sábado, 12 de maio de 2018

Dia das Mães – uma Mãe especial, de 97 anos


           Hoje, 13 de maio de 2018, comemora-se o Dia das Mães. Todos nós gostamos desse dia. Como é bom homenagear as mães. Mesmo para aqueles que não podem mais desfrutar de sua presença, sua lembrança permanente na alma nos toca fundo. E ver, nas redes sociais, a mensagens de amor dos amigos às suas mães queridas nos sensibiliza mais ainda. Como é bom o Dia das Mães. Doces recordações e mais felizes, ainda, aqueles que têm o privilégio de homenageá-las em vida.


            E hoje faço uma homenagem especial a uma Mãe de 97 anos de idade, natural de Perdões e que vive a vida intensamente, desde aquele 24 de março de 1921. Sim, 1921, ano em que nasceu! Casou-se em 1943, tem 10 (dez) filhos e em 2017 já contava com 21 netos e 12 bisnetos, Foi professora no Instituto Dom Bosco e do Grupo Escolar Otaviano Alvarenga até 1970. Além disso, exerceu diversas funções sociais na comunidade de sua cidade. Ainda hoje escreve crônicas, textos, artigos, poesias, narrações de ontem e hoje para o jornal local e lançou seu livro autobiográfico em 2016: “As veredas de Alba nos barcos da vida”.


            Minhas homenagens de hoje vão para essa Mãe de 97 anos, professora, cronista, escritora e membro atuante na igreja, sempre à frente de obras sociais, Dona Alba de Rezende Bastos. Não a conheci antes e, no ano passado, ganhei de seu filho, Afonso, um exemplar de seu livro e me deliciei com a leitura. Narra sua rica vida profissional, familiar e social na comunidade onde nasceu e sempre viveu, ausentando-se apenas nos períodos de estudos para sua formação profissional. Vale a pena conhecer essa lição de vida e vitalidade. Basta dizer que escolheu como epígrafe para seu livro, a frase do poeta Fernando Pessoa: “Tenho em mim todos os sonhos do mundo”.


            A menos de 20 dias fui surpreendido por minha sobrinha, Jane Lima Reis, que a encontrou após uma missa. Amigas, a sobrinha lembrou-se de dizer-lhe que este menino foi colega de seu filho na velha Esal. Foi o bastante para ela declinar meu nome completo e declarar que era minha amiga no aqui nesta rede social.  E mais, acreditem depois da foto de ambas ela pediu uma foto, sozinha e disse que era um beijo para este amigo. Recebi a foto e fiquei enlevado pelo carinho de mãe. Uma mãe de 97 anos de idade e em plena atividade de escritora, jornalista e de obras sociais.


            Tenho certeza que o carinho que recebi de Dona Alba, ou simplesmente Dona Iaiá, da cidade de Perdões, é mesmo o carinho, o afeto de mãe que ela sempre dedicou e dedica aos filhos, familiares e milhares de ex-alunos. A senhora me fez sentir como filho e por isso, rendo-lhe as minhas homenagens neste Dia das Mães.

            Receba meu abraço, invocando as bênçãos de Deus, para que continue distribuindo amor e esbanjando felicidade, sempre! Igualmente, meu abraço a todas as mães, neste seu Dia especial.


Brasília, 13 de maio de 2018

Paulo das Lavras



Dona Alba: “esse beijo é para o meu amigo Paulo Roberto, de Brasília”,
Recomendação expressa, ao sair da missa, em Perdões, em 22/04/2018
Quanta honra, receber o carinho de uma amorosa mãe, de 97 anos.


Dona Alba e Jane Reis. “Sim, faço a foto, mas depois quero outra,
 sozinha,  para você enviar para meu amigo...”.  Só mesmo uma
 mãe faz isso e já faz 55 anos que perdi a minha, que
 faleceu prematuramente aos 49 anos.



Dona Iaiá e sua bela autobiografia. Leitura agradável,
com belos exemplos de sua longa e produtiva vida,
 esbanjando saúde e alegria
Foto: Jornal Voz – Perdões-MG, 27/03/2017 

Afonso, filho de Dona Alba, meu colega de turma na velha Esal, por ocasião
da celebração do cinquentenário de nossa formatura. Setembro de 2017


