sexta-feira, 29 de junho de 2018

29 de junho de 1958 – Sessenta anos da primeira Copa de Futebol


sexta-feira, 29 de junho de 2018  (blog Contos das Lavras)


Cap. IX-2 de: Um Seminário na década de 1950 
 (Veja Nota Explicativa ao final, com  a estrutura completa do livro e links dos capítulos já publicados neste blog)

 


Neste dia de hoje, exatamente há 60 anos, o menino estava comemorando, por volta do meio dia, a grande vitória da Seleção Brasileira de Futebol, na Suécia. Era o dia 29 de junho de 1958. Que alegria, ali em meio a 70 meninos, rapazes e os padres holandeses dirigentes do Seminário N.S. de Fátima, em Itaúna- MG. Interessante que o menino nem era muito chegado a futebol. Talvez pelo fraco desempenho nas peladas do bairro e as muitas gozações recebidas nas constantes “furadas” ou dribles do adversário. Desde pequeno era ruim demais na bola. Para participar de peladas era sempre o ultimo a ser escolhido, quando não sobrava. Um poste, na gíria futebolística e não foi diferente quando interno no Seminário. Essa situação, na infância, só melhorou quando ganhou uma bola de capotão (eram assim chamadas as bolas de couro, semelhantes às oficiais. Eram raras e caríssimas naquela década de 1950).  Tornou-se então “o dono do time” e passou a ser o primeiro a ser escalado, por ele próprio, lógico, qualquer que fosse o time. Era praticamente a única bola de capotão existente entre a garotada de toda a região do túnel e da estação Costa Pinto.


Na Estação havia um pátio escavado logo antes do túnel e os meninos o usavam como campo de futebol. Embora pequeno e com um poste de ferro cravado bem ao meio, lembrava um estádio. O barranco rampado, bem alto, contornava duas laterais e servia de arquibancada para aqueles que sobraram na escalação dos times. Sr. Lopes, o agente da estação ferroviária, pai do atleta Alfredão, depois professor da Esal e colega na hoje Universidade Federal de Lavras, embora muito austero e compenetrado na sua tarefa de administrar aquele terminal de passageiros e carga com intenso movimento de locomotivas maria-fumaça, tratava os garotos com cordialidade zelando pela segurança dos meninos desportistas das peladas de futebol. Lembro-me que certa vez fui empurrado para um conflito bastante tenso e ele, o Sr Lopes, acorreu em meu socorro. Mas esta é outra história a ser contada em outra ocasião.


Além dessa “experiência” de infância não houve progressos nos tempos de ginásio e colégio. O treinador Deco bem que pelejava, mas havia outros tantos meninos-craques da bola que sobressaíam. Os “postes” por mais que se esforçassem e usassem boas chuteiras, compradas na Casa Curi, não conseguiam mesmo avanço algum. Apenas uns dez a quinze minutos de treino e ainda assim, na ânsia de mostrar garra, o máximo que o garoto conseguiu foi uma queda e quebrar o braço direito com direito a 40 dias de tipoia, engessado pelo Dr Orlando Haddad, um dos fundadores e beneméritos do antigo Colégio Aparecida, onde estudava o menino. Nos tempos de interno no seminário, em Itaúna, repetiu-se a mesma história... . Escalação? Não mais que vinte minutos e em posições de alfo direito (eram assim chamados os jogadores do meio de campo), perneta sempre guarnecido pelos beques e os atacantes de seu próprio time que eram obrigados a recuar para salvar o desastre. E olha que era o ano da copa do mundo, com Gilmar, Nilton Santos, Didi o folha seca, Pelé, Garrinha, Amarildo, Mazolla, Zagalo e tantos outros que enfiaram um placar de 5 x 2 na poderosa Suécia e trouxeram a Julles Rimet.


