sábado, 28 de dezembro de 2013

De volta à França (1) - Missão cumprida


Decorridos 25 anos das viagens, em missões oficiais, retornamos à França para uma visita sentimental com duplo objetivo: apadrinhar o casamento de antigo amigo e ex-colega de trabalho naquele país e no Brasil e visitar monumentos, museus e lugares históricos que não puderam ser vistos antes e explorados com a intensidade desejada. Centenas de fotos foram tomadas, livros adquiridos e até ganhamos cópia de um documento original, com assinatura do Fuhrer-Adolf Hitler, o algoz mundial da II Grande Guerra e que está em poder do amigo e parceiro de trabalho na França,  filho do oficial francês Robert Reitzer. Também fomos presenteados com cópias das condecorações que aquele oficial alsaciano recebeu por méritos na luta contra a invasão de Hitler à França. Esses fatos históricos, ali acontecidos, na França e Alemanha, que também visitamos no passado, tiveram significado especial para mim, pois nascido naqueles dias de encerramento da Guerra Mundial, muito ouvira falar e por isso tinha imensa curiosidade em visitar e conhecer aqueles locais. Sorte minha, o orgulhoso filho daquele oficial da Resistência francesa, que participou da pequena expedição militar ao bunker de  Hitler, Daniel Reitzer, foi nosso anfitrião e nubente do qual fomos padrinhos. Ali estávamos, agora,  em Paris para celebrarmos seu casamento, numa cerimônia chamada PACSÉ, equivalente ao casamento com liberdade para se desfazer a união sem burocracia. É um tipo de casamento à  francesa e que será contado em crônica especial nesta série “De volta à França".

Reunimos uma grande quantidade de documentos suficientes para a produção de crônicas durante um ano inteiro. A série de crônicas “De Volta à França” contará histórias reais que vimos (e vivemos algumas) na velha França, berço de grande parte da cultura mundial. Muitas emoções ali vivemos, nos anos em que lá trabalhamos e principalmente agora nesta viagem sentimental, exclusiva para o laissez faire e nesse sentido, muitos dos locais visitados tocaram fundo na alma do menino que, com especial emoção se lembrava dos sonhos das aulas de francês no colégio ou ouvindo as reportagens culturais da Radio France. Cada um desses locais, como o Arco do Triunfo, Museu do Louvre, as Máquinas de Marly que, desde 1684,  bombeavam água a mais de 150 metros de altura e distância de 162 metros pela encosta do morro até despejá-la no aqueduto que a conduzia aos jardins do Palácio de Versailles, tendo sido considerada uma das maravilhas do mundo na época. Não menos emocionantes foram as visitas à Torre Eiffel, Museu das Artes e Ofícios, Museu do Desembarque das Tropas Aliadas e o respectivo cemitério da Normandia, o mais emocionante encontro com a História contemporânea. Além disso, conhecemos o original da Estátua da Liberdade, da qual os franceses fizeram uma réplica, de tamanho maior e a plantaram na entrada do porto de Nova York, onde se tornou o símbolo da América. Não bastasse isso, ainda houve, quando à trabalho, visitas às Escolas  e Centros de Pesquisas Agrícolas, com destaques para o Institut Nationale Agronomique Paris-Grignon (INAPG) e a École Nationale Vétérinaire d'Alfort (ENVA) que tiveram papeis históricos na criação dos cursos de agronomia (1877) e veterinária no Brasil (1910).

Foi uma  viagem de afeto, puro deleite para a alma, com direito às reminiscências dos tempos de estudante colegial e  livre de compromissos de trabalho. Foi bem demorada, mas não o bastante para que se esgotassem as opções de visitas, mas o suficiente para alegrar a alma, reviver e viver o que a cultura francesa foi capaz de nos ensinar durante os sete anos de aprendizado colegial,  alimentando e instigando  os sonhos do menino. Valeu a pena e aqui vamos contar em série aquelas prazerosas visitas na terra dos gauleses. Obrigado ao mestre, Professor Canísio Ignácio Lunkes que , com sua sabedoria e excepcional didática, fez crescer na mente do menino o desejo de aprendizado, especialmente do idioma francês. 

 Brasília, 11 de dezembro de 2013

Paulo das Lavras
Investido da autoridade autoproclamada de Maire da charmosa comunidade de Saint Savin sur Guertampes, o Monsieur Dasilva, portando a faixa Bleu, Blanc et Rouge, as cores da bandeira nacional da frança, lê as regras do matrimônio pactuado sob a nova modalidade Pacs. Por se tratar de contrato de duração limitada, ofereceu à noiva, que é médica em Paris, se necessário for, asilo no distante Brasil tropical... Irreverentes e como adoram o Brasil, os franceses caíram na gargalhada... e tomem champanhe...

O celebrante oferece as alianças aos noivos

Amigos franceses presentes à cerimonia e que trabalharam nos projetos de cooperação educacional de ciências agrárias Brasil/França, 1986 -1990.

