quarta-feira, 7 de maio de 2014

O Facebook e a longevidade



Um amigo, engenheiro e professor aposentado, lá das bandas gaúchas, disse que embora tenha 75 anos de idade não se considera velho. Considera-se apenas idoso. Velho era quando não havia o facebook, ou seja, de cinco a dez anos atrás quando Mark Zuckerberg o inventou. Vivia isolado, longe dos amigos de infância e dos amores da juventude. Mas, como pode a mesma pessoa se considerar velha aos 65 anos e agora com 75, não? Simples, pois antes dessa fabulosa ferramenta de fazer ou reencontrar amigos não havia muita opção. E agora, depois de tanto tempo ele havia reencontrado a bela amada pela qual um dia se apaixonara. Olhei bem para o amigo e não me contive. Soltei uma sonora gargalhada, não pelo “jovem de 75 anos”, mas porque, de imediato me veio à mente a fantástica história de amor produzida pelo grande escritor, que recentemente nos deixou, Gabriel Garcia Marques, o Gabo. Esse famoso escritor produziu a mais bela história de romance do século XX, “O amor nos tempos do cólera”. Obra prima que o próprio autor classificou como a melhor de todas, até mesmo que “Cem anos de solidão”, não menos famosa.

A história do engenheiro professor e sua amada tem bastante semelhança com o enredo do livro de Gabo. Ambientada em Cartagena das Índias,  bela cidade histórica do caribe colombiano, de quase 500 anos de existência e a qual conheci em novembro de 1987, quando estava em Santa Marta, não muito distante, ali mesmo no Caribe, apresentando um trabalho patrocinado pela UNESCO, na Reunion Latino-Americana de Educación Agricola Superior/Universidad Tecnologica de Magdalena. Foi nessa histórica viagem a Cartagena que tomei conhecimento de Gabriel Garcia Marques e por isso decidi conhecer essa sua magistral produção ambientada naquela cidade fortificada do caribe. Dali retornamos a Barranquilla e de lá embarcamos num B-727 da Avianca, de matrícula norte-americana, N153FN, com destino a Bogotá e dali num 767 da Varig (PP-VNR) para o Rio de Janeiro e escala em Manaus. Tempo de voo bastante para se deleitar com a leitura do belo romance.

 Gabo se baseou na verdadeira história de amor de seus pais que tiveram a oposição do pai da moça. Este enviou a moça para uma viagem ao interior para impedir o casamento. O jovem, que era telegrafista, não se deu por logrado e com a ajuda de amigos criou em cada local para onde ela se deslocava, um posto de telegrafia, de modo que mantinha o seu amor por meio da comunicação telegráfica. A partir dessa história real, Gabo desenvolveu todo o enredo de amor do fictício telegrafista Florentino Ariza e Fermina Daza, protagonistas de “O amor nos tempos do cólera”. Daza também foi enviada para o interior e quando voltou, seu pai a obrigou a se casar com o brilhante médico recém chegado da Europa, Juvenal Urbino. Florentino cultivou e esperou pela sua amada , desposada por outro, de 1880 a 1930, cinquenta anos! Não se casou e limitou-se a casos esporádicos sempre na esperança de que Daza um dia voltasse. E reapareceu, viúva, num passeio de barco a vapor e no qual, incidentalmente, se instalara a peste do cólera. Impedido de se aproximar de qualquer porto e de desembarcar qualquer passageiro, não restou ao comandante outra alternativa senão navegar por mais de 15 dias rio acima, rio abaixo. Foi o bastante para reacender o amor hibernado por mais de 50 anos. Muito bonita a história, vale a pena ler o livro, cujo lançamento se deu em 1985, pois  não vou contar aqui o desfecho para não estragar a surpresa.

 Mas, o nosso engenheiro, professor, cujo filho, gerente de um grande banco na capital federal, relatou suas proezas e inspirou essa crônica, nem precisou dominar a extinta arte da telegrafia e contar com a ajuda de amigos para instalar postos telegráficos pelo interior para acompanhar a sua amada que um dia também lhe escapara. Quanto tempo esperou? Trinta ou quarenta anos, um pouco menos que Florentino Ariza do conto de Gabo. Ao contrario do outro, casou-se, teve filhos e agora tempos depois, para sua grata surpresa, eis que a jovem de áureos tempos lhe encontra na rede social Facebook.  Mensagens para cá e para lá, fotos, reminiscências de tudo que passaram e... naturalmente, reacendeu o amor de tanto tempo atrás. Mas, a prole parece que não aprovou o novo amor do engenheiro. Aos olhos deles não fazia sentido algum, pois, afinal 75 anos de idade não são 15 ou 25. O coração suportaria? Que implicações haveria? Largaria tudo e se mudaria para a cidadezinha da velha paixão? Ou..., ou... , e por aí cresciam as dúvidas e apreensões de todos que lhe cercavam. Mas ninguém dos circunstantes lembrou-se de perguntar o que lhe passava pela alma.