sábado, 28 de abril de 2018

Os ipês amarelos de minha terra



Desembarquei do trem maria-fumaça na estação Costa Pinto na velha cidade natal, Lavras. Lá estavam, a me esperar, minha mãe, meu pai e todos os seis irmãos. Abraçaram-me, choraram de alegria depois de tanto tempo fora de casa, num distante internato a dezesseis horas de trem. Caminhamos a pé, carregando a mala de viagem, até a nossa casa, a casa de nossa infância a apenas 300 metros da estação. Como foi boa e gratificante aquela pequena caminhada, com os vizinhos a acenar e cumprimentar o menino que chegava. Como é bom voltar à terra querida, caminhar pela rua de terra, na verdade a velha estrada de rodagem que se iniciava na estação e ligava a zona rural da Serrinha, prosseguindo até o Farias e dali para Três Corações, à esquerda ou a Carmo da Cachoeira à direita. E o menino já a  conhecia, inteirinha, pois aos cinco anos de idade foi levado à cidade de Varginha, no consultório do Dr Valladão, para tratamento de um grave acidente ocular que o fez perder totalmente a visão do olho direito. Aquela rua, melhor a estrada, tinha apenas três casas em seus primeiros cem metros. A casa do Alfredão, cujo pai, Sr. Antônio Scheid Lopes, era o chefe da estação, seguindo-se o portão da Cerâmica N.S. Aparecida, do Sr Custódio Alvarenga e por último a chácara do Sr Nhonhô Gouveia, que chegava até o segundo pontilhão, chamado de mata-burro. Este fazia divisa com nossa chácara, a Fazendinha, de 20 ha, hoje Vila Cruzeiro do Sul. Passado o mata-burro, caminhava-se por uns duzentos metros sob a sombra de mangueiras enfileiradas e lá estava a doce casa de minha infância. Como é bom chegar, rever a família e vizinhos, quase todos à porta de suas casas no horário da chegada do trem.  Receber o afeto de todos era como sentir-se “protegido”, seguro em meio a todas as pessoas queridas.

Como é bom ser bem recebido assim, caminhar abraçado aos pais e irmãos que se revezavam no toque, nas mãos dadas e sentir o cheiro das mangueiras da terra natal e se extasiar com a belíssima e inteira visão da imponente serra da Bocaina um pouco distante e que emoldurava aquele cenário tão familiar. A velha e grande casa estava lá, do mesmo jeito, pintada de branco com as cimalhas na cor azul bem forte, destacando as caprichadas molduras por sobre portas e as numerosas janelas, tudo em belo estilo português, tal qual tinha visto na zona rural de Lisboa no caminho de Sintra. Como é bom rever e retornar ao doce lar.

Foi então que acordei, sobressaltado, confuso. Parecia que meu espirito saía de meu corpo e naquele estado de sono hipnagógico, quando a mente está destravada e as imagens do subconsciente são tão nítidas e vivas a ponto de sugerir a realidade. Como poderiam estar juntas no mesmo instante as imagens da infância, a dos pais já falecidos e ainda as do longínquo Portugal que só conheci depois de adulto? Percebi que estava apenas sonhando, sufocado e com uma dor danada no peito, a dor física da apneia, agravada pela sequela cirúrgica de uma renitente pleurite aos dois anos de idade e que ainda hoje, depois de setenta anos, ataca nas noites frias de inverno. Mas, pior que a dor física naquele momento hipnagógico foi a da saudade, pois comecei a “ver” a casa mais antiga ainda, da fazenda com o belo ipê amarelo reluzindo à janela do quarto onde nasci. Dor no peito, saudade matadeira, pois como disse o poeta Caio Abreu: “Guardo as memórias que me trazem riso, as pessoas que tocaram a minha alma e que, de alguma forma, me mudaram para melhor. Guardo também a infância toda tingida de giz”. Tinha jeito de arco-íris a minha”.

Compreendi a mensagem do subconsciente que grava as coisas doces da vida e os desejos ocultos da mente. As sequelas cirúrgicas ainda terão alguns invernos a mais pela frente e nada de pessimismos. Mas, mesmo estando, há tanto tempo, a 1.000 km de distancia quero, quando chegar o dia, repousar para sempre debaixo daquela janela, à sombra dos ipês amarelos que a emolduram. E que as pessoas queridas daquela família de então e que ainda hoje lá residem, possam me receber com o mesmo afeto, carinho e amor mostrados em sonho. E desta vez, ainda que eu não sinta mais o abraço e seja apenas cinza cremada, deitem-me para sempre à sombra daquele belo ipê amarelo ao lado da janela do quarto onde nasci. Doces reminiscências da infância. Doce repouso à sombra dos ipês amarelos de minha terra natal.



Brasília, 28 de abril de 2018

Paulo das Lavras

A janela do quarto onde nasci. Fazenda Retiro dos Ipês - Lavras
Foto: Dilma de Abreu



Estação Costa Pinto, em Lavras. Ali desembarcou o menino 
de 13 anos, ao reencontro da família
Foto: acervo de Renato Libeck


A família de sete irmãos, o menino com 11 anos.
 Dois anos depois foram reencontra-lo na estação Costa Pinto


Cidade de Lavras, década de 1950. Trezentos metros adiante da estação estava a  casa do menino.
 Percurso assinalado em azul, pela estrada que ligava Lavras, à Serrinha e Três Corações,
 passando em frente à casa grande da fazendinha.
Incrível realidade do sonho, mostrando aquele antigo caminho que contornava
a matinha da fazendinha, local de aventuras dos meninos e amiguinhos da região.
Foto: acervo de Renato Libeck.


O segundo portão do caminho, ao lado da casa do chefe da estação era a Cerâmica.
 Sr Custódio e seu filho, Tiãozinho Alvarenga (cunhado de minha mãe) também
 eram comerciantes de fumo de rolo. No meio do ano era época de colheita e
havia mutirões para “destalar” as folhas verdes recém-secadas á sombra.
Tarefa para todos, inclusive para os meninos com direito a receber pagamento.
Foto: acervo de Renato Libeck


Logo, logo a casa grande da fazendinha era avistada, tendo ao fundo
a imponente serra da Bocaina. O ipê amarelo à esquerda e casa anexa,
 deram lugar à rua Progresso, justamente na esquina com
 a rua Lazaro de Azevedo Melo. A casa ainda hoje se encontra preservada



Fazenda Retiro dos Ipês em foto de agosto de 2014. Casa de um século de existência
 Sob a sombra de seus ipês, ao lado da janela do quarto onde nasci,
a família me receberá novamente e ali as cinzas repousarão
para sempre, junto ao cordão umbilical que ali também adormece.
O pó retornará ao pó, diz a Bíblia.
Foto: Dilma de Abreu

quinta-feira, 8 de março de 2018

Mulheres..., mudem para Brasília - Aqui vocês podem mais!