Bem, mas estamos novamente em época de copa do mundo e desta vez na Rússia e muito tem se falado sobre os sessenta anos da primeira conquista da taça de campeão, na época chamada Julles Rimet. Posso dizer que fui privilegiado, pois vivi aqueles momentos de passado tão distante, quando ainda despontava o jovem Pelé, de apenas 17 anos e o grande Garrincha, pernas tortas, famoso por seus dribles desconcertantes que deixaram os suecos tontos, desnorteados. Se hoje as transmissões dos jogos se fazem via satélite, com imagens HD e chamadas ao vivo, naquele tempo os jogos eram apenas “irradiados”, transmitidos via rádio, por cabo submarino. Muita “chiadeira” nas transmissões e interferências de toda natureza que prejudicavam a qualidade do som.  O rádio, bem grande, foi colocado numa prateleira improvisada, no alto da escadaria do grande prédio do Seminário. Foi vibração geral, como mostram as fotos do menino, justamente na hora dos gols, aliás, “goal”, como escreveu o padre holandês logo abaixo da foto.


Bons tempos, aquele ano da primeira Copa conquistada pelo Brasil. Depois vieram mais quatro conquistas, tornando a seleção canarinho a única pentacampeã mundial. Tomara que venha o hexa. A primeira batalha já foi vencida, classificando-se para as disputas das oitavas de final.

Brasília, 29 de junho de 2018


Paulo das Lavras


 
O menino sonhador com a copa do mundo, em Itaúna- 1958. O terceiro da
segunda da fila, de baixo para cima, trajando camisa xadrez sob o blazer. Hvaia outro lavrense nesta foto,
Miguel Cesar Pedrotti Massimo, o primeiro à direita, com blazer claro,
Este foi o momoento do primeiro gol da Seleção Canarinho, transmitido pelo rádio, via cabo submarino.



Gol da vitória de 5 x 2 sobre a Suécia, ou “goal” como escreveu o padre holandês.
O menino é o primeiro, de costas, à esquerda


Garrincha em jogo contra a Olimpica de Lavras, em 1957.
Um ex-jogador desse time, colega de magistério, contou-me que o
Garrincha passou a frequentar Lavras depois desse jogo, pois arranjou uma namorada por lá.
Foto: arquivos de Renato Libeck



Pelé, deixando tontos os zagueirões da Suécia – 1958
Foto: internet




Seleção campeã de 1958, na Suécia


O Seminário de Itaúna- 1958




O menino das Lavras, na fileira do alto, é o  terceiro da direita para a esquerda.
Seminaristas que cursavam o 2ª ginasial, em 1958.  O 2º garoto, da direita para a esquerda, também na mesma fila, o   é Pedro Júlio de Souza, o terceiro lavrense naquele Seminário, também lavrense.




A mesma escadaria onde ouvimos o jogo final de 1958, entre Brasil e Suécia
Foto do autor -  2013, 55 anos depois.




Na Copa de 2014 os netinhos sonhando com a Seleção Brasileira
e compondo o álbum de figurinhas. Sonhos que se repetem.




Nota Explicativa: 

Esta crônica é parte do livro: “Um Seminário na década de 1950”.  A obra compreende os capítulos de I a IX  e aqueles já publicadas neste blog estão com os links indicados abaixo, conforme a estrutura editorial: 

 

Título geral: Um Seminário na década de 1950

              Cap. I-   Uma viagem ao passado –publicadohttp://contosdaslavras.blogspot.com.br/2016/07/um-seminario-na-decada-de-1950-parte-i.html 

II- O despertar da vocação no menino

III- a viagem para o distante Seminário http://contosdaslavras.blogspot.com/2020/07/a-viagem-para-o-distante-seminario.html

IV- A vida no Seminário

4.1- a rotina diária de um internato

4.2- os seminaristas

4.3- os estudos do colégio 

4.4- A religiosidade               

4.5- o lazer e cultura

  4.6- Eventos marcantes

         4.6.1 - Fundições e Tecelagem Itaunense 

         4.6.2- Morro do Bonfim- a capela

        4.6.3- Copa do Mundo de 1958

         4.6.4- A morte chega ao Seminário  - já publicada:   http://contosdaslavras.blogspot.com/2017/07/a-morte-chega-ao-seminario.html