Aqui se repete o realismo da história contada em livro. A espera, o envelhecimento e o ressurgimento do amor de personagens que se relacionaram no tempo. Vidas que um dia se encontraram e se admiravam mutuamente num amor platônico que as regras sociais da época logo trataram de impedir a união daqueles corações voluptuosos. E agora ali estão, com um horizonte de vida mais curto, mas cheios de entusiasmo, corações ao alto, revigorados, batendo forte por conta do elixir do amor e ele se sentindo dez, vinte anos mais jovem, ou quem sabe, encarnando aquele jovenzinho que um dia também se apaixonara por ela. A interação psicobiológica é plena e a adrenalina e endorfinas se encarregam de rejuvenescê-lo a ponto de se sentir um garoto. Seu coração foi invadido de boas lembranças, pois as más recordações nunca são gravadas por ele que só enaltece e com elevada intensidade, as boas recordações. E agora, na maturidade, o amor parece mais genuíno, real e mais doce para ser apreciado, pasmem, com maior volúpia e prazer pois é puro, provém da alma que soube cultivá-lo ao longo do tempo. Assim, não há mesmo que se preocupar com a fatalidade do fim dos dias, pois o amor nunca morre, persiste, resiste a tudo e a todas as dificuldades da vida. A morte é uma traição que ninguém espera. Ao contrário, o amor verdadeiro é eterno e não conhece fronteiras e tempo e por isso foi carregado até a maturidade. E esta, diante do amor, não existe. Apenas o tempo, o cronos, passou. Por isso o engenheiro professor se disse apenas “idoso”, mais jovem do que dez anos antes de reencontrar-se com o amor cultivado por um, vinte, 40 ou 50 anos, ainda que em hibernação no fundo do coração.

Amor não tem idade. Garcia Marques descreveu isso magistralmente em duas histórias, a real de seus pais, em meados do século XIX e a fictícia de Florentino e Fermina, de 1880 a 1930. Hoje encontrei outra bem real, vivida de 1980 a 2014. Cento e cinquenta anos separam a primeira da ultima. Pena que o amor maduro, verdadeiro, puro, sem intenções secundárias ou implicações outras só chegue bem tarde. Mas antes tarde do que nunca, embora aos olhos de muitos pareça um amor que não tem razão de ser. Mas é um amor que não se baseia na juventude, na beleza, na idade ou vigor físico. É um amor persistente, louco, vivido intensamente por alguém que dele cuidou. Merecido e ainda que seja na chamada terceira idade parece bem jovial.

Viva o amor, sempre! Seja ele iniciado ou reatado presencialmente ou via telegrama, telex, rádio-amador, celular, orkut, whatsapp, twiter ou ainda facebook, a ferramenta que, com suas facilidades, promete longevidade maior para aqueles que se dispõem a se relacionar com amigos e pessoas de sua estima. Que o diga o engenheiro professor, cujo filho bancário tem o maior prazer de lhe ensinar as técnicas de melhores buscas e utilização daquela ferramenta.

O amor é eterno, dizem os poetas.

Brasília, 03 de maio de 2014

Paulo das Lavras




       O mais famoso livro




Chegando à Cartagena, cidade de muitas igrejas e conventos   




Vista aérea da cidade de 500 anos





A casa de Gabriel Garcia Marquez, o Gabo 





Mercado Las Bovedas. Antiga prisão. Semelhante ao Mercado 
de artesanato do Recife - Pe, também visitado na década de 1980.