Belíssima matéria de capa do jornal Correio Braziliense, de hoje, 08 de Março, Dia Internacional da Mulher, informa que aqui, na cidade de Brasília, elas podem mais. Mais que em todas as capitais brasileiras. Ganham mais que os homens, chefiam o STF, o STJ, o Ministério Publico, a AGU... e, como têm nível de escolaridade maior, fazem a diferença nos concursos públicos.

No mundo inteiro, as mulheres enfrentam machismo, discriminação no mercado de trabalho, dupla jornada... No Brasil, apesar de terem nível de instrução superior e serem mais empreendedoras, ocupam apenas 38% dos postos de chefia e recebem salário menor mesmo quando desempenham funções iguais às dos homens, informa o jornal. E continua...

Mas, é na capital do país que começam a virar esse jogo... E por mérito: elas se valem dos concursos para avançar na conquista de vagas no setor público e, em média têm remuneração superior à dos homens. E, pouco a pouco, ocupam cargos de comando. Estão na chefia do STF, com a ministra Carmem Lúcia; do STJ, com Laurita Vaz, da Procuradoria Geral da República, com Raquel Dodge; e da Advocacia Geral da União, com Grace Mendonça. Ousadas, já chegaram até à instância máxima da Justiça Militar, o STM, com a ministra Maria Elizabeth Rocha, que não hesita em incentivar as mulheres a irem à luta: “Corram atrás de seus sonhos e quebrem paradigmas”.

É ou não é uma belíssima notícia? E por aqui elas controlam até os céus... rsrs, pois elas são maioria no Cindacta 1, que controla o espaço aéreo da capital e já são 45% no restante do país.  Depois ainda dizem que mulheres são dispersas. Aonde? Qual autoridade seria louca de colocar a maioria delas numa atividade tão sensível como o controle de trafego aéreo? Basta um piscar de olhos para provocar uma colisão aérea, especialmente nas operações de aproximação para pousos ou decolagens.

Não preciso dizer mais nada, tenho três filhas que foram ensinadas, desde cedo, a não se submeterem ao jugo masculino. Sempre disse a elas: Estudem, formem-se, prestem concursos, trabalhem muito, comprem um carro, um apartamento e só então se juntem a aquele que vierem a escolher, cada uma, para dividir sua vida e assim viver livre dos machismos que fazem as mulheres tanto sofrer.

Fiquei muito feliz, hoje, bem cedo, ao ler essas notícias em forma de destaque do empoderamento das Mulheres. Elas merecem.
Parabéns a todas vocês, esposa, filhas, neta e amigas. Com vocês o mundo será sempre melhor. Que se tornem mais empoderadas e ocupem o lugar que merecem. Afinal, sem vocês, os homens nem existiriam, pois sequer teriam nascido.
Um abraço

Brasília, 08 de Março de 2018

Paulo das Lavras



sábado, 24 de fevereiro de 2018

Velhos amigos, para que servem?

        Outro dia recebi uma mensagem sobre os velhos amigos. Tinha exatamente o título acima, o qual agora uso. A história contada, por autor desconhecido, tem um texto leve, mas de profundo conteúdo. Guardei-a como lição. E hoje relembrei-me daquela história verdadeira, pois pelo menos dois amigos têm passado por sérios problemas de saúde e um deles reclamou exatamente isto: Onde estão meus amigos? Desapareceram justo no momento que mais preciso. O outro amigo, certamente nos momentos de trégua das intensas dores e sofrimentos físicos, tem postado frequentemente informes médicos sobre sua delicada saúde. Em ambos os casos a mensagem subliminar é a mesma, a falta que nos fazem a companhia dos amigos, sobretudo na hora da angústia. Aliás, os Provérbios 17:17, dizem exatamente assim, como bem lembrou uma amiga: “... Em todo tempo ama o amigo e  na angústia se faz o irmão”.
           
           Mas, veja que linda a lição que o jovem, da história antes mencionada, recebeu de seu pai:

Um jovem recém-casado estava conversando com seu pai sobre a vida, o casamento, as responsabilidades, as obrigações da pessoa adulta e, então, o pai lhe disse:

- Nunca se esqueça de seus amigos! Serão mais importantes à medida que você envelhecer. Independentemente do quanto você ame sua família, os filhos que porventura venham a ter, você sempre precisará de amigos..

Lembre-se de ocasionalmente ir a lugares com eles; faça coisas com eles; telefone para eles...

Que estranho conselho! (Pensou o jovem). Acabo de ingressar no mundo dos casados. Sou adulto. Com certeza, minha esposa e a família que iniciaremos serão tudo de que necessito para dar sentido à minha vida!

