Decorridos
25 anos das viagens, em missões oficiais, retornamos à França para uma visita
sentimental com duplo objetivo: apadrinhar o casamento de antigo amigo e
ex-colega de trabalho naquele país e no Brasil e visitar monumentos, museus e
lugares históricos que não puderam ser vistos antes e explorados com a
intensidade desejada. Centenas de fotos foram tomadas, livros adquiridos e até
ganhamos cópia de um documento original, com assinatura do Fuhrer-Adolf Hitler,
o algoz mundial da II Grande Guerra e que está em poder do amigo e parceiro de
trabalho na França, filho do oficial
francês Robert Reitzer. Também fomos presenteados com cópias das condecorações
que aquele oficial alsaciano recebeu por méritos na luta contra a invasão de
Hitler à França. Esses fatos históricos, ali acontecidos, na França e Alemanha,
que também visitamos no passado, tiveram significado especial para mim, pois
nascido naqueles dias de encerramento da Guerra Mundial, muito ouvira falar e por
isso tinha imensa curiosidade em visitar e conhecer aqueles locais. Sorte
minha, o orgulhoso filho daquele oficial da Resistência francesa, que participou
da pequena expedição militar ao bunker de
Hitler, Daniel Reitzer, foi nosso anfitrião e nubente do qual fomos
padrinhos. Ali estávamos, agora, em
Paris para celebrarmos seu casamento, numa cerimônia chamada PACSÉ, equivalente
ao casamento com liberdade para se desfazer a união sem burocracia. É um tipo de
casamento à francesa e que será contado
em crônica especial nesta série “De volta à França".
Reunimos
uma grande quantidade de documentos suficientes para a produção de crônicas
durante um ano inteiro. A série de crônicas “De Volta à França” contará
histórias reais que vimos (e vivemos algumas) na velha França, berço de grande
parte da cultura mundial. Muitas emoções ali vivemos, nos anos em que lá
trabalhamos e principalmente agora nesta viagem sentimental, exclusiva para o laissez
faire e nesse sentido, muitos dos locais visitados tocaram fundo na alma do
menino que, com especial emoção se lembrava dos sonhos das aulas de francês no
colégio ou ouvindo as reportagens culturais da Radio France. Cada um desses
locais, como o Arco do Triunfo, Museu do Louvre, as Máquinas de Marly que,
desde 1684, bombeavam água a mais de 150
metros de altura e distância de 162 metros pela encosta do morro até despejá-la
no aqueduto que a conduzia aos jardins do Palácio de Versailles, tendo sido
considerada uma das maravilhas do mundo na época. Não menos emocionantes foram
as visitas à Torre Eiffel, Museu das Artes e Ofícios, Museu do Desembarque das
Tropas Aliadas e o respectivo cemitério da Normandia, o mais emocionante
encontro com a História contemporânea. Além disso, conhecemos o original da
Estátua da Liberdade, da qual os franceses fizeram uma réplica, de tamanho
maior e a plantaram na entrada do porto de Nova York, onde se tornou o símbolo
da América. Não
bastasse isso, ainda houve, quando à trabalho, visitas às Escolas e Centros de Pesquisas Agrícolas, com
destaques para o Institut Nationale Agronomique Paris-Grignon (INAPG) e a École Nationale
Vétérinaire d'Alfort (ENVA) que tiveram papeis históricos na criação dos cursos
de agronomia (1877) e veterinária no Brasil (1910).
Foi
uma viagem de afeto, puro deleite para a
alma, com direito às reminiscências dos tempos de estudante colegial e livre de compromissos de trabalho. Foi bem
demorada, mas não o bastante para que se esgotassem as opções de visitas, mas o
suficiente para alegrar a alma, reviver e viver o que a cultura francesa foi
capaz de nos ensinar durante os sete anos de aprendizado colegial, alimentando e instigando os sonhos do menino. Valeu a pena e aqui vamos
contar em série aquelas prazerosas visitas na terra dos gauleses. Obrigado ao mestre,
Professor Canísio Ignácio Lunkes que , com sua sabedoria e excepcional
didática, fez crescer na mente do menino o desejo de aprendizado, especialmente
do idioma francês.
Brasília,
11 de dezembro de 2013
Paulo
das Lavras
Investido da
autoridade autoproclamada de Maire da charmosa comunidade de Saint Savin sur
Guertampes, o Monsieur Dasilva, portando a faixa Bleu, Blanc et Rouge, as cores
da bandeira nacional da frança, lê as regras do matrimônio pactuado sob a nova modalidade
Pacs. Por se tratar de contrato de duração limitada, ofereceu à noiva, que é
médica em Paris, se necessário for, asilo no distante Brasil tropical...
Irreverentes e como adoram o Brasil, os franceses caíram na gargalhada... e
tomem champanhe...
O
celebrante oferece as alianças aos noivos
Amigos
franceses presentes à cerimonia e que trabalharam nos projetos de cooperação
educacional de ciências agrárias Brasil/França, 1986 -1990.