Bogotá, com a montanha e seu teleférrico de bela vista



Veja também neste blog as crônicas sobre o uso do Facebook:

- O Facebook é anti-estressante? ... (publicada em 13/06/2013)
                                   - Mais inteligente do que você pensa: O uso das redes sociais ... (publicada em 21/012014)
 






quinta-feira, 1 de maio de 2014

Passeando entre Montanhas


              Acordar com as montanhas à vista e saborear o café da manhã com gostoso ovo mexido com um pouquinho da famosa farinha de milho Elefante, preparado especialmente pelo pai, era um prazer que o menino desfrutava todos os dias das férias passadas na fazenda. Melhor ainda era apreciar os belos cenários das montanhas que se descortinavam pela janela da imensa copa/cozinha da casa da fazenda. Não bastasse isso, havia, ainda, na casa da cidade, outra vista mais atraente, deslumbrante. Incomparável mesmo era contemplar o exuberante maciço azulado da Serra da Bocaina, que emoldura toda a parte sul da cidade de Lavras. A sacada da grande casa da chácara, situada onde hoje se localiza a vila Cruzeiro do Sul, era o lugar preferido para o menino sonhar de olhos abertos ou simplesmente contemplar os voos planados das aves de rapina que ali se aninhavam. Viria dali o sonho de Ícaro que o menino acalenta até hoje? As límpidas manhãs, de céu azul com o sol reluzindo a bela e imponente cordilheira, era um convite à reflexão sobre as maravilhas da natureza. Os segredos dos cumes dessas magníficas montanhas ou simplesmente serras, como dizíamos na infância, povoavam a mente do menino. Como seria chegar até seu topo? O que haveria lá no alto? E do outro lado? Enxergar-se-ia muito longe, rios, matas, bichos? Um mistério! Mistério que nunca deixou o menino em paz, pois ainda hoje, diante de qualquer montanha seu pensamento voa. “Vá, pensamento, vá! Voa em asas douradas, pousa sobre as encostas e colinas onde os ares são tépidos e macios com a doce fragrância do solo natal... Reacende em nosso peito a memória, fale-nos do tempo que passou...”. Contemplar e passear por entre as montanhas de Minas é como ressuscitar a nostalgia decantada e cantada nessa maravilhosa ópera,  Nabuco – Va Pensiero, escrita pelo gênio Giuseppe Verdi. Ali está retratada toda a nostalgia, a dor da alma dos escravos hebreus no cativeiro da Babilônia do tirano rei Nabucodonosor. E assim como os hebreus choravam o fim do exílio e sonhavam com a volta às encostas e colinas perfumadas da terra de Sion, o menino que hoje vive nas planuras do planalto central, ao rever as montanhas alterosas se põe compungido, em profundo silêncio da alma, a relembrar sua terra querida, tal qual nos versos da ópera.

            E hoje, em pleno abril de 2014, bem distante da infância querida ou mesmo das primeiras obras de reflorestamento e paisagismo executadas nas fraldas das serras do Curral em BH, do Caraça e do Pico do Itacolomi na região de Ouro Preto e Mariana, o menino ainda se surpreende em viagem nostálgica por entre serras, rios e montanhas mineiras. Mais que surpresa, pois as linhas sinuosas do horizonte lhe eram muito familiares e queridas, pois sabia medi-las com os olhos, mais que as planuras do planalto central, a despeito de nele ter passado a maior parte de sua vida. Agora, partindo de Lavras, rumo a São João Del Rei e desta para Belo Horizonte, não sem antes visitar a Vila de São José Del Rey, terra de Tiradentes e que hoje leva seu nome, o percurso não poderia ser mais inspirador. Deslizando a bordo de um carro, pela rodovia BR 265, o menino vai contemplando, ao longe, a Serra da Bocaina. Serpenteia o rio Capivari, depois o Rio Grande, já no município de Itutinga, cruza a Ferrovia do Aço por sobre um despenhadeiro de mais de 200 metros de altura e finalmente chega à cidade de 300 anos, fundada em 1704 como entreposto de escoamento da produção aurífera de Ouro Preto com destino ao porto de Paraty-RJ. Antes mesmo de se chegar à São João Del Rei, uma grande cordilheira, verdadeiro paredão de rocha é avistada no lado norte da cidade. Foi por causa desse paredão rochoso de considerável elevação que o menino, em companhia do Ministro da Educação, Hugo Napoleão e do ex-Ministro da Agricultura,  Alysson Paolinelli, deu grito de alerta a bordo do jatinho HS-125, da FAB (matrícula VU- 93 2117), que se destinava à Lavras: Ei! Aqui não é Lavras, nem Santo Antônio do Amparo. É São João Del Rei. O ministro, olhou, confirmou, levantou-se, alertou ao comandante do jatinho sobre o erro e este, imediatamente recolheu o trem de pouso, abortou a aterrisagem e arremeteu a aeronave acelerando-a com toda potência das turbinas Rolls-Royce. E agora? Perguntou o piloto, que não tinha nenhum outro plano de voo. O menino não se fez de rogado, navegador contumaz como passageiro em voos comerciais nas rotas Brasília/Rio e outras que sobrevoam a região, sugeriu: 180º à direita (para se livrar do paredão rochoso), proa na BR 265/ represa de Itutinga/ Rio Grande/ Bom Sucesso e Santo Antônio do Amparo, aeroporto de destino, pois Lavras não tinha ainda aeroporto asfaltado que pudesse receber aeronaves a jato. Chamado à cabine, de pé e em voo de baixa velocidade a 1500 pés de altura, o menino, orgulhosamente “orientava” o piloto naquele voo de navegação visual. Logo se avistou a grande represa Camargos/Itutinga e depois, facilmente, Lavras e Santo Antônio do Amparo mais à direita, a terra do Governador Hélio Garcia, que ali construíra uma boa pista de pouso e onde muitos lavrenses já esperavam pelo ministro.

