exatos termos do artigo 1º da Lei 5.194/66 que regula o exercício de nossa profissão: Engenheiro Agrônomo!

 

Brasília, 21 de setembro de 2022

 

Eng. Agr., Prof. Paulo Roberto da Silva

            telezap – 61- 98122 1523

           e-mail.  paulosilvadf@gmail.com



 

Seminário Gestão de Unidades de Conservação

21 de setembro de 2022


Também participamos do Encontro de Coordenadores de Cursos de Agronomia, de todo o país, reunidos na Mútua de Engenharia e Agronomia.

21 e 22 de setembro de 2022

 





 

 



segunda-feira, 8 de agosto de 2022

7 de Setembro: roubaram minha bandeira nacional, dois casamentos e outras histórias

 

 França, Estados Unidos e Brasil- símbolos Nacionais


Desci a pequena escadaria da igreja, caminhei até a porta do bonito carro da noiva, que estava radiante em seu belo vestido branco e segurando um buquê de flores. Seu largo sorriso de felicidade encantou ainda mais seu pai. Era a tarde do dia 09 de setembro, há vinte e poucos mais anos, logo após a nossa querida e memorável festa da Independência. O casamento da filha, ocorreu pontualmente às 21h, conforme o rígido protocolo militar, era motivo de alegria para a família naquela tarde de estiada de chuva temporã. Por ser uma oficial do Exército Brasileiro, a noiva tinha direito às honras militares de praxe, incluindo o chamado “teto de aço”. Ali fora já estava um pelotão de oficiais do Exército, com as companheiras de trabalho no Quartel General do Exército - QGEx. As garbososas oficiais, em trajes de gala, estavam prontos para perfilarem em honra à noiva que se casaria com militar que também servira naquela unidade militar. Cidadão civil, fiquei curioso para ver e participar da cerimônia de casamento ao estilo militar. Curioso porque pouco conhecia sobre os costumes militares à exceção dos desfiles de 7 de Setembro, pois sequer tinha prestado o serviço militar obrigatório aos 18 anos, devido à deficiência acidental e total da visão de um dos olhos que, por ironia, era exatamente aquele que deveria visar a mira do fuzil do soldado do Tiro de Guerra. Era assim que chamávamos o serviço militar obrigatório, Tiro de Guerra! Portanto, nem mesmo a convivência com a práxis da caserna eu tivera e, talvez por isso mesmo, bateu-me aquela curiosidade sobre como seria tal cerimonia cívico-militar.

Tudo que lembrava do serviço militar era a provocação que fazíamos a um professor, muito sério, rígido e coerente com sua origem natal. Era o padre alemão Luiz Tings, que mal falava o português e lecionava inglês no colégio. Ao fazer a chamada de presença dos alunos na primeira aula do dia, às 07:00 horas, sempre dava uma pausa naqueles nomes em que não havia a célebre e automática resposta: “presente!”. Levantava o senho, encarava a turma como a procurar o aluno que não respondera à chamada de presença. Antes, porém, de levantar a cabeça para perscrutar o ambiente da classe, os meninos respondiam em coro: Tiro...! Queríamos apenas ajudá-lo, informado que o colega estava no cumprimento do dever cívico do serviço militar e tinha direito a chegar  com meia hora de atraso, pois a instrução do TG-0264, terminava às sete horas e não raras vezes tinham que se trocar, pois os Sargentos Paulo, Valmor e  Gonçalves (mais tarde meu colega de magistério na UFLA e sempre  me visitava no MEC, pois era um dos executivos da universidade que frequentavam Brasília)  não davam moleza e até os faziam rastejar na lama do córrego vizinho. Tinham que se banhar e trocar de roupa, daí, a sábia tolerância para entrarem em sala de aula a qualquer momento. Gostávamos de vê-los chegar com a farda militar e respeitosamente retirando o quepe para entrar na sala de aula. Mas, a farra maior era mesmo nas aulas do padre Luiz, o alemão sério que quase nunca sorria. A cada aluno faltoso a turma repetia o refrão e, invariavelmente, lá pelo terceiro ou quarto ausente, batíamos o pé no assoalho com bastante força, imitando uma marcha militar ou aqueles comandos de ordem unida tão comuns nas tropas militares, “sentido..., descansar arma!”, com aquele barulho característico de dezenas de coronhas dos fuzis repicando no granito do paralelepípedo do pátio ou da rua. E para melhor imitar a cena militar, ou até mesmo para provocar o padre professor, gritávamos rapidamente o refrão “tiro...!” e pá...pá com os pés no assoalho de madeira. Ora, a sincronia do movimento de bate-pés não era perfeita e então se prolongava um pouco na sequência, aumentando efeito sonoro naquele ambiente fechado, em verdadeira cascata de som ampliado, estremecendo até mesmo o teto do piso inferior, onde havia outras salas de aula. Some-se à essa intensa vibração física pedalar, o grito já em volume bem mais alto da palavra de ordem ... “Tiro!” e pode-se imaginar a repercussão louca na cabeça do rígido professor alemão. Ruborizado, seus olhos azuis pareciam saltar pelas lentes dos óculos. Ameaçava expulsar da sala de aula alguns dos flagrados, mas não adiantava e a farra continuou até o dia em que chamou o diretor e este impôs a disciplina germânica, pois era também outro alemão de forte sotaque, o padre Érico Alher. Ninguém queria ser expulso ou ter os pais chamados ao colégio. Corria-se o risco de, efetivamente, ser expulso como aconteceu com meu irmão que levou um tapão do diretor, ao estilo “telefone” e revidou com um soco na barriga do padre. Não teve perdão, foi expulso no mesmo dia.