Contudo, ele obedeceu ao pai. Manteve contato com seus amigos e anualmente aumentava o número de amigos. À medida que os anos se passavam, ele foi compreendendo que seu pai sabia do que falava. À medida que o tempo e a natureza realizam suas mudanças e seus mistérios sobre um homem, amigos são baluartes de sua vida.

Passados 50 anos, eis o que aprendeu o então jovem e recém casado que decidiu seguir os conselhos do velho pai:

O Tempo passa.
A vida acontece.
A distância separa..
As crianças crescem.
Os empregos vão e vêm.
O amor fica mais frouxo.
As pessoas não fazem o que deveriam fazer.
O coração se rompe.
Os pais morrem.
Os colegas esquecem os favores.
As carreiras terminam.

Os filhos seguem a sua vida como você tão bem ensinou.

Mas..., os verdadeiros amigos estão lá, não importa quanto tempo e quantos quilômetros estão entre vocês.

Um amigo nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo por você, intervindo em seu favor e esperando você de braços abertos, e  abençoando sua vida!

E quando a velhice chega, não existe papo mais gostoso do que o dos velhos amigos... As histórias e recordações dos tempos vividos juntos, das viagens, das férias, das noitadas, das paqueras... Ah!!! tempo bom que não volta mais... Não volta, mas pode ser lembrado numa boa conversa debaixo da sombra de uma árvore, deitado na rede de uma varanda confortável ou à mesa de um restaurante, regada a um bom vinho, não com um desconhecido, mas com os velhos amigos. 

Quando iniciamos esta aventura chamada VIDA, não sabíamos das incríveis alegrias ou tristezas que estavam adiante, nem sabíamos o quanto precisaríamos uns dos outros.

          Maravilhosa lição de vida, relatada nesse conto. Amigo é mesmo fruto de uma escolha pessoal, é a descoberta da alma irmã, um tesouro incalculável, intangível, mas que pode ser sentido mesmo à distância e ainda assim presente em nosso caminho, quer seja nas horas de dúvidas (ninguém fecha um negócio ou toma qualquer decisão importante sem consultar os amigos...) , nas horas de alegria e sobretudo na tristeza, no sofrimento. Há um ditado e que diz que o mineiro é quieto, calado e muito mais solidário na hora da tristeza, da dor. E é verdade, é ombro amigo, mão estendida, coração que vibra com suas vitórias e sofre com suas dores. Basta, às vezes, a sua presença. Amigo verdadeiro é assim mesmo, nem é preciso falar-lhe aquelas bobagens que usamos quando estamos perto de desconhecidos ou recém apresentados, em silêncios constrangedores e soltamos: “ ... será que chove, hoje? O tempo está frio, calor...”. Não, o amigo é aquele que compreende o seu silêncio, suas lágrimas, sua vontade (boba) de sumir. Não precisa e nem exige explicações. Está atento, pronto para ajudar.
           

            Muito já se falou e se escreveu sobre amigos e amizades e por isso não precisamos estender a questão. Mas, os velhos amigos são como os vinhos, quanto mais o tempo passa melhores ficam. Mesmo à distância, basta um telefonema, uma mensagem nas redes sociais, ainda que sem fotos, o sorriso e a alegria sempre estarão presentes a nos confortar.  E para quem mora longe da terra natal...., ah..., existe coisa melhor que visitar velhos amigos ou simplesmente conversar pelas redes sociais, falar dos tempos de infância, do colégio, da vida social?  Foi assim, tem sido, e é por isso que minhas crônicas (99%) só falam dos amigos que granjeei ao longo da vida. São pedaços de nossa vida que se somam aos familiares que estão ao nosso lado, sempre.

           Um amigo nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo por você, intervindo em seu favor e esperando você de braços abertos, e abençoando sua vida, disse o autor desconhecido. Pura verdade! Um abraço.


Brasília, 24 de fevereiro de 2018


Paulo das Lavras


“E quando a velhice chega, não existe papo mais gostoso do que o dos velhos amigos...”
E o relógio marcava exatamente meio dia, hora de almoço. Que se atrase a refeição, mas como deixar de passar na casa do “velho” professor dos tempos de menino de colégio, desde os 12 anos de idade? Velho amigo que mais tarde tornou-se colega de magistério na universidade.
Foram apenas trinta minutos de conversa, mas a alegria para ambos durou muito mais tempo.
Valeu a pena vir de longe, desembarcar em Confins, tomar um Uber  até sua casa,
num bairro no alto das Mangabeiras.

Foto do autor, com o Prof. Nelson Werlang- Belo Horizonte, 06/09/2017



Visitando o “velho” pai, então com 77 anos e que viveu até os 101 (cento e um) anos. Alegria redobrada
Foto do autor - Fazenda Retiro dos Ipês – Lavras, 1983 


 
Velhos amigos na praça da cidade natal- Lavras. Claret Mattioli e Luiz Teixeira da Silva,
 o nonagenário “arquivo vivo” histórico, cultural e artístico da cidade. Reencontrar os
 velhos  amigos é como renovar a alma
Foto: Catarina Julia – 2016



Amigos dos tempos de estudante no lançamento de livro sobre JK.
 Casa Rosada, em Lavras.
Com Ângelo Delphim, Paulo Roberto, Claret Mattioli e Dorinha Guimarães.