V – A viagem de volta - O fim

VI- O reencontro – 55 anos depois

VII- O legado 

VIII- Anexos: Curiosidades de 1958

IX- Pos-Scriptum:

 1- Brasília: O reencontro do seminarista foragido na Basílica Metropolitana - http://contosdaslavras.blogspot.com/2015/06/reencontro-do-seminarista-foragido.html   

     2-  29 de junho de 1958 – Sessenta anos da primeira Copa de Futebol - http://contosdaslavras.blogspot.com/2018/06/    

 



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sábado, 12 de maio de 2018

Dia das Mães – uma Mãe especial, de 97 anos


           Hoje, 13 de maio de 2018, comemora-se o Dia das Mães. Todos nós gostamos desse dia. Como é bom homenagear as mães. Mesmo para aqueles que não podem mais desfrutar de sua presença, sua lembrança permanente na alma nos toca fundo. E ver, nas redes sociais, a mensagens de amor dos amigos às suas mães queridas nos sensibiliza mais ainda. Como é bom o Dia das Mães. Doces recordações e mais felizes, ainda, aqueles que têm o privilégio de homenageá-las em vida.


            E hoje faço uma homenagem especial a uma Mãe de 97 anos de idade, natural de Perdões e que vive a vida intensamente, desde aquele 24 de março de 1921. Sim, 1921, ano em que nasceu! Casou-se em 1943, tem 10 (dez) filhos e em 2017 já contava com 21 netos e 12 bisnetos, Foi professora no Instituto Dom Bosco e do Grupo Escolar Otaviano Alvarenga até 1970. Além disso, exerceu diversas funções sociais na comunidade de sua cidade. Ainda hoje escreve crônicas, textos, artigos, poesias, narrações de ontem e hoje para o jornal local e lançou seu livro autobiográfico em 2016: “As veredas de Alba nos barcos da vida”.


            Minhas homenagens de hoje vão para essa Mãe de 97 anos, professora, cronista, escritora e membro atuante na igreja, sempre à frente de obras sociais, Dona Alba de Rezende Bastos. Não a conheci antes e, no ano passado, ganhei de seu filho, Afonso, um exemplar de seu livro e me deliciei com a leitura. Narra sua rica vida profissional, familiar e social na comunidade onde nasceu e sempre viveu, ausentando-se apenas nos períodos de estudos para sua formação profissional. Vale a pena conhecer essa lição de vida e vitalidade. Basta dizer que escolheu como epígrafe para seu livro, a frase do poeta Fernando Pessoa: “Tenho em mim todos os sonhos do mundo”.


            A menos de 20 dias fui surpreendido por minha sobrinha, Jane Lima Reis, que a encontrou após uma missa. Amigas, a sobrinha lembrou-se de dizer-lhe que este menino foi colega de seu filho na velha Esal. Foi o bastante para ela declinar meu nome completo e declarar que era minha amiga no aqui nesta rede social.  E mais, acreditem depois da foto de ambas ela pediu uma foto, sozinha e disse que era um beijo para este amigo. Recebi a foto e fiquei enlevado pelo carinho de mãe. Uma mãe de 97 anos de idade e em plena atividade de escritora, jornalista e de obras sociais.


            Tenho certeza que o carinho que recebi de Dona Alba, ou simplesmente Dona Iaiá, da cidade de Perdões, é mesmo o carinho, o afeto de mãe que ela sempre dedicou e dedica aos filhos, familiares e milhares de ex-alunos. A senhora me fez sentir como filho e por isso, rendo-lhe as minhas homenagens neste Dia das Mães.

            Receba meu abraço, invocando as bênçãos de Deus, para que continue distribuindo amor e esbanjando felicidade, sempre! Igualmente, meu abraço a todas as mães, neste seu Dia especial.


Brasília, 13 de maio de 2018

Paulo das Lavras



Dona Alba: “esse beijo é para o meu amigo Paulo Roberto, de Brasília”,
Recomendação expressa, ao sair da missa, em Perdões, em 22/04/2018
Quanta honra, receber o carinho de uma amorosa mãe, de 97 anos.