Bem, depois desse longo preâmbulo passo a falar da bandeira que metaforicamente me roubaram no 7 de Setembro. A linda cerimônia do “teto de aço” ao final do casamento da filha, quando desfilava com o noivo à saída da igreja lindamente decorada e ainda aquele pelotão feminino em seus belos uniformes de gala do Exército Brasileiro, calou fundo no coração do pai. À voz de comando do oficial comandante, colega de turma da noiva, o pelotão empunhou as espadas e cruzando-as ao alto, formou-se um corredor, um túnel conhecido por “teto de aço”, com as pontas das espadas se tocando e tintilando umas nas outras, variando a cadência a cada voz de comando. Neste momento e ainda sob o comando do oficial, os noivos desfilam pelo túnel de teto de aço. Quando o casal estava bem ao meio da caminhada, o mestre de cerimônia, posicionado lá trás, no início da formação do túnel, gritou o nome da noiva e ela, surpresa parou, virou-se para trás e então pipocaram flashes de luzes e as espadas se tocando ao alto tintilaram mais intensamente. Foi emocionante acompanhar esse ritual e só então, após o reinício da caminhada dos noivos, foi permitido que os pais e padrinhos os acompanhassem. Linda cerimônia, sob melodiosos acordes especialmente preparados pela orquestra militar.

Mas e a bandeira que dá título à crônica? Ao olhar para cima durante a passagem no túnel do teto de aço no casamento da filha e combinando as cores do templo, da decoração com variegados arranjos florais, tive a impressão de que estava andando pelas ruas embandeiradas de Wall Street. Quando a trabalho em Nova York gostava de ver aquelas ruas do coração financeiro da cidade cosmopolita carregada de grande, diria até mesmo exagerada, quantidade de bandeiras dos Estados Unidos. Eram dispostas nas fachadas dos prédios, um pouco acima dos pórticos das portas, em mastros inclinados cerca de 60 graus em relação à parede. Contemplá-las era como ver aquele corredor do teto de aço da cerimônia militar que ali presenciei pela primeira vez. Achava linda aquela avenida do centro financeiro de Nova York e ficava a imaginar por que não temos esse costume de se hastear a Bandeira Nacional na fachada dos prédios aqui no Brasil? Ainda hoje, mesmo na capital federal, não há o hábito de se expor a nossa bandeira nacional. Em toda a cidade apenas uma única bandeia fica hasteada permanentemente na fachada de um prédio na Avenida W3 Norte, afora lógico os prédios públicos que têm obrigação legal de manter hasteado o pavilhão nacional.