Mais amigos na praça, com Rita Penoni, Juca Mattioli e Cris Mattioli
Foto de Catarina Júlia- 2016 



Com Renato Libeck, Antonio Ernesto e o jovem Salgado, diretor técnico
 da Cooperativa Minas Sul, em Lavras

Foto: 2017 - Acervo de Renato Libeck




Um brinde à Dona Edna, nonagenária, mãe de três professores de Agronomia, um da UFV e
dois da Ufla. Ainda tem disposição para assar pernil, pão de queijo e outras guloseimas
 no forno do fogão à lenha e... saborear um bom tinto. E o saudoso bate-papo rolou, ali no antigo
Casarão da Ponte, em Itumirm, até tarde da noite. Velhos amigos são insubstituíveis, renovam nossa alma. Por isso precisamos cultivá-los por toda a vida.

Foto: Chico do Vale – 2016



Velhos amigos de quatro anos inteiros de convivência na faculdade. Festa de confraternização
 dos 50 anos de formatura. Setembro de 2017

Foto: arquivos de Gilnei de Souza Duarte


Visitando o velho amigo Ângelo de Moura Delphim. Com Ericina, Dorinha e Maria José.
Foi pouco o tempo, de duas horas, para colocar as reminiscências da juventude em dia.
Muito bom reencontrar velhos amigos, alma renovada e a certeza de que fomos e somos felizes.
Foto: setembro de 2017. Acervo de Dorinha Guimarães



sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

A cantora Wanderléa em Lavras


Lançado há menos de duas semanas, o livro “Wanderléa... Foi assim. Autobiografia” faz inúmeras referências à cidade de Lavras, onde a cantora morou até os seis anos de idade. Sua casa, cercada de árvores, situava-se à rua Dr. Gammon. Dali costumava pegar carona nos carros de boi até o bairro do Aquenta Sol, conta a Wandeca da turma da Jovem Guarda dos anos 60. Gostava de cantar na Rádio Cultura de Lavras, para onde foi levada por sua vizinha Dona Nhanhá que, um dia, a convidou para cantar numa reunião religiosa em sua casa. Na Rádio, fez referência a um “Regional” que acompanhava as músicas/canções que as crianças interpretavam. Imagino que poderia ter sido o Regional de José Mattioli, o mesmo que nos meados da década de 1950 tocava no programa mirim, Clube do Guri, na mesma rádio. Algumas vezes frequentei aquele programa, no auditório da Rua Benedito Valadares e depois no salão paroquial.  Wanderléa, a Leinha, como era chamada a menininha, aos quatro anos, causou grande comoção numa quermesse, em Lavras, ao cantar ao microfone segurando sua linda boneca loira pelos pés e com a cabeleira  “varrendo” o chão. Aos seis anos de idade a família de Wanderléa se transferiu definitivamente para o Rio de Janeiro e para relembrar sua infância dedicou em seu livro um capítulo especial com o subtítulo “Lavras”.

Suas reminiscências da infância na cidade passeiam por todo o livro e não se restringem apenas ao capítulo especial. Há inúmeras citações a fatos ali acontecidos. Contou que, depois de ter alcançado grande sucesso na Jovem Guarda, com Roberto e Erasmo Carlos, foi matar a saudade de seu gostoso passado na cidade, já no ano de 1999. Visitou a rua na qual morou por muito tempo, onde deixou lembranças que marcaram sua alma. Imagino, ainda, que ela se referia especialmente a aquelas pessoas retratadas a seu lado nas postagens de Renato Libeck. Ler sua autobiografia e também rever as fotos de sua visita à Lavras, foi como retornar à infância, andando pelas ruas e lugares citados de nossa cidade natal.

Adorei o livro autobiográfico, escrito na primeira pessoa, revelando ter sido, e certamente é, uma pessoa de bom coração, muito humanista, de bem com a vida, embora tenha enfrentado muitos percalços. Há passagens muito emocionantes como seu show em um leprosário e nele se lembrou dos tempos de criança em Lavras, quando sua mãe dava comida aos leprosos (naquele tempo ainda não se dizia “hanseníase) que ocasionalmente passavam em frente à sua casa. Um deles, terminando de se alimentar, pediu licença à Dona Odete, a caridosa mãe de Wanderléa, para quebrar a louça e os talheres, pois estariam infectados pela sua doença, mostrando-lhe, sob a capa, o braço enfaixado, corroído pela doença. A menina de apenas seis anos, e muito curiosa, olhava de longe mas, a triste cena ficou gravada para sempre em sua memória. Imagino o quanto ela chorou de emoção naquele show que ofereceu, anos mais tarde, aos desafortunados de um grande leprosário em Fortaleza. Ali, cantou até mesmo na impenetrável caverna escura, onde ficavam os doentes em estado terminal. Ler e sentir os detalhes de sua narrativa, sobre a emoção causada naquele show, foi comovente. Impressionante, ainda em relação a aquela triste caverna, foi que uns dez anos depois, ao ensaiar uma nova musica, teve uma profunda sensação de angústia, aperto no coração, a ponto de interromper o ensaio. Sentou-se, esvaziou a alma e chorou convulsivamente tudo que havia vivenciado na tenebrosa caverna dos leprosos e ainda aquela cena presenciada em Lavras,  em tenra idade, quando sua mães caridosamente alimentava aqueles infelizes doentes à porta de sua casa. Ambas as experiências ficaram adormecidas silenciosamente no fundo de sua alma. “O flagelo humano, a vulnerabilidade da carne e toda a impotência me fizeram cair em prantos e compreender melhor o valor da vida e da solidariedade ao próximo”, escreveu ela em seu livro. Belíssima reflexão, do fundo da alma, coração ternura!