E agora estava ali, novamente, deslizando pela 265 que lhe servira de rota para aquele inusitado acontecimento de maio de 1988, a bordo de um jatinho que, por ser militar, supostamente deveria ter um bom plano de voo. Visto do chão a muralha rochosa de São João Del Rei parecia ser bem mais alta, uma fortificação natural que protege a histórica cidade do solar dos Neves e se estende até a vizinha Tiradentes. Do hotel podia-se avistá-la e após os compromissos um passeio a pé pelo centro histórico revisitando museus, igrejas e o indefectível Solar dos Neves, palacete em clássico estilo colonial, onde morou o ex-presidente Tancredo Neves. Os morros e encostas da cidade de Tiradentes que abrigam museus, igrejas, lojas de antiguidades e muitos restaurantes não deixam de exercer, também, grande fascínio nos visitantes. Rumando para BH, a caminho do aeroporto de Confins, serpenteamos por entre montanhas e rios, passando por locais não menos históricos como Congonhas e os acessos para a cidade de Ouro Preto. A Lagoa dos Ingleses à margem da BR- 040, outrora bucólico recanto, hoje totalmente ocupada por condomínios residenciais, bem próximos às inúmeras minerações que mostram as veias de ferro-manganês, de cor azulada, bauxita amarelada e enormes tratores e caminhões fora-de-estrada a transportarem o minério para as usinas siderúrgicas. Minas tem um coração de ouro que pulsa em peito de ferro, disse o poeta. E é verdade, nunca se viu tantas veios abertos e concentrados como naquele quadrilátero ferrífero.

Mais adiante, à esquerda, a Serra do Rola Moça quase chegando à capital mineira. Belo cenário esculpido em montanhas de ferro, ouro, bauxita, manganês e tantos outro minerais que a natureza ali depositou. Indescritível beleza aquelas montanhas interligadas pelo viaduto da Mutuca, cercado por densas matas nativas quase adentrando a cidade de BH e do mesmo jeito que o menino-engenheiro via a caminho de seus reflorestamentos no Caraça e Ouro Preto. No rádio do carro tocavam músicas na universal Antena 1. O atencioso motorista, Agelê, esse era seu apelido, havia permitido que o menino escolhesse a radio de preferencia. E enquanto o pensamento voava em doce enlevo, contemplando os relevos das montanhas que se descortinavam naquela manhã, tocou uma música que fala da estrada desconhecida e a segurança do lugar onde se vive (Home, de Philip Phillips). E assim pôde compreender toda a magia daquele momento especial. Dizem que ninguém se cansa de namorar o mar, mas o que dizer do arrebatamento que as montanhas nos proporcionam? Levam-nos para o alto, enlevam a alma que, naquele vazio próprio do êxtase, nos remete ao amor, à alegria de viver e sonhar, literalmente! O motorista, atento ao tráfego, nem percebeu a lágrima que corria. Momento ímpar, verdadeiramente uma ocasião especial, passear entre montanhas. As montanhas de Minas são obras sublimes do Criador, nos fascinam e inspiram a cada momento. Momentos especiais!

Brasília, 16 de abril de 2014.