Portar ou exibir a Bandeira Nacional em nosso país só mesmo em duas ocasiões, dia de jogo da seleção de futebol ou no 7 de Setembro. Não me esqueço nunca da primeira Copa do Mundo, de futebol, ouvida pelo rádio em 1958, quando estudava, interno, no Seminário de Itaúna. Ouviu? Sim, naquele ano ainda não havia transmissões pela TV, que estava engatinhando no Brasil. Mas, precisamos mudar esse costume, ampliar o uso da bandeira nacional. Gosto de ver e contemplar a bandeira nacional e quantas e quantas vezes passei em frente às embaixadas brasileiras na Avenida Pensilvânia, em Washington ou na Champs Elisées em Paris quando lá servia nosso país, simplesmente para ver, contemplar o auriverde pendão de nossa pátria tremular ao vento. E a sensação de ver nos aeroportos um avião da Varig com a bandeirinha brasileira na sua fuselagem ou então uma verdadeira bandeira tremulando no mastro de um navio que zarpa do porto de Nova York..., ah era para chorar mesmo, de saudade da pátria, da infância na escola, que nos reunia para cantar o hino nacional, perfilados diante da bandeira e também nos levava a desfilara no 7 de Setembro. Sabedor do culto à bandeira, mais nos Estados Unidos que na França, sempre recebia consultores norte-americanos e franceses, por força dos convênios que administrava no Ministério as Educação, os levava para um almoço típico brasileiro em minha chácara e lá hasteava as duas bandeiras, a do país do hóspede e a do Brasil, lado a lado. Às vezes até três bandeiras, juntando-se ainda aquela outra, branquinha com um triângulo no centro com os dizeres “Libertas quae sera tamen”. Ah, que saudades das terras mineiras onde nasci... Mas, por falar em saudades, de tanto ver as centenas de bandeiras vermelhas e azuis estreladas e ouvir o hino nacional dos americanos, The Star Spangled Banner, acabei por aprender o hino daquele país, emocionando-me com a sua letra que lembra o clarão vermelho dos foguetes e bombas estourando no ar e iluminando a bandeira estrelada que ainda tremulava, para orgulho de seus bravos soldados que lutavam por um país livre, o lar dos valentes. E assim, ouvindo aquele belo hino da nação americana, cantado em todas as solenidades, batia uma saudade doída na alma do menino que cantava as belezas de nosso país, a Pátria amada idolatrada das solenidades de hasteamento da bandeira e cantando o Hino Nacional no pátio do colégio. Por isso e para atenuar o banzo, levei algumas bandeirolas verde-e-amarelas para os States e presenteava os brasileiros que lá residiam, principalmente os 250 professores que cursavam pós-graduação sob nossa supervisão e muito dos quais visitei em casa ou nas universidades onde desenvoviam seus estudos. Na gaveta mantinha algumas, mas uma, em especial, ocupava lugar de destaque permanente sobre minha escrivaninha do escritório, no Latin American Studies Center, na Universidade de Michigan State. As vezes o banzo atacava forte, mas..., o trabalho estava por fazer. Pior foi o dia em que, passando pelas proximidades do porto de Nova Yok, avistei um navio cargueiro com a bandeira brasileira tremulando em seu mastro. Pedi ao motorista que parasse o carro, saltei, cheguei ao alambrado e fui contemplar aquela cena que evocava a pátria e me imaginava a bordo voltando para casa, pois ali já estava havia bastante tempo, só e sem a família. Em minutos de obsequioso silêncio e meditação sobre a distante pátria, eis que o navio apitou algumas vezes, naquele sonido triste, lúgubre como a despedida de um ente querido. Foi demais, a emoção desabou de vez. A Bandeira mais uma vez presente!

Bandeira? Para que serve a bandeira de um país? A bandeira é a personificação do patriotismo, o símbolo mais importante da nação. Ela representa o amor à pátria e é por isso que nos emocionamos quando diante dela estamos. Quanto mais longe, distante da pátria, mais emocionante é avistá-la. Seus símbolos despertam toda a nossa história, a nossa nacionalidade. E como era difícil ver em terras estrangeiras a bandeira brasileira, numa época que não existia a internet. Só mesmo nas embaixadas ou escritórios da Varig Linhas Aéreas. Por isso sempre carregava uma bandeirinha de papel na mala de viagem. A bandeira nacional representa sim os símbolos de nossa pátria e nos conforta com o sentimento de cidadão. Eduquei os filhos com a bandeira verde-amarela estendida na janela e bandeirolas nas mãos, nas arquibancadas da Esplanada dos Ministérios, saudando o Dia da Pátria. Como será agora nesse próximo 7 de Setembro? Sair pelas ruas carregando uma bandeira, ou simplesmente trajando cores verde-amarelo? Fiquei triste ao ler nos jornais que estão sendo convocadas manifestações políticas com as cores ver-amarelo, para o dia das celebrações da Independência do Brasil. Que pena, 200 anos, o bicentenário e não me sinto à vontade em participar de manifestações político-partidárias.