Outra passagem marcante de seu caráter foi quando se desfez de seu carrão importado, um Mustang branco de capota preta, o primeiro a chegar ao país. No trânsito em São Paulo, depois de parar numa rua bloqueada por um caminhão que recolhia lixo, foi reconhecida pelos garis que correram até ela e aplaudiram seu sucesso da TV e nas rádios. Chegou em casa e emocionada com a cena e diante da humildade daqueles garis, decidiu que num país pobre como o nosso não deveria ostentar superioridade de status financeiro e social e por isso vendeu o carrão, conforme ela mesma disse. Coração de pura ternura e deve mesmo, com certeza, ser por causa de gestos assim que o rei Roberto Carlos a batizou de “Ternurinha”.

Wanderléa foi a rainha inconteste da juventude dos anos 60, ao lado do rei Roberto Carlos. Seu livro é um autorretrato sincero, doído em muitos casos e comovente em muitas passagens de sua vida. Revela-se como filha amorosa, carinhosa até mesmo com o pai, um tanto durão na (não) aceitação de sua carreira artística, de mulher independente, resolvida, que gostava de cantar, dançar e se vestir com modelitos avançados para a época. Além disso, sofreu duros revezes, a morte prematura, com apenas 17 anos, de sua irmã Wanderlene, a Leninha, depois veio a morte do pai, seguindo-se o acidente com seu noivo, Nanato, filho do apresentador Chacrinha, que fraturou a coluna num mergulho em piscina e ficou tetraplégico. Ela o acompanhou e dele cuidou, diretamente, por longo tempo e este foi um duro golpe sofrido pela cantora, mudando o rumo de sua vida, deixando em segundo plano a carreira artística. Não bastasse isso tudo, seu próprio filho Leonardo, com menos de três anos de idade, também morreu afogado na piscina de sua casa. Foi a perda mais arrasadora, segundo ela própria e para completar, dez anos depois perdeu seu querido irmão e companheiro Bill, que  faleceu ainda na casa dos 40 anos de idade.

Muita fatalidade, muita dor, que ela suportou, inclusive cuidando de todos esses entes queridos em suas fases finais de vida. Mas, ela sempre intercalou momentos felizes nesses períodos de dor. Dizia, em uma de suas versões musicais que vivia triste e por isso cantava (Tempo de criança).  Cantava e inovava os tempos, tempos duros, disse ela em entrevista:
“vivia como todos os jovens no Brasil, com aquela pressão de comportamento. Os vestidos eram abaixo dos joelhos. Existia todo um ‘bênção mãe, bênção pai’. O jovem não tinha uma identidade própria, uma maneira de vestir, uma gíria própria, músicas próprias. Nós trouxemos, de uma forma muito intensa, essa jovialidade para o país. Era uma briga séria dentro de casa para usar saia curta. Os rapazes usavam só azul marinho, camisa branca, e de repente veio aquela garotada toda cabeluda, blusas de babados, e eu com a minha minissaia”.

Foi de fato uma revolucionária, apesar de todos os percalços e sofrimentos pelos quais passou. Revendo, agora, a série de fotos publicadas pelo historiador e colecionador de quase 100 mil fotos antigas da cidade, Renato Libeck, vejo que realmente ela foi e é muito amorosa, saudosa dos tempos que passou em nossa cidade, comprovando-se assim o que escreveu em sua autobiografia. De fato ela é, sim, além de cantora de sucesso, mulher de valor, humilde, de coração generoso, humanista que cuidou dos entes queridos, com prejuízos para sua carreira profissional. Pura ternura!

Em sua última visita à Lavras houve uma passagem interessante, contou-nos o historiador Ângelo Alberto De Moura Delphim que, então, fora ao Hotel Vitória tomar café da manhã com Wanderléa e o marido. Ela estava na cidade para apresentar um show na Praça Augusto Silva, a principal praça da cidade. Chegou um dia antes e, por volta da meia noite, foi à rua Dr Gammon para ver sua antiga casa. Não a encontrou de pronto, pois as casas haviam sofrido reformas em quase toda a vizinhança. Porém, um morador a reconheceu (e quem não a reconheceria?...) e antes de leva-la ao endereço desejado, convidou-a para entrar em sua casa. Convite aceito, mostrou-lhe um lindo bebezinho dormindo no berço e aos prantos contou à Wanderléa que tinha sido abandonado pela esposa. Pediu sua ajuda e ela, a famosa cantora, durante o show, pediu à mãe do bebê que comparecesse ao palco pois ali estava seu marido. Dessa vez a linda e famosa cantora não mandou que o “Senhor Juiz parasse o casamento....”, ao contrario reatou os laços de união daquele casal que voltou para casa feliz e ambos cuidaram do bebê que, hoje, provavelmente estará lendo essa bonita história. Wanderléa, mais uma vez deu provas de seu doce coração.