O Museu do Desembarque, de 06 de junho de 1944, das Tropas Aliadas na Normandia

Bunker alemão, na praia de Omaha, Normandia, bombardeado pela RAF

 Uma reflexão respeitosa diante de um dos mais de nove mil túmulos de soldados tombados em combate ali naquelas praias da Normandia. Só no primeiro dia, 06 de junho de 1944, o chamado Dia D, foram quase seis mil soldados das tropas aliadas mortos durante o desembarque. Não há como não se emocionar diante do túmulo de um soldado que lutou e morreu para garantir a nossa liberdade

Conversando com jovens universitários ao pé da verdadeira Estátua da Liberdade, no Museu des Arts et Métiers. Sim, esta é a verdadeira estátua a partir da qual os franceses fizeram o molde, ampliaram e ofereceram aos americanos que a colocaram na entrada do porto de Nova York. Assim conta a história ao pé desse monumento. Conversar com jovens é prazeroso, pois têm um grande horizonte pela frente. Renovam nossas energias e nos permitem conhecer melhor um povo, seus sonhos e o futuro da nação.
                                                                                                

 
O bastião da Liberdade, Igualdade e Fraternidade nos remonta ao ano de 1789, quando se deu a tomada da Bastilha, marco da Revolução Francesa que tanto influenciou a história da humanidade. Ali, naquela praça, rolaram cabeças                                                                                    literalmente.
Decoração de natal, vista a parir da Place de la Concorde e mostrando os Cavalos de Marly, bem à entrada da Avenida Champs Elysées.

  Os canhões de Napoleão no Museu de l´Armée - les Invalides
No Panteão Nacional. Honra às grandes figuras francesas

Checando os cadeados da sorte no amor. Não havia lugar para nenhum mais, embora eu tenha sugerido ao noivo ali deixar um... rsrs

O Institut Nationale Agronomique de Paris, onde desempenhamos missão de cooperação, no final dos anos 80, com várias universidades brasileiras. Interessante lembrar que o ensino da agronomia no Brasil começou em 1887, há 126 anos em Cruz das Almas-Ba, com professores vindos desse Instituto Superior. Brasil e França tem história.

 
O bonito Castelo de Malmaison, próximo a Versalhes, mandado construir por Napoleão Bonaparte para sua primeira esposa, a Imperatriz Josephine. Um luxo em seu interior, cristais e ouro por toda a parte. Vale a pena visitar

 



 
Obras raras na Biblioteca Histórica de Paris





 
Numa boa livraria


 No romântico Café de Flore, em Saint Germain des Prés desde 1885. Ali o filósofo Jean Paul Sartre e a escritora Simone de Beuavoir se reuniam para suas produções intelectuais. Cachimbos sempre dão uma conotação diferente, ainda que emprestados, enquanto os jovens se deliciam com um café e trocam juras de amor. Frio de 04º não espanta ninguém, nem mesmo das mesas do lado de fora, na calçada onde há campânulas de aquecimento elétrico (amareladas, no teto), entre as lâmpadas de iluminação e que refletem um calor especial sobre as mesas.

 



 
Ao final da viagem, as infalíveis comprinhas de especialidades francesas. Tratamento vip aos clientes. No cartaz ao fundo não é a nossa modelo Ana Hickmann, não, mas se parece demais. Pensei que fosse,  mas é Charlize Theron, atriz e modelo exclusiva para o perfume J´adore, da Dior, que havia  sido lançado recentemente



 Voltando das comprinhas das listinhas de encomendas. Também, para quem passou a vida inteira rodeado de mulheres na família e no trabalho (no MEC a maioria dos funcionários era de mulheres), nada demais em atendê-las. Haja mãos para carregar tantos pacotes, mas, 
acaba sendo prazeroso, especialmente para as crianças. 
Nas metáforas do poeta e filósofo Rubem Alves, a saudade faz crescer o desejo e quando o desejo cresce, preparam-se os abraços. E eu tinha mesmo crianças morando dentro de mim e tinha medo da solidão dos finais de semana, sozinho, encerrado em hotéis, sem ninguém
  para conversar e muito menos em seu idioma pátrio que tem jeito e gosto de infância. 
A saudade torna encantadas as pessoas e faz crescer o desejo e quando o desejo cresce, preparam-se os abraços e, convenhamos, abraços seguidos de presentes e mimos, vindos de longe... E tomem pacotes...


 
Um último passeio, com caminhada às margens do Sena, de águas límpidas e azuladas, em Rueil-Malmaison, não muito distante de Versalhes.  Ali perto se localizavam as Máquinas de Marly.  Frio de 02ºC, ainda no início de dezembro.

 Apenas três km para se chegar à Floresta, margeando as águas azuis do Rio Sena e pensar que logo mais, à noite... estava previsto o embarque de volta para casa. Uma viagem de 11.000km de Paris à Brasília. Missão cumprida, agora o retorno ao nosso ensolarado paraíso tropical. Frio de 02 graus incomoda um pouquinho, mas vale a pena, 
Paris é única. Qualquer que seja a estação do ano. À bientôt













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