Roubaram-me a bandeira verde-amarela que tanto admiro, amo e até a levava para o exterior onde passava temporadas a trabalho. Penso que não serei capaz de sair às ruas em meio a aqueles que usurpam o patriotismo que o augusto símbolo da paz encerra em nosso peito. Verdadeira divisão fratricida, patrocinada por políticos que não alcançam o significado patriótico de amor à Pátria, por todos os brasileiros sem distinção de cores políticas, raça ou religião. Patriotismo não se mistura com ideologias políticas que são efêmeras e na maioria das vezes são apenas engodos à caça de votos. Por que não separamos política e patriotismo? Gostaria de celebrar o nosso bicentenário da Independência com o mesmo garbo que os amigos americanos celebraram em 04 de julho de1976. Recebi deles um mimo, a alegoria ao “Spirit of 76”. Pena que ainda não estava lá, pois assumi a coordenação internacional de programas do MEC naquela país apenas duas semanas depois daquela memorável data. Da mesma forma, não estive presente, em 14 de julho de 1989 às celebrações dos 200 anos da Revolução Francesa, marco civilizatório do mundo ocidental. Embora à época já prestasse serviços com temporadas naquele país e não podendo comparecer, os amigos franceses, convidaram-me mais tarde para servir de Juiz de Paz e celebrar um casamento civil à francesa, o PACSÉ, portando a faixa oficial bleu, blanc, rouge, as cores da bandeira da França. Mais uma vez as lembranças da bandeira vieram-me à mente e bem distante da Pátria. Ali, em Paris, numa cerimônia oficial, investido de autoridade e portando uma faixa com as cores da bandeira da França, também me lembrei da bandeira do Brasil e até ofereci aos noivos a linda praia de Copacabana ou a beleza natural da Amazônia – paixão dos franceses – como local paradisíaco para a lua de mel. Se não pudessem, então que considerassem o Brasil como opção de possível asilo em caso de acontecer algo inesperado entre o casal...

Mas, reminiscências à parte, saudades que se foram e ainda hoje reavivam o nosso amor às cores da Pátria, vamos esperar com otimismo o nosso 7 de Setembro. Afinal falta ainda um mês para celebrarmos os 200 anos da Independência do Brasil. Tomara que as festividades desse tão importante acontecimento... 200 anos da Independência, não sejam palco, como foram as invasões da Bastilha em 1789 e a invasão do Capitólio nas últimas eleições dos E.U.A., quando inescrupulosos políticos, com base em fake news incentivaram a invasão.  Que venham lindas comemorações do nosso 7 de Setembro e que evoquem o nosso mais belo e puro sentimento de amor à Pátria.

Brasília, 07 agosto de 2022   

 

 Paulo das Lavras


 Esquadrilha da Fumaça, saudando o pavilhão nacional na Praça dos Três Poderes, em Brasília


 Teto de aço - ritual de casamento de militares

 


Investido da autoridade autoproclamada de Maire da charmosa comunidade de Saint Savin sur Guertampes, o Monsieur Dasilva, portando a faixa Bleu, Blanc et Rouge, as cores da bandeira francesa, lê as regras do matrimônio pactuado sob a nova modalidade Pacsé. Por se tratar de contrato de duração limitada, ofereceu à noiva, que é médica em Paris, se necessário, asilo no distante Brasil tropical... Irreverentes e como adoram o Brasil, os franceses caíram na gargalhada... e tomem champagne... 


 
Bandeira americana em todo lugar, até nos gabinetes



 
Os norte-americanos têm verdadeira adoração pelos seus símbolos nacionais. 
Cheguei aos Estados Unidos poucos meses depois da festa do Bicentenário da Independência. 
Lamentei a perda daquele importante evento, mas de tanto falar isto, os gringos do nosso escritório, 
em Michigan, logo me presentearam com esse mimo, que havia sido lançado 
para a grande festa do Bicentenial, de 04 de julho de 1976.