O
Museu do Desembarque, de 06 de junho de 1944, das Tropas Aliadas na Normandia
Bunker
alemão, na praia de Omaha, Normandia, bombardeado pela RAF
Uma reflexão respeitosa diante de um dos mais de
nove mil túmulos de soldados tombados em combate ali naquelas praias da
Normandia. Só no primeiro dia, 06 de junho de 1944, o chamado Dia D, foram
quase seis mil soldados das tropas aliadas mortos durante o desembarque. Não há
como não se emocionar diante do túmulo de um soldado que lutou e morreu para
garantir a nossa liberdade
Conversando
com jovens universitários ao pé da verdadeira Estátua da Liberdade, no Museu
des Arts et Métiers. Sim, esta é a verdadeira estátua a partir da qual os
franceses fizeram o molde, ampliaram e ofereceram aos americanos que a
colocaram na entrada do porto de Nova York. Assim conta a história ao pé desse
monumento. Conversar com jovens é prazeroso, pois têm um grande horizonte pela
frente. Renovam nossas energias e nos permitem conhecer melhor um povo, seus sonhos e o futuro da nação.
O
bastião da Liberdade, Igualdade e Fraternidade nos remonta ao ano de 1789,
quando se deu a tomada da Bastilha, marco da Revolução Francesa que tanto
influenciou a história da humanidade. Ali, naquela praça, rolaram cabeças literalmente.
Decoração
de natal, vista a parir da Place de la Concorde e mostrando os Cavalos de
Marly, bem à entrada da Avenida Champs Elysées.
Os
canhões de Napoleão no Museu de l´Armée - les Invalides
No
Panteão Nacional. Honra às grandes figuras francesas
Checando
os cadeados da sorte no amor. Não havia lugar para nenhum mais, embora eu tenha
sugerido ao noivo ali deixar um... rsrs
O
Institut Nationale Agronomique de Paris, onde desempenhamos missão de cooperação, no
final dos anos 80, com várias universidades brasileiras. Interessante lembrar
que o ensino da agronomia no Brasil começou em 1887, há 126 anos em Cruz das
Almas-Ba, com professores vindos desse Instituto Superior. Brasil e França tem
história.
O
bonito Castelo de Malmaison, próximo a Versalhes, mandado construir por
Napoleão Bonaparte para sua primeira esposa, a Imperatriz Josephine. Um luxo em
seu interior, cristais e ouro por toda a parte. Vale
a pena visitar
Obras
raras na Biblioteca Histórica de Paris
Numa
boa livraria
No
romântico Café de Flore, em Saint Germain des Prés desde 1885. Ali o filósofo
Jean Paul Sartre e a escritora Simone de Beuavoir se reuniam para suas
produções intelectuais. Cachimbos sempre dão uma conotação diferente, ainda que
emprestados, enquanto os jovens se deliciam com um café e trocam juras de amor.
Frio de 04º não espanta ninguém, nem mesmo das mesas do lado de fora, na
calçada onde há campânulas de aquecimento elétrico (amareladas, no teto), entre
as lâmpadas de iluminação e que refletem um calor especial sobre as mesas.
Ao
final da viagem, as infalíveis comprinhas de especialidades francesas.
Tratamento vip aos clientes. No cartaz ao fundo não é a nossa modelo Ana
Hickmann, não, mas se parece demais. Pensei que fosse, mas é Charlize Theron, atriz e modelo
exclusiva para o perfume J´adore, da Dior, que havia sido lançado recentemente
Voltando
das comprinhas das listinhas de encomendas. Também, para quem passou a vida
inteira rodeado de mulheres na família e no trabalho (no MEC a maioria dos
funcionários era de mulheres), nada demais em atendê-las. Haja mãos para
carregar tantos pacotes, mas,
acaba
sendo prazeroso, especialmente para as crianças.
Nas
metáforas do poeta e filósofo Rubem Alves, a saudade faz crescer o desejo e
quando o desejo cresce, preparam-se os abraços. E eu tinha mesmo crianças
morando dentro de mim e tinha medo da solidão dos finais de semana, sozinho, encerrado
em hotéis, sem ninguém
para conversar e muito menos em seu
idioma pátrio que tem jeito e gosto de infância.
A saudade
torna encantadas as pessoas e faz crescer o desejo e quando o desejo cresce,
preparam-se os abraços e, convenhamos, abraços seguidos de presentes e mimos,
vindos de longe... E tomem pacotes...
Um
último passeio, com caminhada às margens do Sena, de águas límpidas e azuladas,
em Rueil-Malmaison, não muito distante de Versalhes. Ali perto se localizavam as Máquinas de Marly. Frio de 02ºC, ainda no início de dezembro.
Apenas
três km para se chegar à Floresta, margeando as águas azuis do Rio Sena e
pensar que logo mais, à noite... estava previsto o embarque de volta para casa.
Uma viagem de 11.000km de Paris à Brasília. Missão cumprida, agora o retorno ao
nosso ensolarado paraíso tropical. Frio de 02 graus incomoda
um pouquinho, mas vale a pena,
Paris
é única. Qualquer que seja a estação do ano. À bientôt
Nenhum comentário:
Postar um comentário