Dona Alba e Jane Reis. “Sim, faço a foto, mas depois quero outra,
 sozinha,  para você enviar para meu amigo...”.  Só mesmo uma
 mãe faz isso e já faz 55 anos que perdi a minha, que
 faleceu prematuramente aos 49 anos.



Dona Iaiá e sua bela autobiografia. Leitura agradável,
com belos exemplos de sua longa e produtiva vida,
 esbanjando saúde e alegria
Foto: Jornal Voz – Perdões-MG, 27/03/2017 

Afonso, filho de Dona Alba, meu colega de turma na velha Esal, por ocasião
da celebração do cinquentenário de nossa formatura. Setembro de 2017


sábado, 28 de abril de 2018

Os ipês amarelos de minha terra



Desembarquei do trem maria-fumaça na estação Costa Pinto na velha cidade natal, Lavras. Lá estavam, a me esperar, minha mãe, meu pai e todos os seis irmãos. Abraçaram-me, choraram de alegria depois de tanto tempo fora de casa, num distante internato a dezesseis horas de trem. Caminhamos a pé, carregando a mala de viagem, até a nossa casa, a casa de nossa infância a apenas 300 metros da estação. Como foi boa e gratificante aquela pequena caminhada, com os vizinhos a acenar e cumprimentar o menino que chegava. Como é bom voltar à terra querida, caminhar pela rua de terra, na verdade a velha estrada de rodagem que se iniciava na estação e ligava a zona rural da Serrinha, prosseguindo até o Farias e dali para Três Corações, à esquerda ou a Carmo da Cachoeira à direita. E o menino já a  conhecia, inteirinha, pois aos cinco anos de idade foi levado à cidade de Varginha, no consultório do Dr Oswaldo Valladão, para tratamento de um grave acidente ocular que o fez perder totalmente a visão do olho direito. Aquela rua, melhor a estrada, tinha apenas três casas em seus primeiros cem metros. A casa do Alfredão, cujo pai, Sr. Antônio Scheid Lopes, era o chefe da estação, seguindo-se o portão da Cerâmica N.S. Aparecida, do Sr Custódio Alvarenga e por último a chácara do Sr Nhonhô Gouveia, que chegava até o segundo pontilhão, chamado de mata-burro. Este fazia divisa com nossa chácara, a Fazendinha, de 20 ha, hoje Vila Cruzeiro do Sul. Passado o mata-burro, caminhava-se por uns duzentos metros sob a sombra de mangueiras enfileiradas e lá estava a doce casa de minha infância. Como é bom chegar, rever a família e vizinhos, quase todos à porta de suas casas no horário da chegada do trem.  Receber o afeto de todos era como sentir-se “protegido”, seguro em meio a todas as pessoas queridas. Verdadeiro bálsamo para a alma do menino de apenas 12 anos, que passara um ano no distante Seminário de Itaúna, naquele ano de 1958.


Como é bom ser bem recebido assim, caminhar abraçado aos pais e irmãos que se revezavam no toque, nas mãos dadas e sentir o cheiro das mangueiras da terra natal e se extasiar com a belíssima e inteira visão da imponente serra da Bocaina um pouco distante e que emoldurava aquele cenário tão familiar. A velha e grande casa estava lá, do mesmo jeito, pintada de branco com as cimalhas na cor azul bem forte, destacando as caprichadas molduras por sobre portas e as numerosas janelas, tudo em belo estilo português, tal qual tinha visto na zona rural de Lisboa no caminho de Sintra. Como é bom rever e retornar ao doce lar.