Paulo das Lavras


Pintura da casa da fazenda- café da manhã apreciando as montanhas


 Giuseppe Verdi, o primeiro a chorar a falta das montanhas de Sion, em sua ópera
"Nabuco", com a canção "Va Pensiero" que retrata a dor do cativeiro
dos hebreus na Babilônia do rei Nabucodonosor



 
A majestosa Serra da Bocaina, que emoldura a cidade de Lavras e sempre
contemplada desde a infância com os sonhos de Ícaro.
Foto de Catarina Júlia




                           O menino engenheiro que reflorestava os cumes das montanhas do Caraça, Mariana e 
                      Ouro Preto com sua serra do Pico do Itacolomi ao fundo da foto. Frio intenso de julho de 1968




A "muralha" de rocha maciça que protege São João Del Rei e Tiradentes 


Um jatinho perdido entre as montanhas de Lavras e S.J.Del Rei,
HS 125 FAB - VU-93  2117.
           Pouso abortado em São João del Rei, em 07/05/1988.


 
O imponente Solar dos Neves


Viaduto da Mutuca, próximo a BH e em meio a montanhas e florestas nativas do Parque da Serra do Rola Moça. Antes, simples ponte
    estreita, de mão dupla, por onde o menino passava a caminho do Caraça e Ouro Preto


  Serra do Curral, em Belo Horizonte. Impressionante as semelhanças
 dos maciços que emolduram Lavras, S. J. Del Rei e Belo Horizonte.
 As montanhas são a marca registrada das Minas Gerais.













quinta-feira, 10 de abril de 2014

UFLA decola no motor da Excelência


A excelência do desempenho da UFLA no contexto nacional e internacional (veja imagens do ranking mundial publicado pela Cambridge University- Students´ Union) a tem qualificado para voos mais altos. Recentemente o Ministério da Educação- MEC autorizou a criação de seis novos cursos de Engenharia e ainda o de Medicina. Nada mais justo e merecido. Um reconhecimento ao esforço de seus gestores, corpo docente, discentes e pessoal administrativo. E a decolagem rumo à concretização desses grandiosos projetos está sendo meteórica, deixando longe a força do Motor Lycoming de 300 HP, instalado no modelo da aeronave agrícola Ipanema, mostrado na foto e que traz a bandeira (logomarca), o emblema da UFLA em seu leme de direção.

Neste início de semana estivemos participando do XX Seminário de Engenharia Agrícola e tivemos oportunidade de palestrar com professores e alunos. Só no Departamento de Engenharia são 50 professores, sendo 92% de doutores e 8% de mestres. Os alunos, extremamente dedicados à discussão dos temas relativos à sua formação, preparando-se para uma carreira profissional desafiante. A formação oferecida pela UFLA, segundo seu projeto pedagógico, é a mais avançada que se conhece, pois incorporou todos os princípios da moderna pedagogia recomendada pelo MEC. Privilegia as experiências adquiridas fora da sala de aula, reduzindo-se as aulas convencionais, expositivas, do antigo sistema de transmissão/assimilação de conhecimentos. Ali, agora, o aluno participa de diversas atividades que lhe proporcionarão maior capacidade cognitiva e habilidades no campo da concepção, execução e, sobretudo na gestão de projetos inovadores no campo da engenharia. A formação básica do engenheiro, conferida pelos cursos de graduação será sempre complementada pelas especializações e aperfeiçoamentos na pós-graduação.

Um notável avanço, bem ao estilo de uma Universidade à frente de seu tempo. Parabéns UFLA pela excelência de seu curso de Engenharia Agrícola, um dos pioneiros do Brasil, prestes a completar 40 anos de fundação. Parabéns pelos seis cursos de Engenharia Agronômica, Florestal, Agrícola, Alimentos, Ambiental e Sanitária, Controle e Automação. A estes se somam outros seis que se iniciarão em agosto de 2014: Engenharia Civil, Mecânica, Materiais, Química, Computação e Física. Além desses da Engenharia, há ainda o de Medicina que também se iniciará próximo semestre.

É o motor da Excelência que propulsiona essa gigante aeronave... UFLA, orgulho de Lavras e da nação.

Brasília, 10 de abril de 2014
Paulo das Lavras

                     A decolagem nas asas da Excelência exige um motor mais possante que um Lycoming de 300 HP         
                     que faz essa pequena aeronave decolar e se sustentar em voos rasantes pulverizando lavouras
 
 

Excelência se faz com produção técnico-científica de qualidade e formação de recursos humanos de elevado nível, reconhecidos no país e no exterior.

 

O belo Campus da UFLA, retratado pela Universidade de Cambridge/Inglaterra, como a

 Nº 1 do Brasil
 

 

          Palestrando para engenheiros e estudantes na UFLA, com o antigo companheiro,

          Prof Tomás Ferreira e a Profª Mirleia, Coordenadora do curso de Engenharia Agrícola.