 



Mas, cansado de tantas bandeiras azuis e vermelhas, nostalgicamente passava pela embaixada
 do Brasil em Washington, só para ver a auriverde


 ... e também na de Paris, onde a bandeira verde amarelo se destacava bem ao alto do prédio. 


 Mas, sabe onde mais nos sentíamos em casa? Na chique loja  da Varig no endereço
 mais sofisticado de Paris,  a Avenida Champs Elysées. 
Ali, além da enorme bandeira nacional, o gostoso  cafezinho promovido 
pelo antigo IBC e jornais brasileiros estavam  sempre disponíveis.
 Ah,,, que bálsamo dos tempos em que não existia a internet. 


 Trajando as cores do Brasil ao lado de argentinos e franceses, num jogo entre 
França e Nigéria, na Copa do Mundo disputada em Brasília.
 Entusiasmos patrióticos não faltaram.



 As uruguaias, numa atitude simpática, trajavam camisas do Brasil, mas
 não se esqueceram de sua bandeira nacional


Belíssimo ipê que coloriu o 7 de Setembro em frente à PGR  


 ... veja, ainda, a linda a frase que a Esquadrilha da Fumaça escreveu nos céus da cidade. 
Tive tempo de registrar em foto (dê um zoom)


 Crianças adoram os desfiles militares de 7 de Setembro, principalmente quando 
veem um jeep igual ao nosso, de aventuras na chácara.


 Vovô, você ganhou do Exército aquele Jeep, da chácara? 
Sim foi adquirido de um oficial do Exército, de Minas Gerais...


 

 
Desfilar no Sete de Setembro com os “Pracinhas “da FEB é um orgulho 
Foto do autor - Brasília 2017

 



 






 




 





 








 












sábado, 9 de julho de 2022

09 de Julho – Revolução Paulista, JK e Lavras

 
Juscelino Kubitschek, o primeiro à esquerda, no front da Revolução 
de 1932 à boca do túnel da Mantiqueira 
Foto- Coleção Renato Libeck


Neste dia, 09 de Julho, há exatos 90 anos, explodiu a Revolução de 1932, deflagrada pelos paulistas contra a ditadura de Getúlio Vargas. Os mineiros, governistas lutaram contra os paulistas e as batalhas do túnel da Mantiqueira, no túnel de Passa Quatro/MG para Cruzeiro/ SP ficaram famosas. Ali, esteve um combatente especial, o jovem médico e tenente, Juscelino Kubitscheck de Oliveira., que mais tarde governou Minas e o Brasil.

Lavras participou dessa luta enviando voluntários que se alistaram nas forças governistas. Dois anos mais tarde, em 1934, ganhou a instalação do Batalhão de Caçadores Mineiros (depois 8º Batalhão de Infantaria e hoje Batalhão da Polícia Militar), por ser um local estratégico na distribuição das forças do estado de Minas Gerais.

Logo em seguida, JK ingressou na política, foi prefeito de BH, governador de Minas e presidente da República. Construiu Brasília, onde moro desde 1975

Revolução de 1932, dos paulistas?  Tenho para mim que, além das conquistas sociais, como a nova constituição de 1934, o país ganhou um grande político, JK e minha cidade natal se tornou sede de um dos maiores contingentes da Polícia Militar de Minas, além de ter ganhado a simpatia de Jk que sempre a prestigiou. Sou grato a ele pelo seu descortino, visão de futuro e grande patriota que foi e infelizmente, penou no exílio. Em 2013 tive a oportunidade de promover na cidade de Lavras o lançamento de um livro sobre sua vida.

 

Brasília, 09 de julho de 2022

Paulo das Lavras


 
 Cartaz de convocação para o alistamento na luta da Revolução paulista de 1932 


 Jk, o revolucionário de 1932 e eterno amigo de Lavras, no baile do 
centenário da cidade em 1968, com Silvio Menicucci e Judy Macieira 
Foto- Coleção Renato Libeck


 Lançamento do livro de Jk, com o autor Carlos Murilo Felício dos Santos 
Foto do autor 2013