Foi então que acordei, sobressaltado, confuso. Parecia que meu espírito saía de meu corpo e naquele estado de sono hipnagógico, quando a mente está destravada e as imagens do subconsciente são tão nítidas e vivas a ponto de sugerir a realidade. Como poderiam estar juntas no mesmo instante as imagens da infância, dos pais já falecidos e ainda as do longínquo Portugal que só conheci depois de adulto? Percebi que estava apenas sonhando, sufocado e com uma dor danada no peito, a dor física da apneia, agravada pela sequela cirúrgica de uma renitente pleurite aos dois anos de idade e que ainda hoje, depois de setenta anos, ataca nas noites frias de inverno. Mas, pior que a dor física naquele momento hipnagógico foi a dor da saudade, pois comecei a “ver” a casa mais antiga ainda, da fazenda com o belo ipê à janela do quarto onde nasci, reluzindo o amarelo de suas flores. Dor no peito, saudade matadeira, era isso, não tinha jeito..., pois como disse o poeta Caio Abreu: “Guardo as memórias que me trazem riso, as pessoas que tocaram a minha alma e que, de alguma forma, me mudaram para melhor. Guardo também a infância toda tingida de giz”. Tinha jeito de arco-íris a minha”.


Compreendi a mensagem do subconsciente que grava as coisas doces da vida e os desejos ocultos da mente. As sequelas cirúrgicas ainda terão alguns invernos a mais pela frente e nada de pessimismos. Mas, mesmo estando, há tanto tempo, a 1.000 km de distância quero, quando chegar o dia de minha finitude, repousar para sempre debaixo daquela janela, à sombra dos ipês amarelos que a emolduram. E que as pessoas queridas daquela família de então e que ainda hoje lá residem, possam me receber com o mesmo afeto, carinho e amor mostrados em sonho. E se as lágrimas não puderem ser contidas, que sejam de alegria, sabendo que ali estar, no solo materno, foi meu último desejo, de puro amor.  E desta vez, ainda que eu não sinta mais o abraço e seja apenas cinza cremada, deitem-me para sempre à sombra daquele belo ipê amarelo ao lado da janela do quarto onde nasci. Doces reminiscências da infância. Doce repouso à sombra dos ipês amarelos de minha terra natal. Gratidão pela vida feliz. Ela nada me deve. Amém!

 

  

Brasília, 28 de abril de 2018

 Paulo das Lavras

A janela do quarto onde nasci. Fazenda Retiro dos Ipês - Lavras
Foto: Dilma de Abreu



Estação Costa Pinto, em Lavras. Ali desembarcou o menino 
de 12 anos, ao reencontro da família
Foto: acervo de Renato Libeck


A família de sete irmãos, o menino com 11 anos.
 Dois anos depois foram reencontrá-lo na Estação Costa Pinto

O menino aos 11 anos, pouco antes de ir para o internato no distante Seminário.
 Ali permaneceu apenas um ano. A saudade apertou. Sonhava todos os dias com a casa
onde vivia com a família. Voltou para casa sob grande emoção e tão grande que, 60 anos depois, sim sessenta anos, teve uma sonho maravilhoso retratando a alegria da volta. 


 O menino de 12 anos no Seminário de Itaúna. Semblante triste, sorriso forçado. 
Distante de casa, dos entes queridos, nada tinha graça. Voltou para casa no final do ano. 
A emoção do retorno foi tão grande e marcante, no aconchego da família, que ainda hoje, 
 mais de 70 anos depois, seu subconsciente relembra o episódio em sonhos oníricos, 
coloridos de pura alegria e amor à família. 
Foto: Itaúna-MG , março de 1958







Cidade de Lavras, década de 1950. Trezentos metros adiante da estação estava a  casa do menino.
 Percurso assinalado em azul, pela estrada que ligava Lavras, à Serrinha e Três Corações,
 passando em frente à casa grande da fazendinha, onde residia a família.
Incrível realidade do sonho, mostrando aquele antigo caminho que contornava
a matinha da fazendinha, local de aventuras dos meninos e amiguinhos da região.
Foto: acervo de Renato Libeck.