 

 

 




 

 

sábado, 8 de março de 2014

Mulher – Ano 2014

 
Somos aquilo que elas, as MULHERES nos fizeram
 
 
Penso que não deveria haver o Dia da Mulher. Por quê? O artigo 5º da Constituição Federal não é bastante? É vedada toda a forma de discriminação e o citado artigo é bem claro em um de seus incisos: “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”. Ponto final, não há o que se discutir! Mas, porém, todavia, entretanto, contudo, não obstante e ainda assim... isso não tem funcionado no Brasil e no mundo. Sempre houve e há constantes violações dos direitos da mulher. No Brasil se tem notícia desde os tempos do Pe. Antônio Vieira que, em seus textos dos anos 1600, escreveu: “A mulher só deve sair de casa três vezes: no batismo, no casamento e no próprio enterro”.  O livro das Ordenações e Leis do Reino de Portugal, de 1603, descreve o rigor e a severidade no trato legal que as mulheres sofriam no século XVII. Verdadeiro horror, inimaginável o que se praticava contra a mulher naquela época. Isto e muito mais atrocidades estavam expostos na Exposição Brasil Feminino, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, a qual tive chance de visitar. Fiquei abismado, chocado ao ver a discriminação que se praticava contra a mulher. Nas telas de Debret viam-se as mulheres retratadas como escravas, mercadorias à venda ou aluguel para cama, mesa, banho e cozinha. Tristes cenas. Por essas e outras  mais graves razões, em 1977 a ONU instituiu o oito de março como Dia Internacional da Mulher, embora tenha sido celebrado nos EUA em 28 de fevereiro, desde o ano de 1909. Naquela época já se protestava contra as péssimas condições de trabalho das mulheres na indústria têxtil. As comemorações ficaram meio esquecidas depois de 1920, mas o movimento feminista ressurgiu com os protestos de mulheres na década de 1960 e depois culminou com a aprovação de seu dia comemorativo, pela ONU.

            Sou contra haver um Dia da Mulher por entender que deveríamos celebra-lo TODOS os dias do ano. Mas é preciso, sim, destacar um dia para se refletir sobre os valores da mulher. Entendo que valorizá-la não é apenas elogiá-la e destacar algumas posições privilegiadas na sociedade, mas, também denunciar as discriminações, violência e injustiças que contra elas se praticam constantemente. Mesmo depois de 40 anos da instituição do oito de março, como dia festivo, ainda se praticam muitos crimes contra ela. Não que queiramos relegar ao segundo plano suas conquistas e fatos de serem 51% da população, 45% da força de trabalho na administração pública em Brasília, detendo 40% dos cargos de chefias e assessoramento superior na alta gestão pública nacional (mulheres são melhores gestoras dos recursos públicos e quase zero de envolvimento em corrupção, pois sempre pensam nos mais necessitados e na família que é um dos mais fortes sentimentos femininos). Até mesmo no Exército já representam 3,5% da Força. Para meu orgulho tenho uma filha que foi da primeira turma de concursados de Oficiais do Exército, no final da década de 1990. Além disso, as mulheres são 52% dos estudantes universitárias e representam 12% da população contra 10% de homens matriculados no ensino superior.

Mas, se por um lado deixamos para trás a proibição de sair às ruas ou mesmo chegar à janela (presenciei isso, quando garoto, na década de 1950), votar, frequentar a escola (era privilégio dos homens), disputar cargo público ou trabalhar fora de casa, o que era um absurdo para os machistas que entendiam que as mulheres estavam destinadas à cama, mesa, banho, cozinha, cuidar dos filhos e do marido, ainda temos hoje uma lastimável situação de violência contra as mulheres. A cada cinco minutos uma mulher é agredida e em 70% dos casos o agressor é o marido, namorado ou companheiro. Será que eles pensam que elas são “propriedades” deles? Escravas para cama e mesa, banho, roupa lavada e demais tarefas domésticas? O IPEA divulgou estudos mostrando que 40% das 5.000 (cinco mil) mortes violentas de mulheres, por ano, foram praticadas pelos próprios companheiros, seja o marido, namorado ou outra relação afetiva. Mas, por outro lado os divórcios duplicaram em dez anos, passando de 1,7% para 3,1%. Esse aumento considerável deve, com certeza, refletir a reação da mulher que a cada dia está mais consciente de seus direitos e não mais se submete ao jugo escravizante daquele, o machista, que ao ser contestado ou recusado agride e até mata. Cadeia nele com a lei Maria da Penha e todos os gravames possíveis, pois quem conspira contra a matriz da vida – a mulher, não merece viver em sociedade! Precisam saber que os verdadeiros homens as respeitam e não precisam de força ou arma para se impor. Impor-se, hoje em dia, significa respeitá-las, interagir e crescerem juntos. A dignidade é maior, para ambos, quando se seguem esses princípios.