Mas, esse não foi o primeiro show que ela apresentou em Lavras. Houve outro, no auditório Lane Morton, do Instituto Presbiteriano Gammon, no ano de 1967 ou 68, segundo nos relata Fausto Novaes, um dos integrantes do conjunto musical “Os Fantásticos”, que tocou na abertura do show. “Ficamos impressionados com a simplicidade, a beleza e classe da Ternurinha que, embora estivesse no auge da Jovem Guarda, tratou a todos com muita simplicidade, alegria e ainda preferiu se hospedar na casa de amigos de infância, ao lado do Instituto Gammon, próximo ao local onde residiu quando criança”, completou o guitarrista, Fausto.

De minha parte, como todo jovem daquela época e com a mesma idade da “Ternurinha”, acompanhava tudo pelo rádio, TV e revistas e, lógico, entrava na onda daquela “festa de arromba”. Assisti  a seu show em Uberaba, em 1966, no auge de sua carreira, quando se apresentou ao lado de Renato e Seus Blue Caps e outros artistas. Mais tarde, já no ano de 1997, embarquei em Brasília no Boeing 737/300 da Varig, de prefixo PP-VOZ, com destino a São Paulo para assistir ao show “Jovem Guarda 30 anos - A Festa”, que estava com mais de um ano e meio em cartaz e fazia tremendo sucesso. Hospedei-me num hotel na Rua da Consolação, bem próximo ao antigo Teatro da Record, que foi palco dos shows da Jovem Guarda nos anos 60. Dia seguinte, 17 de julho de 1997, uma quinta feira, recebi os amigos de Lavras  e nos dirigimos para a tradicional casa de espetáculos Tom Brasil, em Santo Amaro (na época também era conhecido por HSBC Brasil), onde se daria o show. Com mais de duas horas de duração, apresentaram-se muitos daqueles que integravam a turma da Jovem Guarda das tardes de domingo na TV Record, como, Eduardo Araújo que entrou no palco dirigindo uma réplica do carro vermelho conversível, cantando “Eu sou o Bom”, e mais, Silvinha,  Jerry Adriani, Incríveis (Netinho, baterista e organizador do evento), Vips (Marcio Antonucci), Ronnie Von, Ed Wilson, Martinha, Leno e Lilian,Trio Esperança, Wanderley Cardoso, Rosemary, Deni e Dino, Golden Boys e tantos outros. Mas, sem demérito para os demais, a atração principal foi mesmo a Wandeca, com sua micro-saia de couro e botas de cano alto e 100 milhões de fios de cabelos loiros, muito compridos, esvoaçantes, formando linda e maravilhosa cabeleira tal qual Barbarela, na qual ela própria disse ter se inspirado no look. Fomos ao delírio com a sua canção “O tempo do Amor”, o maior sucesso e a canção que ela própria mais gostava:
“Já chegou, já chegou/Novamente a bonança/Todo mal já passou/Já voltou a esperança/Vamos dançar e namorar/Sempre alegre ser.
Vivendo assim a sorrir/A vida tem mais sabor/É o tempo do amor (Tempo do amor)
Uh uh uh uh uh, uh uh uh uh uh.
É feliz, bem feliz/Quem amar de verdade/Se viver como nós/Sem rancor, nem maldade
Vamos cantar, sem pensar/Que o mundo é tão ruim.../ É o tempo do amor...”

            Esse foi dos melhores shows daquela turma, segundo as próprias palavras de Wanderléa, ensejando, inclusive, o lançamento de dois CDs. E posso afirmar que realmente foi uma catarse. O público lotava o imenso auditório, todas as noites, escreveu a cantora, acrescentando que “o amor das pessoas estava ali, intacto, me enchendo de alegria e boas vibrações”, trinta anos depois, do mesmo jeito. 

             Tempos bons, não somente a época da infância da cantora como também os anos dourados da década de 1960, quando ela e sua turma da Jovem Guarda embalaram os sonhos daquela juventude sadia, sem vícios e que apenas queria se divertir. E como nos divertimos com aquele som chamado de iê, iê, iê (parodiando os Beatles, yeah, yeah, yeah...). e para entrar na onda deixamos de lado as calças Lee, Topeka e Sheriff e passamos a trajar a nova calça Calhambeque, da griffe do rei Roberto Carlos. Ah..., a camisa social da época era a Volta ao Mundo (que não amarrotava...rsrs) e a brilhantina nos cabelos era farta, lustrosa. As meninas usavam penteados de coque alto, como ninho de passarinho, com muito laquê.  Predominavam as minissaias com até um palmo acima do joelho, enquanto que a ousada Wandeca usava, segundo escreveu em seu livro, a micro-saia de apenas quatro dedos abaixo do púbis. Sim, para as zelosas mães que mantinham  rígido controle sobre as filhas,  era muita ousadia da “Ternurinha”. Realmente, tempos bons daquela juventude. E a nossa querida cantora sempre expressou muito bem essa alegria e nos empolgou muito mesmo, ali em São Paulo, já cinquentão de cabelos grisalhos, mas com o coração de vinte anos apenas.