O segundo portão do caminho, ao lado da casa do chefe da estação era a Cerâmica.
 Sr Custódio e seu filho, Tiãozinho Alvarenga (cunhado de minha mãe) também
 eram comerciantes de fumo de rolo. No meio do ano era época de colheita e
havia mutirões para “destalar” as folhas verdes recém-secadas á sombra.
Tarefa para todos, inclusive para os meninos com direito a receber pagamento.
Foto: acervo de Renato Libeck


Logo, logo, a casa grande da fazendinha era avistada, tendo ao fundo
a imponente serra da Bocaina. O ipê amarelo à esquerda e casa anexa,
 deram lugar à rua Progresso, justamente na esquina com
 a rua Lazaro de Azevedo Melo. A casa ainda hoje se encontra preservada



Fazenda Retiro dos Ipês em foto de agosto de 2014. Casa de um século de existência
 Sob a sombra de seus ipês, ao lado da janela do quarto onde nasci,
a família me receberá novamente e ali as cinzas repousarão
para sempre, junto ao cordão umbilical que ali também adormece.
O pó retornará ao pó, diz a Bíblia.
Foto: Dilma de Abreu

quinta-feira, 8 de março de 2018

Mulheres..., mudem para Brasília - Aqui vocês podem mais!


Belíssima matéria de capa do jornal Correio Braziliense, de hoje, 08 de Março, Dia Internacional da Mulher, informa que aqui, na cidade de Brasília, elas podem mais. Mais que em todas as capitais brasileiras. Ganham mais que os homens, chefiam o STF, o STJ, o Ministério Publico, a AGU... e, como têm nível de escolaridade maior, fazem a diferença nos concursos públicos.

No mundo inteiro, as mulheres enfrentam machismo, discriminação no mercado de trabalho, dupla jornada... No Brasil, apesar de terem nível de instrução superior e serem mais empreendedoras, ocupam apenas 38% dos postos de chefia e recebem salário menor mesmo quando desempenham funções iguais às dos homens, informa o jornal. E continua...

Mas, é na capital do país que começam a virar esse jogo... E por mérito: elas se valem dos concursos para avançar na conquista de vagas no setor público e, em média têm remuneração superior à dos homens. E, pouco a pouco, ocupam cargos de comando. Estão na chefia do STF, com a ministra Carmem Lúcia; do STJ, com Laurita Vaz, da Procuradoria Geral da República, com Raquel Dodge; e da Advocacia Geral da União, com Grace Mendonça. Ousadas, já chegaram até à instância máxima da Justiça Militar, o STM, com a ministra Maria Elizabeth Rocha, que não hesita em incentivar as mulheres a irem à luta: “Corram atrás de seus sonhos e quebrem paradigmas”.

É ou não é uma belíssima notícia? E por aqui elas controlam até os céus... rsrs, pois elas são maioria no Cindacta 1, que controla o espaço aéreo da capital e já são 45% no restante do país.  Depois ainda dizem que mulheres são dispersas. Aonde? Qual autoridade seria louca de colocar a maioria delas numa atividade tão sensível como o controle de trafego aéreo? Basta um piscar de olhos para provocar uma colisão aérea, especialmente nas operações de aproximação para pousos ou decolagens.

Não preciso dizer mais nada, tenho três filhas que foram ensinadas, desde cedo, a não se submeterem ao jugo masculino. Sempre disse a elas: Estudem, formem-se, prestem concursos, trabalhem muito, comprem um carro, um apartamento e só então se juntem a aquele que vierem a escolher, cada uma, para dividir sua vida e assim viver livre dos machismos que fazem as mulheres tanto sofrer.

Fiquei muito feliz, hoje, bem cedo, ao ler essas notícias em forma de destaque do empoderamento das Mulheres. Elas merecem.
Parabéns a todas vocês, esposa, filhas, neta e amigas. Com vocês o mundo será sempre melhor. Que se tornem mais empoderadas e ocupem o lugar que merecem. Afinal, sem vocês, os homens nem existiriam, pois sequer teriam nascido.
Um abraço

Brasília, 08 de Março de 2018

Paulo das Lavras



sábado, 24 de fevereiro de 2018

Velhos amigos, para que servem?