A meu ver, a reação feminina demonstrada pelas estatísticas de divórcios e processos judiciais contra agressões deve-se não somente à conscientização delas, mas também pelo fato de que elas vêm se firmando no mercado de trabalho quase em igualdade com o homem. E isso pode ser facilmente comprovado quando vemos que elas já assumiram 37% dos lares brasileiros como provedoras, chefes de família. Ainda sobre o mercado de trabalho é importante ressaltar que a mulher é discriminada  com salários mais baixos que os homens na mesma função. Inacreditável até aonde pode chegar a mentalidade machista e discriminatória contra as mulheres, pois na Bahia, num recente concurso público para a Polícia Civil, houve a exigência bizarra, descabida que as mulheres deveriam apresentar “atestado de comprovação de virgindade”. Nem é preciso dizer que virou piada nacional e os machistas tiveram que retirar essa cláusula do edital de concurso, mediante representação da OAB-BA que os enquadrou no citado artigo 5º, combinado com o inciso III do artigo 1º da Constituição Federal. Pode isso em pleno século XXI? Digamos que seja apenas bizarrice, ignorância e machismos prontamente corrigidos ao primeiro protesto. Risível se não fosse triste.

Fiquemos, portanto atentos na defesa dos direitos das mulheres, pois a violência contra elas é um capítulo a parte e de onde menos se espera aparecem os criminosos que despejam sobre elas seus recalques não resolvidos. Sonho com o dia em que os homens passem a compreender que o amor à mulher é completo, ou assim deveria ser para todos nós. Mulher é para ser amada, admirada pelos seus dotes morais e grandeza interior, não importa a condição. E ainda podemos afirmar, com segurança e orgulho, que elas são verdadeiras GUERREIRAS. Amam como ninguém a família, a ela se dedicando de corpo e alma. Muitas cumprem três jornadas diariamente, duas na empresa e outra em casa. Para essas tenho uma sugestão: que se aprove lei concedendo-lhe o direito de trabalhar um único turno, corrido, de seis horas nas empresas. Restariam algumas horas a mais para a família. Nada mais justo e lucrativo para a sociedade, pois filhos requerem atenção redobrada nos dias de hoje.  São corajosas, lutam contra tudo e todos a começar pela injusta discriminação. Choram, sorriem, se aprontam a todo instante, se perfumam, dão vida, alegria e estimulam os homens à tudo (estes, às vezes confessam que trabalham muito para ter bens e conquistar as mulheres...rsrs). São cheias de mistérios e encantos. São únicas e especiais. Vencedoras! Mais que os homens. Pobre daquele que não tem (ou teve) o amor da mulher mãe, irmã, esposa, companheiras, filhas, netas ou simples amigas. São elas que nos movem e hoje, mais ainda, inseridas no mercado de trabalho, já em escala considerável, temos mais essa categoria de mulheres, as colegas de trabalho. Têm a delicadeza das flores e só elas sabem humanizar esse ambiente onde passamos a maior parte do tempo de nossas vidas. Mulher é tudo na vida. Aprendi a amar todas, cada uma a seu modo próprio e pelo que representam para nós mesmos e para a sociedade como um todo, a mulher-mãe, esposa, irmã, amiga. Nós somos aquilo que elas, as mulheres, nos fizeram, do nascimento à paternidade. Simples assim! Uma benção dos céus! Assim pensa o menino de feliz infância passada nas Terras de Sant´Anna das Lavras do Funil e que, literalmente, sempre viveu cercado por elas. Graças a Deus. Que elas sejam felizes, não só no dia oito de março, mas, sempre e como sempre mereceram!