Hoje, novamente, com seu livro autobiográfico, nos leva a um passado gostoso, marcado pelas doces tardes de domingo da Jovem Guarda na TV Record de São Paulo e as habituais horas dançantes no Clube de Lavras ou mesmo nas frequentes reuniões em casas de amigas. Mães muito ciosas preferiam que as filhas recebessem os amigos em suas próprias casas, sob constante e direta supervisão/vigilância. Mas, ainda assim sempre era possível roubar um beijo das meninas pelos corredores da casa, o que era o máximo permitido à época... um beijo roubado (na verdade, consentido, cúmplice), rápido, corrido, adrenalina a mil por estar transgredindo as rígidas normas e a cerrada vigilância de então. Por isso, ler o livro autobiográfico de Wanderléa é como se tivéssemos sido protagonistas de sua vida e, em certo sentido, podemos afirmar que sim. Ótimas lembranças! Foi uma brasa, mora!

Gostaria de sugerir aos amigos lavrenses, especialmente ao Possato, Libeck, Angelo Delphim, Mattioli e outros a procurarem a Prefeitura de Lavras (Secretaria de Cultura ?) e sugerir um convite, uma recepção cultural, uma homenagem a ela, a cantora Wanderléa (de sobrenome Salim), pois ela ama nossa cidade onde viveu a infância e ainda tem parentes. Talvez uma solenidade na belíssima Casa da Cultura, com cerimônia de lançamento de seu livro, que é recheado de inúmeras referências à comunidade local, à família Salim, irmãos de seu pai e muitas outras pessoas com as quais ela conviveu até o início dos anos 50. Com a palavra a comunidade! Ela merece o título de Cidadã Honorária, não apenas pelo fato de ter aí vivido e agora divulgado com amor e carinho os tempos de sua infância em Lavras, mas, sobretudo por ser quem ela é: mulher de valor, íntegra humilde e de doce coração, “Ternura” que a todos ama.

E se realizarem esse evento, não deixem de divulga-lo, pois, embora distante mil quilômetros e por mais de quarenta anos, aí estarei para mais uma festa de arromba, de homenagem a essa maravilhosa pessoa. Uma festa para, novamente, arrombar nossos corações com a alegria contagiante da cantora “Ternurinha”. E é mesmo, um doce de menina. Abraça-la e agradecer pelas alegrias proporcionadas à nossa juventude, cujo amor ainda permanece em nossos corações, será muito prazeroso. Seus shows têm sido momentos mágicos de volta ao passado. Alegria pura! E a alegria é valiosa e mais, a música é parte importante dos momentos felizes, disse a cantora. A musica é capaz de acalmar a alma, nos enleva e faz-nos flutuar no tempo das doces recordações. Concordo com ela, a cantora de terno coração, a musa de todos os tempos, como bem disse seu querido irmão, Bill, empresário que cuidava de sua imagem, repertório, figurinista sem igual. Para ela “O tempo do amor das jovens tardes de domingo é hoje. É agora. Aquela boa energia nos deixa com sede de futuro”. Sim, concordo..., somos eternas crianças a rememorar o passado e a projetar um futuro feliz.

Brasília, 26 de janeiro de 2018

Paulo das Lavras


A expressão preferida da cantora, a alegria e a volumosa e bela cabeleira
no look de Barbarela, na capa de seu livro autobiográfico
Foto: Capa do livro “Wanderléa...Foi Assim” - 2017


Wanderléa visitando antigos vizinhos, em Lavras (Iris e outros).
Av. Dr Gammon, ano 1999. Alguns estudaram com seu irmão, Wanderley, que a acompanhou durante toda a vida profissional. Também a irmã, Wanderlene ,  estudou no mesmo Grupo Escolar Álvaro Botelho.  Infelizmente foi vítima de bala perdida e faleceu, aos 17 anos, no Rio de Janeiro.
Os amigos relembraram à Wanderléa os tempos felizes da infância, ali, naquela rua, ao lado de vários de seus irmãos mais velhos, o pai Antônio Salim e a mãe Odete. Foi um reencontro mais que feliz para a cantora que, além do carinho e admiração recebidos, pôde reviver aqueles doces anos de sua infância.
Na foto, Vanildo, vizinho e contemporâneo apresenta-lhe sua filhinha.
Foto: Acervo de Renato Libeck



Rua Dr Gammon, anos 60, onde morou Wanderléa e sua numerosa família até o inicio da década de 1950, quando então se transferiram para a cidade do Rio de Janeiro
Foto: Acervo de Renato Libeck


Com a amiga e vizinha de infância, Iris. Emoção da amiga e
a alegria e ternura até no toque pessoal da cantora. Um doce de menina.
Foto: Acervo de Renato Libeck

Toda a rua se mobilizou com a ilustre visita. Até o “papagaio”
 veio fazer festa para Wanderléa. Ela escreveu em seu livro que vendia frutas e verduras numa cestinha e cada vizinha dizia: “Leinha, compro uma verdura , mas só se você  cantar um pouquinho pra mim”. E ela cantava.
Foto: Acervo de Renato Libeck

No portão da casa de uma “vizinha” da rua Dr Gammon, em Lavras.
Foto: Acervo de Renato Libeck

Em entrevista a uma rede de TV, em Lavras, ano de 1999
Foto: Acervo de Renato Libeck





Wanderléa durante os ensaios do musical "60! - Década de Arromba".
Foto: André Rodrigues