        Outro dia recebi uma mensagem sobre os velhos amigos. Tinha exatamente o título acima, o qual agora uso. A história contada, por autor desconhecido, tem um texto leve, mas de profundo conteúdo. Guardei-a como lição. E hoje relembrei-me daquela história verdadeira, pois pelo menos dois amigos têm passado por sérios problemas de saúde e um deles reclamou exatamente isto: Onde estão meus amigos? Desapareceram justo no momento que mais preciso. O outro amigo, certamente nos momentos de trégua das intensas dores e sofrimentos físicos, tem postado frequentemente informes médicos sobre sua delicada saúde. Em ambos os casos a mensagem subliminar é a mesma, a falta que nos fazem a companhia dos amigos, sobretudo na hora da angústia. Aliás, os Provérbios 17:17, dizem exatamente assim, como bem lembrou uma amiga: “... Em todo tempo ama o amigo e  na angústia se faz o irmão”.
           
           Mas, veja que linda a lição que o jovem, da história antes mencionada, recebeu de seu pai:

Um jovem recém-casado estava conversando com seu pai sobre a vida, o casamento, as responsabilidades, as obrigações da pessoa adulta e, então, o pai lhe disse:

- Nunca se esqueça de seus amigos! Serão mais importantes à medida que você envelhecer. Independentemente do quanto você ame sua família, os filhos que porventura venham a ter, você sempre precisará de amigos..

Lembre-se de ocasionalmente ir a lugares com eles; faça coisas com eles; telefone para eles...

Que estranho conselho! (Pensou o jovem). Acabo de ingressar no mundo dos casados. Sou adulto. Com certeza, minha esposa e a família que iniciaremos serão tudo de que necessito para dar sentido à minha vida!

Contudo, ele obedeceu ao pai. Manteve contato com seus amigos e anualmente aumentava o número de amigos. À medida que os anos se passavam, ele foi compreendendo que seu pai sabia do que falava. À medida que o tempo e a natureza realizam suas mudanças e seus mistérios sobre um homem, amigos são baluartes de sua vida.

Passados 50 anos, eis o que aprendeu o então jovem e recém casado que decidiu seguir os conselhos do velho pai:

O Tempo passa.
A vida acontece.
A distância separa..
As crianças crescem.
Os empregos vão e vêm.
O amor fica mais frouxo.
As pessoas não fazem o que deveriam fazer.
O coração se rompe.
Os pais morrem.
Os colegas esquecem os favores.
As carreiras terminam.

Os filhos seguem a sua vida como você tão bem ensinou.

Mas..., os verdadeiros amigos estão lá, não importa quanto tempo e quantos quilômetros estão entre vocês.

Um amigo nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo por você, intervindo em seu favor e esperando você de braços abertos, e  abençoando sua vida!

E quando a velhice chega, não existe papo mais gostoso do que o dos velhos amigos... As histórias e recordações dos tempos vividos juntos, das viagens, das férias, das noitadas, das paqueras... Ah!!! tempo bom que não volta mais... Não volta, mas pode ser lembrado numa boa conversa debaixo da sombra de uma árvore, deitado na rede de uma varanda confortável ou à mesa de um restaurante, regada a um bom vinho, não com um desconhecido, mas com os velhos amigos. 

Quando iniciamos esta aventura chamada VIDA, não sabíamos das incríveis alegrias ou tristezas que estavam adiante, nem sabíamos o quanto precisaríamos uns dos outros.

          Maravilhosa lição de vida, relatada nesse conto. Amigo é mesmo fruto de uma escolha pessoal, é a descoberta da alma irmã, um tesouro incalculável, intangível, mas que pode ser sentido mesmo à distância e ainda assim presente em nosso caminho, quer seja nas horas de dúvidas (ninguém fecha um negócio ou toma qualquer decisão importante sem consultar os amigos...) , nas horas de alegria e sobretudo na tristeza, no sofrimento. Há um ditado e que diz que o mineiro é quieto, calado e muito mais solidário na hora da tristeza, da dor. E é verdade, é ombro amigo, mão estendida, coração que vibra com suas vitórias e sofre com suas dores. Basta, às vezes, a sua presença. Amigo verdadeiro é assim mesmo, nem é preciso falar-lhe aquelas bobagens que usamos quando estamos perto de desconhecidos ou recém apresentados, em silêncios constrangedores e soltamos: “ ... será que chove, hoje? O tempo está frio, calor...”. Não, o amigo é aquele que compreende o seu silêncio, suas lágrimas, sua vontade (boba) de sumir. Não precisa e nem exige explicações. Está atento, pronto para ajudar.
           