 
Brasília, 08 de março de 2014

 
Paulo das Lavras
 
     As fotos que ilustram esta crônica são pinturas, magníficas, do fazendeiro Robert Duncan, de Utah/USA
 



quinta-feira, 6 de março de 2014

A culpa é do aluno

É cada uma... #trágico!
Recebi, em uma rede social, a mensagem acima. Em seu cabeçalho, ao lado da nota que o aluno recebeu, constava apenas a observação:  “É cada uma... # trágico!”, em clara referencia aos conhecimentos ali contidos. Contestei de imediato nos seguintes termos:
À primeira vista parece mesmo trágico e engraçado. Talvez, por isso, os comentários nessa linha são até pertinentes. Porém à vista de especialistas em avaliação acadêmica a questão tem dois lados. Em minha opinião não se pode penalizar exclusivamente o aluno. Ele é o elo mais fraco, a primeira e maior vitima do sistema. E nesse sistema o primeiro responsável é o professor.
            Verifiquei vários comentários sobre esse caso e encontrei um que combina com o meu ponto de vista. Diz o seguinte:
“Na boa, a qualidade da resposta está intrinsecamente ligada à má qualidade da pergunta. Nós não percebemos porque nos acostumamos com este tipo de avaliação. #trágico!”.
            A maioria de nossos professores só pensa no exame vestibular e querem “treinar” seus alunos para as tais pegadinhas. Ora, exame vestibular é para isso mesmo. Não é à toa que o MEC os chama de Processo Seletivo. E selecionar implica mais em “eliminar” do que escolher os melhores. É bem assim... como mil candidatos para 50 vagas. Portanto, está corretissima a análise do Prof Bruno, sobretudo quando diz que estamos tão acostumados com esse tipo de avaliação e, por isso, nem percebemos. Esquecemo-nos que a missão do professor é “formar” o aluno, ensinar-lhe a ser crítico e saber ler, interpretar e comentar/analisar qualquer evento. Para tanto é necessário balizar, orientar... E onde está o reflexo dessa postura pedagógica na péssima formulação da questão?
 Se eu fosse o pai desse aluno entraria com recurso na comissão didático-pedagógica da escola. Exigiria reavaliação em face da pergunta ter sido vaga, a ponto de ensejar novas indagações, como:
É para se focar períodos abrangidos pela guerra, início/causas, meio/ batalhas/logistica e fim/resultados? (a guerra durou cinco anos); o papel dos aliados; a Itália no conflito; o Dia D e o desembarque na Normandia; os reids aéreos; o holocausto; a morte de Hitler, etc, etc, ou ainda, puxando para o lado brasileiro... Porque o Brasil entrou na guerra? a ação da FEB na Itália; A Usina Siderurgica de Volta Redonda; as bases aéreas americanas em Natal; Getúlio e Olga Benário... etc, etc. Ou ainda, sob um aspecto mais global e histórico, quais os impactos da guerra na vida dos cidadãos? Ou ainda falar exclusivamenbte sobre os avanços da ciência e da tecnologia decorrentes das grandes necessidades de suprimentos bélicos, de alimentos, saúde, comunicações (até inventaram o radar e os foguetes e depois os aviões a jato!).
            Do ponto de vista do garoto ele escolheu relatar, em até 10 linhas, a imaginação de uma batalha, muito provavelmente influenciado pelos filminhos de tv, a grande babá eletrônica de nossos dias. Ele acertou e se o conteudo não está bom, o roteiro é 10. O recorte postado de sua redação não mostra o final, mas provavelmente alguns soldados morreram na evacuação que o hipotético comandante ordenara.... Por sua vez, o professor, ao limitar a redação em 10 linhas, demonstra não querer muito trabalho para ler. Depois ainda ironiza o aluno “parabenizando” a criatividade e lhe tasca um zero, vírgula, zero! Então, tá... o aluno é obrigado a adivinhar o que o professor queria que fosse escrito. Até me faz lembrar de um folclórico professor da antiga ESAL que fez a seguinte pergunta em prova: “O que foi dito na porteira da fazenda do Totonho Cambraia, naquele dia da aula prática?” (só um aluno, daqueles que anotam tudo, respondeu).
Nesse caso particular estou com a opinião de outro professor que avaliaria o aluno em tela com nota  5 (cinco), pelo menos e anotação em sua ficha de avaliação sobre a qualidade de sua imaginação. Quem sabe no futuro viria a ser um cineasta? (Havia orientador pedagógico para esse tipo de avaliação/intervenção?). De fato é mesmo uma situação “ # trágica”. Porém para o lado dos professores, pois os alunos são as vítimas indefesas dessa falta de didática e avaliação do desempenho educacional.
 
Brasília, 05 de novembro de 2012
 
Paulo das Lavras