            Muito já se falou e se escreveu sobre amigos e amizades e por isso não precisamos estender a questão. Mas, os velhos amigos são como os vinhos, quanto mais o tempo passa melhores ficam. Mesmo à distância, basta um telefonema, uma mensagem nas redes sociais, ainda que sem fotos, o sorriso e a alegria sempre estarão presentes a nos confortar.  E para quem mora longe da terra natal...., ah..., existe coisa melhor que visitar velhos amigos ou simplesmente conversar pelas redes sociais, falar dos tempos de infância, do colégio, da vida social?  Foi assim, tem sido, e é por isso que minhas crônicas (99%) só falam dos amigos que granjeei ao longo da vida. São pedaços de nossa vida que se somam aos familiares que estão ao nosso lado, sempre.

           Um amigo nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo por você, intervindo em seu favor e esperando você de braços abertos, e abençoando sua vida, disse o autor desconhecido. Pura verdade! Um abraço.


Brasília, 24 de fevereiro de 2018


Paulo das Lavras


“E quando a velhice chega, não existe papo mais gostoso do que o dos velhos amigos...”
E o relógio marcava exatamente meio dia, hora de almoço. Que se atrase a refeição, mas como deixar de passar na casa do “velho” professor dos tempos de menino de colégio, desde os 12 anos de idade? Velho amigo que mais tarde tornou-se colega de magistério na universidade.
Foram apenas trinta minutos de conversa, mas a alegria para ambos durou muito mais tempo.
Valeu a pena vir de longe, desembarcar em Confins, tomar um Uber  até sua casa,
num bairro no alto das Mangabeiras.

Foto do autor, com o Prof. Nelson Werlang- Belo Horizonte, 06/09/2017



Visitando o “velho” pai, então com 77 anos e que viveu até os 101 (cento e um) anos. Alegria redobrada
Foto do autor - Fazenda Retiro dos Ipês – Lavras, 1983 


 
Velhos amigos na praça da cidade natal- Lavras. Claret Mattioli e Luiz Teixeira da Silva,
 o nonagenário “arquivo vivo” histórico, cultural e artístico da cidade. Reencontrar os
 velhos  amigos é como renovar a alma
Foto: Catarina Julia – 2016



Amigos dos tempos de estudante no lançamento de livro sobre JK.
 Casa Rosada, em Lavras.
Com Ângelo Delphim, Paulo Roberto, Claret Mattioli e Dorinha Guimarães.


Mais amigos na praça, com Rita Penoni, Juca Mattioli e Cris Mattioli
Foto de Catarina Júlia- 2016 



Com Renato Libeck, Antonio Ernesto e o jovem Salgado, diretor técnico
 da Cooperativa Minas Sul, em Lavras

Foto: 2017 - Acervo de Renato Libeck




Um brinde à Dona Edna, nonagenária, mãe de três professores de Agronomia, um da UFV e
dois da Ufla. Ainda tem disposição para assar pernil, pão de queijo e outras guloseimas
 no forno do fogão à lenha e... saborear um bom tinto. E o saudoso bate-papo rolou, ali no antigo
Casarão da Ponte, em Itumirm, até tarde da noite. Velhos amigos são insubstituíveis, renovam nossa alma. Por isso precisamos cultivá-los por toda a vida.

Foto: Chico do Vale – 2016



Velhos amigos de quatro anos inteiros de convivência na faculdade. Festa de confraternização
 dos 50 anos de formatura. Setembro de 2017

Foto: arquivos de Gilnei de Souza Duarte


Visitando o velho amigo Ângelo de Moura Delphim. Com Ericina, Dorinha e Maria José.
Foi pouco o tempo, de duas horas, para colocar as reminiscências da juventude em dia.
Muito bom reencontrar velhos amigos, alma renovada e a certeza de que fomos e somos felizes.
Foto: setembro de 2017. Acervo de Dorinha Guimarães